segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Características de uma Fé Pura

Jd 1:20-21 “Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. E apiedai-vos de alguns que estão na dúvida, e salvai-os, arrebatando-os do fogo; e de outros tende misericórdia com temor, abominando até a túnica manchada pela carne”.

Judas é uma epístola de apenas um capítulo. Provavelmente tenha sido escrita por Judas, o irmão de Jesus, porque no início este declara ser irmão de Tiago, que pela ausência de maiores apresentações deduz-se que era uma pessoa conhecida e importante.
Judas é uma carta de exortação à manutenção da fé. Muitos homens ímpios, como a própria carta diz, haviam se infiltrado dentro da comunidade e se aproveitado para executar suas obras más. Pela descrição de Judas, podemos inferir sobre algumas dessas más obras que esses homens cometiam.
1. Eles usavam a graça de Deus como pretexto para continuarem pecando, e isso o faziam deliberadamente e conscientemente. Usando a interpretação de que a graça era de graça, cometiam toda espécie de pecado, pois diziam: seremos perdoados mesmo, portanto podemos pecar à vontade. Em Romanos 6:1 nós lemos: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?”. Mas era esse tipo de atitude que permeava a vida daqueles homens.
2. Negavam a Cristo como o único soberano e Senhor. Interessante notar que o texto não diz que eles negavam a Cristo como salvador, mesmo porque usavam o pretexto da graça para pecar, mas o texto diz que eles O negavam como o único soberano e Senhor. Crer em Jesus como salvador é muito bom. Aceitar que Ele morreu na cruz do calvário para perdoar nossos pecados é maravilhoso. Muitos crêem assim e estão certos. Agora, dentre estes muitos que crêem assim, a grande maioria tem dificuldade de aceitá-lo como Senhor, único soberano. A Bíblia nos mostra que é somente através do sacrifício de Jesus na cruz que podemos ser salvos, e devemos crer nisso, mas também a Bíblia nos orienta que é necessário crer e aceitar esse mesmo Jesus, como Senhor soberano de nossas vidas. Isso não é fácil, porque mexe com nossa independência, com nossa suposta liberdade. Mas era exatamente isso o que aqueles homens negavam. Queriam Jesus como um doador de uma graça barata que aceitava todos os seus pecados deliberados, mas não o queriam como aquele que deveria ter a primazia de suas vidas. A maior dificuldade das pessoas em aceitarem Jesus como Senhor de suas vidas é deixar que Ele governe cada detalhe e cada circunstância da mesma. Quando faço isso deixo de ser dono do meu nariz, e não vivo eu, mas Cristo vive em mim. Para o homem carnal que não suporta perder a sua falsa liberdade essa idéia é abominável, mas para nós que somos salvos, é a idéia mais confortante que alguém poderia ter. A.W.Tozer quando fala sobre a fé que gera compromisso ele diz: “Vangloriamo-nos no Senhor, mas vigiamos atentamente para que nunca nos encontremos em uma situação de dependência dele.” Essa pseudo-fé não pode e nunca poderá crer em Jesus como Senhor soberano.
3. Além disso, aqueles homens difamavam autoridades superiores. Falavam de coisas espirituais que não entendiam. Usavam disso talvez para se promoverem ou para mostrar espiritualidade. Quantas pessoas hoje brincando com coisas espirituais, sobre as quais a Bíblia não nos fala nada a respeito. A única coisa que sabemos é que existe uma guerra espiritual muito grande, além de nossos sentidos. A única coisa que a Bíblia nos orienta é usarmos as armas que o Espírito nos deu para combater essas forças espirituais que nos tentam tirar do caminho. Todavia, muitas pessoas, movidas pela sua própria concupiscência, pelo desejo de serem pessoas mais espirituais que outras, usam de “supostas palavras de autoridade” para supostamente combaterem o que não conhecem, daquilo que nada sabem. Quanta gente hoje, usando mentiras que aprenderam no espiritismo, trazem esses conceitos para dentro de algumas igrejas como forma de combater o inimigo. E aí você ouve falar de pastores ungindo cidades inteiras de cima de um avião, ou ainda outros nomeando os demônios, sendo capazes de dar nome, sobrenome, RG e profissão para cada um deles. Judas nos diz que nem Miguel, o arcanjo Miguel, se atreveu a proferir juízo difamatório contra o diabo.
