terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Pela Graça sois Salvos

Paulo certamente evocou nesse texto de efésios 2 uma lição sublime sobre a graça de Deus, sobre a salvação e a incapacidade total das obras de qualquer homem como meio salvívico. Essa passagem nos conscientiza totalmente da condição deplorável em que todos nos encontramos antes de aceitarmos a Cristo, e como Ele pela sua infinita misericórdia nos resgata e nos faz assentar em lugares celestiais, para mostrar aos homens e até aos principados (3:8) a grandeza e a riqueza dessa graça.
Mas gostaria de tecer alguns comentários pessoais, mas não anti-bíblicos, sobre como a graça se apresenta para mim, do modo como me cativa.
Começo lendo Isaías 53 e me sinto o mais miserável dentre os homens, porque vejo que foi por mim que Cristo sofreu, e na mesma hora me interrogo, como posso ser insensível ao ponto de ainda cometer pecados ? Como posso olhar para o sofrimento do meu Senhor com indiferença ? Me coloco na pele do apóstolo Paulo (Rm 7) e repito as suas palavras com um aperto grande no coração, “...miserável homem que sou...o bem que quero não faço, mas o mal, esse pratico”... creio que o mesmo aperto invadiu a alma do apóstolo no momento em que era inspirado e convencido pelo Espírito Santo da sua condição deplorável de pecador.
Continuo lendo Isaías e vejo que Jesus foi moído pelas nossas transgressões, isso significa esmagado, como se o passassem por uma máquina de moer carne ou um rolo compressor. Sua carne foi vituperada, aniquilada, porém seu Espírito continuava firme, inabalável na convicta decisão de salvar a mim e a você, de nos livrar do peso e da condenação impostos pelo pecado. Contudo eu e você ainda pecamos, às vezes até voluntariamente, resultado de uma natureza manchada pelo mal, resultado de uma condição adâmica que ainda tenta nos capturar e que ainda tenta nos desviar do caminho que o Senhor nos traçou.
Todavia a graça de Deus, revelada em Cristo Jesus nos coloca em lugar de privilégio, nos torna outra vez filhos, amados e queridos de um Pai bondoso. Penso que a graça de Deus é tão sublime que nos outorga o direito de escolhermos se o queremos seguir ou não. Deus não invade, não arromba, Ele bate (Ap 3:20) e espera, pacientemente, como o Pai espera pelo filho pródigo com anel, roupas e um novilho cevado. Mesmo porque Ele não está sujeito ao tempo, Ele é o Senhor do tempo e está acima deste. Nós é que estamos sujeitos ao tempo e perdemos, quando por rebeldia "adiamos" o plano de Deus em nossas vidas.
Não é incrível pensar que o amor de Deus não está condicionado em nossas atitudes e na nossa recíproca ? É quase ilógico nesse mundo egoísta e mesquinho em que vivemos, pensar em um amor incondicional. O mundo não consegue conceber esse tipo de amor, nem sequer cogitar sua existência. Apenas os salvos conseguem crer, porque o experimentaram. Somente nós sabemos a condição da qual Cristo nos resgatou e somente nós sabemos o valor dessa tão gloriosa salvação.
O pecado nos faz morrer porque essa é sua lei, esse é o preço. Cristo nos faz viver, nos dá a paz que o mundo jamais pode nos dar. Na verdade Cristo nos ressuscita da nossa condição miserável, juntamente com Ele na sua ressurreição.
Nós não podemos fazer nada para obter a salvação, porque ela é dom de Deus, não vem de nossas obras ou méritos. Mas uma coisa podemos fazer depois de sermos salvos e aceitos como filhos, podemos e devemos-Lhe fidelidade, e quanto a isso Cristo é exigente. Ele não aceita restos, sobras ou uma parte apenas de nossa vida. Ele a quer por inteiro, sem reservas, sem vínculo com nosso passado de pecado e desgraça. Jesus pede nossa vida, simplesmente porque é dEle, Ele a comprou na cruz do calvário. Foi Ele quem pagou um alto preço por ela. Foi Ele e não eu quem foi moído, ferido e traspassado pelas minhas culpas.
Quando aceitei a Cristo como Salvador, também o aceitei como Senhor de minha vida, e se o aceitei como Senhor, imediatamente me coloquei na condição de servo, e servo denota fidelidade, porque o meu Senhor não me comprou na condição de escravo como conhecemos, mas antes, nos livrou da condição de escravos em que vivíamos e nos tornou filhos.
Aceitar a graça é aceitar o poder do sacrifício de Jesus em nossas vidas e também aceitar o seu senhorio em nós. Isso certamente requer renúncia e luta. Renúncia aos pecados e luta contra nossa vil concupiscência.
A graça está hoje disponível a mim e a você. Hoje temos em nossas mãos a escolha de aceitarmos a Cristo ou definitivamente negá-lo. Se o aceitarmos, devemos ter em mente que devemos a Ele fidelidade, completa e irrestrita. Se o negarmos devemos também ter em mente que o futuro que nos aguarda será sombrio e tenebroso, porque estaremos longe daquele que nos deu a vida. Como vê, você decide e como já disse em outro texto, essa escolha vale a eternidade, com Deus ou sem Ele. Cabe um conselho ? Decida por Cristo. Decida pela vida.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
22/12/2006

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