terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Vontade de Deus

Êta assunto difícil. Tem sido tema de incontáveis discussões durante séculos. Razão de separação de grandes e influentes igrejas históricas. Motivo pelo qual não me preocupo com isso, porque se não chegaram a uma conclusão satisfatória até hoje, não serei eu que vou fazê-lo.
Mas o problema aqui não se trata desse âmbito global, dessa magnitude toda. Aqui só quero refletir meus dilemas, minhas insignificantes preocupações, que para mim se agigantam sobremaneira.
A linha entre o comodismo e a total dependência do Senhor são extremamente tênues, e geralmente não consigo distinguir quando estou de um lado ou estou de outro. Uma parte minha me diz que não devo me acomodar, que devo procurar algo melhor para minha vida, um emprego que me dignifique, que me trate com o respeito que eu gostaria de receber, e esse lado me diz que devo ir à luta. Então, para obedecer este lado, envio meu curriculum aos quatro cantos, sempre orando para que Deus faça a sua vontade, crendo que Ele fará o melhor.
A minha outra parte, talvez mais conservadora, ou medrosa não sei, me diz que devo esperar no salmo 40, com paciência, crendo que o Senhor vai prover as minhas necessidades. Essa parte me diz que as coisas do mundo são passageiras, e que eu deveria antes gastar minhas energias e meus dons na obra do Senhor, e as minhas necessidades básicas seriam acrescentadas.
Aí é que vem o dilema. Qual das partes obedecer? Se me acomodo, sou preguiçoso e muitos podem pensar que eu esteja querendo viver da “fé” dos irmãos. Se resolvo viver a vida como a maioria, sou materialista e não tenho a visão adequada do reino. Maldito capitalismo que me coloca na parede, e é por causa dele que hoje temos nossa vida dividida ao meio. Parte dela é religiosa e funciona geralmente, somente aos domingos. A outra metade é secular e funciona a semana toda. Na primeira metade eu devo fazer a obra do Senhor, mas não faço como deveria. Se formos pensar no dízimo, eu deveria dar pelo menos 10% do meu tempo para Deus. Se eu ficasse o domingo todo trabalhando em favor do reino, teria mais de 14%, mas não fico. Se dispomos 4 horas por domingo é muito, o que dá um pouco mais de 2% da semana toda. A outra metade, a secular, me diz que eu devo ganhar dinheiro para deixar para a minha descendência. Também me diz que devo ser bem sucedido porque assim o nome de Deus será glorificado nos meus bens, e nesse caso aquele que é pobre não glorifica o nome de Deus, porque não tens bens para glorificá-lo.
Sem aparente solução, tento fazer um mix das minhas metades. Não tenho culpa do capitalismo, pelo menos não na essência. Também não tenho culpa se nasci nessa época e nesse contexto. Agora terei culpa se não tentar viver, a despeito da situação externa, dentro dos padrões bíblicos. Por isso decici ir à luta, crendo que o Senhor guia a minha vida. Crendo que, embora aparentemente quase nada faça sentido, estou nas mãos d’Ele, vivendo sob seus cuidados.
Decidi não mais dar o dízimo do meu tempo ao Senhor. Decidi que posso, pelo menos tentar, viver, onde eu estiver, independente do que esteja fazendo, dar 100% da minha vida e do meu tempo a Deus. Se no emprego, quero glorificá-lo. Se na rua, quero ser uma testemunha. Se no shopping, quero viver de modo a agradá-lo, e sei que vou agradá-lo quando começar a viver a vida que Ele me dá, levando o evangelho por toda a parte. Vou tentar não separar mais as minhas metades, tentarei juntá-las em uma só, uma vida voltada para o reino. Tentarei não pensar que tenho uma vida secular, mas sim que tenho uma vida “espiritual”, e o que quer que eu esteja fazendo, é essa minha vida, única vida, que deve ter a primazia.
Paulo construia tendas, mas esse era só um meio de sobrevivência, porque na verdade ele sabia que era um apóstolo. Creio que se perguntassem a ele sobre o seu ofício, ele jamais diria construtor de tendas, mas sim apóstolo. Era isso que guiava a sua vida. Todas as outras coisas eram somente acessórios.
Conheci uma pessoa esses dias que enchia a boca pra dizer que era advogado. Eu sou biólogo, mas se me perguntarem um dia sobre o meu ofício, que eu responda somente uma palavra: servo!

Um comentário:

marcel disse...
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