quinta-feira, 12 de junho de 2008

Deus Procura Intimidade com seus Filhos

Ap 3:14 – “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.
Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”


Talvez você ache que eu me equivoquei ao colocar o tema desta mensagem, mas é exatamente isso que eu quero mostrar através deste texto. Vamos com calma, e no final espero conseguir explicar o motivo.
Esta carta faz parte das cartas que foram enviadas às sete igrejas da Ásia por João, quando este tem suas visões na ilha de Patmos. Existem algumas características importantes que devemos verificar antes de entrar propriamente no conteúdo da carta.

1. Particularmente, Jesus não faz nenhum elogio à igreja de Laodicéia e isto deve nos chamar a atenção.
2. Outro fator importante é que apesar de Jesus estar falando de características peculiares daquela igreja, sua intenção com certeza, era que todas as igrejas lêssem todas as cartas e tirassem proveito delas (ver último versículo da carta). As igrejas que são mencionadas em apocalipse nem são as maiores e nem as mais influentes, mas foram exemplos para qualquer igreja daquela época e para a nossa também. Por isso a importância de estudarmos este texto.
3. Antes de tomarem esse texto como uma acusação, tomem por favor como uma forma de nos precavermos dessa situação, que eu e você estamos sujeitos; lembremo-nos de que a carta foi enviada a uma igreja de crentes. O meu desejo é que no final, possamos estar atentos contra o mal que atacou a igreja de Laodicéia e nos firmemos nas promessas preciosas que Jesus faz a ela.

A cidade de Laodicéia era uma cidade privilegiada financeiramente. Vivia basicamente do comércio e tinha aguns motivos que poderiam lhe causar orgulho.
. Possuia muitas riquezas. Seu habitantes eram muito ricos. Foi devastada após um terremoto em 61 d.C., e recusou ajuda do imperador para a sua reconstrução.
. Centro industrial de uma lã especial muito famosa e cara. A cidade se orgulhava por suas roupas.
. Centro avançado da medicina da época. Conhecida por seu famoso colírio produzido a partir de um pó frígio.
. Estava situada em um complexo de águas termais. A região era formada por três cidades: Colossos, Hierápolis e Laodicéia. Em Colossos ficavam as fontes de águas frias e em Hierápolis havia fonte de água quente, que em seu curso sobre o planalto tornava-se morna, e nesta condição fluía dos rochedos fronteiros a Laodicéia.

Laodicéia vivia em uma condição muito favorável e talvez isso tenha contribuído para o seu esfriamento espiritual. Toda a sua ostentação acabara influenciando seu cristianismo e Deus precisou alertá-los sobre o perigo que os ameaçava.
O primeiro versículo é uma apresentação do emitente da carta. João escreveu, mas a origem foi de Deus, e Jesus se identifica no início como o amém, ou seja, aquele que tem a palavra final, o desfecho. O Senhor estava mostrando que quem tinha a última palavra no destino da igreja era e é Ele. Que maravilhoso irmãos, saber que por mais dificuldades que a igreja passe, por mais escândalos que surjam, a igreja está nas mãos so Senhor, e seu destino guardados com Ele. Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Jesus quer identificar-se para que a igreja não tenha dúvida da mensagem. Quem fala é uma testemunha fiel em quem devemos dar todo o crédito, não há dúvidas em suas Palavras.
Depois de se identificar, Jesus mostra que os conhecia, e conhecia tudo o que faziam. Nada estava escondido de Deus. Tudo o que praticavam, aquilo em que criam, estava patente aos olhos do Altíssimo. Isto deveria trazer temor ao povo, porque sabiam que nada do que fizessem poderia ser ocultado de Deus. Mas Deus especifica que, de todas as coisas que ele tinha conhecimento sobre a igreja, uma coisa lhe chamava a atenção que era a mornidade da igreja. Mas o que isso significa?
Eu fico maravilhado quando leio a Bíblia e vejo que Deus usa uma linguagem que nos é familiar. Quantas pessoas estão por aí, vangloriando-se de uma suposta unção que lhes autoriza conhecer os mistérios de Deus, quando na verdade a Bíblia nos mostra claramente que Deus na maioria das vezes não usa de enigmas. Mas voltemos ao texto.
Como eu disse antes, a região da qual Laodicéia fazia parte era composta por três cidades. Em Hierápolis haviam fontes de águas termais, quentes, águas consideradas medicinais. Bem abaixo ficava Colossos que era famosa por suas águas minerais, frias, mas também consideradas de extrema utilidade. Também eram águas boas. Todavia Laodicéia ficava em um meio termo, não possuia nem águas quentes e nem águas frias, suas águas eram mornas e portanto intragáveis. Jesus não está querendo dizer aqui que é melhor ser um crente frio do que morno, a idéia não é esta. Jesus está fazendo aqui uma comparação com as outras duas cidades que possuiam águas úteis. Quem dera você fosse como Colossos ou como Hierápolis? Quem dera sua vida espiritual servisse ou para remédio ou para saciar a sede. Jesus estava querendo dizer que Laodicéia não produzia transformação, não servia para nada. Confiada nos seus tesouros e no seu próspero comércio, esquecera-se que Deus devia estar em primeiro lugar em sua vida. A igreja tomou a forma da cidade ao invés de tentar mudá-la e transformá-la pelo poder do evangelho.

Mas Jesus não pára aí nas suas comparações. Jesus declara a Laodicéia que diferente do que ela pensava sobre a sua condição, na verdade era uma desgraçada, miserável, pobre, cega e nú. O ouro de Laodicéia não servia para nada diante de Deus. Seu tão conhecido colírio, causa de seu orgulho, não servia para o tipo de cegueira na qual vivia Laodicéia. Tão pouco suas tão caras roupas de lã poderiam cobrir sua nudez. Jesus mostra à cidade, que tudo aquilo que era motivo da sua jactância, de nada valiam para solucionar seu problema espiritual, e muito pelo contrário, o motivo do seu orgulho tornou-se a causa de sua apatia espiritual. Vejam que as riquezas, os bens, os produtos comercializados pela cidade em si eram muito bons, o problema estava em que a igreja havia transformado estas coisas em seus ídolos, era sobre estas coisas que repousava a confiança da cidade, ao invés de estar em Deus.

Mas como eu disse no início, Jesus não apenas mostra a causa do problema espiritual de Laodicéia, Ele tráz a solução para o seu problema. Nesse momento Jesus assume a condição de um negociador, de alguém que deseja vender um produto. Jesus não ordena e nem força, mas aconselha como um pai, que os Laodiceianos comprem d’Ele produtos muito mais excelentes daqueles que eles estavam acostumados a negociar. Jesus oferece ouro provado no fogo, que provoca um enriquecimento verdadeiro. O povo conhecia o enriquecimento que provinha de seu comércio. Jesus oferece um melhor, que enriquece para a vida eterna. Não confundamos neste ponto a palavra comprar com a dom gratuito de Deus. Jesus estava somente utilizando-se aqui de uma linguagem familiar para o povo. Eles não entendiam nada até aquele ponto além da linguagem comercial, compra e venda.
Jesus também oferece roupas brancas para cobrir a nudez das pessoas. Sua lã poderia ser muito boa e muito valiosa. Suas roupas poderiam causar admiração a quem as usasse, mas não serviam para cobrir sua nudez espiritual. Jesus tinha uma roupa muito melhor, totalmente eficaz, e esta estava sendo oferecida à Laodicéia. Diferente de sua lã escura, Jesus oferece roupas brancas, alvejadas no sangue do Cordeiro (Ap 7:14).
O colírio de Laodicéia poderia ser útil para curar algumas enfermidades e de fato o era. Todavia, somente o colírio que Jesus oferece pode curar sua cegueira espiritual.
O problema de Laodicéia era que confiava pura e exclusivamente em suas riquezas. Perdera o senso de comunidade, característica básica da igreja do Senhor. Tanto é que recusa ajuda em momento de catástrofe que assolara a cidade. Ela se sentia auto-suficiente e essa auto-suficiência não era somente para com outras nações, senão que para com o próprio Deus.

Aquelas Palavras de Jesus para a igreja de Laodicéia não deveriam ser entendidas como uma crítica pura e simplesmente, mas como resultado da misericórdia de Deus, fruto da sua graça infinita. Ele repreende a todos que ama. Laodicéia era amada pelo Senhor e esse era o motivo da repreensão. Jesus queria voltar a desfrutar de um relacionamento com seu povo, de um relacionamento de dependência. Jesus sabia que eles não poderiam viver sem sua presença, sem o seu cuidado. Aquela auto-confiança logo teria fim e Jesus estava tentando poupá-los de uma tragédia maior.