4. Aqueles homens eram árvores sem folha e sem frutos. As obras daqueles homens eram más e, portanto, não produziam frutos. A Bíblia nos diz que eram como árvores na época dos frutos, destes, porém, desprovidos. Não serviam para nada, não tinham utilidade, e como diz em Mt 3:10, árvore assim será cortada e lançada no fogo.
5. Eram aduladores de algumas pessoas por motivos interesseiros. Ainda bem que isso só acontece na França. Eu conheci uma igreja que passou por uma sucessão pastoral, e algumas pessoas sedentas por um cargo importante, já que a igreja era muito grande, até brigaram para ver quem bajulava mais o pastor. Mas tem também o contrário. Já viram aqueles irmãos na igreja que são praticamente venerados porque se ele for para outra igreja a falta do dízimo dele vai quebrar a igreja?Aí nas assembléias o voto daquela pessoa vale por 10.

Era contra esse tipo de atitude que Judas alertava a igreja do Senhor. É por causa disso que às vezes temos que ouvir de incrédulos: Eu vou ser crente para ser igual àquele fulano ou fulana? São pessoas que se infiltram em nosso meio, mas como a própria carta diz, não têm o Espírito.
E é a partir desses exemplos, que Judas então orienta a igreja como viver uma fé verdadeira. Uma fé que atrai as pessoas para dentro da igreja por causa da obra de Cristo. Não uma fé interesseira em milagres ou em bênçãos materiais, mas uma fé genuína que transforma o mais vil pecador. Era sobre essa fé que Judas pediu para que a igreja lutasse por ela. É a fé que convence o pecador de sua miséria, de sua falta de Deus, de sua incapacidade de se salvar. Jamais devemos falar para o não-crente que se ele vier para a igreja, seus problemas serão resolvidos, que ele vai ter fartura e saúde, que Deus o colocará por cabeça e não por cauda e aí a pessoa já pensa que daqui por diante ele não vai ser mais empregado, mas vai ser patrão, distorcendo todo o sentido do texto. Eu não acredito no evangelho que atrai as pessoas por coisas, mas eu creio no evangelho que atrai as pessoas pelo que Cristo fez na cruz do Calvário. É esse evangelho que pregamos. O evangelho da cruz.
A primeira coisa que Judas pede para a igreja é para que ela se edificasse sobre a santíssima fé. Que fé é essa da qual Judas está falando? Judas não está aqui falando de uma fé subjetiva, ou seja, aquela fé que nos impulsiona a seguirmos nossa vida, crendo que Deus fará o melhor para nós. A fé aqui é objetiva, ou seja, são as crenças ou mandamentos cristãos, a fundação do corpo de Cristo. É a fé que nos move a crer na pessoa e obra de Cristo, é a fé fundamental que o Espírito Santo concede a todo aquele que um dia abriu o seu coração a Jesus. Resumindo, é a fé na graça de Deus.
De acordo com Judas, essa fé deve ser o fundamento, a base do nosso cristianismo. Sem essa fé nossas atitudes boas viram obras de caridade pura e simplesmente. É essa base que nos impulsiona a vivermos como cristãos. É sobre essa base que evitamos o pecado e buscamos viver uma vida diligente e sadia. A fé que Judas nos orienta a buscar é uma fé que tira toda a glória que poderíamos ter quando fazemos o bem, porque essa fé está baseada na graça de Cristo, e, portanto, a glória é dele. É por isso que aquele que acha que suas obras o salvarão, perde toda a argumentação diante dessa fé.
A segunda coisa que Judas orienta é para que os cristãos orem no Espírito Santo. Tem uma música que diz que Deus não rejeita oração. Isto não é verdade. Os fariseus oravam alto no templo para que todos pudessem ver como eles eram espirituais. Os gentios de igual forma oravam através de vãs repetições. Mas conta-se a parábola, que um publicano batia no peito e dizia: Ó Deus, sê propício a mim, pois sou pecador. Deus rejeitou a oração do fariseu e dos gentios, mas aceitou a oração do publicano, que entendeu que nada merecia, sabia que era pecador e viu que o único que poderia lhe ajudar era Deus e não as suas obras. Por isso Judas orienta a orar no Espírito Santo. Orar no Espírito Santo é falar com Deus entendendo quem somos e quem Ele é. Orar no Espírito é orar sabendo que nossas palavras muitas vezes não conseguem refletir aquilo que realmente precisamos. Orar no Espírito é orar sabendo que Ele intercede por nós com gemidos inexprimíveis, levando nossas necessidades a Deus. Tive momentos em minha vida em que a única palavra que saia de minha boca era Jesus. Foram angústias tão intensas que nem mesmo eu sabia o que dizer, faltavam-me palavras coerentes, então nesse momento a única coisa que eu poderia dizer era Jesus, e com certeza, tudo aquilo que estava em meu coração estava chegando até Deus, através da intercessão do Santo Espírito. Orar no espírito é ter essa convicção.
