terça-feira, 18 de outubro de 2011

EVOLUÇÃO E ORIGENS

O Brasil é um país predominantemente evolucionista. Nas escolas de ensino fundamental e médio, e, principalmente nas universidades, a teoria da evolução é tida como verdade absoluta sem possibilidades de refutação. Durante minha graduação em ciências biológicas, um grupo de alunos cristãos e eu, fomos até o orientador do curso pedir que ele convidasse o professor Adauto Lourenço (físico que dá palestras sobre o criacionismo criando um paralelo com as evidências científicas) para a semana científica da universidade. A resposta dele foi direta: “Criacionismo não é ciência”. Estudávamos em uma universidade católica. Mas como Couch afirma, a própria igreja católica considerou o evolucionismo irrefutável nas pessoas dos papas Pio e João Paulo II. 1
Por que é importante discutir este tema nas igrejas e deixar clara a posição bíblica? O simples fato de não haver outro tipo de teoria sendo ensinado nas escolas já é motivo suficiente para alertar os cristãos, e principalmente os jovens, com relação à teoria engessada do evolucionismo que exclui Deus da história do universo e da vida das pessoas.
Por isso é sumariamente importante reafirmar a posição bíblica criacionista em nossas igrejas. E a primeira razão é porque se não afirmarmos esta posição estaremos indiretamente negando a inerrância bíblica. A narrativa bíblica da criação em Gênesis não nos dá muitas opções de interpretação senão a que Deus criou todas as coisas.



Existe uma linha de interpretação, que é a evolucionista teísta, que tenta conciliar as duas correntes, evolucionista e criacionista, dizendo que Deus usou a evolução natural para criar os seres vivos. Todavia, este tipo de interpretação encontra algumas dificuldades, como por exemplo, a criação de Eva 2. Também de acordo com esta linha, os dias em Gênesis são de fato eras, ou um espaço muito grande de tempo. Não haveria problema nesta interpretação se em outras passagens de Gênesis houvesse o uso da palavra significando era ou um longo período de tempo, mas na grande maioria das vezes em que esta palavra é usada, ela significa um dia de 24 horas 3.

A segunda razão que torna falha esta interpretação é em virtude de não existirem evidências científicas que demonstrem a macro evolução; não há fósseis conhecidos de espécies intermediárias entre os organismos dos diferentes grupos de animais 4. O elo continua perdido.

A evolução está fundamentada basicamente em dois pilares: as mutações genéticas e a seleção natural. As mutações são os mecanismos de mudança e de variação para a evolução das espécies, e a seleção natural é o instrumento de perpetuação destas mutações. Foi Charles Darwin quem fez as primeiras observações em seu livro A Origem das Espécies, e que mais tarde deram corpo a estas idéias, e que levaram ao evolucionismo como é hoje. O problema enfrentado hoje pelos evolucionistas é manter a visão darwinista diante das recentes descobertas científicas em nível molecular. Darwin não tinha microscópios potentes como temos hoje e jamais poderia supor os mecanismos inter e intracelulares que acontecem nos organismos. Além do que, não possuía conhecimento da genética.

A seleção natural, indispensável à evolução, mantém somente as mutações benéficas ao organismo e, com isso, elimina os menos adaptados, mantendo assim, apenas os indivíduos mais adaptados. O problema é que muitos mecanismos moleculares que conhecemos hoje jamais poderiam ter existido, baseado na concepção da seleção natural. Se somente os mais adaptados sobrevivem, durante o processo evolutivo, estes mecanismos teriam eliminado os próprios organismos que os mantinham, visto que, durante o processo, o mecanismo não estava funcionando ainda. É como um motor; ele somente poderá funcionar depois de completamente montado; durante a construção é impossível ligá-lo. Um exemplo disso é o flagelo de alguns microorganismos. Quando observado microscopicamente, o flagelo funciona como uma verdadeira máquina com motor e engrenagens de funcionamento extremamente complicado. Cada uma das partes do flagelo é indispensável ao funcionamento do mesmo, e, se apenas uma das partes faltar, o flagelo simplesmente não funciona. É o que chamamos de complexidade irredutível. Este é apenas um dos exemplos que a seleção natural não consegue explicar, visto que, se fôssemos aplicar o princípio da seleção a este exemplo do flagelo, a própria seleção o excluiria na primeira tentativa de mutação. Os organismos flagelados simplesmente não existiriam porque não possuiriam mecanismos de locomoção.

Há algum tempo, vários cientistas insatisfeitos com a teoria darwiniana, propuseram a teoria do Intelligent Design, ou Desenho Inteligente, onde existe a idéia de uma mente criadora que pensou e projetou tudo o que existe. E, apesar de ser quase óbvio para nós cristãos que esta mente criadora chama-se Deus, há muitos cientistas, inclusive ateus e agnósticos, que acreditam nesta teoria e a defendem como a mais provável diante do que conhecemos hoje em termos moleculares.
A questão é que esta hipótese do desenho inteligente só é discutido em alguns meios científicos e a maioria da população nem tem noção da existência deste pensamento, que vem tomando forma e conseguindo adeptos a cada dia. Por isso a necessidade desse tipo de discussão em nossas igrejas, como um meio de proporcionar argumentos sólidos aos crentes, frente aos ataques da comunidade científica evolucionista. E, talvez o mais importante, criar subsídios para que os jovens estejam preparados ao se confrontarem com a teoria da evolução, dita incontestável, nos meios acadêmicos que eles freqüentarão.

