sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Enfim, Natal !

Existem incontáveis textos escritos sobre o natal e eu não gostaria de chover no molhado. Gostaria de escrever algo que no mínimo pudesse gerar reflexão, já que escrever algo novo seria pretensão demais.
Analisando o texto de Mt 2, encontramos nos versos 4-6 a passagem que Herodes manda chamar os principais sacerdotes e escribas e os questiona sobre onde o Messias deveria nascer, e eles, sem titubear como quem tem domínio e conhecimento do assunto lhe diz que em Belém da Judéia e para confirmar citam o profeta Miquéias. Interessante verificar que a “elite” religiosa de Israel sabia perfeitamente sobre a vinda do Messias e onde ele haveria de nascer, mas infelizmente não souberam reconhecê-lo quando já estava em seu meio. Conheciam a profecia de Miquéias mas não conheciam a profecia de Isaías que desenha tão perfeitamente Jesus como servo sofredor e sua obra (Is 52:13 à 53:12).
Mateus também reconhece a figura do Messias em outro profeta, desta vez Oséias 11:1 diz “...do Egito chamei meu Filho...”. Era o verbo se fazendo carne e habitando entre nós, o verbo predito pelos profetas, agora simplesmente um bebê, carente dos cuidados e da proteção de simples seres humanos, como José e Maria, mas especiais porque foram escolhidos por Deus para essa missão tão sublime.
Herodes percebe que havia sido enganado pelos magos, que voltaram por outro caminho, e, furioso, manda matar todos os meninos com menos de dois anos e novamente Mateus se recorda, agora de Jeremias 31:15 “...em Ramá se ouve uma voz, lamentação, choro amargo...”. Como se vê, a vinda de Jesus deveria ser inconfundível para homens como os escribas, cuja função era de interpretar as escrituras e mais particularmente a Lei mosaica, para tirar dela as regras de comportamento da vida judaica, todavia seus corações estavam endurecidos como vemos em Mt13:14 que faz alusão à Is 6:9. Não que Deus ouvesse endurecido seus corações de uma forma proposital e mesquinha, mas eles mesmos provocaram essa situação, por pura incredulidade, preconceito e porque não falar, por um certo comodismo que gozavam pela influência que tinham entre os romanos.
O certo é que a religião como um todo estava corrompida. O templo que antes era habitação do Deus altíssimo havia sido violado e blasfemado pela corrupção sacerdotal, pela exploração aos órfãos e viúvas, e agora quem dominava lá era o próprio diabo, e para provar que isso era verdade, quando tentou a Jesus levou-o até o pináculo do templo, que ironia não ? E Jesus mostra mais uma vez isso quando em Lc 11 expulsa os cambistas que vendiam pombas aos olhos dos sacerdotes e escribas, (acaso as pombas eram as ofertas para o sacrifício dos pobres ? Lembre-se que os ricos levavam cordeiros)e com isso Ele os leva a conhecer que a era do sacrifício acabou, agora eles podiam pedir diretamente ao Pai para que lhes perdoassem os pecados (Lc 11:25). Era Jesus quebrando uma tradição e iniciando uma revolução, a revolução da graça.
Tudo isso foi apenas para dizer que a pessoa de Jesus era inegável, inquestionável e irrefutável.
Todavia, ainda hoje pessoas o negam, rejeitam sua palavra e refutam seus ensinamentos. Os escribas tinha os profetas e a presença do Messias em seu meio, hoje temos os profetas, a história, os evangelhos e a presença do Espírito Santo em nosso meio, mas mesmo assim as pessoas o rejeitam como Deus que é, mas também o rejeitam como Cristo, que morreu para que fôssemos perdoados.
Citei acima algumas das possíveis desculpas que os escribas puderam ter usado ao rejeitar Jesus e hoje as desculpas se avolumam, mas a verdade é uma só, seguir a Jesus exige antes de tudo renúncia e é exatamente esse o ponto que pega. Poucos estão dispostos a renunciar, por pequena que seja, poucos querem ceder.
