domingo, 28 de março de 2010

DISCÍPULOS INSERIDOS NO REINO

Mateus 13:44-46 “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra.”

Desde há muito tempo as parábolas de Jesus têm sido motivo de estudos e interpretações diversas, todas no intuito de encontrarem o verdadeiro significado delas. Já nos primeiros decênios após a morte de Jesus as parábolas começaram a sofrer certos desvios de interpretação, e começaram a adquirir interpretação alegórica de seu conteúdo, na intenção de tentar extrair das mesmas, mensagens ocultas e profundas daquilo que Jesus disse. Um exemplo dessa alegorização que aconteceu, podemos ver na parábola dos trabalhadores da vinha. Quando alegorizamos essa parábola, damos sentido a cada pequeno detalhe da mesma. Nesse caso as horas das cinco chamadas se transformam nas cinco etapas da salvação desde Adão, ou então as cinco etapas da vida de um homem rumo à salvação. Mas a pergunta que fica é a seguinte: qual o verdadeiro sentido das parábolas? O que os ouvintes de Jesus entenderam ao ouvirem as suas parábolas? Ou ainda, podemos transpor o sentido original e dar uma nova significação ao sentido das mesmas?
Para entender, ou melhor, para chegar o mais próximo possível do verdadeiro sentido das parábolas precisamos entender todos os contextos nos quais elas foram ditas: sejam eles, histórico, social, cultural, geográfico, etc.
Creio também que não podemos fugir do sentido original, porque senão corremos o risco de darmos qualquer sentido que seja à mensagem que Jesus quis passar. Tampouco podemos alegorizar cada detalhe das parábolas tentando encontrar segredos e mistérios não revelados, visto que os ouvintes originais certamente não procuraram e não entenderam aquelas palavras por alegoria. As únicas alegorias admitidas nas parábolas são aquelas nas quais Jesus explica seu significado, como no caso da parábola do semeador; fora isso não estamos autorizados a encontrar detalhes ocultos.
Com esses pressupostos em mente precisamos agora adentrar no texto das duas parábolas ditas por Jesus e base desta explanação: a do tesouro escondido e da pérola de grande valor.