sábado, 16 de maio de 2009

Evangelho Puro e Simples

Esse já foi tema de livro, mas confesso que não o li. Às vezes me ponho a pensar no evangelho e fico intrigado. Por um lado vemos igrejas e pessoas que complicam demasiadamente o evangelho e por vezes são incoerentes em seus discursos. Funcionam mais ou menos como vendedores de telemarketing. Mostram uma porção de benefícios e vantagens e encobrem as entrelinhas, e você só descobre as implicações depois de adquirir o produto. Para atrair as pessoas para a igreja dizemos que ela pode vir como está. Mostramos um evangelho extremamente simples onde ela só precisa aceitar, e depois de algum tempo começamos a acrescentar condicionais para que a pessoa possa continuar em nosso meio, e na maioria das vezes condicionais não bíblicas. Entendo que nossa vida cristã deve seguir em escalada ascendente, mas temos a tendência de exigir mais realeza do que o rei. Esse é um extremo.
Por outro lado, há aqueles que são simplistas demais. Eles dizem: você é mesmo imperfeito, pecador, e não tem culpa de agir assim. Acrescentam: não se preocupe, a graça de Deus entende os seus pecados, barateando a graça e o sacrifício de Jesus. E assim não se esforçam para melhorarem, e na maioria das vezes pioram. Esse é o outro extremo.
Nesse ponto surgem as indagações. E quando começo a pensar nisso, surge em minha mente a figura do ladrão da cruz, o “bom”, ou melhor, aquele que foi salvo. O que aquele homem fez para ser salvo? Ele é o exemplo mais claro na Bíblia de alguém que foi salvo pouco tempo antes de morrer.
Ele havia levado uma vida à margem da sociedade, escolhera ser ladrão. Sua “profissão” era roubar, tirar dos outros aquilo que não lhe pertencia. E a lei era clara, ele tinha que morrer, merecia a morte. Então o que ele fez para que Jesus o perdoasse? Qual o segredo do ladrão?
Entendo que ele fez duas coisas. A primeira foi confessar que ele estava ali naquela cruz por merecimento. Essa é a primeira exigência que o evangelho faz, que a pessoa aceite que é pecadora, e que a única coisa que merece como pecadora é a morte. Parece simples, mas não é. Uma das maiores dificuldades do ser humano é aceitar que tem problemas, que tem defeitos e que precisa de cura. A maioria dos alcoólatras não consegue se curar porque nunca admite que seja um alcoólatra. É como um doente que não aceita que está doente; nunca vai procurar o médico.
Jesus ironicamente, declara várias vezes aos religiosos de Israel, que equivocadamente acreditavam que não precisavam de salvação: eu não vim para os sãos, mas para os doentes. É óbvio que eles precisavam de salvação, mas não conseguiam enxergar isso. Se você não aceita que está doente, e doença aqui no sentido espiritual, sinto lhe informar, Jesus não pode fazer nada por você. Não que Ele não possa como sendo uma limitação do próprio Deus, mas Ele não pode porque nos deu livre arbítrio; temos a oportunidade de escolhê-lo ou rejeitá-lo. Deus não nos obriga quere-lo. Parece incrível, mas muitas pessoas simplesmente não aceitam a salvação dada de graça por Jesus, porque simplesmente não conseguem admitir que são pecadoras e que precisam de cura espiritual.
O segundo segredo do ladrão foi entender que Jesus era Senhor, e que além de ser Senhor possuía um reino, porque a sua cruz dizia que Ele era um rei, então a sua conclusão foi óbvia: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. O ladrão entendeu que o único que poderia salvá-lo era Jesus, o Rei dos judeus, o Senhor. E essa é a segunda condição para que alguém seja alcançado pela graça de Deus, entender e admitir que só há salvação em Jesus.
Mas ao contrário do que alguém possa pensar, essa é outra tarefa difícil, aceitar que alguém governe sobre a nossa vida que não nós mesmos. Buscamos a independência desde que nascemos. A criança pequena, ainda não sabe andar, mas já quer descer do colo da mãe para conseguir sua independência e trilhar o caminho dos primeiros passos. E assim é nossa tendência até a morte, conseguir independência, paterna, financeira, social. Por isso é difícil aceitar o senhorio de Cristo, mesmo que Seu senhorio seja para o nosso próprio bem. Mas o ladrão aceitou. Sabia que se dependesse dele, a morte era seu merecimento, havia sido ladrão. Mas também entendeu que aquele Rei que estava ao seu lado poderia lhe dar uma eternidade segura. Ele entendeu a graça.
Muita gente não consegue entender a graça; ainda vive na época da lei, olho por olho e dente por dente, e por isso não consegue aceitar que Cristo pode perdoar a qualquer pecador; o ladrão, o homicida, o estelionatário, o mentiroso, o sonegador do imposto de renda, o beberrão, o religioso que acha que merece ser salvo porque se acha bom o suficiente. Todos podem ser alcançados pela graça, basta entender o segredo do ladrão da cruz, aquele que foi salvo.
Por isso que o evangelho é simples, puro e simples. Isso não quer dizer que você deva viver uma vida simplista quando aceita o evangelho, você precisa crescer, amadurecer, buscar a excelência como cristão. Mas o resumo da salvação é simples assim, como a história do ladrão. Ela é a base para entendermos quais são as exigência para que alguém encontre a Cristo e usufrua da sua graça.
Que os seus olhos possam ser abertos para o evangelho de Cristo, que é puro e simples, e está disponível para você a qualquer hora do dia ou da noite.

2 comentários:

Davi Alves disse...
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