terça-feira, 13 de agosto de 2013

APENAS UMA SEMENTE...


Novamente ele disse: "Com que compararemos o Reino de Deus? Que parábola usaremos para descrevê-lo? É como um grão de mostarda, que, quando plantada, é a menor semente de todas. 

A pregação de Jesus foi a pregação do reino.
Foi isso o que Ele veio fazer, inaugurar o reino. E com a sua vida veio mostrar que o reino de Deus era diferente do reino dos homens.
Ao usar de parábolas para explicar o que era esse reino, tão equivocado na mente dos seus compatriotas, Jesus usa de expressões interessantes como é o caso do grão de mostarda. Mas em todas as tentativas de explicar o reino, Ele nunca usou de expressões que demonstrassem grandiosidade, mas sempre pequenos atos do cotidiano palestino: um homem semeando, uma semente que só depois se torna uma grande árvore, uma única jóia em um campo e por aí vai. Parece que Jesus intencionalmente quis que tivéssemos uma visão local e muito reduzida do reino, porque na verdade quem faz crescer a plantação do homem é Ele, assim como é Ele que faz a semente da mostarda virar árvore. A nós apenas compete o semear.
Por isso que ideologias revolucionárias de transformação global não fazem parte do evangelho de Jesus. Enquanto aqui na Terra, Ele não se preocupou em mudar a situação de Israel diante da opressão romana, mas Ele se preocupou em mudar a situação de pessoas, restaurando-lhes a dignidade e a fé, mesmo sabendo que essas pessoas continuariam vivendo sob a opressão romana. É claro que o que Jesus fez, ensinou e viveu têm repercussões universais, mas inicialmente foram ações locais e aparentemente pequenas.
E é nesse ponto que quero chegar. São nossas pequenas ações que fazem a diferença no reino. É assim que se vive o reino, e é assim que o reino se transforma na grande árvore até o dia escatológico definido por Deus.
Ninguém nunca conseguiu e nem conseguirá mudar o mundo sozinho. As grandes revoluções da humanidade que propuseram mudanças radicas e drásticas causaram mais dor e morte do que qualquer benefício. Mas a revolução que Jesus propõe, embora pareça infrutífera em um primeiro olhar, é capaz de causar mudanças estratosféricas universais na humanidade.
O reino que Jesus propõe que seja vivido subsiste em qualquer regime político ou sob qualquer forma de governo porque é um reino baseado no amor a Deus e no amor mútuo entre as pessoas. Se vive o reino cuidando e sendo cuidado por pessoas.
Podemos ser politizados ou engajados politicamente, mas não podemos deixar que isso seja mais importante que as pessoas. O engajamento político jamais poderá ser um fim em si mesmo, mas apenas um meio de alcançar as vidas. E se esse meio for apenas uma utopia, ou um alvo demasiado longo, o mais importante para o reino é o aqui e o agora. É mais importante semear com as mãos do que esperar 200 anos tentando inventar uma máquina que semeie sozinha.
Se você é do tipo "Guevara", sinto muito, mas o reino se parece mais com "Madres Teresas" que revolucionam o mundo cuidando de feridas de pessoas sem nome pelas ruas da vida.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

DEUS E O BARRO

Todavia brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo. Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra... Gênesis 2:6-7

