segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fé, Muito Além...

Eu precisava escrever, colocar para fora aquilo que estou sentindo, mas se fosse escrever realmente aquilo que estou sentindo, minha fé pareceria vacilante e tudo aquilo que tenho tentado viver pareceria fachada e teatro. Então resolvi escrever para mostrar e provar que a fé está e deve estar além das circunstâncias, além do visível, do físico, muito além daquilo que podemos provar com nossos sentidos.
Durante muito tempo eu ouvi sobre um tipo de fé e nem mesmo fazia idéia de que havia outros tipos de fé, mas hoje eu sei que há, infelizmente.
A fé que eu conheci era uma fé tipo “você pode tudo”, uma fé que engrandecia o homem super-poderoso, aquele que conseguia uma intimidade tão grande com o Altíssimo que tinha acesso direto ao "Santo dos Santos". Mas muito mais que acesso direto. Essa intimidade era tão grande que bastaria uma simples palavra de ordem e os céus se moveriam imediatamente em favor do homem super-poderoso. Era uma fé que saltava aos olhos do mais bobinho, do mais ingênuo. Afinal de contas, quem não gostaria de ter uma fé dessas? E olha que eu ouvi muitos relatos desse tipo de fé, mas talvez pela escassez de super-poderosos eu nunca vi nada muito consistente que provasse esse tipo de fé, apenas relatos. Durante muito tempo me questionei e me perturbei porque esse tipo de fé estava longe de minha vida, longe de minhas pecadoras possibilidades. Claro que a resposta era, que eu não havia alcançado as exigências necessárias para se ter esse poder quase ilimitado e eu me contentava com isso, porque afinal não podia fazer muita coisa a respeito. Mas no fundo a angústia me corroia, porque olhando eu para mim mesmo, não via jamais tal possibilidade. Era um pecador mesmo, e diante disso sentia que jamais poderia experimentar esse tipo de fé que aprendi ser a única agradável e válida.
Até que um dia uma luz raiou. Em um glorioso dia apresentaram-me uma outra fé, que ao primeiro contato me pareceu estranha, algo muito incoerente baseado no que eu acreditava, quase um antagonismo. Essa fé era diferente porque não exigia nenhum sacrifício sobre-humano da minha parte, muito pelo contrário, essa fé exigia somente que eu me aceitasse como humano, fraco, pecador, mas salvo pela graça. Era isso, uma fé baseada na graça. Uma fé que a única exigência feita ao homem é que ele se convença e aceite que é um pecador e que não merece nada. Uma fé cujo ator principal não sou eu e minha suposta super-humanidade, mas cujo Autor é Jesus, o único Poderoso nessa história.
Mas as descobertas não pararam por aí. Disseram-me que essa fé era a única fé verdadeira, porque é uma fé que coloca todos e todas as coisas em seu devido lugar. O homem como homem, não merecedor, e Deus como Deus, soberano e eterno. Essa fé, a verdadeira, me trouxe paz, porque entendi, mesmo que de uma forma mesquinha e superficial o tamanho de Deus, e ao mesmo tempo a minha insignificância diante de Sua grandeza. Essa fé me tranqüilizou porque me fez entender a oração do Pai-nosso quando diz: Seja feita a tua vontade!
Acreditar nesta fé não é tão difícil, mas vivê-la é por demasiado penoso às vezes. Isto porque somos humanos e como tal, sempre queremos provar, sentir, enxergar. É a necessidade pelo empirismo que se aflora em nós se contrapondo com a fé verdadeira que nos pede para confiarmos em Deus, porque seja lá qual for o resultado, Ele estará conosco.
Deixe-me colocar isto em moldes mais práticos. Você procura um emprego e pede a Deus para que o oriente. A fé do super-homem diz que se eu declarar com fé, pedir sem duvidar, aquele emprego pelo qual estou buscando vai ser meu. A fé verdadeira me diz que devo deixar nas mãos de Deus, sabendo que Ele tem sempre o melhor para minha vida, mesmo que não seja aquele emprego que eu queria. Outro exemplo. Se conheço alguém que está doente e eu gostaria que fosse curado, a fé verdadeira me diz que posso orar para que Deus o cure, mas devo estar ciente que essa pode não ser a vontade d’Ele e neste caso a resposta para minha oração seria: Não!
A fé do super-homem é mais fácil, mas não é fé de verdade, porque faz de Deus uma marionete nas mãos de homens limitados que não podem acrescentar um côvado à sua altura. A fé verdadeira me faz descansar nas mãos de um Deus poderoso sabendo que a sua vontade é boa, perfeita e agradável.É isso, minha fé está sendo provada nestes dias e preciso pô-la em prática, porque só assim ela pode se tornar fé de verdade e sair do pensamento e da teoria. Que Deus me ajude a vivê-la. Que Deus lhe ajude a encontrá-la. Talvez seja mais difícil porque requer espera muitas vezes, mas com certeza trás conforto e paz ao coração.
Valinhos, 3 de novembro de 2008.

2 comentários:

Tiago disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.