A palavra zelo no dicionário tem a idéia de dedicação ardente, desvelo, cuidado. Quando Jesus pede para que eles sejam zelosos, é sinal de que estavam levando uma vida espiritual bem ao contrário disso, ou seja, sem zelo, sem cuidado, desleixadamente. Jesus quer ter uma comunhão conosco, mas para isso pede que em primeiro lugar nos arrependamos, ou seja, mudemos nossa conduta em 180°, mudemos nossos hábitos que nos estão tirando o foco do reino, e que também sejamos zelosos, que cuidemos dessa relação com o Pai. Como nós fazemos para que nossa relação entre marido e mulher se mantenha? Temos de cultivar. Assim deve ser nosso relacionamento com Deus, temos de cuidar dele.
O versículo 20 mostra que Deus estava do lado de fora daquela congregação: “Eis que estou à porta e bato”. Lembrem-se, não estamos falando de uma reunião de pagãos que com certeza Jesus estaria fora, estamos falando de crentes que professavam o nome de Cristo, mas que seus corações estavam longe da cruz. Seus corações pelo contrário, estavam perto das riquezas, fazendo delas seus pequenos deuses, motivos de sua arrogância.
Só um parêntese. Não tomemos esta passagem para dizer ao incrédulo que Jesus está à porta do seu coração batendo, esperando entrar, é usar texto fora de contexto. Essa passagem foi escrita para crentes. Jesus estava fora daquela igreja. Devemos pensar seriamente nesta possibilidade. Laodicéia era uma igreja cristã, mas que por vários motivos deixara Jesus do lado de fora. Jamais deixemos que Jesus fique do lado de fora das nossas igrejas. Se reunir em nome de Cristo é muito mais que citar seu nome algumas vezes na reunião. Se reunir em nome de Cristo exige uma comunhão verdadeira, exige adoração verdadeira.

Finalmente a boa notícia chegou. Se alguém abrir a porta da igreja para que Jesus entre, Ele não só vai entrar, mas vai cear com eles. A alimentação no mundo judaico tem um significado muito importante, que nós no mundo ocidental não fazemos idéia. Às vezes, quando vem pessoas de outros países para alguma reunião na empresa onde trabalho, saímos para comer juntos. Mas isso funciona mais como uma política da boa vizinhança, fazemos isso como uma espécie de politicagem para manter boas relações.
A alimentação para os judeus tem uma conotação totalmente diferente. Comer para os judeus significa comunhão. Ninguém comia com alguém que não era íntimo seu. Quando uma pessoa era convidada por outra para uma alimentação em sua casa, ela poderia ter certeza que essa pessoa a estava convidando para uma relação de intimidade. Essa pessoas verdadeiramente queria ser sua amiga, se já não o fosse.
Quando Paulo escrevendo aos coríntios na primeira epístola capítulo 5 e versículo 11, pede para que não comamos com alguns tipos de pessoas de índole prejudicada; ele não está simplesmente se referindo ao ato de alimentar-se como nós conhecemos, ele está dizendo: com essa pessoa você não deve ter comunhão, não deve compartilhar seus problemas, não deve ter intimidade com essa pessoa. O sentido é muito mais profundo.
Não é a toa que Jesus escolheu cear com seus discípulos, os mais íntimos, nos últimos momentos de sua vida nesta Terra. Ele queria ter um momento de comunhão com eles, mostrar a eles que eram importantes para Jesus. Aquele momento teve um sentido muito mais profundo do que simplesmente um momento de refeição.

