sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Radar de Deus


Tive o privilégio de ir ao Canadá há três anos. Algumas coisas me surpreenderam nessa viagem. A primeira foi a segurança com que se vive. Pode-se deixar o carro aberto no estacionamento do mercado que não possui guarita e nem segurança particular. Pode-se deixar a casa aberta enquanto você vai ao trabalho, aliás, pouquíssimas casas possuem chaves. Mas a coisa mais impressionante foi o trânsito. Dirigindo pelas ruas de Belleville, você pode mensurar o nível de educação de um povo. Não importa o horário, ninguém ultrapassa o sinal vermelho. Ninguém ultrapassa em local proibido e nenhum pedestre atravessa fora da faixa, com raríssimas exceções. Aí você vem para o Brasil e pode mensurar o nível de educação de um povo, ou seja, nenhum.
É incrível como o brasileiro é sem-educação e ignorante. Você está em uma via cuja velocidade máxima é 60 km/hora, e você já está muito próximo da velocidade máxima. O cara de trás não se contenta e quer lhe ultrapassar. Mas ele é tão ignorante que não percebe que logo à sua frente tem uma fila enorme de carros. Ele lhe ultrapassa, geralmente em local proibido e fica bem à sua frente na fila enorme de carros. O que ele ganhou? Nada, ou talvez uns dois segundos de sua vida, ou morte, quem sabe?
Mas essa falta de educação e integridade não se resume ao trânsito, mas está em todos os aspectos da vida do cidadão. Ele toma o lugar reservado para pessoas deficientes no estacionamento do mercado. Ele “empresta” o filho do vizinho para poder pegar a fila preferencial no banco. Ele mente sua situação financeira para poder conseguir bolsa de estudo para a faculdade. Ele diminui a velocidade quando está próximo a um radar, mas aumenta logo depois que passa pelo mesmo, e se você escolher respeitar as leis, ele simplesmente fica irritado e lhe acha um idiota.
Infelizmente, levamos essa falta de integridade e responsabilidade para outros aspectos mais importantes de nossa vida, como, por exemplo, no nosso relacionamento com Deus. Tratamos Deus como tratamos o radar, a lei e o governo. Achamos que podemos enganar a Deus como enganamos o leão do imposto ou ao guarda de trânsito.
Todavia nos esquecemos que o radar de Deus não é como o radar da sua cidade que está ligado, quando está, em apenas alguns pontos que você já conhece. E caso você se esqueça e seja pego pelo radar, o máximo que pode acontecer é pagar uma multa e ter alguns pontos na sua carteira. Mas quando somos pego pelo radar de Deus, uma coisa muito mais grave nos acontece, pecamos contra Ele.
O radar de Deus está ligado 24 horas por dia e não se encontra somente em alguns lugares, mas em todos os lugares e circunstância de nossa vida. Salmo 139:8 “Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também”. Não há lugar que o radar de Deus não possa me pegar, nenhum sequer.
Achamos que não, mas a nossa falta de integridade com que agimos em muitos aspectos de nossa vida, acaba atingindo nosso relacionamento com Deus. É quase automático e intuitivo. Não paramos para pensar e agimos conforme nossa natureza.
Nosso radar acaba sendo as pessoas ao invés de ser Deus. Na frente das pessoas somos crentes comprometidos e respeitamos as “leis”, mas longe delas somos iguais a todos e agimos como se Deus não estivesse nos olhando, como fazemos com os radares de nossa cidade.
Até aqui eu só fiz uma ilustração de nossa atitude para com Deus e nossa integridade para com as coisas comuns de nossa vida. Mas você sabia que todas as nossas atitudes do dia-a-dia refletem de maneira inequívoca nossa comunhão e obediência a Deus? Não pensando muito sobre isso, com freqüência avançamos o sinal e somos fotografados pelo radar de Deus, e com isso pecamos.
De novo voltei ao trânsito. Quantas vezes vejo barbaridades cometidas por alguém e quando o carro passa, lá está no pára-choque a célebre frase “nas mãos de Deus” ou então “propriedade exclusiva de Jesus”. Quanta hipocrisia e quanta insanidade. Ao invés de servir para dignificar a Deus só serve de escândalo. Aliás, uma sugestão, se você é do tipo esquentadinho, por favor, não coloque nada em seu carro que o identifique como um crente em Cristo. Nesse caso o anonimato trás menores prejuízos.
A primeira pregação e talvez a mais significativa seja a nossa própria vida, e caso essa seja tortuosa, de nada valerá nossas palavras, pelo contrário, servirão apenas para que o nome de Cristo seja blasfemado entre os pagãos.
Vivamos a nossa vida, cônscios de que o radar de Deus não se desliga, mas está constantemente nos olhando e vendo o que estamos fazendo. Vivamos a nossa vida diante dos homens de forma íntegra de modo que em nada possamos ser acusados, vivendo aquilo que pregamos e falamos. Que Deus nos abençoe.

Um comentário:

Ventura Neto disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.