sexta-feira, 18 de junho de 2010

A idolatria do Futebol

Não sou antipatriota. Mesmo porque não acredito que ser patriota signifique ficar tocando essas benditas cornetas e deixando todo mundo surdo. É verdade que sou bem pouco simpatizante do futebol. Meu time já desceu até a “10ª divisão” o que acaba me desmotivando ainda mais a ser um fanático pelos gramados.

Só fiquei pensando em algumas coisas que estão acontecendo nesta copa. Trabalho ao lado de uma banca de jornal que vende camisetas (verde-amarelo), buzinas, cornetas, apitos, guguzelas (tudo verde-amarelo), bandeiras, bonés, etc, etc. O movimento atrás desses apetrechos é muito grande. Praticamente até o jornal de cada dia está sendo deixado de lado, e viva o Brasil!

Fiquei pensando como as pessoas invertem os valores e as prioridades de suas vidas. No dia do jogo do Brasil a cidade pára literalmente. O restaurante ao lado do meu trabalho vendeu menos da metade que costuma vender em um dia comum de semana. Mas o fato é que terça-feira, dia 15, não foi um dia comum; o Brasil estreou na copa. A loja onde minha esposa trabalha também vendeu muito menos que o normal, porque a prioridade era o jogo.

A febre do futebol é tão grande que pessoas matam e morrem por futebol. Aliás, se mata e morre por tão pouco hoje em dia! Eu não consegui dar outro nome a isso senão “A Idolatria do Futebol”.

Cada um idolatra o que quer. Uns idolatram os “santos” do passado, que de santos (na plenitude da palavra) não tinham nada. Agostinho pecou, São Francisco pecou, Maria mãe de Jesus pecou. Todos eles precisaram se render aos pés de Cristo para obter salvação (não há outro modo). Há aqueles que idolatram o cachorro, a mãe, o filho, o carro relíquia, a casa, o pastor, o cantor “gospel”; talvez tenham até aqueles que idolatrem a sogra! E nessa idolatria sem limites pessoas dão a vida.

O problema (entendo ser um problema) é que não vejo quase ninguém neste mesmo ímpeto, manifestando sua indignação pelos políticos corruptos. Não vejo quase ninguém com esta mesma força com que se assiste a um jogo da seleção, defender seus direitos que são usurpados a cada dia neste país de impunidade. Isto porque a gente se acomoda com tudo; com a violência, com o desemprego; com as filas do SUS; com a falta de qualidade nas escolas; mas a gente não admite que o Brasil não seja campeão, porque a nossa prioridade nesses tempos de copa é o futebol e mais nada. Teremos eleições esse ano, mas até isso não se fala, porque a bola da vez está nos gramados e não nas urnas. E mais uma vez vamos votar: no cantor, no cara amigo dos animais, no locutor, e mais uma vez vamos jogar nosso voto para escanteio.

Agora, o problema maior que vejo é que não temos essa mesma garra, essa mesma vontade de gritar, de proclamar e de fazer conhecido o nome de Jesus. Gritamos gooool, mas nos intimidamos para falar que somos crentes em Cristo Jesus. Intimidamos-nos para falar que Ele transformou nossa vida. Alguns dão a vida pelo time do coração, mas não ousariam dar a vida por amor a Jesus. E o discurso é: isso não é mais necessário, estamos em uma época em que o diálogo deve prevalecer. Concordo, mas também concordo que deveríamos estar prontos a morrer pelo evangelho se preciso fosse.

Combatemos a idolatria aos santos, mas idolatramos várias outras coisas: o futebol, a igreja, o pastor, o banco que sentamos domingo após domingo na igreja (e ai de quem se sentar no meu lugar); idolatramos os costumes e a tradição (às vezes mais do que a própria Bíblia).

E nessa idolatria sem limites, vamos criando nossos próprios deuses, nossas próprias imagens de culto e adoração. Deus vai então se tornando uma mera lembrança na hora do almoço, do jantar e quando não estamos com muito sono na hora de dormir. Vamos trocando Deus por coisas palpáveis e visíveis. Continuamos carentes de ver e sentir para estarmos de bem com Deus. Precisamos nos arrepiar, chorar, rir, qualquer emoção vale para fazer a presença de Deus real em nosso meio. E os psicólogos se divertem vendo como as pessoas são manipuladas por técnicas que se aprendem na faculdade.

Falamos que vivemos no tempo da graça, mas agimos como se ainda estivéssemos na lei, criando nossos próprios templos e sacerdotes particulares, vivemos re-costurando o véu que Jesus já rasgou dando ouvidos a supostos intercessores, “ungidos do Senhor”, e não cessamos de criar bezerros de ouro porque na verdade temos dificuldades em crer em um Deus que é espírito, e não pode ser visto e nem tocado.

Não sei se vai dar tempo, visto que creio na volta iminente de Jesus, mas talvez precisaríamos de mais dois mil anos para entender a graça. E, talvez, nem todo esse tempo seria suficiente, visto que temos o “dom” de distorcer as coisas fazendo-as se acomodarem aos nossos desejos.

E esclarecendo, não sou contra o futebol e nem que se torça pela seleção. O que me é estranho é esse fanatismo exacerbado que acomete todo mundo, fanatismo esse que não é vivido em outras áreas importantes de nossa vida.

De qualquer forma, que possamos voltar os nossos olhos àquele que realmente merece nosso louvor, honra e adoração. Ao Único que merece a nossa vida e o nosso sacrifício. À única bandeira que merece ser erguida e hasteada, que é a bandeira do evangelho de Jesus!

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