Mas orar no Espírito, também é orar de acordo com a vontade de Deus, sabendo que esperar por Sua vontade sempre será a melhor escolha. Há algumas semanas eu passei por um momento de decepção. Sabe quando parece que as coisas estão caminhando perfeitamente e aparentemente Deus está agindo de uma forma espantosa? Parece que tudo está dando certo e você vê um futuro promissor logo à frente. Mas de uma hora para outra, tudo desaba. Cada uma das coisas que pareciam estar caminhando para o bem vai desaparecendo e você se vê em uma rua sem saída. Nesse momento somos convidados a mostrar para as pessoas que a fé permanece inabalável. Que ela sendo fé verdadeira, não depende de circunstâncias, mas somente de Deus. E nesse exato momento Deus nos convida a orarmos a Ele, agradecendo por cada situação, pedindo mais uma vez para que a Sua vontade seja feita. Não é fácil esse tipo de oração, mas é a oração que Deus se agrada, porque é a oração que nos coloca como filhos dependentes de um Pai de amor e misericórdia. Orando assim dizemos a Deus o quanto dependemos dele e que sem Ele nada somos. Traçamos projetos, fazemos planos, mas a resposta final tem que ser de Deus. Foi para esse tipo de oração que Judas convida o povo. É por isso que às vezes somos tão arredios com a oração do Pai nosso. Não é porque essa oração tem sido usada como um tipo de repetição, mas é porque no fundo, sabemos da responsabilidade em fazê-la. Sabemos o quanto a oração do Pai nosso nos exige. Exige a nossa renúncia, nosso despojamento e nossa total e irrestrita dependência de Deus. Experimente fazer a oração do Pai nosso, meditando sobre cada versículo e analisando o peso de cada Palavra ali inserida. Você verá que não é fácil fazê-la e mais difícil ainda é vivê-la. Mas Judas, através da inspiração do Espírito Santo, nos convida a esse tipo de oração, sustentáculo da fé genuinamente cristã.
O terceiro conselho de Judas é para que nos guardemos no amor de Deus. E como fazer isso? Esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. Se é uma coisa que o Novo Testamento nos pede para aguardar com esperança é a volta do nosso Senhor Jesus, quando virá para buscar a sua igreja. Esta esperança não deve sair do nosso coração, deve estar sempre em nossa mente e nos nossos lábios. As lutas e problemas que passamos aqui nesta Terra, não deveriam suplantar a alegria da esperança de um dia encontrarmos com Jesus, para estarmos para sempre com Ele. Todavia, como eu já disse aqui outra vez, parece que nos esquecemos disso. Não falamos mais sobre isso, não cantamos mais sobre o céu, esse assunto está muito longe de nós. Ouvimos na mídia um evangelho que promete o céu aqui na Terra e aos poucos fomos nos esquecendo dessa promessa, de que nosso descanso não é aqui. Aos poucos deixamos que o evangelho que prega vida plena e abundante aqui, fosse nos enlaçando, nos convencendo, e mesmo que inconscientemente, não pensamos mais no céu como faziam nossos antepassados. Se quisermos uma prova disso, basta ouvirmos seus sermões e suas músicas e veremos o quanto este assunto lhes era familiar e comum. Judas nos convida a guardarmos o amor de Deus, pensando naquilo que Ele tem preparado para nós. Deus nos amou te tal forma que além de enviar seu Filho para nos salvar, ainda tem um céu esperando por nós, para que possamos desfrutar de Sua presença eternamente.
Até aqui, na descrição de Judas, parece que essa fé é exercida de modo pessoal e ensimesmada. Parece uma fé quase egoísta, vivida de modo vertical e tão somente. Mas suas palavras não param por aqui. No verso 22 vemos que essa fé tem um alcance vertical sim, que demonstra nosso relacionamento com Deus, mas também deve ser exercida de modo horizontal, ou seja, com meu semelhante.
