segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A Viva Esperança do Crente

Estamos quase no final de mais um ano e eu não poderia deixar de falar neste tema. Esperança. Esta época do ano é propícia para isto. Não sei explicar, mas existe algo dentro de nós que, nesta época, parece saltar de ansiedade. Uma sensação muito boa de que algo “miraculoso” vai acontecer, e, aquelas coisas que tanto nos desagradaram neste ano, parecem que vão sumir assim que o ano novo nascer e o antigo for sepultado. Alguns estão esperançosos com relação à economia global, crendo que esta crise vai desaparecer e vamos outra vez respirar aliviados. Muitos ai fora, ainda têm esperança que neste ano novo, aquela “fezinha” vai dar certo e o prêmio da mega-sena finalmente vai sair. Esperança de um emprego melhor, um carro novo, a saúde da família. São multidões de pessoas esperançosas de que a vida vai melhorar.
Por outro lado, existem pessoas cujas esperanças vão muito além desse tipo de desejo. A esperança de alguns é somente para que neste novo ano eles tenham ao menos um prato de comida decente todos os dias, ou roupas limpas para vestir, ou uma cama macia e limpa para dormir. Alguns do outro lado do mundo têm esperança de que um dia eles possam professar a sua fé em Cristo, sem terem que se esconder de ninguém, sem precisarem arriscar suas vidas a cada dia para cultuarem ao Senhor. São motivos e anseios diversos, que variam de acordo com o país, a classe social e econômica.
Independente do tipo de esperança, a verdade é que todos devemos ter esperança. E uma outra verdade é que o homem não vive sem esperança. Alguém já disse que o homem pode viver sem alimento por alguns dias, mas sem esperança ele não conseguiria viver nem alguns minutos. Precisamos esperar que coisas novas e melhores vão acontecer; é isso que nos move a continuar lutando e vivendo.
Independente de nossa esperança para este ano novo, a Bíblia nos fala de uma viva esperança, uma esperança que não está morta, ou seja, uma esperança que não é somente um desejo que pode ou não ser cumprido, que independe da minha e da sua vontade, porque é uma esperança real com 100% de certeza de cumprimento.
Vamos ler o texto de I Pe 1:1-9: ”Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória, alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.”
Que texto maravilhoso. Pedro estava falando com peregrinos, crentes sem pátria, provavelmente os judeus da dispersão que agora estavam fora de sua terra natal. Ser peregrino e estrangeiro naquele tempo, não é o mesmo que ser estrangeiro nos dias de hoje. O peregrino não usufruía de todos os direitos que um cidadão tinha. Era obrigado a pagar mais impostos, não tinha direito ao voto e não podia se casar com um cidadão, além de outras obrigações e deveres.
Nessa situação de estrangeiros também sofriam com a pobreza. Não podiam ter acesso a todos os cargos e funções disponíveis. Geralmente tinham de se contentar com o trabalho no campo ou como artesãos nas pequenas cidades. Por isso na sua grande maioria eram pessoas pobres, chegando inclusive a passar privações.
Além de tudo isso sofriam perseguição por serem cristãos, eram caluniados e difamados injustamente, porque o seu proceder era diferente dos pagãos, suas vidas íntegras agora como cristãos, irritavam aqueles que estavam de fora.
Era esse o pano de fundo da carta de Pedro, era essa a situação em que viviam os crentes para os quais Pedro escreve a sua carta. Em um dia tinham uma vida comum, e no outro suas vidas foram totalmente transtornadas. Parafraseando, saiam cedo para trabalhar, levavam seus filhos na escola, faziam compras e iam ao parque. Tinham aspirações profissionais e pessoais. Mas de repente tudo mudou. Haviam conhecido uma outra “religião”. Esta nova verdade havia aquecido seus corações; era impossível não atender ao chamado do evangelho, porque ele queimava dentro do peito. Fora uma conversão genuína e eles agora só queriam seguir a Cristo, o Messias esperado e tanto falado através dos profetas. Mas eles percebem que seguir a Cristo não seria tão fácil assim e logo tiveram de deixar suas vidas comuns e viver como peregrinos. Fico pensando se uma coisa dessas acontecesse em nosso país, o que falariam os pregadores da prosperidade e da batalha espiritual. Como explicar perseguição e morte diante de um Deus que não pode permitir sofrimento na vida do crente? Como explicar perseguição e pobreza, se cremos em um Deus que é dono do ouro e da prata? Com certeza iríamos ouvir que a culpa é a nossa pouca fé, que não entregamos tudo e que não fomos fiéis nos propósitos. Mas esse discurso hipócrita logo ia acabar porque, ou eles assumiriam sua condição de cristãos e então seriam perseguidos, ou abandonariam a farsa de crentes, o que é mais provável que aconteceria. Quantos realmente iriam subsistir em meio a uma perseguição injusta?
