quinta-feira, 6 de junho de 2013

ENSINA A CRIANÇA

"Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles." Provérbios 22:6

Tenho falado sobre este assunto com algumas pessoas nas últimas semanas porque acredito nisso de verdade.
Esta frase é do pregador Salomão que em uma outra versão diz: "Forma o jovem no início de sua carreira".
A sociedade em que foi escrito este texto era uma sociedade formada basicamente na família. O centro de toda a vida social, religiosa, política, estava baseada no núcleo familiar. Era neste núcleo que se formava o jovem judeu e a jovem judia.

O templo só servia para os sacrifícios, e as sinagogas, após o cativeiro, tinham o papel de ensinar e manter o povo unido. Mas o discipulado e a educação dos filhos se dava em casa e somente em casa.
Por que estou dizendo isto? Porque acho que cometemos um erro grave ao terceirizarmos a educação religiosa dos filhos para as igrejas.
As escolas bíblicas dominicais como conhecemos hoje, foram criadas com objetivos mais sociais que religiosos. Era uma maneira de alfabetizar crianças que não tinham o acesso à educação formal, e dentro desta educação também se ensinava religião. Com o tempo ela perdeu o apelo social (infelizmente) e foi focada única e exclusivamente no ensino religioso. Paulatinamente, o papel que era dos pais, foi passado integralmente para as igrejas que tiveram que se organizar para poder oferecer diversidade de ensino para os filhos de seus membros, tornando-se mais uma classe de pessoas dentro da igreja se servindo dos serviços que a igreja oferecia.
Como "bons" seres humanos espertos, esses pais acreditaram (ou fingiram acreditar por comodidade) que o sucinto estudo do domingo seria suficiente para discipular seus filhos e fazê-los bons discípulos de Jesus.
Até duas ou três gerações passadas ainda estávamos vivendo o fim da modernidade, quando não se admitia contrariar os pressupostos. Época em que postulados foram criados como certos e eternos. Mas chegou a pós-modernidade, época em que tudo é questionado e não se pode mais falar em absolutos (pelo menos não no mundo profano). Com isso, as crianças e adolescentes que foram e estão sendo formados na pós-modernidade estão vendo uma lacuna intransponível entre o que se fala nas "escolinhas" da igreja e a vida vivida no lar, simplesmente porque hoje (graças a Deus) elas podem opinar e questionar.
Resultado? Pais problemáticos, filhos problemáticos, vidas duplas, excesso de religiosidade e falta de espiritualidade e, acima de tudo, pouquíssimo compromisso com o verdadeiro evangelho de Jesus, nenhuma identificação com o real discipulado.
penas para fomentar seu incômodo: uma parcela significativa da população dos presídios e das Fundações CASA é composta por filhos e filhas de cristãos, sobretudo a ala evangélica.
Por isso questiono a eficiência da terceirização da educação cristã e conclamo aos pais a chamarem para si novamente esta responsabilidade.
Acredito que devemos viver como se não existisse educação cristã nas igrejas, entendendo que a incumbência é somente nossa, pais e mães.
Por fim, gostaria de colocar um texto que encerra todo o assunto, um texto que temos negligenciado como cristãos e que por conta disso temos pago um preço muito alto.


"Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o Senhor, o seu Deus ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse.

Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão ao Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa.

Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o Senhor, o Deus dos seus antepassados.

Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.

Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.

Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.

Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.

Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa.

Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.

O Senhor, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, que daria a vocês, terra com grandes e boas cidades que vocês não construíram,

com casas cheias de tudo que há de melhor, de coisas que vocês não produziram, com cisternas que vocês não cavaram, com vinhas e oliveiras que não plantaram. Quando isso acontecer, e vocês comerem e ficarem satisfeitos,

tenham cuidado! Não esqueçam o Senhor que os tirou do Egito, da terra da escravidão."

Deuteronômio 6:1-12

sexta-feira, 5 de abril de 2013

FUGINDO DO ONIPRESENTE


Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor.
Jonas 1:3
Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor.



