quarta-feira, 24 de julho de 2013

A VIDA FALA MAIS


Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. 1 Pedro 2:12

O evangelho de Jesus trabalha no ser humano em duas dimensões, quais sejam: internas e externas: as intenções e as ações.
As intenções mostram quem somos bem antes de as ações começarem a ganhar vida. São delas que brotam todos os males de que os seres humanos são capazes. Aquilo que fica em nossa mente, fermentando, vai aos poucos ganhando corpo e "alma", dando origem a toda sorte de maldades. Por isso Jesus trata do nosso mal quando ainda nem se tornou um mal legal, mas já está enraizado na nossa mente com toda potencialidade que lhe é inerente.
Além das intenções, o evangelho trata com aquilo que fazemos em público, as ações. São elas que vão nos absolver ou condenar diante das pessoas. Elas mostram o nível da nossa hipocrisia interligando o nosso discurso com nossa vida. Quanto maior a distância entre os dois, tanto maior será o nível de hipocrisia. Quanto menor a distância entre aquilo que falamos e fazemos, maior a integridade e confiabilidade na nossa fala. Portanto, o que nos dá credibilidade é nossa práxis e não o nosso discurso.
Por isso a vida fala mais que o discurso, mais do que mil palavras.
E a sensação que se tem hoje em dia é que o mundo precisa mais de vida e menos de discurso, mais ação e menos palavras.
Pior do que não falar é falar o que a vida não diz. Esse tipo de fala gera descrença, indiferença e apaga a fé.
Quando se vive, não há necessidade de se dizer nada porque as ações falam por si só, elas se denunciam, visto que não se pode apagar a luz de uma cidade edificada sobre um monte.
Onde há vida, a palavra torna-se genuína e cheia de crédito, produz fé e salvação.
Meus pais sempre me diziam um provérbio: quem muito fala, nada faz. E deve ser isto mesmo porque, quem muito faz não tem muito tempo pra falar, está envolvido demais com sua vida. E nem deve se preocupar, porque, sua vida, está sendo escrita com a tinta de suas pisadas.
Paulo pede que Timóteo pregue a Palavra, mas antes aconselha-o a ser irrepreensível, exatamente nesta ordem, porque a palavra não sobrevive sem a vida.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

CANÇÃO DE UM DEVEDOR

E por falar em voltar às origens, lembrei-me do meu amigo Ezequiel Santos e uma das mais belas canções que já ouvi que falam da graça de Deus. Desfrutem!