Mas foi exatamente isso que nossos irmãos peregrinos provaram, e a explicação de Pedro, da Bíblia e de Deus foi simples: a nossa esperança não está aqui, mas está na eternidade. Nossa viva esperança é na verdade uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para os fiéis. Sabem por que aqueles crentes perseguidos podiam agüentar a provação? Por que sua esperança não estava neste mundo, mas na eternidade. Eles sabiam perfeitamente, melhor do que sabemos hoje, que essa vida é como uma neblina, que logo se esvai.
Em primeiro lugar, nossa esperança não vai nunca morrer, mas ela é eterna. Pedro nos diz que essa esperança é viva e que nos foi dada através do sangue de Cristo derramado na cruz e de sua ressurreição dentre os mortos.
A esperança de que existe vida eterna para o crente e de que um dia vamos morar com Jesus em corpos incorruptíveis e eternos, reside no fato de que Jesus venceu a morte e, por conseguinte, nós os seus filhos somos herdeiros da mesma glória. Paulo em I aos Coríntios explica detalhadamente a respeito da ressurreição dos mortos e mostra que se os mortos não ressuscitam, logo Cristo não ressuscitou, mas se Cristo ressuscitou e nós sabemos que isso aconteceu, logo os mortos irão da mesma forma ressuscitar.
Nossa esperança além de ser eterna, não é mera possibilidade como se fosse qualquer esperança humana em alguma pessoa ou coisa, mas é uma verdade que vai se cumprir. A Bíblia é a nossa prova de que iremos morar com Cristo, se um dia decidimos aceitá-lo como nosso Senhor e salvador.
Eu tenho esperança que o Obama através de alguma medida, amenize a crise dos Estados unidos para que assim, nós também possamos respirar mais aliviados. Da mesma forma eu tenho esperança que a situação do nosso país um dia melhore, que tenhamos melhores escolas, melhores hospitais, salários mais dignos e um lugar mais seguro para se viver. São esperanças que estão condicionadas a diversos fatores e circunstâncias, e a maioria deles com uma grande impossibilidade de ocorrerem.
Jesus nos dá uma esperança sem igual, que não está condicionada a nada e nem a ninguém deste mundo, mas unicamente à vontade de Deus, que não muda e não falha. A esperança que temos em Cristo quase não poderia ser chamada assim, porque nossa concepção de esperança é sobre algo que poderá acontecer, mas não temos como certificar isso com toda a convicção. Por isso Pedro chama essa esperança de uma viva esperança. Uma esperança que ao contrário de qualquer esperança, irá acontecer porque é a Palavra de Deus.
Em segundo lugar o texto de Pedro nos diz que muitas vezes importa que sejamos contristados por um pouco de tempo.
Aqueles crentes estavam sendo provados, como o ouro é provado e purificado pelo fogo. Mas ao contrário do ouro que, embora provado e purificado, um dia iria perecer, a sua fé jamais iria sofrer dano, portanto muito mais preciosa que qualquer riqueza. Com certeza aqueles irmãos estavam sofrendo grandes privações financeiras e econômicas. Por diversos momentos na carta, Pedro compara as riquezas terrenas, com a fé e a salvação mostrando que estas são muito mais preciosas que aquelas. Em 1:18 Pedro diz que não foi com coisas corruptíveis como ouro e prata que fomos resgatados da nossa vã maneira de viver, mas pelo precioso sangue de Cristo. Pedro procura mostrar que aquela privação temporária das riquezas desse mundo, que os insultos e perseguições que agora estavam sofrendo, seriam motivo de louvor, honra e glória na revelação de Jesus Cristo.
