terça-feira, 6 de maio de 2008

Jesus, o Bom Pastor

João 10:1-11: “NA verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.
Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.”


Hoje vamos celebrar a ceia do Senhor. Nós ouvimos muitos conceitos errados sobre a ceia do Senhor e seu significado. Ceia não cura doenças, não perdoa pecados. A ceia é um memorial, e para nós cristãos de extrema significância, porque nele relembramos o sacrifício de Cristo, que de uma vez por todas, resgatou-nos dos nossos pecados. Deve haver um misto de alegria e tristeza, alegria porque hoje somos libertos das garras do pecado, tristeza porque recordamos aquilo que Cristo fez por nós e, o quanto isso lhe custou. Todavia, creio que o produto de todos esses sentimentos deve ser a gratidão, porque um dia Cristo derramou sobre nós a sua graça, vindo a este mundo, para nos salvar. O próprio Deus se encarnou, o Emanuel, porque eu e você precisávamos da salvação que só Ele poderia proporcionar.
No texto chave, Jesus se identifica com o bom Pastor, e isso deve nos levar a pensar que existia o mau pastor. Mas qual o significado disso para os judeus daquela época?
Antes do capítulo 10 de João, Jesus cura um cego de nascença. Houve muita discussão entre os fariseus, se Jesus seria ou não de Deus. O capítulo 10 inicia com Jesus dizendo que aquele que não entra pela porta do curral das ovelhas é ladrão e salteador, e continua narrando os passos do verdadeiro pastor, quando este, logo pela manhã, vai ao curral para levar as ovelhas consigo para pastar. Ao verdadeiro pastor as ovelhas seguem porque o conhecem, e também conhecem a sua voz. O cego conheceu a voz de Jesus porque era ovelha do seu rebanho, diferente dos fariseus que questionavam a sua divindade. Jesus então, entrelaça as duas histórias, na dura missão de revelar sua divindade.
Semana passada, o pastor Lazarini contou uma história que aconteceu com um amigo dele, que também é pastor. Ele estava viajando por um país da região da Rússia, e nesse país há muita criação de ovelhas. Curioso, porque no nosso país não é comum encontrar ovelhas pastando, ele pede para o guia parar, e servir de intérprete para ele e o pastor das ovelhas. Ele então pergunta como o pastor fazia para ajuntar as suas ovelhas. Então o pastor emiti um som peculiar e aos poucos as suas ovelhas vão se aproximando. Ele percebe que nem todas as ovelhas do pasto se aproximam, e ele pergunta por que? O pastor responde que aquelas não eram do seu curral, mas de outro curral, e por isso não vinham. Mas quando as ovelhas viram que tinha um estranho próximo ao pastor elas pararam a uma certa distância. O pastor então emite outro som e então as ovelhas se aproximam bem próximas à ele.
Que comparação maravilhosa Jesus usou para demonstrar o seu relacionamento para conosco. Mas qual a diferença entre um bom e um mau pastor? Naquele tempo existiam dois tipos de pastores. Aquele que era dono das ovelhas e cuidava ele mesmo do seu rebanho, e também existia o pastor assalariado, que não era dono, mas cuidava das ovelhas de outro. A diferença básica, com raras excessões, era que ao primeiro sinal de perigo, o pastor assalariado fugia e deixava as ovelhas à mercê dos perigos, como animais selvagens por exemplo.
Vale a pena descrever aqui algumas características de uma ovelha e o porque Jesus se intitulou de o bom Pastor:

1. Ovelhas são inconsequentes, comem tudo o que vê pela frente.
2. Se entrar no bebedouro por engano pode morrer afogada.
3. Se doente precida de medicamento no horário e na quantia certa.
4. Diariamente precisa ser recolhida ao aprisco, para protegê-la do frio, vento e chuva e de animais ferozes.
5. Quando uma ovelha se desgarra do bando, precisa ser buscada, porque do contrário não achará o caminho de volta.