ÚLTIMO RETORNO ANTES DO PEDÁGIO


"Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai." 1 João 2:24

Aparentemente, João está visualizando problemas com a igreja no sentido de perda de foco. Talvez alguns importantes princípios estavam sendo deixados de lado pelos irmãos e, portanto, insta-os a manter com eles o que ouviram desde o princípio. E do que se trata? Levando em conta toda a carta e outras admoestações semelhantes em Paulo, podemos arriscar com boa margem de acerto de que João está aqui falando do básico, do elementar.
O básico e o elementar no evangelho se resume no que Jesus veio fazer: salvar o homem do seu pecado, resgatar sua alma e lhe dar novo significado de vida. Seguido a isso, o básico também inclui o amor a Deus e às pessoas. Então poderíamos simplificar assim: o básico é crer na pessoa de Jesus e em sua obra redentora, e seguir os seus passos vivendo de acordo com os princípios que Ele nos deixou.
A verdade é que não raramente deixamos o básico e nos aprofundamos em teorias e teologias mirabolantes. Tentamos reinventar a roda às avessas no intuito de alimentar a fome incontrolável das pessoas por novidades nunca antes ditas, supostas verdades coloridas que afagam o ego e causam um efeito anestésico profundo, sem contudo retirar o câncer.
Tentamos dizer o que nunca foi dito (ingenuidade). Refazemos frases e pensamentos tradicionais, dando um toque de modernismo (ou pós-modernismo), apenas para demonstrar sapiência; citamos personalidades e vivemos sob orientações delas para mostrar que somos descolados e super-mega-informados.
Em se tratando de cristianismo e de evangelho, o perigo de se tentar reinventar a roda com um toque pós-moderno onde não existem absolutos e tudo é relativizado, é nos perdermos em nossas divagações, fugirmos do básico e sinalizarmos para as pessoas um caminho mais atraente mas nem um pouco eficaz para se conhecer a Deus.
A igreja fez isso em todas as épocas de sua existência e continua a fazer hoje através dos modernos gurus da auto-ajuda espiritual. As comunidades estão lotadas com pessoas querendo ouvir uma "palestra" legal e descontraída do guru que oferece incontáveis maneiras de alegria, felicidade, sucesso e prazer, mas que não implica nenhuma responsabilidade dos seus ouvintes. É o evangelho baseado na aderência e não no discipulado.
João pede para voltarmos ao básico porque é lá que está o caminho a Deus. Para alguns pode ser o último retorno antes do pedágio; se não regressarmos vamos ter de pagar o preço, e como sabemos o preço do pedágio é alto.
Podemos abrir mão de muitas coisas que são feitas nas comunidades cristãs porque são ou culturais ou adaptáveis à história e ao tempo, mas do básico jamais poderemos abrir mão com pena de sermos responsabilizados pela vida daqueles que erraram o caminho porque lhes oferecemos atalhos.

domingo, 21 de julho de 2013

O MAL QUE HABITA EM MIM

"E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento. (Lucas 5:31-32)"
"Como está escrito:Não há um justo, nem um sequer. Romanos 3:10"

Os textos parecem se contradizer  mão não estão. O que Jesus está usando no primeiro texto de Lucas é pura ironia. Obviamente que Jesus não está querendo propor que exista alguém tão justo que não necessite dele. O evangelho, diferentemente de qualquer outra religião, não se experimenta e não se vive com méritos próprios, mas apenas por graça, favor de Deus não merecido.
Se você não consegue viver muito bem com favores alheios, provavelmente terá problemas para entender a graça. Por isso que Jesus disse que os ricos terão problemas para se apropriarem do reino de Deus; uma boa parte deles acha que não precisa de ninguém; o que o dinheiro deles não puder comprar, ninguém mais poderá fazê-lo.
Mas se o primeiro texto é uma ironia belíssima, o segundo texto, corroborando com a ironia, mostra que não há justo no mundo, nenhum sequer. E se não há justos, sobram os injustos. Apelando para a lógica, é como se disséssemos: Todos são injustos, todos sem exceção.
Todo o evangelho, sem exceção, nos mostra que, para alcançar o favor de Deus precisamos antes reconhecer esta verdade, eu não sou justo porque os justos não existem.
Isso mexe com nosso ego, fere nossa auto-afirmação, derruba nossos diplomas, destrói nossa auto-suficiência, mas não há outro caminho até Jesus.
A boa notícia é que quando você descobre este caminho, não precisará mais se apoiar naquilo que você achava que te sustentava, mas que na verdade era uma sensação falsa, porque agora seu apoio está totalmente no seu Salvador. Isso gera paz e profunda tranquilidade.
Este é o caminho para Deus, reconhecer-se injusto, pecador e mau, naturalmente mau.
Em provérbios 20:11 temos um texto inquietante: "Até a criança mostra o que é por suas ações; o seu procedimento revelará se ela é pura e justa." Provérbios 20:11
Já conheceu uma criança muito pequena usando os pais com manha para alcançar o que queria, ou recorrendo ao pai quando a mão disse não? Pois é, é isso que este texto propõe, o mal intrínseco do ser-humano.
Precisamos de Jesus, ou o mal nato revelará quem somos mais cedo ou mais tarde.
Reconhecer isto já é meio caminho andado.