Ninguém gosta de sofrer, assim como ninguém gosta de passar por privações, sejam elas quais forem. Mas infelizmente vivemos em um mundo que nos sujeita a isso. Talvez não passemos privações financeiras, mas a doença pode acometer alguém de nossa família. Talvez não tenhamos problemas de saúde e nem financeiros, mas não temos paz em nosso lar e isso nos incomoda muito e nos faz sofrer.
A comunidade para a qual Pedro escreve não tinha terra. Viviam como estrangeiros sofrendo discriminação e perseguição. Além disso, foram privados de seus bens e por isso tinham problemas de ordem financeira. Não podiam ter o emprego que desejassem, tinham que se contentar com subempregos. Mas apesar de tudo isso permaneciam fiéis, exatamente porque a sua maior esperança não estava nesta vida mas em uma vida eterna ao lado de Cristo.
Pedro entendia que aquilo pelo qual eles estavam passando era a prova de sua fé. Ora, tudo o que é provado pode ser aprovado ou reprovado, dependendo do resultado final. Pedro entendia que se a fé daqueles crentes era realmente uma fé genuína, ela seria aprovada por aquela prova, e muito mais que isso, ela seria purificada como o ouro é purificado quando passa pelo fogo.
Às vezes eu sinto que nossa fé precisa ser provada para deixar de ser uma fé só de palavras e se torne uma fé viva, cheia de significado. Às vezes nossa vida é sacudida por algum evento desagradável exatamente como prova de nossa fé, para ver se ela resiste ou se desaparece. Se resistir é porque era verdadeira, senão é porque era superficial e falsa. Quantas pessoas conhecemos, que diante de provações e lutas, deixam a fé, se revoltam contra a igreja e contra Deus, e se tornam pessoas piores do que eram antes. Sua fé não era verdadeira. Estavam em nosso meio, mas não eram dos nossos.
Algumas vezes chegamos a uma letargia tão grande no nosso caminhar cristão que precisamos ser sacudidos para que a fé que declaramos um dia seja revivida e nosso viver em Cristo tenha de novo um significado. Fé não é algo estático, parado. Fé é algo dinâmico que precisa ser demonstrada, precisa ter resultados, precisa ter frutos. Quando esta fé se torna estática ela precisa ser renovada e talvez a única forma de se conseguir isso é colocando-a a prova.
Se nós cremos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, então diante de uma provação, deveríamos antes de qualquer coisa perscrutar nosso relacionamento com Deus, porque pode muito bem ser que a nossa fé esteja sendo provada.
Em terceiro lugar todo o sofrimento momentâneo pelo qual passamos redundará para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. Como isso vai acontecer? Eu não sei. O que sei é que nosso sofrimento, mesmo que este seja utilizado para provar a nossa fé, será motivo de louvor e honra naquele grande dia, quando Senhor se revelar e quando estivermos com Ele na glória.
Essa é a esperança do crente. Só aqueles que crêem que nossa vida não termina aqui, mas vai continuar por toda a eternidade pode se alegrar nessa esperança.
Se você disser para um incrédulo, para alguém que não acredita na eternidade, que ainda está longe e separado de Deus, que o sofrimento dele aqui resultará em glória e louvor após a morte, ele provavelmente vai rir de você e vai achar que isso é conversa de doido, que é uma desculpa e um consolo que temos para achar uma saída para os sofrimentos. Mas para aqueles que têm a certeza de que o que Deus prometeu em sua Palavra vai se cumprir, a certeza de que um dia nossas lutas e angústias vão ser relembradas e que isso vai ser motivo de louvor, para este, esta certeza deve trazer profunda alegria e paz na alma.
