quarta-feira, 28 de agosto de 2013

UMA QUESTÃO DE GRAÇA

"Tava na boa tocando a vida
Quando um tipo veio me abordar
Dizendo que jesus iria me salvar
Primeira coisa que me veio à cabeça
Sem pestanejar, foi "que beleza, então eu posso pecar!"
Devagar..." (Lulu Santos)


Comecei com uma letra do Lulu. E cá entre nós, sou "fanzaço" desse cara; pra mim um dos melhores cantores do Brasil.
Sem querer tentar interpretar o que Lulu quis dizer com esta letra (aliás, podemos ter uma vaga ideia, interpretação fiel é utopia), apenas aproveitando a deixa, é isso que muita gente pensa: Se Jesus vai me salvar, então eu posso pecar. Porque afinal de contas, seu poder salvador é muito maior que meu poder pecador.
Ainda no mesmo pensamento, é por isso que algumas religiões não conseguem conviver com a ideia de que uma vez salvo por Jesus, não posso mais me tornar um não salvo. Ele não volta atrás na sua decisão de me salvar (graças a Deus por isso). Ele não revoga suas dádivas. Ele (Deus) não é como nós. E isso independe do que eu faça ou deixe de fazer.
Ser salvo e viver de forma digna desta salvação são duas coisas completamente diferentes.
E isto é muito simples de entender. Ser salvo depende de Deus (Ser perfeito), e andar de forma justa depende de mim (ser humano limitado e imperfeito).
Porque se a minha salvação dependesse do que eu fizesse ou deixasse de fazer não seria mais graça, mas seria igual a todas as outras formas religiosas de se relacionar com os seus deuses, ou seja, na base da troca e do sacrifício. Se sou bom sou salvo, se não sou bom, sou digno do inferno. E como todos somos maus por natureza, neste tipo de relacionamento todos seríamos dignos do inferno, independente do quanto nos esforçássemos.
O problema de tudo isso é que não conseguimos conviver bem com a liberdade. E graça nada mais é do que viver de forma livre e liberta. Liberdade para fazer o que bem quero e quando bem quero. E não se assuste, você é livre para fazer o que bem quiser, mesmo. Sabe aqueles desejos mais sombrios que não saem da tua mente? Pois é, você é livre, pode fazer.
São Paulo apóstolo já dizia: tudo me é lícito, tudo me é permitido, mas aí ele completa: mas nem tudo convém.
E por que não convém?
Porque eu não me relaciono com Deus como se me relacionasse com um ser estático e distante. O meu relacionamento com Deus precisa ser como de um filho para com seu pai.
Pensando apenas nas pessoas normais, por que eu não maltrato meus pais? Por que eu tento a todo custo protegê-los? Por que eu evito fazer coisas que sei irão desagradá-los?
Porque eu os amo, simples assim.
O problema é que quando nos relacionamos com Deus, muitas vezes, o tratamos como alguém apático, distante e controlador. Um soberano pronto a me mandar para a masmorra quando eu saio da linha.
Mas Jesus nos mandou tratá-lo como pai, com um relacionamento de amor e respeito.
É por isso que não saio por aí fazendo tudo o que me vem à cabeça. É por isso que não vivo a vida "a doidado", sem me preocupar com as consequências. E é por isso que não tenho problemas em saber que minha salvação está garantida independente do que eu faça ou venha a fazer, porque o nosso relacionamento não é de súdito e soberano, mas de pai e filho.
Eu evito o pecado, não por medo do inferno, mas porque um dia eu conheci esse Pai, e isso é tudo que eu preciso para tentar viver da forma mais digna possível.
A liberdade que Jesus nos dá se aproxima da liberdade que nossos pais nos deram. Eles nos ensinam e nos deixam livres na vida acreditando que não os desapontaremos; mas mesmo quando os desapontamos, somos seus filhos, eles nos amarão mesmo assim. E assim é Deus, nos solta no mundo para vivermos nossa vida, da forma como quisermos, mas Ele fica muito feliz quando evitamos o mal porque não queremos magoá-lo, não por medo, mas por amor.
Assim é a graça, simples e complicada. Como todos os nossos relacionamentos.

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