Água e pó formam barro.
Apresentaram-me um deus muito distante e poderoso, tão poderoso que seria incapaz de se misturar com a insignificância humana.
Hoje em dia acredito mais em um Deus que se mistura, se relaciona e se funde com a humanidade com a intenção de conquistá-la.
Antes imaginava um deus lá em cima, bem lá no alto, ordenando ao barro, e este, bem devagar, ia tomando a forma de um corpo, membros e músculos se formando enquanto deus apreciava tudo impecavelmente de seu trono.
Agora penso em um Deus se ajoelhando na terra, afundando as mãos no barro, separando os pedregulhos de um lado e lentamente, como um artista diante de sua escultura, molda a mais excelente de todas as suas criaturas, alguém finalmente à sua imagem e semelhança, alguém com sentimentos como os dele.
Depois de pronto, Deus lava as mãos sujas de barro, seca-as em seu avental e sorri satisfeito com o trabalho de suas mãos. Com um carinho quase materno, Deus sopra vida em sua obra que abre os olhos e reconhece pela primeira vez aquele que o criou.
Não vejo a obra-prima de Deus sendo feita à distância, através de uma ordem imperial, mas sendo feita pessoalmente, com cuidado e precisão.
E, desde então, existe uma força de atração irresistível da criatura pelo seu Criador.
Pessoas de todas as épocas e de todas as partes do mundo tentam encontrar uma força maior, um ser superior, alguém ou alguma coisa que possa explicar onde tudo começou, qual a origem e qual o sentido da existência. Até a ciência evolucionista ateia busca este começo existencial porque não há nada que extingua o desejo de olhar novamente nos olhos daquele que nos modelou do barro. Esta atração é irresistível.
A única coisa que nos impede de vê-lo e de senti-lo é o pecado; ele é o único meio capaz de fazer-nos insensíveis àquele que nos criou.
Apesar disso, todas as vezes que desejarmos vê-lo novamente, basta chamarmos por Ele e, assim como no princípio, Ele estará bem na nossa frente, olhando novamente nos nossos olhos com o mesmo semblante e com a mesma alegria da primeira vez. Porque para Ele, cada retorno será como uma nova criação, sem ressentimentos e sem passado, limpos como se fosse o primeiro barro.
E sem hesitação, novamente Ele sopra vida em nós, incansavelmente, quantas vezes forem necessárias.
Assim é Deus. E sempre será.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A VIDA FALA MAIS


Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. 1 Pedro 2:12

O evangelho de Jesus trabalha no ser humano em duas dimensões, quais sejam: internas e externas: as intenções e as ações.
As intenções mostram quem somos bem antes de as ações começarem a ganhar vida. São delas que brotam todos os males de que os seres humanos são capazes. Aquilo que fica em nossa mente, fermentando, vai aos poucos ganhando corpo e "alma", dando origem a toda sorte de maldades. Por isso Jesus trata do nosso mal quando ainda nem se tornou um mal legal, mas já está enraizado na nossa mente com toda potencialidade que lhe é inerente.
Além das intenções, o evangelho trata com aquilo que fazemos em público, as ações. São elas que vão nos absolver ou condenar diante das pessoas. Elas mostram o nível da nossa hipocrisia interligando o nosso discurso com nossa vida. Quanto maior a distância entre os dois, tanto maior será o nível de hipocrisia. Quanto menor a distância entre aquilo que falamos e fazemos, maior a integridade e confiabilidade na nossa fala. Portanto, o que nos dá credibilidade é nossa práxis e não o nosso discurso.
Por isso a vida fala mais que o discurso, mais do que mil palavras.
E a sensação que se tem hoje em dia é que o mundo precisa mais de vida e menos de discurso, mais ação e menos palavras.
Pior do que não falar é falar o que a vida não diz. Esse tipo de fala gera descrença, indiferença e apaga a fé.
Quando se vive, as palavras podem ser diminuídas porque as ações falam por si só, elas se denunciam, visto que não se pode apagar a luz de uma cidade edificada sobre um monte.
Onde há vida, a palavra torna-se genuína e cheia de crédito, produz fé e salvação.
Meus pais sempre me diziam um provérbio: quem muito fala, nada faz. E deve ser isto mesmo porque, quem muito faz não tem muito tempo pra falar, está envolvido demais com sua vida. E nem deve se preocupar, porque, sua vida, está sendo escrita com a tinta de suas pisadas.
Paulo pede que Timóteo pregue a Palavra, mas antes aconselha-o a ser irrepreensível, exatamente nesta ordem, porque a palavra não sobrevive sem a vida.

