quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Emanuel - Deus Entre os Homens

I Jo 4:9-10 – “Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.”

Há algum tempo ouvi de um pastor, amigo meu, um conceito da graça de Deus que eu nunca havia ouvido. Geralmente pensamos na graça de Deus e a conceituamos como “favor imerecido”, o que não deixa de ser uma verdade.
Todavia, pensando no conceito por si só, sem o aplicarmos a Deus, chegamos a conclusão que este pode ser um conceito genérico. Explico.
Temos muitos exemplos de pessoas no mundo, que em algum momento de extrema compaixão, podem ter favorecido alguém, sem que esse alguém de fato merecesse.
Eu já vi e ouvi, em rede nacional, um pai perdoar o bandido que matou seu filho. Não posso julgar a sinceridade de seu coração, mas pode bem ser que o perdão tenha sido sincero. E se assim o foi, temos aqui um bom exemplo de graça, um favor imerecido. O bandido por seu ato não merecia perdão, merecia pagar pelos seus atos, e através da justiça dos homens, realmente pagou. Porém se o perdão do pai foi sincero, e se esse perdão fosse suficiente para absolver o bandido, ele teria sido solto, teria sido perdoado sem precisar pagar por sua dívida.
Vendo nesse sentido, o conceito da graça de Deus que damos como favor imerecido, que não deixa de ser verdade, soa meio comum, quase uma repetição de palavras sem muito sentido prático em nossas vidas.
Quando ouvi o conceito de graça que vou compartilhar com vocês, confesso que na hora me pareceu meio confuso, não consegui vislumbrar naquele instante a profundidade que aquelas palavras traziam, até que comecei a pensar nelas, meditar o porque os olhos daquele pastor se encheram de lágrima enquanto me conduzia àquela reflexão.
Ele me fez entender graça como Deus entre os homens, o Emanuel. À primeira vista não parece muito significativo, porque em si trás um conceito que todos os cristão já conhecem muito bem, Deus habitou entre nós, o unigênito do Pai, por isso quero levá-los a acompanhar esta pequena reflexão do que esta frase deve representar em nossas vidas.
Quando pensamos em Jesus encarnado, quase o desvinculamos de sua divindade, porque ele agia como homem, vivia como homem, sofria como homem. Tudo isso acaba nos tornando meio incensíveis ao fato de que Jesus, em todo tempo aqui na Terra, ainda era Deus. Homem sim, 100%, mas também Deus, de igual natureza e substância que Deus Pai. Jesus continuava sendo o criador de todo o universo. Jesus continuava sendo o Deus eterno, que assim como o Pai e o Espírito, não teve início e não terá fim. E apesar de tudo isso, Ele habitou entre nós, se fez homem. Homem como eu e você somos, sujeitos à dor, ao sofrimento, à fome, à sede, sujeito à toda sorte de tentações, com a única e substancial diferença, sem pecado, puro, imaculado.
Quando pensamos que Deus, Soberano, Eterno, Senhor dos senhores, Todo-poderoso, habitou entre nós, o conceito de favor imerecido quase desaparece, e o conceito de Deus entre os homens toma um sentido muito mais profundo. Isso é graça.
Quando penso que Deus, o Ser supremo de todo o universo, se humilhou ao ponto de se tornar homem, só porque eu precisava de salvação, me sinto o mais miserável dentre os homens, o mais devedor de todos os seres, mesmo que essa dívida seja apenas de gratidão, porque de outra forma qualquer idéia de dívida seria impensável. Quando penso que, igual ao bandido que matou o filho daquele homem, eu merecia a morte em razão de meus pecados, sinto o peso da graça sobre mim. Graça não é um sentimento que eu devo ter, de que não importa o que eu fizer sei que Deus vai me perdoar de qualquer forma. A graça deve produzir em nós um sentimento de eterna gratidão, de uma dívida que foi paga, uma dívida que não tinha preço, que eu jamais poderia pagar com ações de caridade, mas foi paga por Deus, com seu próprio sangue.
A justiça de Deus exigia que o pecado fosse pago por um inocente, de outro modo como Deus poderia manifestar a sua graça? A morte de um pecador jamais representaria o amor de Deus para com os homens, um amor incondicional, sem reservas, sem comparações. Deus olhou para a Terra e nenhum justo havia, ninguém capaz de apagar a mancha do pecado da humanidade. Não poderia haver modo mais sublime, mais convincente, do que Ele mesmo, o Deus Eterno, se fazer homem, habitar entre nós.
Nós nada fizemos para que Deus nos amasse, mesmo porque nós nada poderíamos fazer, estava e está totalmente fora de nossas possibilidades. O mais piedoso entre todos os homens que já existiu, está infinitamente longe de merecer o amor incondicional de Deus. Deus nos amou porque não poderia ser diferente, porque essa é a sua essência.
Quando o filho mais novo da parábola do filho pródigo volta para o Pai, depois de ter gastado toda a sua herança em dissoluções, o Pai nada responde diante da tentativa de explicação do filho, simplesmente o abraça, simplesmente o aceita, simplesmente ama. Assim é Deus. Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. A graça de Deus, o Emanuel.
Enquanto o homem achar que merece alguma coisa, ou que através de sua virtude pode conseguir a absolvição de seus pecados, este homem continuará perdido, longe do favor de Deus. A graça de Deus não serve para aqueles que se julgam sãos, sem doença alguma, e doença aqui no sentido espiritual, significando pecado. A graça de Deus alcança aquele que sabe que está doente, que sabe que não há remédio para o seu mal, a não ser o sangue de Jesus. Jesus disse: Eu vim para os doentes e não para os sãos. Estava Jesus querendo dizer que havia alguém são, alguém que não necessitasse de sua cura espiritual? De maneira nenhuma, pois Jesus mesmo declarou que todos pecaram e estavam longe da graça. Jesus ali estava querendo dizer que aquele que se julgar são, infelizmente não pode ser alcançado pela sua graça. A graça alcança o miserável, o falido e o rejeitado. A graça me alcançou um dia.
Enquanto o Emanuel estava em nosso mundo como homem, andou com aleijados, mulheres, leprosos, tocou em mortos, comeu com pecadores e cobradores de impostos. O Emanuel veio para gente que era a escória da sociedade judaica, gente que não tinha mais solução, que estava fora da aliança. O Emanuel veio para gente como eu e você, que um dia declarou a Ele total insuficiência e ao mesmo tempo encontrou nele total suficiência.
Se você nesta noite consegue entender que fora de Deus não há salvação, se entende que nada do que fizer lhe trará a paz verdadeira, aquela que o mundo não pode dar, então você está preparado para conhecer e entender o que significou e ainda significa Deus entre os homens, a maior graça que já existiu, incomparável.
Assim como o Pai esperava pelo filho pródigo, Deus hoje lhe espera com anel de filiação, com roupas novas, dignas de um filho de Deus, e com o novilho cevado, pronto para a festa. O Pai não quer explicação sobre o seu passado, Ele mais do que ninguém conhece toda a sua vida. Ele apenas quer que você reconheça que sem Ele não pode viver, e que o reconheça como o único que pode lhe dar vida, vida eterna, vida com abundância. A festa está preparada, é a festa da graça.
Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. E a graça de Deus é esta, em que o próprio Deus habitou entre nós.
Eu sei que é difícil entender, porque pensamos em favor, como o favor que dispensamos aos nossos filhos por exemplo. O favor de Deus é infinitamente maior, porque é a expressão do mais puro amor, amor para quem não merece ser amado. Assim é Deus.

Valinhos, 16 de janeiro de 2008

Nenhum comentário: