segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

NATAL EM EMAÚS - Myrtes Mathias


È natal!
E no natal a gente sempre espera que aconteça um milagre.
Mas, ás vezes, a gente espera, espera e cansa, como os discípulos de Emaús:
– Senhor, é já hoje o terceiro dia, o terceiro mês, o terceiro ano...
Então, de repente, vejo-me passando às mãos do Mestre todas as mágoas, frustrações e dor.
E ele, mansamente, começa a fazer-me lembrar as bênçãos e vitórias alcançadas durante todo o ano, toda a vida: ás vezes sem conta em que o socorro chegou, talvez não como eu havia pedido ou esperado, mas sempre concorrendo para o meu próprio bem.
Enquanto minha alma caminha assim com ele, sua voz, como um acalanto, faz arder meu coração e eu lhe estendo a mão, queixas e murmuração, transformadas num pedido de amor:
– Fica comigo, Senhor!
O dia declina. Já não sou mais jovem, nem forte, nem cheia de ilusões.
O crepúsculo me assusta, me causa pavor:
– Fica comigo, Senhor!
Mas quando suas mãos marcadas, glorificadas, se estendem para partir o pão – que é ele mesmo, minha alma alimentada, agradecida, reconhece que sempre esteve comigo, durante todo o caminho. E a alegria é tanta que quase não dá para crer:
– Eras tu, Jesus! Eras tu, Rabi!
E eu me ajoelho para adorá-lo e para escrever essa estranha mensagem de ressurreição num dia de natal...
E hoje, o terceiro dia, o terceiro mês, o terceiro ano... Que esperava eu?
Não me lembro. Não importa.
O milagre aconteceu!
Há luz ao meu redor, há luz dentro de mim:
Jesus nasceu! Ele vive! Está aqui! Emanuel! Rabi!
Glória a Deus nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor!
O caminho da espera se fez o da esperança:
Deus feito criança nasceu, cresceu, morreu, ressuscitou, cumpriu as promessas, deixou a promessa:
– Este Jesus há de voltar um dia!
E tudo isto é tão lindo, tão pleno, tão consolador, que a gente tem que terminar repetindo com o anjo anunciador:
– Não temais! Eis que vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
hoje vos nasceu Jesus Cristo, o salvador!
Vos nasceu – nasceu para nós, cada um de nós, mesmo para os que caminham na direção de Emaús.
Hoje é dia de ressurreição e de advento, dia da renovação do entendimento, que vem em resposta ao meu clamor:
– Fica comigo, Jesus! E Jesus ficou!
Noite feliz! Noite de paz! Noite de amor!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

RETROALIMENTANDO O BEM

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações. 2 Coríntios 1:3-4

O modo de vida que Jesus propôs é um sistema de retroalimentação. Foi assim que Ele quis que fosse porque este é o modo mais produtivo de relacionamento humano. Funciona em qualquer sistema de governo, em qualquer classe social e em qualquer época.
Jesus criou um sistema de cuidado mútuo, onde eu cuido de você e você cuida de mim e todos nós nos cuidamos ao mesmo tempo porque estamos sendo cuidados por Deus. De modo que ninguém deveria passar qualquer necessidade, de espécie alguma. E isto deve se aplicar a qualquer tipo de necessidade, seja ela social, emocional ou financeira.
E à medida em que vamos passando pelas necessidades vamos nos tornando mais aptos para ajudar aqueles que estão ou passarão pelas mesmas necessidades porque teoricamente a experiência nos garantiria alguma vantagem.
Neste sistema aquele que tem mais distribui com aqueles que têm menos. Aquele que passou por uma experiência profunda de luto ajuda aquele que está passando por isso. Aquele que tem a capacidade de ouvir e aconselhar fará àquele que precisa ser ouvido e aconselhado.
Haverá tempos em que não poderei ajudar porque estarei demasiado machucado pela vida e neste momento precisarei de ajuda e de tempo para me curar. No entanto, haverá outros tempos em que poderei compartilhar alguma coisa porque estarei bem com Deus e comigo mesmo.
E a ideia original era que esse sistema se alastrasse e tomasse o mundo, até os confins da Terra.
Neste sistema não dependeríamos do governo ou de qualquer entidade porque quem se ajuda na verdade são pessoas e não órgãos jurídicos.
Este sistema criado por Jesus chama-se evangelho. Não é socialismo ou comunismo como o conhecemos, porque o socialismo tolhe a liberdade de expressão e de escolha das pessoas. Tampouco é o capitalismo que dá liberdade mas tira o pão.
No evangelho de Jesus você tem liberdade porque é a graça que impera. E você tem pão e todas as suas necessidades supridas pela comunidade de irmãos; pelo menos esse era o ideal.
E por que o evangelho de Jesus tira a possibilidade de se viver sozinho? Porque só vivendo em comunidade e dependendo desta é que aprendo a não ser egoísta, aprendo a compartilhar e aprendo a ajudar e a ser ajudado.
Eu quero convidá-lo a viver este sistema onde você estiver. Na sua comunidade, na sua família, no seu bairro, onde a vida lhe mandar.
Porque natal se vive assim...todos os dias do ano.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CONFIANÇA CEGA