domingo, 21 de julho de 2013

O MAL QUE HABITA EM MIM

"E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento. (Lucas 5:31-32)"
"Como está escrito:Não há um justo, nem um sequer. Romanos 3:10"

Os textos parecem se contradizer  mão não estão. O que Jesus está usando no primeiro texto de Lucas é uma santa ironia. Obviamente que Jesus não está querendo propor que exista alguém tão justo que não necessite dele. O evangelho, diferentemente de qualquer outra religião, não se experimenta e não se vive com méritos próprios, mas apenas por graça, favor de Deus não merecido.
Se você não consegue viver muito bem com favores alheios, provavelmente terá problemas para entender a graça. Por isso que Jesus disse que os ricos terão problemas para se apropriarem do reino de Deus; uma boa parte deles acha que não precisa de ninguém; o que o dinheiro deles não puder comprar, ninguém mais poderá fazê-lo.
Mas se o primeiro texto é uma ironia belíssima, o segundo texto, corroborando com a ironia, mostra que não há justo no mundo, nenhum sequer. E se não há justos, sobram os injustos. Usando a lógica, é como se disséssemos: Todos são injustos, todos sem exceção.
Todo o evangelho, sem exceção, nos mostra que, para alcançar o favor de Deus precisamos antes reconhecer esta verdade, eu não sou justo porque os justos não existem.
Isso mexe com nosso ego, fere nossa auto-afirmação, derruba nossos diplomas, destrói nossa auto-suficiência, mas não há outro caminho até Jesus.
A boa notícia é que quando você descobre este caminho, não precisará mais se apoiar naquilo que você achava que te sustentava, mas que na verdade era uma sensação falsa, porque agora seu apoio está totalmente no seu Salvador. Isso gera paz e profunda tranquilidade.
Este é o caminho para Deus, reconhecer-se injusto, pecador e mau, naturalmente mau.
Em provérbios 20:11 temos um texto inquietante: "Até a criança mostra o que é por suas ações; o seu procedimento revelará se ela é pura e justa." Provérbios 20:11
Já conheceu uma criança muito pequena usando os pais com manha para alcançar o que queria, ou recorrendo ao pai quando a mão disse não? Pois é, é isso que este texto propõe, o mal intrínseco do ser-humano.
Precisamos de Jesus, ou o mal nato revelará quem somos mais cedo ou mais tarde.
Reconhecer isto já é meio caminho andado.

Este mal é verdade tão sabida que até o Camisa de Vênus já cantou sobre ele:

"O mal que habita em mim
Preso em jaula de fumaça
Fazendo sempre crer que é boa praça
A alma inchada de desejo e trapaças
Lhe beija a fronte e ergue a taça
Deus perdoe o mal que habita em mim

É como um franco atirador
Atento ouvindo o rufo do tambor
A espera de alguém ou algo de valor
Com suas balas recheadas de amargor

Nas vezes que ele quer me confundir
Sorri e pede licença para sair
Parece que finalmente vai sumir
Mas é quando eu mais devo me prevenir
Desse mal que habita em mim

O mal que habita em mim
Coitado tem andado a delirar
Ele quer tantas fêmeas a conquistar
Fica sempre circulando
Pois muitas delas quer ofuscar
Para todas poderem em fim desapontar

Sabe muito bem como é ruim
Ser dia e noite um estopim
Que assim aceso vai buscar o próprio fim
Para uma vez morto viver com James Dean

Nas vezes que ele quer me confundir
Sorri e pede licença para sair
Parece que finalmente vai sumir
Mas é quando eu mais devo me prevenir
Desse mal que habita em mim

Sabe de coisas que eu não sei
De drogas que eu não experimentei
Vivendo sempre como um fora da lei
De trevas que eu nunca penetrei

