sexta-feira, 10 de agosto de 2007

As Últimas Palavras

Foi triste ler o diálogo transcrito da caixa preta do avião da Tam que caiu no dia 17 de julho desse ano no Aeroporto de Congonhas. Quando terminei de ler, fechei rapidamente o arquivo, aflito, porque enquanto lia, vivenciava cada segundo, como um filme passando em minha mente.
Umas das últimas palavras ditas pelo piloto (segundo publicou o site do Terra), foram: “Oh, meu Deus. Oh, meu Deus”. Longe de mim questionar a crença do piloto, mas é fato que a maioria das pessoas na hora do desespero apelam para Deus, mesmo que durante toda a sua vida tenham ignorado a existência do mesmo. Como já disse não estou querendo dizer que o piloto não cria em Deus, apenas usei o fato ocorrido como exemplo para o que vou colocar.
Mesmo que não seja de forma racional, pensada, temos a tendência de clamarmos a Deus quando a “coisa pega”. Talvez seja por motivos culturais, não sei, mas o fato é que, ao primeiro sinal de perigo, invocamos Aquele que pode nos socorrer. Está implícito em nosso sub-consciente que Deus pode nos salvar do perigo e da angústia, que Ele é o único que pode operar o impossível na nossa vida. Não chamamos nossa mãe e nem nosso pai, mas rogamos a Deus, porque sabemos que na hora da dificuldade maior, só Ele mesmo. Não posso afirmar isso com certeza, mas acredito que até mesmo aquele que se diz ateu, teria a mesma reação em um momento de aflição.
Não estamos errados em fazer isso. Realmente Deus é o único que pode nos livrar quando ninguém mais pode, quando a situação foge ao nosso controle, quando não há mais ninguém que seja capaz de nos socorrer.
Não quero dizer com isso que Deus vai nos livrar em todos os momentos. Ele poderia ter salvo aquelas pessoas do acidente com o avião ? Obviamente que sim. Então por que não salvou ? Não sei, pergunte a Ele se você tem coragem. Talvez Ele lhe responda como respondeu a Jó. E se quiser saber leia o livro de Jó.
As últimas palavras de uma pessoa, quando há essa oportunidade, podem refletir muito da sua intimidade com Deus aqui na Terra. Temos muitos exemplos na Bíblia de pessoas que na sua última hora, deram o maior testemunho de suas vidas, como verdadeiros filhos de Deus, convictos de sua salvação em Cristo Jesus. Vamos começar pelo próprio Jesus.
Em Lc 23:46 lemos sobre as últimas palavras de Jesus bradadas no alto da cruz do calvário: “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.” Jesus sabia de sua comunhão com o Pai, sabia de sua missão, sabia que depois de morrer ia novamente encontrar com seu Pai, face a face. Como isso deve ter fortalecido a Jesus diante de tão angustiante morte. Apesar do sofrimento sem par, Jesus tinha plena convicção que sua obra estava completa e que o Pai o aguardava do outro lado da vida. As últimas palavras de Jesus mostram o seu amor pela humanidade, sua comunhão com o Pai e sua missão salvadora cumprida.
Como estamos diante de Deus ? Como estamos executando a tarefa que Ele nos incumbiu a fazer ? Se partirmos hoje, partiremos convictos da missão cumprida ? Que essas perguntas nos inquietem, nos incomodem, ao ponto de dizermos ao Senhor: “Eis-me aqui Senhor, fala que teu servo ouve”.
Os versículos 59 e 60 do capítulo 7 de Atos nos mostram as últimas palavras de Estevão: “E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu”. Que lição maravilhosa e difícil de ser cumprida. Estevão tinha tanta certeza de sua comunhão com Jesus que na hora de sua morte pede ao Senhor que receba seu espírito, a exemplo do que o próprio Jesus disse ao morrer. Praticamente Estevão repete as palavras de Jesus na cruz. À semelhança do que Jesus disse, Estevão pede ao Pai que não imputasse aquele pecado aos homens que o matavam. Não consigo enxergar comunhão mais perfeita. O anseio pelo céu era tão grande que nada, nem a morte conseguia tirar a alegria da esperança de poder encontrar-se com Jesus, Aquele por amor de quem ele havia lutado e sofrido. As últimas palavras de Estevão mostram o amor deste pelo céu, pelo encontro triunfante com seu Mestre.
Lemos na história, todas as perseguições sofridas pelos cristãos dos primeiros séculos. Quando presos, se não negassem o evangelho, eram martirizados com requintes de crueldade. Comidos por leões, queimados na fogueira, arrastados pelas ruas da cidade, empalados em estacas, enfim, coloque a sua imaginação para funcionar e pense nas mais altas crueldades que um ser-humano pode realizar; talvez ainda seja um pouco pior. No entanto, lemos também na história, quão destemidamentes esses heróis encaravam a morte. Com o desejo de sofrerem por amor a Cristo e ao Seu evangelho, não tinham receio de se auto-denominarem cristão, ou antes ainda, aqueles que eram do caminho. Queriam que todos soubessem das boas novas de Cristo, nem que isso lhes custasse a vida. As últimas palavras desses mártires eram glórias a Jesus, aleluias, glórias ao cordeiro que foi morto. Suas últimas palavras eram palavras de coragem. Coragem de pessoas que criam em um Deus soberano, que tanto os podia livrar da morte, como podia os conduzir ao lar eterno para estarem para sempre com seu Senhor.
Quero que pense um pouco em como você gostaria que fossem suas últimas palavras. Quer que sejam palavras de desespero e angústia, ou palavras que glorifiquem a Deus, palavras de certeza de uma vida eterna com Jesus ? A diferença está em como você está levando sua vida hoje, qual a importância que você dá a Deus em seu coração, qual o lugar que Ele ocupa em sua vida (ele ocupa algum lugar ?). A eternidade é certa. A única diferença é onde você irá passá-la.
Jesus comprou na cruz do calvário o “passaporte” que nos dá direito a estarmos com Ele no céu para sempre. Presos em nossos pecados e delitos, não tínhamos direito algum de obter comunhão com Deus. Mas o Senhor Jesus nos resgatou através de seu sangue, nos vivificou e agora temos certeza de salvação e de vida eterna. A única coisa a fazer é aceitar que somos pecadores, carentes de salvação, e que fora de Cristo não há outro caminho, então, entregarmos a Ele toda a nossa existência, crendo que Ele pode nos perdoar de todos os nossos pecados. Como eu sempre digo, Cristo já pagou nosso resgate, e agora está em nossas mãos a decisão, a escolha é sua. Escolha Cristo, escolha a vida. Depois disso una-se a nós, e que nossas palavras possam ser constantemente: “Maranata, ora vem Senhor Jesus”.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Belleville, 10 de agosto de 2007

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