Algumas vezes, quando uma ovelha se perde do bando, acaba indo parar em lugares perigosos, à beira de precipícios. Se o pastor não for buscá-la ela provavelmente não terá chance alguma, porque nunca consegue voltar pelo caminho que veio. Às vezes o próprio pastor precisa se arriscar para poder salvá-la, se embrenhando por despenhadeiros e montanhas.
Jesus se intitula o bom Pastor, em primeiro lugar por nossa semelhança com ovelhas. Jesus sabe da nossa fragilidade ante o perigo. Jesus conhece a nossa facilidade em se desgarrar do seu aprisco e se perder por lugares perigosos. Jesus sabe que uma vez perdidos, dificilmente acharamos o caminho de volta por nossas próprias forças. Jesus sabe que, assim como ovelhas, não teremos nenhuma chance longe do Pastor.
Mas Jesus faz uma diferença gritante entre Ele e o mau pastor. O mau pastor só está cuidando das ovelhas por interesse financeiro, por isso é chamado de mercenário. Não tem nenhuma afinidade com as ovelhas, e ao primeiro sinal de perigo foge, deixando as frágeis ovelhas à mercê dos lobos e perigos.
Jesus não só conhece as ovelhas, mas vai à frente delas, cuidando e protegendo, e as ovelhas o seguem.
As divisões de capítulo da Bíblia não são inspiradas, e às vezes atrapalham na nossa interpretação do texto. Quando lemos João 10, o desvinculamos do capítulo 9, sem notarmos que Jesus está falando às mesmas pessoas que o estão acusando de ter curado um cego de nascença em um sábado. E Jesus está consequentemente mostrando a eles que o cego o ouviu porque fazia parte do seu rebanho, conhecia a Sua voz, e Jesus conhecia seu coração, ao contrário dos fariseus que o acusavam de possuir demônio.
Jesus continua revelando-se e mostrando que o seu amor pelas ovelhas não se resumia em curar os enfermos, em perdoar pecados, em ressuscitar mortos, como vai fazer com Lázaro mais adiante. Mas o seu amor pelas ovelhas era muito maior e culminaria finalmente na sua morte quando diz no verso 11: “O bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”.
O mercenário jamais daria a sua atenção pelas ovelhas, porque o mercenário via aquela ovelha doente como uma maldição de Deus, uma pecadora. O cego para o judeu, estava debaixo de maldição, ou ele ou seus pais haviam pecado. Jesus mostra então que nada disso era verdade. Jesus mostra que através daquele cego, a glória de Deus iria ser manifesta. Pela cura? Provavelmente não, mas pela manifestação de Cristo como Filho de Deus, como o Emanuel esperado.
O mercenário encerrou aquele cego em um eterno objeto de preconceito e de escárnio. Aquele cego jamais seria um cidadão respeitado, jamais faria parte da alta cúpula religiosa judaica, (graças a Deus por isso). Aquele cego estava fadado à viver como escória da sociedade e por isso mesmo vivia sentado e mendigando.
O mercenário, com a desculpa de não profanar o sábado, preferia mantê-lo cego, rejeitado e humilhado. O bom Pastor, sendo o Senhor do sábado, preferiu cuidar daquele homem, e à semelhança do que o pastor fazia com as ovelhas feridas, juntou terra e saliva e untou seus olhos, com o cuidado de um pastor, mas também com o carinho de um Pai.
O mercenário, além de tudo isso, jamais daria a sua vida por um “cego pecador”, que ao seu ver, o próprio Deus rejeitara. Todavia Jesus, faz uma declaração surpreendente, e diz: “Por esse cego, e por todos aqueles que se julgarem cegos, eu darei a minha vida”. O bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
Jesus nos deu a sua vida. Éramos cegos, fadados à perdição eterna, não tínhamos esperança de reconciliação, perdidos entre montanhas e precipícios. Mas um dia ouvimos a doce voz do Pastor a nos chamar. Era noite e estava frio, ao longe uivos de lobos nos aterrorizavam e nos mostravam que o fim era iminente. Nenhuma esperança nos restava, quando por fim, já sem forças, bem ao longe ouvimos uma voz familiar, doce e suave. Era o Pastor. Nosso coração então pulou dentro do peito, a voz se tornava cada vez mais próxima, quando finalmente vemos o Pastor. Neste momento nem ouvimos mais as ameaças dos lobos. Ele nos pega em seus braços e nos leva de volta ao aprisco, cuida de nossas feridas, e então a salvos, podemos descançar.
Este é o motivo de estarmos aqui hoje, relembrando o que Cristo fez por nós. Um dia, quando não mais havia esperança, Cristo se importou conosco, porque Ele veio exatamente se importar com aqueles que eram os mais despresíveis. A mulher samaritana, o paralítico de Betesda, os pobres que o seguiam e foram alimentados, a mulher adúltera, o cego de nascença, Simão o leproso, a mulher com fluxo de sangue, eu e você.
A razão de estarmos aqui hoje é porque um dia aceitamos a Jesus como único e suficiente Salvador, mas antes disso, tivemos a plena convicção de que sem Jesus não éramos nada, estávamos fadados à morte, como ovelhas sem pastor. Lembrar o que Jesus fez, inevitavelmente nos lembra o que somos e de onde viemos. O que nos faz mais que vencedores, o que nos torna sacerdócio real e nação santa, o que nos torna filhos do Rei, é o sangue de Jesus. É o sacrifício de Jesus que nos dignifica.
Como prometido, o bom Pastor deu a sua vida pelas ovelhas. Para poupar a nossa vida, entregou a sua. Isso nos mostra como somos queridos por Deus, como somos protegidos por ele, como somos amados. É por isso que no início eu falei que o sentimento que devemos ter neste momento é de gratidão. Gratidão porque um dia fomos recolhidos ao aprisco. Gratidão porque um dia ouvimos o chamado de Jesus. Gratidão porque um dia Jesus se entregou a si mesmo, para que eu e você pudéssemos estar aqui nesta noite, celebrando este acontecimento que mudou para sempre o curso da humanidade. Lembre-se sempre que você é uma ovelha querida pelo Pastor, e que Ele te amou com um amor sem igual, desmedido. Que nossa oração nesta noite seja a mesma que um dia fez Davi: “O Senhor é meu Pastor, nada em faltará”, gratos porque o sumo-Pastor nos amou de tal forma, que deu a sua vida por nós. Cientes que, como ovelhas, seremos eternamente dependentes da graça do bom Pastor.

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