sábado, 14 de agosto de 2010

Não Tenho Fé suficiente Para Ser Evolucionista

Estava fazendo um trabalho para a faculdade e me deparei com este artigo de um blog. É uma refutação a uma reportagem exibida pela revista veja contra o criacionismo. Achei fascinante a resposta e gostaria de compartilhar. Segue o texto na íntegra do blog: http://ubeblog.ning.com/profiles/blogs/criacionismo-x-evolucionismo.


Irmãos,

Para quem não leu a VEJA desta semana, aqui vai um artigo e a sua devida réplica, sobre esse tema criacinismo x evolucionismo.
A resposta foi magnífica e, no meu ponto de vista, definitiva.



Coluna escrita pelo jornalista André Petry.

"É inaceitável dar criacionismo em aula de biologia. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência."

É assustador que, às vésperas do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, escolas brasileiras estejam ensinando criacionismo nas aulas de ciências. Já se sabia que as escolas adventistas fazem isso. A novidade é que o negócio está se propagando. Em instituições tradicionais de São Paulo, como o Mackenzie, inventou-se até um método próprio para o ensino. "Antes, usávamos o material que havia disponível no mercado", explica um dos diretores da escola, Francisco Solano Portela Neto.

O criacionismo é ensinado como ciência da pré-escola à 4ª série. Não há problema em que o criacionismo seja dado nas aulas de religião, mas ensiná-lo em aulas de ciências é deseducador. Criacionismo é a explicação bíblica para a origem da vida. Diz que Deus criou tudo: o homem, a mulher, os animais, as plantas, há 6 000 anos.

Quem estuda religião precisa saber disso. É uma fábula encantadora, mas não é ciência. É inaceitável que o criacionismo seja ensinado em biologia para explicar a origem das espécies. Em biologia, vale o evolucionismo de Darwin, segundo o qual todos viemos de um ancestral comum, há bilhões de anos, e chegamos até aqui porque passamos no teste da seleção natural. É a melhor (e por acaso a mais bela) explicação que a ciência encontrou sobre a aventura humana na Terra.

Quem contrabandeia o criacionismo para as aulas de biologia diz que, em respeito à "liberdade de pensamento", está "mostrando os dois lados" aos alunos. Afinal, são escolas religiosas, confessionais, e os pais podem ter escolhido matricular seus filhos ali exatamente porque o criacionismo é visto como ciência. Pode ser, errar é livre, mas que embrutece não há dúvida. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência. É desnecessário. Que cientistas saem de escolas que embrulham o racional com o místico? Também é cascata, porque, fosse verdade, a turma estaria ensinando numerologia em matemática. Ensinaria alquimia em química, dizendo, em nome da "liberdade de pensamento", que é possível transformar zinco em ouro e encontrar o elixir da longa vida...

Há pouco, na Inglaterra, um reverendo anglicano defendeu o estudo do criacionismo na educação básica. Era diretor de educação da Royal Society. Queria colocar Deus no laboratório da escola. Cortaram-lhe o pescoço. A Suprema Corte americana já examinou o assunto. Mandou o criacionismo de volta às aulas de religião. No Brasil, terra do paradoxo, o atraso avança.

Darwin foi um gênio. Em seu tempo, não se sabia como as características hereditárias eram transmitidas de pai para filho. Nem que a Terra tem 4,5 bilhões de anos e que os continentes flutuam sobre o magma. No entanto, a teoria da evolução se encaixa à perfeição nas descobertas da genética, da datação radioativa, da geologia moderna. Só um cérebro poderosamente equipado, conjugado com muito estudo, pode ir tão longe. Confundido com criacionismo, Darwin parece um macaco tolo. É assustador.


Segue Resposta de Fellipe Petermann Alberto Araújo.

Caro senhor Petry. Não poderei escrever um texto à altura do seu, afinal, devido à educação recebida em casa, e minha inteligência, não consigo ser tão baixo. Não consigo conceber a idéia de que um jornalista que tanto luta pela liberdade de imprensa escreva um texto desprovido de liberdade de pensamento, que embrutece os leitores. Um texto sem argumentos, sem respeito, e demonstrando total falta de conhecimento, afinal, a comprovação científica do evolucionismo é tão real quanto o vôo de um avestruz. O seu texto não é só um desrespeito aos criacionistas, mas à comunidade científica em geral, que são pessoas preocupadas em desvendar os mistérios, em estudar, não em falar inverdades irresponsavelmente.

Ambos, criacionismo e evolucionismo, quanto todas as outras idéias e possibilidades para desvendar o surgimento da vida não foram comprovadas por ninguém em nenhuma época. Todos são possibilidades que encontram evidências a favor e contrárias, que necessitam de fé dos seus seguidores. É de uma total ignorância os ditos argumentos presentes em seu texto, afinal, está comprovado que alquimia não funciona, e química sim. Está comprovado que numerologia não funciona, e matemática sim, mas não está comprovado que evolucionismo ou criacionismo existiram. Vale lembrar também que a idéia desenvolvida por Darwin não vai ao encontro às descobertas da genética, nem da datação por radiação, nem da geologia moderna. Não é à toa, que existe hoje o neodarwinismo, que busca colocar o pensamento de Darwin em harmonia com as descobertas de Mendel.