quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Duro é este Discurso !

Jesus não foi compreendido por seus contemporâneos. Aliás, acho que Ele foi muito bem compreendido, e por isso tão rejeitado. Seus atos eram no mínimo estranhos para a sua época, desconexos e provocantes. Um misto de inveja, temor e ódio, podia ser visto pelos líderes religiosos da época, que apesar de muito se esforçarem para detê-lo, não conseguiam encobrir sua popularidade. Se apenas considerarmos a Jesus como homem, temos que concordar que Ele era muito bom no que fazia.
Jesus tinha uma forma toda especial ao lidar com fariseus, escribas e afins. Ao citar o caso da viúva de Sarepta e do Sírio Naamã (1), começa a mostrar aos judeus o alcançe de sua missão, os gentios. Isso certamente não agradava em nada a elite religiosa, preconceituosa e convicta do seu exclusivismo diante de Iahweh. Todavia nada puderam fazer a não ser expulsá-lo da cidade. Jesus falara a verdade, e os judeus entenderam a mensagem.
Para os judeus, aqueles que eram acometidos por alguma doença ou defeito físico, o eram por um castigo divino. Por isso não se aproximavam dos tais e se consideravam imundos caso os tocassem acidentalmente. Jesus então, como quem estivesse imune a todas essas tradições, vem e toca o leproso, e não se sente imundo por isso. Jesus se deixa tocar por uma mulher, duplamente imunda, primeiro por ser mulher e depois por estar sofrendo de uma terrível hemorragia. Era assim que os judeus a viam, e aquele seu ato de fé, seria digno de morte se a pessoa a quem ela tocara, não fora Jesus. A mulher tem certeza de sua cura, os judeus não podem fazer nada. Jesus mais uma vez toma o controle da situação e ensina muitas lições, e o povo se cala.
Os samaritanos eram odiados pelos judeus. Também pudera, se misturaram com outros povos, imundos, indignos, fora da aliança de Deus. Era assim que os judeus os viam. Apesar de serem parentes, eram também imundos. Jesus mostra, através da parábola do bom samaritano, que devemos amar nossos inimigos, prestar-lhe socorro se preciso for. Como aquela história deve ter doído nos ouvidos do legalista, tão convicto de suas “santas” tradições. Jesus não dá chance para resposta. Não há o que responder. Jesus vai no mais íntimo do homem, e escancara as suas chagas, revela quão podre está.
Jesus cura no sábado, perdoa uma mulher adúltera digna de morte, acaba com os cambistas do templo, se deixa levar pelos soldados, perdoa um ladrão à beira da morte, e morte de cruz, símbolo da maldição de Deus, e depois de tudo isso, se entrega à morte. A morte, a natureza, o véu do templo, a mente humana, todas as coisas lhe estavam sujeitas. Jesus tinha tudo sob controle, cada detalhe foi divinamente pensado e humanamente executado. Não há como não aceitar, Jesus era muito bom em tudo que fazia.

1Citação do evangelho de Lucas capítulo 4 versículos 25 à 27

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