Jesus como Deus poderia muito bem escolher quem Ele gostaria de levar para o céu, mas a sua graça é tão infinita, tão insondável, que Ele nos dá esse privilégio, de podermos escolher se o queremos ou não, se o aceitamos ou o ignoramos. Como vê, a escolha está em nossas mãos e essa escolha certamente custará uma eternidade.
Estamos comemorando mais um natal, data tão confundida com superficialidades materiais e promessas vagas e mentirosas, data onde o monstro chamado capitalismo se regozija diante de tanto consumismo.
Como disse no início deste texto, quero levá-lo a uma profunda reflexão, e se pelo menos isso conseguir já me dou por satisfeito. Será que não temos sido como os escribas e fariseus do tempo de Jesus ? Será que temos realmente dado ao Senhor o lugar que lhe é devido, o primeiro lugar ? Será que temos sabido identificar a Jesus realmente pelo que Ele é e não somente pelo que Ele faz ? Tenho visto muitos carros com adesivos com os dizeres: Deus é fiel ! Geralmente esses carros são bem novos e modernos, e sempre que vejo comento com minha esposa, será que se ele tivesse andando em um fusca (falo isso porque tenho um fusca) ele colocaria o mesmo adesivo no vidro ? Receio que não, pelo menos não a maioria. Isso porque hoje em dia as pessoas confundem prosperidade material com benção, dinheiro com unção, nível social elevado com uma vida abençoada por Deus, e o contrário também é verdade. Fica fácil dizer que Deus é fiel na saúde, com carro novo, com casa grande e confortável. Será que Deus poderia falar a nosso respeito o que falou de Jó ao diabo ? “- ...Pois bem, tudo o que ele possui está em teu poder...”(Jó 1:12), e será que ainda assim falaríamos como falou o servo de Iahweh, Jó ? “- ...Nú sai do ventre de minha mãe e nú voltarei para lá. Iahweh o deu, Iahweh o tirou, bendito seja o nome de Iahweh” (Jó 1:21). É fácil ? Óbvio que não. Mas precisamos chegar lá ? Claro que sim.
Natal. Festa, luzes, música, comida, alegria, amigos. E não pode ser diferente, porque comemoramos o nascimento daquele que veio para nos dar vida, e vida com abundância. E Deus quer que nos alegremos nessa data tão significativa para os cristãos. Mas Deus quer também que hoje, nesta data, reflitamos. Que sejamos sinceros e ponderemos sobre qual o verdadeiro motivo de carregarmos o nome de cristãos. Status, “bençãos” materiais, saúde, um círculo de amizades ? Jesus “quer saber” se estamos dispostos a carregar nossa cruz como verdadeiros discípulos e seguí-lo, ou se vamos ficar só de longe observando a Sua crucificação. Há um cântico que me comove bastante e que diz exatamente a posição que temos de tomar: “Deus precisa somente de um pouco de homens bons, homens que trabalhem sem aplausos, que promovam a defesa da fé, protegendo o que é puro. Um homem cujo amor é forte e gentil e cuja palavra é verdade. Deus não precisa de um orador, que sabe somente o que dizer. Ele não precisa de um exército para garantir a vitória, Ele só precisa de um pouco de homens bons. Ele chama o miserável e quebrantado, cuja vida tem sido transformada. Ele chama aquele que tem a força de estar de pé diante da verdade. A fila de alistamento está aberta e Ele quer que você venha. Homens cheios de compaixão, que riem, amam e choram, homens que visualizam a eternidade e não tenham medo da morte, homens que lutem pela liberdade e pela honra sempre que preciso. Deus só precisa de um pouco de homens bons”.
Que possamos estar nessa lista. Deus nos quer nessa lista. Que o verdadeiro natal nasça em seu coração nesta noite de paz, nesta noite de amor. Que o Cristo, verdadeiramente se faça real em nossa vida. Feliz Natal !!!


AA: FÁBIO ADRIANO CRUVINEL MACHADO.
VALINHOS, 07 DE DEZEMBRO DE 2006.

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