Disse que está de saco cheio
Disse que anda com um pouco de receio
Disse que vai se regenerar, haha eu não creio
É como um trem pro inferno, não tem freio"




quinta-feira, 6 de junho de 2013

ENSINA A CRIANÇA

"Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles." Provérbios 22:6

Tenho falado sobre este assunto com algumas pessoas nas últimas semanas porque acredito nisso de verdade.
Esta frase é do pregador Salomão que em uma outra versão diz: "Forma o jovem no início de sua carreira".
A sociedade em que foi escrito este texto era uma sociedade formada basicamente na família. O centro de toda a vida social, religiosa, política, estava baseada no núcleo familiar. Era neste núcleo que se formava o jovem judeu e a jovem judia.

O templo só servia para os sacrifícios, e as sinagogas, após o cativeiro, tinham o papel de ensinar e manter o povo unido. Mas o discipulado e a educação dos filhos se dava em casa e somente em casa.
Por que estou dizendo isto? Porque acho que cometemos um erro grave ao terceirizarmos a educação religiosa dos filhos para as igrejas.
As escolas bíblicas dominicais como conhecemos hoje, foram criadas com objetivos mais sociais que religiosos. Era uma maneira de alfabetizar crianças que não tinham o acesso à educação formal, e dentro desta educação também se ensinava religião. Com o tempo ela perdeu o apelo social (infelizmente) e foi focada única e exclusivamente no ensino religioso. Paulatinamente, o papel que era dos pais, foi passado integralmente para as igrejas que tiveram que se organizar para poder oferecer diversidade de ensino para os filhos de seus membros, tornando-se mais uma classe de pessoas dentro da igreja se servindo dos serviços que a igreja oferecia.
Como "bons" seres humanos espertos, esses pais acreditaram (ou fingiram acreditar por comodidade) que o sucinto estudo do domingo seria suficiente para discipular seus filhos e fazê-los bons discípulos de Jesus.
Até duas ou três gerações passadas ainda estávamos vivendo o fim da modernidade, quando não se admitia contrariar os pressupostos. Época em que postulados foram criados como certos e eternos. Mas chegou a pós-modernidade, época em que tudo é questionado e não se pode mais falar em absolutos (pelo menos não no mundo profano). Com isso, as crianças e adolescentes que foram e estão sendo formados na pós-modernidade estão vendo uma lacuna intransponível entre o que se fala nas "escolinhas" da igreja e a vida vivida no lar, simplesmente porque hoje (graças a Deus) elas podem opinar e questionar.
Resultado? Pais problemáticos, filhos problemáticos, vidas duplas, excesso de religiosidade e falta de espiritualidade e, acima de tudo, pouquíssimo compromisso com o verdadeiro evangelho de Jesus, nenhuma identificação com o real discipulado.
penas para fomentar seu incômodo: uma parcela significativa da população dos presídios e das Fundações CASA é composta por filhos e filhas de cristãos, sobretudo a ala evangélica.
Por isso questiono a eficiência da terceirização da educação cristã e conclamo aos pais a chamarem para si novamente esta responsabilidade.
Acredito que devemos viver como se não existisse educação cristã nas igrejas, entendendo que a incumbência é somente nossa, pais e mães.
Por fim, gostaria de colocar um texto que encerra todo o assunto, um texto que temos negligenciado como cristãos e que por conta disso temos pago um preço muito alto.


"Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o Senhor, o seu Deus ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse.

Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão ao Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa.

Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o Senhor, o Deus dos seus antepassados.

Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.

Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.

Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.

Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.

Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa.

Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.

O Senhor, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, que daria a vocês, terra com grandes e boas cidades que vocês não construíram,

com casas cheias de tudo que há de melhor, de coisas que vocês não produziram, com cisternas que vocês não cavaram, com vinhas e oliveiras que não plantaram. Quando isso acontecer, e vocês comerem e ficarem satisfeitos,

tenham cuidado! Não esqueçam o Senhor que os tirou do Egito, da terra da escravidão."

Deuteronômio 6:1-12