Voltando ao texto de apocalípse, Jesus promete entrar e cear conosco. Jesus quer comunhão, intimidade. Jesus quer reconstruir sua relação de dependência por parte da igreja de Laodicéia, uma relação que havia sido quebrada pela igreja pelo motivo da sua jactância.
Jesus não queria uma relação superficial com sua igreja, Ele queria uma relação profunda com ela. Jesus queria sentar-se à mesa e ouvir seus segredos. Jesus queria que sua igreja se sentisse a vontade para contar seus problemas, suas preocupações. Jesus sabia, e a igreja sabia que mesa era lugar de comunhão, de amizade profunda. Da mesma forma Jesus quer sentar-se à mesa conosco, quer que partilhemos com ele das nossas mais profundas emoções, mas para isso precisamos abrir a porta.
Jesus sabe que sem Ele nós nada podemos fazer, por isso Ele pede que construamos uma relação de dependência total. Laodicéia, cercade de bens e de prosperidade se esqueceu de depender de Deus. Acreditou que pudesse se subsistir somente com coisas. Esqueceu-se de que dependia não só de Deus, mas também de outras pessoas. O seu orgulho a tornou morna, uma água intragável, que não prestava nem para curar e nem para matar a sede, opostos das qualidades que Jesus espera dos seus seguidores.
A relação que Jesus quer construir com a sua igreja é tão profunda, que no final do texto Ele faz uma declaração surpreendente. Ele promete que, ao vencedor Ele fará que se assente consigo no seu trono, da mesma forma que Ele se assentou com Seu Pai em Seu trono.
É uma idéia de família que Jesus quer passar para nós. A mesma relação que Ele tem com o Pai, Ele quer que tenhamos com Ele. A mesma intimidade que Ele tem com Deus Pai, quer desfrutar conosco, mas para isso precisamos abrir-lhe a porta.
O texto mostra que podemos fechar a porta da nossa comunhão com Jesus, quando deixamos de confiar a Ele toda a nossa vida, quando colocamos nossa confiança no dinheiro, no prestígio, nos bens. Quando tiramos Jesus do primeiro lugar da nossa vida, é porque já colocamos outra coisa no Seu lugar, e Deus não aceita outro posto, senão o de Senhor.
Assim como eu disse no início este texto, muito mais que um texto acusativo, é um texto da misericórdia de Deus. Um Deus que nos conhece, e apesar de nos conhecer, nos ama e quer relacionar-se conosco, quer que dependamos d’Ele, não por uma questão de autoritarismo barato, mas exatamente por saber que sem Ele nós nada podemos fazer. E é exatamente por conhecer nossa fragilidade, que Ele busca nos alcançar a fim de nos proteger.
Talvez a causa de termos fechado a porta para Jesus não sejam as riquezas ou bens. É possível que nem tenhamos tanto assim. Mas talvez a causa tenha sido nossa intelectualidade ou nossa falsa percepção de que nossos conceitos cristãos são imutáveis. Talvez tenha sido simplesmente a nossa correria do dia-a-dia, o trabalho, os afazeres, tudo isto quando fora do controle de Deus pode fazer com que fechemos a porta da nossa vida, e Jesus fica de fora, e essas pequenas coisas se tornam deuses que governam a nossa vida.
Que a igreja de Laodicéia nos ensine nesta noite. Que não sejamos tão duros ao ponto de acharmos que isso nunca vai acontecer conosco.

1) Que tenhamos em mente que toda a Escritura é divinamente inspirada, e útil, portanto podemos e devemos aprender com os exemplos da Bíblia. Laodicéia deve ser um exemplo para nós de como não deve ser.
2) Que tenhamos a humildade de aceitar que a situação da igreja de Laodicéia não está tão longe de nós como às vezes queremos que esteja.
3) Que apesar disso, que tenhamos a confiança e a certeza que Jesus tem o remédio para nossa cegueira, a roupa para nossa nudez e o tesouro para nossa pobreza, Só Jesus pode nos dar aquilo que realmente precisamos.
4) Que Deus quer ter uma comunhão íntima conosco. Ele não quer uma relação superficial, de simples conhecidos, mas que não nutrem nenhuma intimidade. Jesus quer sentar-se à mesa conosco, ouvir nossa intimidade, escutar nossos problemas e angústias. Jesus quer uma intimidade como a que Ele tem com o Pai. Jesus quer que confiemos n’Ele, como um filho pequeno totalmente indefeso confia no Pai.

Que possamos, dia após dia, buscar uma comunhão mais estreita com Jesus, sabendo que Ele se agrada muito com isso, e entendendo que sem esta comunhão, estaremos fadados ao fracasso.

2 comentários:

Ezequiel disse...
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ayslan disse...
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