Então Jó respondeu ao Senhor: "Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado". Tu perguntaste: "Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento?" Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. Tu disseste: ‘Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá’. Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza". Jó 42:1-6

O livro de Jó foi escrito por um narrador em terceira pessoa, aquele que não participa da história mas conta dela como se fosse um observador.
Provavelmente este narrador escreve esta história muito depois dela ter acontecido. Porque na época de Jó não se conhecia a figura do diabo, do mal. Mas o narrador o conhecia muito bem e tenta, a partir do que sabia da história e da sua noção do mal encaixar tudo como conhecemos hoje.
O fato é que o próprio Jó nunca soube da suposta queda de braço travada entre Deus e o diabo. Pra ele e seus contemporâneos tudo vinha de Deus, benção e desgraça, e ele morreu achando que tudo aquilo foi algum plano misterioso e secreto de Deus e somente dele.
Alguns textos na Bíblia são particularmente muito difíceis de entender e esse é um deles. Quando me deparo com textos assim eu tiro aquilo que dá. O que não dá, não fico espremendo pra tentar entender.
O que eu consigo extrair desta história é que em 100% de tudo que acontece na nossa vida, de fato não conseguimos entender sua trama espiritual, se é que houve alguma. Não podemos falar com convicção que Deus agiu assim ou assado, que este ou aquele momento foram consequências naturais de nossos atos ou foi "a mão de Deus", se foi coincidência do acaso ou foi o "mover sobrenatural". Empiricamente falando? Impossível saber.
Além de impossível acho também desnecessário, porque se fosse necessário, Deus teria explicado a Jó, mas Ele não o fez.
Alguns tentam usar a história de Jó para explicar porque o justo sofre. Não tem como explicar. No nosso modo de ver e entender a situação ela sempre parecerá injusta e desnecessária. Jó já era um cara supimpa, precisava sofrer tanto assim? Deus precisa provar alguma coisa ao diabo? E o que nós temos a ver com isso?
São perguntas sem resposta ou talvez a resposta que o narrador quis dar à história de Jó não tenha sido tão feliz assim. Eu acredito na história de Jó mas tenho dúvidas a respeito da interpretação do narrador.
E o que fazemos então com essa história toda? Pegamos aquilo em que não há dúvidas.
Jó nunca soube realmente o motivo daquilo que estava se passando com ele, mas sempre teve a certeza de que Deus estava acompanhando tudo de perto.
E deve ser assim conosco. Nunca saberemos onde estamos pisando. Nunca teremos plena convicção (eu sei que isso é um pleonasmo) até onde estamos envolvidos neste mundo espiritual. Nunca saberemos com certeza se o tropeção foi o sapato que enroscou ou foi obra do tinhoso pra me fazer xingar. Mas podemos saber, pela fé, que Deus sempre estará conosco, porque isso Ele prometeu.
Sempre podemos ter a certeza da fé de que Ele nos acompanha, nos olha e será assim até o dia final, porque isso Ele nos prometeu.
É uma fé cega eu sei, mas é baseada naquilo que Ele realmente disse que faria.
Ele não prometeu que não sofreríamos, mas que em qualquer situação Ele estaria ao nosso lado nos dando paz.
E eu acho que esta é a fé que Ele espera de nós; uma fé que acredita que Ele está, mesmo sem ver e sentir nada.
E por que o justo sofre? Porque todo mundo sofre. Porque foi assim que deixamos o mundo em que vivemos. Lembre-se: o sofrimento é culpa do ser humano e não de Deus.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

QUANTO VOCÊ AMA A JESUS?


"Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta.

Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais? " Lucas 7:41-42

Esta pergunta foi dirigida ao fariseu, a você e a mim. Quanto você ama Jesus? Parece uma questão quantitativa. É e não é. Pra Deus não é, mas pra nós, seres humanos deve ser.
O fariseu se achava mais "santo" que a pecadora e por isso Jesus lhe conta uma parábola. A conclusão da parábola é simples: nem o fariseu "santo" e nem a pecadora tinham com que pagar a dívida para com Deus, mas Ele perdoou a ambos.
A pecadora devia mais que o fariseu? Claro que não. Esta é mais uma daquelas ironias deliciosas que só Jesus sabia fazer. Diante de Deus ambos deviam igual. Isso mesmo. Você deve a mesma coisa que o bandido e a prostituta.
Mas para o fariseu ele devia pouco ou nada, e para a prostituta, ela devia muito e talvez tudo.
A conclusão é simples. A prostituta, sabendo que sua dívida era impagável saiu perdoada e feliz. O fariseu saiu sobrecarregado e triste.
E esta é uma das maravilhas que esta pequena parábola nos mostra. Dependendo do quanto você acha que deve pra Jesus, você pode sair triste ou alegre, leve ou com um peso enorme nos ombros.
A auto-confiança vale somente no mundo contemporâneo onde se exacerba o homem e seu pseudo poder interior. Pra Deus qualquer auto-confiança é lixo porque ele nos vê interiormente, sabe quem somos no mais profundo do nosso ser.
A receita que Jesus nos dá é simples. Aceite que sua dívida é impagável mas que Jesus já a pagou. Você sairá leve como a prostituta com a certeza do perdão. Não mais olhará o outro como menos ou mais pecador, mas olhará a todos e se incluirá como dependente de Deus, salvo por graça e não por mérito.
Seu amor por Jesus será grande porque só você saberá de onde Ele o tirou. Só você saberá o peso que estava sobre você mas não está mais. E ouvirá, bem no fundo do seu coração: Sua fé lhe salvou, vá em paz.

sábado, 23 de novembro de 2013

SE NÃO EDIFICA DESTRÓI

"Tudo é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo é permitido", mas nem tudo edificaNinguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros. Comam de tudo o que se vende no mercado, sem fazer perguntas por causa da consciência, pois "do Senhor é a terra e tudo o que nela existe". Se algum descrente o convidar para uma refeição e você quiser ir, coma de tudo o que lhe for apresentado, sem nada perguntar por causa da consciência. Mas se alguém lhe disser: "Isto foi oferecido em sacrifício", não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência,
isto é, da consciência do outro e não da sua própria. Pois, por que minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros? 1 Coríntios 10:23-29

Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra CristoPortanto, se aquilo que eu como leva o meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar. 1 Coríntios 8:12-13


Paulo é bastante liberal ao descrever o modo como podemos viver nossa vida. Ele declara abertamente: podemos tudo. Nada mais é proibido porque não vivemos mais debaixo da lei mas debaixo da graça, e uma das características da graça é viver livre, liberto e em liberdade.Contudo, Paulo diz que não convém fazer algumas coisas. Por que? Por causa da consciência, não minha, mas do outro. É com o que o outro vai pensar e achar que eu devo me preocupar.

Eu sei que a opinião popular diz: viva a sua vida não importando com o que o outro vai pensar a respeito porque você não deve satisfação a ninguém; mas não é assim que Paulo pensava. Para ele era importante o modo como nos comportamos diante das pessoas para que elas não se ofendam pelos nossos atos.

E apesar dos dois textos fazerem referência a questões específicas que estavam acontecendo na comunidade de Corinto, podemos extrair o princípio deste texto que é: tudo aquilo que faço que ofende meu próximo, devo evitar.