A igreja para a qual Judas escreve corria sério risco de ordem teológica e moral. Homens ímpios estavam lá dentro querendo causar divisões, promover contendas e disseminar ensinos de homens. Parece que a carta é endereçada para alguns líderes daquela comunidade, pessoas com maior estrutura para suportar as pressões. Mas havia em seu meio pessoas mais fracas na fé, que precisavam de cuidado e orientação, que não eram capazes de discernir entre a sã doutrina e vãs doutrinas. A essas pessoas, Judas orienta os irmãos para que tivessem compaixão delas, porque estavam com algumas dúvidas, provavelmente causadas por aqueles homens iníquos. A fé pura nos convida a nos preocuparmos com nosso irmão mais fraco, dedicando a ele um cuidado especial. É interessante notar aqui a heterogeneidade da igreja. Há pessoas com diferentes estruturas emocionais e psicológicas. Por isso temos de tomar o cuidado quando tratamos com nossos irmãos. Às vezes, uma palavra que eu digo para aquele que é meu amigo e que temos certa intimidade, não posso dizê-la a outro, que poderá se sentir magoado.
A fé pura em Judas é também uma fé prática, onde eu posso mostrar meu amor e minha compaixão, uma fé onde eu posso mostrar em meus atos a luz de Cristo.
Essas pessoas estavam talvez já tão envolvidas com práticas pecaminosas, que Judas pede para que os irmãos as salvassem do fogo, como alguém que já estava prestes a perecer, mas que o fizessem com temor, detestando até a roupa manchada pela carne, ou seja, tendo cuidado para que também não fossem envolvidos naquelas mesmas práticas. Irmãos, temos que ir atrás dos pecadores, temos que lhes anunciar a Jesus, mas temos que fazer isso com temor e cuidado para não sermos envolvidos e enredados pelos seus pecados.
A fé de Judas não é uma fé introvertida, não é somente vertical, mas é fé na verdade. Veja que esses atos de bondade que deveriam ser exercidos, não eram atrativos para que pessoas viessem a conhecer a Cristo, mas eram conseqüências de uma vida que vive para Cristo. Não é possível uma pessoa que conheceu a Jesus e entregou a sua vida para Ele que não se compadeça daquele que perece no mundo, daquele que ainda está em dúvidas, daquele que precisa de Jesus.
Quando Paulo fala em Romanos que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei, ele está combatendo aquelas obras infrutíferas que eram praticas pelos judeus somente para se vangloriarem. Paulo, diferente do que muitos pensam, era totalmente cônscio da necessidade de um cristão dar frutos, e os frutos só podem vir através de obras, como conseqüência da salvação.
Finalizando. A fé em Judas é uma fé que resume a caminhada do cristão nesta Terra. É uma fé que crê no unigênito Filho de Deus, não somente como salvador de nossas almas, mas também como Senhor de nossas vidas, único e soberano. É uma fé que nos impulsiona a oramos de acordo com a vontade de Deus, sabendo que Ele tem o melhor para nossas vidas. É uma fé que nos move a nos preocuparmos com nosso irmão, que nos faz entender suas limitações, suas fraquezas e suas necessidades, e através da capacidade que Cristo nos tem dado, promovermos o amor a essas pessoas, cuidando delas, instruindo-as e sendo instrumentos nas mãos de Deus para a salvação delas.
E feito tudo isso, essa fé nos renova a esperança de um dia encontramos com Jesus nos ares para estarmos para sempre com Ele. É uma fé que lembra que somos amados de Deus e que vamos morar com Ele eternamente. Que essa fé nos livre do pecado. Que essa fé nos fortaleça e nos faça melhores cristãos a cada dia, sendo luz e sal para aqueles que nos observam, esperando a glorificação do nosso corpo na ressurreição do último dia. Que a paz de Cristo esteja com todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fé, Muito Além...

Eu precisava escrever, colocar para fora aquilo que estou sentindo, mas se fosse escrever realmente aquilo que estou sentindo, minha fé pareceria vacilante e tudo aquilo que tenho tentado viver pareceria fachada e teatro. Então resolvi escrever para mostrar e provar que a fé está e deve estar além das circunstâncias, além do visível, do físico, muito além daquilo que podemos provar com nossos sentidos.
Durante muito tempo eu ouvi sobre um tipo de fé e nem mesmo fazia idéia de que havia outros tipos de fé, mas hoje eu sei que há, infelizmente.