A fuga de Jonas representa o coração do ser humano.
Esta semana ouvi de uma pessoa: o problema do ser humano é o ego. E é isso mesmo. O ego diz para o ser humano que ele pode dar conta de si mesmo.
Quando tudo vai aparentemente bem, creditamos a nós mesmos os méritos. A situação está sob controle porque afinal de contas tenho feito um bom trabalho como pai, mãe, profissional; tenho a vida nas mãos. Tolo engano. Não damos conta das nossas emoções nem quando tudo está bem e muito menos quando vai mal. Se achamos que está bem por mérito próprio, inflamos o nosso ego, e aí no momento em que a tempestade assola a nossa vida, afundamos em um mar de desespero porque nos damos conta da nossa fragilidade emocional.
A fuga de Jonas representa a fuga do ser humano da dependência de Deus. Por se achar auto-suficiente, o homem tenta a todo custo não depender do Criador. Porque no fundo ele sabe que depender do criador implica aceitar as próprias fraquezas, medos e fragilidades, expondo assim o lado mais obscuro de sua vida. Engana-se porque não se pode fugir do onipresente, daquele que sonda as mentes e os corações.
E, ao fazer esta tola viagem, acha que pode pagar por ela. Mergulhado no abismo do ego, acha que pode pagar pela liberdade que tampouco tem, porque é uma liberdade falsa, escrava dos próprios desejos.
A fuga representa a descida pelos porões da solidão, desespero e apatia. Porque nos momentos mais difíceis da vida o fujão se vê sozinho, porque não encontra quem o console de fato. Se vê desesperado porque tudo em que acreditava se foi, sua auto-suficiência não vale nada diante das mazelas da vida. E como consequência deste processo de adoecimento, se transforma num ser apático, sem qualquer tipo de emoção, inclusive com a dor alheia.
A proximidade com o Criador não vai nos livrar dos problemas, mas vai nos dar coragem de continuar mesmo quando o mar da vida se revoltar. Teremos a paz necessária para reavaliarmos as situações de conflito. Jamais nos sentiremos sozinhos, mesmo quando os amigos faltarem, e o nosso sofrimento não nos insensibilizará pelas dores da vida, mas nos fará sensíveis ao sofrimento porque já passamos por aquilo.
Deus sempre vai providenciar um encontro ainda que estejamos em um processo de fuga. Ele nos ama ainda que ignoremos a sua existência.

sábado, 2 de março de 2013

JONAS - ALÉM DO SEU TEMPO

A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai com esta ordem:

"Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença".
Jonas 1:1-2
lavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai com esta ordem:

"Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença".
Jonas 1:1-2
A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai com esta ordem:

"Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença".
Jonas 1:1-2
A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai com esta ordem:

"Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença".
Jonas 1:1-2
"A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai com esta ordem: Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença". Jonas 1:1-2



Gosto muito do livro de Jonas. Acho-o incrivelmente além do seu tempo. Um tempo onde Deus era visto como local e nacionalista, um "Deus judeu". Neste exato tempo, Deus mostra que seu amor e misericórdia ultrapassavam o pequeno Israel e atingia os confins da Terra.
Podemos criticar Jonas por vários motivos, mas uma coisa é certa, ele sabia ouvir a voz de Deus. Quando Deus falou com ele, não houve dúvida em sua mente que era Deus.
Vivemos tempos onde várias vozes se dizem detentoras da verdade. Em cada esquina e em cada igreja, homens se declaram profetas e possuidores da verdadeira vontade divina. Como discernir em meio a tanta confusão qual a verdadeira voz do Pai?
Não existe outro método senão o que Deus nos deixou: oração e leitura da sua Palavra. São as duas únicas coisas capazes de sensibilizar nossos ouvidos à voz de Deus. Ficaremos tão sensíveis que qualquer outra voz soará estranha. A voz de Deus será única e inconfundível.

A partir do instante em que dizemos sim ao discipulado de Jesus, em algum momento de nossas vidas, Ele vai nos dizer: levante-se, saia de onde você está ou do que está fazendo porque eu tenho um trabalho pra você. Isto é inevitável! Não existe cristianismo sem serviço.Ser discípulo de Jesus implica inexoravelmente em identificar-se com Ele. A vida de Jesus sempre foi marcada pelo serviço, e, portanto, não existe outro modo de identificação senão se dar ao serviço.

Inevitavelmente, ao longo desta vida de serviço, Jesus vai nos confrontar com seu amor e sua misericórdia. Deus vai nos fazer ver e sentir até onde seu amor é capaz de chegar ou alcançar, e no fim das constas, daremos conta que não existe fim ou limite para o seu amor. Esta percepção vai nos fazer quebrar nossos preconceitos e nossa noção de merecimento. Vamos ter que lidar com gente que no nosso conceito mesquinho e egoísta não mereceriam Jesus, ou não poderiam ser alcançados pelo seu amor.

Se você entrou para o time de Jesus vai precisar se prepar para encarar todo tipo de gente: cheirosa e fedida, de grife e rasgada, honestos e mercenários, dentro dos "nossos" padrões e fora dos "nossos" padrões. Vai precisar encarar até crentes (e, particularmente, pra mim este é o povo mais difícil de lidar).

Se você não for capaz de aguentar tanta gente "esquisita" junta não será capaz de servir no reino. Provavelmente vai continuar com sua vidinha religiosa de ir à igreja aos domingos, participando de algum entretenimento religioso massificante, mas nunca vai viver o evangelho com profundidade. E foi exatamente pra isso que Ele nos chamou, viver em profundidade!
Jonas 1:1-2

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SONHEI COM A IGREJA...

Hoje sonhei com uma igreja. Era diferente das que estamos acostumados a ver. Pra começar não se parecia com uma igreja tradicional. Era uma casa bem grande, com muitos cômodos, bem simples, mas bem confortáveis.
Tentei ver na fachada qual o nome impresso, mas não tinha nada escrito. Apesar disso, todas as pessoas com quem eu falava sabiam que lá era uma igreja.
A pessoa que tomava conta da casa era conhecida como "o irmão". Parece que ele tinha alguma patente eclesiástica, mas não gostava de ser chamado por ela, preferia apenas "irmão". Era casado e tinha 3 filhos.
O mais interessante desta igreja era que não tinha uma liturgia bem definida. De manhã sentavam-se em uma grande mesa, agradeciam pelo alimento e comiam juntos. Lembravam que suas vidas eram devidas a Jesus e ao que Ele fez enquanto esteve aqui na Terra. Lembravam também que foi pela sua morte que agora, eles estavam vivos. Às vezes cantavam alguma música, às vezes liam uma poesia, liam e comentavam um texto da Bíblia,  e às vezes partilhavam de alguma experiência, tudo ao redor da mesa; depois comiam contentes e satisfeitos.
Neste dia, depois do café da manhã, perguntei qual seria o horário do culto e o irmão me disse que haviam acabado de fazê-lo. Então comecei a entender algumas coisas.
Terminado o café, algumas pessoas foram limpar os banheiros, outras foram varrer o quintal, que aliás era bem grande e com muitas árvores, e outras ainda começaram a preparar o almoço.
Conforme as coisas iam acontecendo, algumas pessoas chegavam à igreja aparentando serem estranhas ao ambiente. A maioria estava mal vestida e mal cheirosa, como alguém que já há muito tempo não tomava um bom banho. Eram encaminhadas ao vestiário e podiam trocar as roupas sujas por outras limpas. Sentavam-se à mesa e também comiam.
Um senhor chegou muito doente, recebeu os primeiros socorros e foi encaminhado a um hospital que ficava bem perto.
E assim, um a um, ia chegando e saindo, pessoas sozinhas, famílias inteiras, outros que só queriam conversar e depois iam embora com um semblante de leveza no rosto.
Foi chegando a noite e percebi que a movimentação continuava. Perguntei quando a igreja iria fechar e o irmão com um sorriso paciente me disse que aquela casa jamais fechava. A qualquer momento do dia ou da noite, sempre teria alguém lá para receber qualquer um que chegasse cansado da vida, precisando de um banho ou um prato de comida, ou simplesmente um ouvido para desabafar.
Perguntei se pagavam por aquele tratamento e ele me disse que apenas se tivessem condição de ajudar com alguma coisa e se assim o quisessem. Disse ainda que apesar disso, nunca havia faltado o sustento da casa, e ele não conseguia me explicar como isso acontecia. Disse que a única exigência que faziam era que, saindo de lá, as pessoas deveriam prometer que fariam o possível para espalhar esse amor que haviam recebido e que lembrassem a outros que isso não era nada mais do que aquilo que Jesus mandou fazer.
E assim a igreja do irmão ia vivendo. Não era grande porque a maioria das pessoas só estavam de passagem, mas de uma forma geral, garantiam que aqueles dias passados ali, haviam mudado as suas vida para sempre.
Claro que haviam outros que mal agradeciam, mas ninguém se importava não, porque o Jesus a quem eles seguiam também havia passado pela mesma ingratidão. Nada ali era feito pensando em retribuição.
Naquele momento eu acordei, percebi que fora somente um sonho... eu estava ofegante, mas feliz.