sexta-feira, 26 de abril de 2013

ENSINA A CRIANÇA

O sábio Salomão já dizia:Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles.
Estamos, como nação, diante de uma decisão controversa e polêmica - a redução ou não da maioridade penal. No Brasil, só responde criminalmente a pessoa com mais de 18 anos. Antes disso, mesmo cometendo um crime, ela passará apenas por um processo corretivo-educativo, pelo menos em tese.
Os que são contra a redução da maioridade penal apelam para o fator social histórico que colaborou para que esses menores delinquentes não tivessem as mesmas oportunidades que outros tiveram por questões sócio-econômicas privilegiadas. Partem do princípio que não tiveram uma educação adequada e, portanto, ficaram muito mais expostos a fatores criminológicos que outras crianças que tiveram boa educação, alimentação adequada e família estruturada. O problema para esses se resolveria com educação.
Os que são a favor da redução da maioridade penal partem do princípio que, independente das condições sociais impostas, todos têm condições de escolher seus caminhos. Que no mesmo contexto onde menores delinquentes resolveram se enveredar pelo crime, viveram outros, sob as mesmas condições, que escolheram ser homens e mulheres dignas e honestas. O problema para esses se resolveria com repressão.
Entendo que o problema fundamental causal da situação a que chegamos se encontra necessariamente no modo como a educação foi e continua sendo tratada em nosso país. O sistema manteve de tal forma a educação deficiente para que pudesse assim se aproveitar da ignorância do povo. É como dar uma arma na mão de uma criança, assim é o voto para aquele que não foi educado para questionar.
Entendo também que a não redução da maioridade penal favoreceria os casos de menores que tiveram uma boa educação, família estruturada, vida social privilegiada, mas que se enveredaram no crime, ou pelo menos sustentam-no, como é o caso de muitas pessoas da classe média alta que são viciadas em drogas e assim, sustentam o tráfico, que por sua vez mantém o status quo da vida nas favelas, que por consequência fomentam o ambiente para que mais crianças e adolescente continuem expostos à fatores criminológicos.
A criminologia, bem como todas as ciências,  foi construída de forma fragmentada e até por isso pode ser dividida em momentos históricos bem definidos. Não creio que precise ser dessa maneira. Acredito que o aprendizado de toda a fragmentação científica pode e deva ser usado para unir estas ideias e construir estratégias e soluções de forma mais holística.
Se a educação fosse hoje reestruturada de tal forma que garantisse equidade de ensino, se hoje um mega programa governamental se iniciasse e garantisse todos os direitos fundamentais constitucionais para cada cidadão brasileiro, ainda assim, demoraríamos décadas para ver os resultados de toda esta mudança.
Por isso entendo que é preciso atacar sob todos os aspectos. A penalização é necessária porque é assim que geralmente aprendemos na vida. Raríssimas pessoas aprendem apenas por ouvir falar, mas na maioria das vezes nosso processo de aprendizagem passa inevitavelmente pelas quedas e solavancos que sofremos.
Mas entendo também que se faz urgente uma reestruturação na educação e no modo de pensá-la.
Entendo mais ainda, que a educação não pode se resumir àquela vivida nas instituições oficiais de ensino, ela precisa iniciar-se em casa, no lar, dentro da família.
Acredito que se tivéssemos seguido o conselho do sábio Salomão a situação hoje poderia estar bem diferente. Quando nos distanciamos da responsabilidade de educá-lo,s os deixamos nas mãos da educação imposta pelos governantes. Quando nos distanciamos de sua amizade com o pretexto da falta de tempo, entregamos a sua amizade aos traficantes e bandidos que os acolheram de braços abertos.
É um longo caminho, mas que precisa ser iniciado, antes que seja tarde demais.
Provérbios 22:6
Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles
Provérbios 22:6

sexta-feira, 5 de abril de 2013

FUGINDO DO ONIPRESENTE


Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor.
Jonas 1:3
Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor.



A fuga de Jonas representa o coração do ser humano.
Esta semana ouvi de uma pessoa: o problema do ser humano é o ego. E é isso mesmo. O ego diz para o ser humano que ele pode dar conta de si mesmo.
Quando tudo vai aparentemente bem, creditamos a nós mesmos os méritos. A situação está sob controle porque afinal de contas tenho feito um bom trabalho como pai, mãe, profissional; tenho a vida nas mãos. Tolo engano. Não damos conta das nossas emoções nem quando tudo está bem e muito menos quando vai mal. Se achamos que está bem por mérito próprio, inflamos o nosso ego, e aí no momento em que a tempestade assola a nossa vida, afundamos em um mar de desespero porque nos damos conta da nossa fragilidade emocional.
A fuga de Jonas representa a fuga do ser humano da dependência a Deus. Por se achar auto-suficiente, o homem tenta a todo custo não depender do Criador. Porque no fundo ele sabe que depender do criador implica aceitar as próprias fraquezas, medos e fragilidades, expondo assim o lado mais obscuro de sua vida. Engana-se porque não se pode fugir do onipresente, daquele que sonda as mentes e os corações.
E, ao fazer esta tola viagem, acha que pode pagar por ela. Mergulhado no abismo do ego, acha que pode pagar pela liberdade que tampouco tem, porque é uma liberdade falsa, escrava dos próprios desejos.
A fuga representa a descida pelos porões da solidão, desespero e apatia. Porque nos momentos mais difíceis da vida o fujão se vê sozinho, porque não encontra quem o console de fato. Se vê desesperado porque tudo em que acreditava se foi, sua auto-suficiência não vale nada diante das mazelas da vida. E como consequência deste processo de adoecimento, se transforma num ser apático, sem qualquer tipo de emoção, inclusive com a dor alheia.
A proximidade com o Criador não vai nos livrar dos problemas, mas vai nos dar coragem de continuar mesmo quando o mar da vida se revoltar. Teremos a paz necessária para reavaliarmos as situações de conflito. Jamais nos sentiremos sozinhos, mesmo quando os amigos faltarem, e o nosso sofrimento não nos insensibilizará pelas dores da vida, mas nos fará sensíveis ao sofrimento porque já passamos por aquilo.
Deus sempre vai providenciar um encontro ainda que estejamos em um processo de fuga. Ele nos ama ainda que ignoremos a sua existência.