Onde está a nossa esperança? Onde temos colocado a nossa confiança? Onde temos investido nosso tempo, dinheiro, saúde, nossa vida? Em algo que hipoteticamente pode nos dar segurança? Em políticos, na segurança do dinheiro, na polícia? Nossa esperança está na nossa capacidade ou na nossa autoconfiança? Se estiver, estaremos fadados ao fracasso, porque nada disso pode em si mesmo pode nos dar uma viva esperança. Nem a política, nem o dinheiro, nem nós mesmos e nossa suposta suficiência podemos garantir qualquer coisa daqui a um segundo. Mas temos uma garantia que nunca falha e jamais falhará; a Palavra de Deus que permanece para todo o sempre.
O mundo não pode e jamais poderá compreender como podemos cantar em meio ao sofrimento. Uma coisa que sempre me chamou a atenção foi durante as cerimônias fúnebres que participei. Por mais que soframos, por mais que choremos, sabemos que a morte do crente é só uma passagem, é só um até breve, porque temos a certeza de que nos encontraremos outra vez além do rio. Por isso cantamos em nossos enterros, cantamos hinos de despedida, mas principalmente cantamos hinos que nos falam de nossa viva esperança, que nos fazem relembrar o céu e as suas maravilhas, porque essa é a nossa convicção, essa é a nossa certeza. Mas no velório do ímpio, daquele que não tem certeza da sua salvação e da vida eterna, só encontramos tristeza, desespero e sofrimento incontroláveis. Isso porque lhes falta esperança, isso porque eles não têm noção alguma de onde aquela alma que não está mais naquele corpo, se encontra. É a falta de esperança que faz isso. A falta de esperança traz desconforto, sofrimento inconsolável e desespero.
Por isso somos diferentes. Por isso podemos cantar mesmo em meio ao sofrimento. Porque temos o Espírito Santo de Deus que nos consola e nos conforta. É essa paz que inunda a nossa alma mesmo em meio ao mais trágico revés, que o mundo sem Cristo não conhece; é a paz que excede todo entendimento.
Não sei se vocês conhecem a história do hino “Sou Feliz com Jesus”, que na verdade a tradução literal em inglês é “Tudo bem com a minha alma”. Um casal perde em um naufrágio seus dois filhos. A mãe que estava com os filhos conseguiu sobreviver, mas os filhos morreram afogados. Dois anos depois do acidente, em memória dos filhos o pai compôs esse hino maravilhoso que conhecemos hoje, e disse que pouco antes da viagem que fizeram para a Europa na qual morreriam, eles haviam se convertido ao Senhor.
Novamente surge a pergunta: Que força é essa que faz um pai que perde seus dois filhos de forma tão trágica, compor uma música como esta dizendo que vai tudo bem com minha alma? A única resposta é: Ele tinha uma viva esperança que nada desse mundo e nem nenhuma circunstância poderiam tirar.
Daqui a três dias estaremos em um novo ano. Novas expectativas, novos sonhos, e um recomeço de novas lutas também. Não é errado fazermos planos, muito pelo contrário, precisamos fazê-los para que tenhamos uma vida controlada e sabiamente construída. Mas acima de tudo isso que nossa esperança maior, aquela que nos motiva a estarmos vivos, que nos impulsiona a seguirmos confiantes, seja a certeza que temos pela Palavra de Deus em uma eternidade juntamente com Ele.
Que nossa maior esperança não sejam os políticos, ou nosso dinheiro ou nossa capacidade. Que nossa maior esperança seja de um dia morarmos para sempre com Jesus nos céus.
Se essa for a sua maior esperança, nenhuma luta ou dificuldade dessa vida vai lhe abalar ao ponto de você questionar o valor da sua fé. Nenhum problema será grande o suficiente para lhe tirar a alegria da sua salvação. Nenhuma dor será capaz de suplantar a paz e a certeza de que um dia, quando Cristo voltar para buscar a sua igreja, subiremos juntamente com Ele para só então, usufruirmos de uma alegria completa e inigualável.
Que a paz de Cristo que excede todo entendimento possa estar conosco em mais um ano e que a esperança de que Cristo pode voltar a qualquer momento para buscar a sua igreja possa estar cada vez mais viva em nossos corações de modo que nossa oração diária seja: Maranata! Ora vem Senhor Jesus.

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