Na verdade, a Bíblia não necessita de fundamentação científica para que seja considerada como a Palavra de Deus (isto depende de fé) , todavia, é no mínimo interessante que a própria ciência esteja caminhando em direção ao Criador. Depois de muitos anos vivendo sob o peso da teoria evolucionista, surge uma proposta diferente e inteligente que acabará inevitavelmente glorificando a Deus como o Criador de todas as coisas.
A igreja tem vivido acuada durante todo este tempo em que a teoria darwinista reinou no mundo todo, mas entendo que é chegada a hora de darmos uma reviravolta no jogo e mostrarmos que existe uma proposta inteligente e bíblica para a questão da origem dos seres vivos e especialmente do homem. Mais do que nunca devemos expandir esta idéia e mostrar que a Bíblia tinha, tem e sempre terá razão porque é a Palavra de Deus viva. A crença na criação do homem por Deus é importante, porque é a base para mostrar que Deus tem um plano na vida de cada pessoa, porque foi Ele próprio que a criou para o louvor da sua glória.

1 COUCH, Mall, Os fundamentos para o Século XXI. São Paulo: Hagnos, 2009, p.141.
2 RYRIE, Charles C., Teologia Básica ao Alcance de Todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p.196.
3 RYRIE, Charles C., Teologia Básica ao Alcance de Todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p.212.
4 COUCH, Mall, Os Fundamentos para o Século XXI. São Paulo: Hagnos, 2009, p.149.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

APENAS PÓ

Deuteronômio 32:10-12 "Numa terra deserta ele o encontrou, numa região árida e de ventos uivantes. Ele o protegeu e dele cuidou; guardou-o como a menina dos seus olhos, como a águia que desperta a sua ninhada, paira sobre os seus filhotes, e depois estende as asas para apanhá-los, levando-os sobre elas. O Senhor sozinho o levou; nenhum deus estrangeiro o ajudou."

Moisés estava prestes a morrer e em uma tentativa última de pedir ao povo fidelidade a Deus, proclama este cântico maravilhoso que está descrito no capítulo 32 de Deuteronômio.
Não sei você, mas eu me sinto infinitamente não merecedor da graça de Deus. Você pode pensar: mas não é assim que deve ser? É assim que deve ser, mas nem sempre é.
O orgulho humano nos leva muitas vezes a pensar que aquilo que fazemos a Deus é na verdade fruto de nossa capacidade, intelectualidade, de nossa força. Nos esquecemos de onde Deus nos tirou e a transformação que Ele fez em nossas vidas.
Esquecemo-nos que estávamos na situação descrita pelo poeta Moisés: numa região árida e de ventos uivantes, ou seja, no deserto. Perdidos, com sede, com fome, longe da civilização, no frio da noite desértica, sujeito aos animais famintos e prontos a atacar. Essa era nossa condição quando Cristo nos encontrou, sem esperanças e sem futuro.
Não passaríamos daquela noite, mas Ele nos achou. Protegeu-nos, cobriu-nos, cuidou de nossas feridas e nos guardou como a menina de seus olhos. O que fazemos quando um cisco entra em nosso olho? Não tentamos tirá-lo desesperadamente? Foi assim que Deus nos amou, desesperadamente, e nesse desespero Paterno, Ele continua a nos guardar e a nos proteger.
Por isso me sinto tão indigno, tão pequeno e tão pecador. Cada vez que me deparo com o tamanho sem fim do amor de Deus, não posso sentir outra coisa senão incapacidade e insuficiência. Este é o efeito inevitável do limitado em contato com o Eterno, do pecado em contato com o Santo, do finito em contato com o Infinito e Transcendente.
E neste instante de vislumbramento e devoção só resta nos prostarmos diante d'Ele e declararmos nossa dependência total e irrestrita.
Por isso que no reino de Deus não cabem super-crentes. Não cabem "super-homens" com mais unção ou mais poder. Nesse negócio chamado igreja só cabem pessoas dependentes e carentes, não da força da mulher como diria o Erasmo, mas da força da Deus e de sua infinita graça.
Lugar de super-crentes é junto dos fariseus, e pelo que me consta, Jesus não era muito fã deles não.
E pensando nisso, lembrei de uma música do meu amigo Ezequiel Santos do Quarteto Dom Livre que diz assim: "Mas se eu ousar pensar que mereço seu favor, podes me lembrar Senhor, quando tudo começou, eu era apenas pó."

Que Deus nos abençoe!