
“Pois somos santuário do Deus
vivo. Como disse Deus: "Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o
seu Deus, e eles serão o meu povo"” (2 Coríntios 6:16)
“...assim também em Cristo nós,
que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os
outros” (Romanos 12:5)
Parece uma afirmação um tanto
chocante, mas é a mais pura verdade. Deus não está mais na “igreja” como nós a
conhecemos, na sua forma organizada e institucionalizada, e temo que talvez
nunca tenha estado. Como eu já disse em outros textos, a história da igreja
cristã não é lá muito digna de orgulho. Cometemos muitos erros, matamos em nome
de Deus, fizemos coisas em nome de Deus das quais Deus não se orgulharia nem um
pouco. Algumas vezes de forma inocente, mas em outras de forma convicta e cruel.
Mas não é só por isso que Deus
fugiu da igreja. Ele fugiu (ou talvez nunca tenha estado) porque não é desta
forma que Ele se manifesta ou salva. Não é através da “igreja” que Ele
manifesta sua graça, mas sim através da IGREJA, verdadeira, santa, lavada e
redimida pelo seu sangue. É assim que Ele sempre se manifestou neste mundo e
sempre o fará. A Sua graça é mostrada através de cada membro do seu corpo
místico que está espalhado por este mundo. Em cada beco, em cada lar, em cada
favela, em cada mansão, e também em cada igreja local, não importa o lugar e
sim quem está lá. Sinto decepcioná-lo (a), mas Deus não nos vê como integrantes
de uma igreja local, mas integrantes do seu corpo. É isto o que importa.
Você então poderá questionar:
Mas e os programas evangelísticos e missionários que foram conduzidos e
amparados pelas instituições? Aí é que está, não foram amparados e conduzidos
pelas instituições, foram conduzidos por cristãos que entenderam o seu chamado,
viram uma oportunidade de atuação no reino e foram à luta. Isto é importante
porque se um dia a instituição falir, o que não é nada difícil, pelo menos aos
olhos de Deus, estas mesmas pessoas que foram usadas estando dentro das
instituições, poderão ser usadas fora delas. A instituição é um mero detalhe.
E por que então fazer parte de
uma igreja local? Porque lá encontro meios de manifestar a graça de Deus
através da minha vida. Porque lá é um lugar onde aprendo com o outro a respeito do
Mestre Jesus. Porque lá existem pessoas que assim como eu
entendem o que é ser um pecador salvo pela graça. Porque lá eu posso encontrar
pessoas que me ajudarão a levantar quando eu cair. Porque lá deveriam existir
pessoas que não me crucificariam quando eu tropeçasse, mas que me ajudariam a
me reerguer porque sabem o que significa crucificar a carne todos os dias.
Porque lá é um lugar onde eu posso unir forças com gente que pensa como eu e
assim fazer brilhar a luz de Cristo neste mundo de escuridão e morte. Enfim, lá
é um lugar de aconchego e esperança para todo aquele que, cansado de andar sem
Deus, possa encontrar pessoas que o ajudem na caminhada com Jesus.
Mas então por que é importante
saber que Deus não se manifesta através de instituições? Porque desta forma, eu
consigo me libertar do julgo da instituição e viver de forma livre e espontânea
o evangelho de Cristo, onde quer que eu esteja, o que quer que eu faça, dentro
e fora da instituição. Sob o peso do manifestar de Deus dentro da instituição,
caímos no erro de achar que fora dali não há salvação e não há cristianismo.
Equivocamo-nos e pensamos que aquele lugar é santo e nos esquecemos que santo
deve ser o nosso proceder. Erramos quando duvidamos da salvação daqueles que
por qualquer motivo decidiram deixar a instituição, mas não deixaram Cristo.
Erramos quando achamos que missão somente pode ser feita quando amparada e
“autorizada” pela instituição,e, assim, desmerecemos qualquer ação missionária
não “oficial”. Erramos feio quando valorizamos por demais a instituição, e
esquecemos que temos de ser luz e sal em qualquer lugar e a qualquer hora. E
que por isso, Deus pode e está salvando fora do “templo”. Que seu amor está
sendo pregado pelo meu proceder e não necessariamente pela pregação do domingo
no templo.
Quando nos livramos do peso da
instituição que nada mais é que um legado católico e antes disso judaico que
carregamos dentro do nosso “DNA”, nos livramos também da tolice de achar que o
templo é sagrado, a música é sagrada, o culto é sagrado, e descobrimos que na
verdade tudo é sagrado porque é exatamente no tudo onde Deus se manifesta.
Descobrimos que o mundo é sagrado e que o almoço com nossa família pode ser tão
sagrado quanto a ceia do Senhor, se lá manifestamos o amor de Deus. Descobrimos
que a hora que passamos brincando ou conversando com nossos filhos ou nosso
cônjuge pode ser tão sagrada quanto a hora do culto no domingo, e por aí vai. E
neste momento acontece o milagre onde descobrimos que toda a nossa vida precisa
ser sagrada e consagrada para Deus. É isso que Jesus queria fazer quando
permitiu que o templo de Jerusalém fosse destruído, o véu fosse rasgado, o
sacerdócio araônico extinto e o povo dele disperso pelo mundo, mas nós não
entendemos direito e refizemos tudo isso; mudamos o nome e reconstruímos nossas
torres de babel, onde mais confundimos que explicamos.
Deus fugiu da “igreja” e agora
está solto pelo mundo, salvando e manifestando sua graça a quem quiser
experimentar.