quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CONFIANÇA CEGA


Então Jó respondeu ao Senhor: "Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado". Tu perguntaste: "Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento?" Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. Tu disseste: ‘Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá’. Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza". Jó 42:1-6

O livro de Jó foi escrito por um narrador em terceira pessoa, aquele que não participa da história mas conta dela como se fosse um observador.
Provavelmente este narrador escreve esta história muito depois dela ter acontecido. Porque na época de Jó não se conhecia a figura do diabo, do mal. Mas o narrador o conhecia muito bem e tenta, a partir do que sabia da história e da sua noção do mal encaixar tudo como conhecemos hoje.
O fato é que o próprio Jó nunca soube da suposta queda de braço travada entre Deus e o diabo. Pra ele e seus contemporâneos tudo vinha de Deus, benção e desgraça, e ele morreu achando que tudo aquilo foi algum plano misterioso e secreto de Deus e somente dele.
Alguns textos na Bíblia são particularmente muito difíceis de entender e esse é um deles. Quando me deparo com textos assim eu tiro aquilo que dá. O que não dá, não fico espremendo pra tentar entender.
O que eu consigo extrair desta história é que em 100% de tudo que acontece na nossa vida, de fato não conseguimos entender sua trama espiritual, se é que houve alguma. Não podemos falar com convicção que Deus agiu assim ou assado, que este ou aquele momento foram consequências naturais de nossos atos ou foi "a mão de Deus", se foi coincidência do acaso ou foi o "mover sobrenatural". Empiricamente falando? Impossível saber.
Além de impossível acho também desnecessário, porque se fosse necessário, Deus teria explicado a Jó, mas Ele não o fez.
Alguns tentam usar a história de Jó para explicar porque o justo sofre. Não tem como explicar. No nosso modo de ver e entender a situação ela sempre parecerá injusta e desnecessária. Jó já era um cara supimpa, precisava sofrer tanto assim? Deus precisa provar alguma coisa ao diabo? E o que nós temos a ver com isso?
São perguntas sem resposta ou talvez a resposta que o narrador quis dar à história de Jó não tenha sido tão feliz assim. Eu acredito na história de Jó mas tenho dúvidas a respeito da interpretação do narrador.
E o que fazemos então com essa história toda? Pegamos aquilo em que não há dúvidas.
Jó nunca soube realmente o motivo daquilo que estava se passando com ele, mas sempre teve a certeza de que Deus estava acompanhando tudo de perto.
E deve ser assim conosco. Nunca saberemos onde estamos pisando. Nunca teremos plena convicção (eu sei que isso é um pleonasmo) até onde estamos envolvidos neste mundo espiritual. Nunca saberemos com certeza se o tropeção foi o sapato que enroscou ou foi obra do tinhoso pra me fazer xingar. Mas podemos saber, pela fé, que Deus sempre estará conosco, porque isso Ele prometeu.
Sempre podemos ter a certeza da fé de que Ele nos acompanha, nos olha e será assim até o dia final, porque isso Ele nos prometeu.
É uma fé cega eu sei, mas é baseada naquilo que Ele realmente disse que faria.
Ele não prometeu que não sofreríamos, mas que em qualquer situação Ele estaria ao nosso lado nos dando paz.
E eu acho que esta é a fé que Ele espera de nós; uma fé que acredita que Ele está, mesmo sem ver e sentir nada.
E por que o justo sofre? Porque todo mundo sofre. Porque foi assim que deixamos o mundo em que vivemos. Lembre-se: o sofrimento é culpa do ser humano e não de Deus.

Nenhum comentário: