terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Efeitos do Pentecoste

A intenção aqui não é criticar, nem defender o movimento pentecostal, ou alguma igreja denominada assim; a intenção aqui é apontar à luz da Palavra de Deus, o que julgo ser um povo movido pelo poder pentecostal e a repercussão desta experiência ao mundo.
Por motivos óbvios vou estar utilizando textos de Atos, apoiados, é claro, pela interpretação de toda a Bíblia.
Não há como negar que o que aconteceu aos apóstolos no dia do pentecoste foi uma experiência sem igual, que jamais houve, e nunca mais haverá, simplesmente porque naquela ocasião o Espírito Santo de Deus foi enviado a este mundo como consolador e ensinador (Jo 14:26).
Além de consolador e revelador das verdades de Deus, uma outra consequência prática após a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, foi a ousadia e intrepidez com que anunciavam a Jesus, sua obra salvívica, morte e ressurreição. A ousadia deles era tamanha que mesmo após prisões e açoites (At 5:40), sentiam-se felizes e agraciados por terem sido achados dignos de padecerem pelo nome de Cristo e continuavam a pregar, ensinar e anunciar a Jesus.
É importante nesse ponto notar que o centro da mensagem dos apóstolos sempre foi Jesus, sua crucificação e ressurreição. Os sinais e milagres apenas acompanhavam a exposição da Palavra, para testemunho e confirmação do que estava sendo exposto, para uma geração incrédula. Nunca vamos ver Pedro e os demais apóstolos fazendo dos sinais e milagres tema principal de sua pregação e recebendo glória por eles (At 4:29-31).
É interessante ver como hoje muitos pregadores fazem da cura, manifestações de poder, sinais e prodígios, carro-chefe de seus sermões e igrejas, como se essas coisas fossem trazer santidade ao povo e se esquecem de que Jesus deve ser sempre o tema principal de nossa vida.
Não dá para aceitar um avivamento, seja esse individual ou coletivo, seja como você quiser crer, sem que haja um desejo quase incontrolável por transmitir a mensagem do evangelho. Não dá para crer em avivamento no domingo, quando no restante da semana nada ou muito pouco mudou na vida das pessoas.
Outra característica produzida na igreja primitiva após o dia do pentecoste foi a união entre os irmãos (AT 2:44-47). O amor uns pelos outros foi tão grande que alguns por livre e espontânea vontade, vendiam suas propriedades e depositavam o dinheiro da venda aos pés dos apóstolos para repartir a quem tivesse necessidade. Essa abnegação aos bens materiais era tanta, que chegavam ao ponto de dizerem que nada do que possuíam eram seus, senão que eram de todos (4:32), e o mais surpreendente é que entre eles não havia nenhum necessitado (v. 34).
O Espírito Santo de Deus derramado na vida de uma pessoa como foi no dia de pentecoste, tráz junto a ele o fruto do Espírito (Gal 5:22), de modo que o mundo veja e reconheça o verdadeiro filho de Deus (Jo 14:35).
Infelizmente, igrejas que dizem ter sofrido um avivamento, ou que buscam constantemente um “renovo espiritual” de uma forma coletiva, se esquecem que subsequente a esse derramamento de poder deve haver fruto: fruto do Espírito. Avivamento não é barulho, nem tampouco um enchimento mesquinho e egoísta, onde cada vez mais se busca poder, poder e no final não se sabe o que fazer com tanto “poder”. Avivamento é prática de vida cristã, é amor, bondade, longanimidade, mansidão, domínio próprio, paz, gozo, fé, benignidade, e contra essas coisas não há lei.
É claro que todas essas virtudes fazem parte da santificação do crente que deve ser constante e progressiva, mas mesmo assim não estamos vendo muita gente hoje em dia pregando sobre isso, simplesmente porque isso não atrai multidões, não dá ibope.
Não dá para acreditar em um avivamento onde o egoísmo, o individualismo e a paixão pelas coisas materiais anule o amor e a comunhão entre as pessoas. Onde a preocupação com as coisas desse mundo nos tape os olhos de modo que deixemos de ver o irmão ao nosso lado que passa por necessidades.
Uma outra consequência na vida de uma pessoa marcada pelo Espírito Santo de Deus, é que essa pessoa vai ser perseguida. Não só vemos isso na vida dos apóstolos de uma forma prática, como também lemos nas Palavras de Jesus, que já havia predito que isso aconteceria (Jo 15:19, At 5:17-18).
Se você está oferecendo através de suas mensagens apenas o que o mundo quer ouvir e não aquilo de que ele necessita, e dessa forma atraindo multidões que na verdade são movidas apenas por desejos egoístas, cuidado. A história da igreja sempre foi marcada por perseguições, as mais diversas possíveis. Quem um dia propôs em seu coração falar das verdades de Deus, sem meios-termos, sempre foi visto com olhos indiferentes pela maioria. Portanto se a sua mensagem mais agrada que provoca mudança, é melhor que reveja seus conceitos, pode ser que esteja dando aquilo que a multidão quer ouvir e não o que ela precisa ouvir.
Não dá para acreditar em avivamento na vida de um pastor ou ministro do evangelho que não aceita passar por perseguição, que não aceita tribulação na sua vida, que exige hotel 5 estrelas e pagamento para pregar, e o pior, ensinam o povo que essas coisas devem acompanhar e são sinais de uma vida vitoriosa em Deus (Fil 4:10-13).
Se queremos um avivamento pentecostal em nossas vidas ou se acreditamos pertencer a algum desses, precisamos entender e aceitar as consequências que deverão vir em função desse avivamento. Esse avivamento chega quando você se entrega a Cristo e morre para o mundo. O mesmo poder que desceu sobre os apóstolos no dia do pentecoste vem sobre você, e esse poder se chama Espírito Santo de Deus. No exato momento de sua entrega você se torna morada de Deus na pessoa do Espírito Santo. Mas lembre-se que viver para Cristo exige renúncia, despojar-se de si mesmo e carregar cada dia a sua cruz. Preciso informar-lhe que você não vai carregar vitórias e conquistas todos os dias, você não vai andar sobre as águas e muito menos o mar vai se abrir para você todos os dias, mas uma coisa eu garanto e é certa, você terá que carregar sua cruz todos os dias. Mas não importa o que aconteça, Jesus prometeu que estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos. E essa promessa deve nos bastar para que sejamos crentes fiéis, verdadeiros discípulos daquele que nos alistou para a grande batalha.
Você quer um avivamento pentecostal na sua vida ? Ótimo, eu também quero. Pode até ser que um dia Deus lhe use para curar um enfermo ou operar algum sinal, como fez com os apóstolos, mas com certeza isso será em decorrência da sua vida abnegada a levar outras vidas para Cristo. Deus não cura por curar. Deus quer vidas, vidas comprometidas com a sua Palavra e entregues sem reserva aos seus cuidados.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 01 de abril de 2006

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