A fé que eu conheci era uma fé tipo “você pode tudo”, uma fé que engrandecia o homem super-poderoso, aquele que conseguia uma intimidade tão grande com o Altíssimo que tinha acesso direto ao "Santo dos Santos". Mas muito mais que acesso direto. Essa intimidade era tão grande que bastaria uma simples palavra de ordem e os céus se moveriam imediatamente em favor do homem super-poderoso. Era uma fé que saltava aos olhos do mais bobinho, do mais ingênuo. Afinal de contas, quem não gostaria de ter uma fé dessas? E olha que eu ouvi muitos relatos desse tipo de fé, mas talvez pela escassez de super-poderosos eu nunca vi nada muito consistente que provasse esse tipo de fé, apenas relatos. Durante muito tempo me questionei e me perturbei porque esse tipo de fé estava longe de minha vida, longe de minhas pecadoras possibilidades. Claro que a resposta era, que eu não havia alcançado as exigências necessárias para se ter esse poder quase ilimitado e eu me contentava com isso, porque afinal não podia fazer muita coisa a respeito. Mas no fundo a angústia me corroia, porque olhando eu para mim mesmo, não via jamais tal possibilidade. Era um pecador mesmo, e diante disso sentia que jamais poderia experimentar esse tipo de fé que aprendi ser a única agradável e válida.
Até que um dia uma luz raiou. Em um glorioso dia apresentaram-me uma outra fé, que ao primeiro contato me pareceu estranha, algo muito incoerente baseado no que eu acreditava, quase um antagonismo. Essa fé era diferente porque não exigia nenhum sacrifício sobre-humano da minha parte, muito pelo contrário, essa fé exigia somente que eu me aceitasse como humano, fraco, pecador, mas salvo pela graça. Era isso, uma fé baseada na graça. Uma fé que a única exigência feita ao homem é que ele se convença e aceite que é um pecador e que não merece nada. Uma fé cujo ator principal não sou eu e minha suposta super-humanidade, mas cujo Autor é Jesus, o único Poderoso nessa história.
Mas as descobertas não pararam por aí. Disseram-me que essa fé era a única fé verdadeira, porque é uma fé que coloca todos e todas as coisas em seu devido lugar. O homem como homem, não merecedor, e Deus como Deus, soberano e eterno. Essa fé, a verdadeira, me trouxe paz, porque entendi, mesmo que de uma forma mesquinha e superficial o tamanho de Deus, e ao mesmo tempo a minha insignificância diante de Sua grandeza. Essa fé me tranqüilizou porque me fez entender a oração do Pai-nosso quando diz: Seja feita a tua vontade!
Acreditar nesta fé não é tão difícil, mas vivê-la é por demasiado penoso às vezes. Isto porque somos humanos e como tal, sempre queremos provar, sentir, enxergar. É a necessidade pelo empirismo que se aflora em nós se contrapondo com a fé verdadeira que nos pede para confiarmos em Deus, porque seja lá qual for o resultado, Ele estará conosco.
Deixe-me colocar isto em moldes mais práticos. Você procura um emprego e pede a Deus para que o oriente. A fé do super-homem diz que se eu declarar com fé, pedir sem duvidar, aquele emprego pelo qual estou buscando vai ser meu. A fé verdadeira me diz que devo deixar nas mãos de Deus, sabendo que Ele tem sempre o melhor para minha vida, mesmo que não seja aquele emprego que eu queria. Outro exemplo. Se conheço alguém que está doente e eu gostaria que fosse curado, a fé verdadeira me diz que posso orar para que Deus o cure, mas devo estar ciente que essa pode não ser a vontade d’Ele e neste caso a resposta para minha oração seria: Não!
A fé do super-homem é mais fácil, mas não é fé de verdade, porque faz de Deus uma marionete nas mãos de homens limitados que não podem acrescentar um côvado à sua altura. A fé verdadeira me faz descansar nas mãos de um Deus poderoso sabendo que a sua vontade é boa, perfeita e agradável.É isso, minha fé está sendo provada nestes dias e preciso pô-la em prática, porque só assim ela pode se tornar fé de verdade e sair do pensamento e da teoria. Que Deus me ajude a vivê-la. Que Deus lhe ajude a encontrá-la. Talvez seja mais difícil porque requer espera muitas vezes, mas com certeza trás conforto e paz ao coração.
Valinhos, 3 de novembro de 2008.