Por fim deixo uma música do Camisa de Vênus que de forma perfeita e poética traduz o que eu quis mostrar aqui:

"O mal que habita em mim
Preso em jaula de fumaça
Fazendo sempre crer que é boa praça
A alma inchada de desejo e trapaças
Lhe beija a fronte e ergue a taça
Deus perdoe o mal que habita em mim

É como um franco atirador
Atento ouvindo o rufo do tambor
A espera de alguém ou algo de valor
Com suas balas recheadas de amargor

Refrão

Nas vezes que ele quer me confundir
Sorri e pede licença para sair
Parece que finalmente vai sumir
Mas é quando eu mais devo me prevenir
Desse mal que habita em mim

O mal que habita em mim
Coitado tem andado a delirar
Ele quer tantas fêmeas a conquistar
Fica sempre circulando
Pois muitas delas quer ofuscar
Para todas poderem em fim desapontar

Refrão

Sabe muito bem como é ruim
Ser dia e noite um estopim
Que assim aceso vai buscar o próprio fim
Para uma vez morto viver com James Dean

Refrão

Nas vezes que ele quer me confundir
Sorri e pede licença para sair
Parece que finalmente vai sumir
Mas é quando eu mais devo me prevenir
Desse mal que habita em mim

Sabe de coisas que eu não sei
De drogas que eu não experimentei
Vivendo sempre como um fora da lei
De trevas que eu nunca penetrei

Refrão

Disse que está de saco cheio
Disse que anda com um pouco de receio
Disse que vai se regenerar, haha eu não creio
É como um trem pro inferno, não tem freio

Refrão"


domingo, 7 de julho de 2013

ACHANDO DEUS


Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no coração os meus mandamentos;
se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento;
se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto,
se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido,
então você entenderá o que é temer ao Senhor e achará o conhecimento de Deus.

A busca de Deus é uma busca volitiva. Não há imposição em se buscá-lo, não há imposição em querer conhecê-lo. Assim como não há imposição para quem decide se afastar dele. E para tanto basta seguir o curso da sua vida que, naturalmente, ela vai afastá-lo dele.
É por isso que o reino de Deus se conquista com força, não violência, mas força, desejo, intenção e vontade. Não sei porque é assim, mas é. Talvez porque Deus deseja que seus filhos o queiram não pelo que Ele pode lhes dar, mas pelo que Ele é. Talvez porque naturalmente nossos relacionamentos sejam na maioria das vezes interesseiros de alguma maneira, talvez por isso Deus queira que com Ele seja diferente, autêntico, genuíno, na medida do possível.
Não creio que Deus seja ingênuo ao ponto de acreditar que sempre vamos a Ele sem interesse algum. Mas acredito que, de qualquer forma, Deus gosta da sinceridade, mesmo que esta denote interesse. Porque afinal de contas, que filho amaria seu pai sem nenhum interesse mesmo que fosse de pura sobrevivência?
Mas voltando ao texto, a busca da sabedoria que leva a Deus deve ser feita com ousadia e coragem, com a fome desesperada dos garimpeiros pelo brilhante metal, com a sede dos viajantes do deserto. Assim é que se busca a Deus.
Não se assimila Deus por simples difusão ou osmose; se assimila Deus com gasto de energia, buscando, pedindo e querendo.
A única coisa que não poderíamos ter por esforços próprios é a sabedoria, mas essa Deus garante para aqueles que se aventurarem em sua busca. O esforço em buscá-lo e os meios empregados, esses são por nossa conta.
No fim da estrada Deus promete conhecimento dele e temor a Ele. E o fim da estrada é o dia da passagem; isso porque a tarefa de conhecimento de Deus não se esgota e não tem limite, mas nem por isso gera frustração e ansiedade, mas ao contrário de qualquer coisa inacabada que a filosofia propõe, gera satisfação e paz, certeza de ter vivido o mais significativo relacionamento que se poderia viver.