Posso pensar em muitas coisas que, para não ofender ninguém, devo evitar, mas vou me ater em uma especificamente: como propagador das verdades do evangelho, devo evitar opiniões particulares que interessam só a mim e que se forem ditas não edificarão a ninguém, pelo contrário, trarão apenas discussões vãs e infrutíferas causando mal estar e falatórios desnecessários.
Não é o que muita gente pensa, porque é exatamente por estas opiniões particulares que blogs "bombam" de visitas, igrejas ficam lotadas a cada semana para ouvir a mensagem que muitas vezes surpreende mais do que edifica, líderes se tornam celebridades por dizerem sempre algo que choca mais do que consola.
A Bíblia não foi feita pra encher blogs ou igrejas e nem foi escrita pra surpreender ou chocar, a Bíblia foi escrita para discernir intenções e pensamentos a fim de que o ser humano possa se humanizar e se render ao seu Criador.
Por isso mais do que "causar" aquele que se mete a falar do evangelho deve pensar e repensar cada palavra que sai da sua boca ou dos teclados do seu computador e se perguntar: Isso edifica? Estou construindo alguma coisa ou apenas colocando mais dúvidas nas pessoas?
Porque o que menos precisamos em nosso tempo é de mais dúvidas. Elas estão saindo pelos ladrões, visto que ninguém tem mais certeza de nada.
As pessoas precisam de certezas, e a Bíblia as têm.
Portanto, se nos ativéssemos em pregar somente a Bíblia sem querer reinventar a roda a cada "domingo" já seria um bom começo.
A pergunta que deve ser feita é: Aquilo que torno público é construtivo? As páginas e posts do Facebook que acesso são neutras ou vão colaborar para que mais pessoas se rendam a Jesus? As dúvidas que tenho a respeito da Bíblia, se forem expostas, vão contribuir para o crescimento espiritual das pessoas? Se a resposta a alguma destas perguntas for não, então Paulo diz que devo evitar.
Porque tenha certeza de uma coisa: tudo que não constrói, destrói.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

IGREJA SEM DEUS?


Julgo-me e julgam-me liberal.
Já abri mão de muita coisa. Coisas que a religião impregnou o cristianismo mas que não têm nada de cristão.
Abri mão do tipo de batismo. Pra mim pode ser por imersão, aspersão. afusão ou na falta umas gotinhas de saliva. O batismo não existe por causa de Deus mas por causa do homem; é um sinal para o homem e não para Deus.
Abri mão da ceia. Pode ser pão e suco de uva ou vinho, almoço ou café da manhã, porque a ceia também foi feita para o homem e não para Deus. Era capaz de esquecermos o que Jesus fez se não fosse a celebração da ceia que é imperativa: Lembrai de mim!
Abri mão do tipo de culto, do tipo de comunidade e de como podemos nos reunir como irmãos para falar de Jesus e celebrar comunhão.
Mas existe uma frase que eu já repeti inúmeras vezes porque acredito nela e porque a entendo como fundamental: Existem algumas coisas que o cristianismo jamais poderá abrir mão.
O vídeo acima mostra mais uma novidade. Parece igreja, tem jeito de igreja, se expressa como igreja e até se coleta contribuições como as igrejas, mas não é igreja, pelo menos não no sentido que a palavra se consolidou entre nós.
É óbvio que o idealizador quis se aproveitar do êxodo das igrejas, que está acontecendo sobretudo na Europa, para criar esta nova moda, do contrário, porque então manteria estas reuniões com o "jeitão" das igrejas tradicionais?
Não se fala em Deus e obviamente muito menos de Jesus.
Pode ser qualquer coisa: associação, reunião, assembléia, ordem, mas igreja não é.
Você que é sabichão vai me dizer que o termo igreja não foi criado pelos seguidores de Cristo, que era usado antigamente para se referir às reuniões solenes que aconteciam nas cidades (polis) e que portanto, pode ser usado por qualquer um.
Aí eu lhe digo. As palavras não são dinâmicas? São e, portanto, hoje em dia ninguém mais usa a palavra igreja para se referir a uma assembléia de moradores de bairro. O termo mudou e é utilizado quase tão somente no sentido religioso cristão.
Então eu repito, isso não é igreja e disso nós não podemos abrir mão.
A ideia mais embrionária de igreja está em Mateus 18:20 "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
Portanto, se não fala de Deus nem de Jesus como pode ser igreja?
Igreja sem religião eu concordo e até defendo esta ideia, mas igreja sem Deus não dá.
Pode ter boa intenção, pode até melhorar a vida social destas pessoas, porque afinal de contas qualquer ajuntamento social promovido com o intuito de fomentar integração faz bem e é saudável. Mas cultivar a bondade das pessoas, sem Deus também não dá.
Não dá porque o ser humano é mau naturalmente. Não há nada intrinsecamente bom dentro do ser humano que possa ser cultivado e que gere bondade nata se Deus não for o promotor dessa bondade.
E por que não podemos abrir mão disso? Porque a Palavra de Deus o diz.
Isto mostra como as pessoas estão carentes para de alguma forma se reunirem em comunidade e imputarem algum sentido à vida longe do materialismo e da loucura dos nossos dias, mas não estão interessadas em Deus. E esta falta de interesse pode ser por vários motivos, mas creio eu que é, sobretudo, pela descrença nas instituições que dizem possuir a verdade acerca de Deus e de Jesus.
Estou orando para que estas pessoas possam encontrar Deus, sem precisar abraçar alternativas onde Deus certamente não está.
Por que escrevi sobre isso?
Porque li em algum lugar alguém comentando sobre este vídeo com um quê de aprovação, como sendo talvez uma alternativa cristã de ser igreja.
Desculpe-me, mas não posso abrir mão de que só é igreja se Jesus estiver no centro, mesmo que sejam apenas dois reunidos em nome dele.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ANTICRISTOS DA ATUALIDADE

"Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora. 1 João 2:18...mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. 1 João 4:3"
De acordo com a Bíblia, anticristo é aquele que nega que Jesus veio em carne, ou seja, como um ser humano com sua parte humana como qualquer outro, ou que Ele é o Cristo. O contrário destas duas negativas é fundamental para se afirmar como sendo cristão. Para ser cristão, entre outras coisas, há que se afirmar que Jesus se encarnou e que Ele é o Cristo.
Mas o uso da palavra anticristo tem sofrido algumas modificações no decorrer do tempo. Hoje, sobretudo em nossa cultura, esta palavra é atribuída àqueles que são contrários aos ensinamentos de Jesus, mas principalmente ela caracteriza aqueles que são contra os seguidores de Jesus por discordarem de alguma forma de suas atitudes. E é sobre estes dois significados atuais desta palavra que que gostaria de comentar.
O primeiro, sinceramente, não tem fundamento algum. Ser contrário aos ensinamentos de Jesus é discordar de algo intrinsecamente bom. Tirando a crença na deidade de Jesus como nós cristãos acreditamos, e baseados tão somente no modo como viveu aqui nesta terra, não há nada em sua conduta que o comprometa e o macule. Se formos compará-lo com todos os grandes líderes, pensadores e benfeitores que já existiu neste planeta, Jesus de longe é o maior de todos eles. Ninguém nunca falou sobre o amor e amou tanto quanto Jesus. Levando em consideração a cultura patriarcal e autoritária sob a qual Jesus viveu, ele foi o maior destruidor de paradigmas de todos os tempos. É fácil fazer uma revolução feminina hoje, mas naquela época era impensável; Jesus o fez, apenas citando um exemplo.
Jesus mostrou que é possível viver uma vida baseada no amor e respeito ao próximo como nenhum outro jamais viveu ou falou sobre. Se ousássemos viver 10% de tudo o que Jesus viveu, nosso planeta seria sem dúvida o tão sonhado paraíso proposto por todas as religiões e filosofias.
Por isso, dizer que não concorda com os ensinamentos de Jesus é loucura e burrice. É acreditar que existe alguma outra forma de resolver os conflitos da humanidade, que não sejam baseados no amor e respeito mútuos. A história já provou que essa outra forma não existe.
A segunda forma de se dizer anticristo é discordando das atitudes dos seguidores de Cristo, ou pelo menos daqueles que se dizem.
Gandhi disse certa vez: eu gosto do seu Cristo, mas não de seus cristãos. Seus cristãos são tão diferentes do seu Cristo. E ele tinha razão, cristãos são diferentes de Cristo assim como budistas são diferentes de Buda e islâmicos são diferentes de Maomé. Nunca seremos iguais porque somos pessoas diferentes em contextos diferentes sob circunstâncias totalmente diferentes. Mas isso não é desculpa para muitas atitudes de certos (muitos) cristãos. Cada qual dentro de sua crença, deveria pelo menos tentar imitar os passos de seu guru ou Mestre. Mas não é isso que vemos em todas as religiões e filosofias do mundo, talvez porque o problema de tudo esteja no ser humano complicado e sujeito ao mal. E isso não acontece somente nas grandes religiões. Esses dias lendo um site da maçonaria, alguém indignado com os "irmãos" porque não seguiam alguns preceitos corretamente e não abraçavam as causas da maçonaria com devoção. O ser humano é assim independente de onde esteja engajado, quer seja em uma igreja, terreiro de umbanda ou dentro de uma loja maçônica.
Eu também fico indignado com algumas atitudes de alguns cristãos que vejo por aí. Revolto-me e falo (escrevo) contra tudo isso. Acho também que todo aquele que se diz cristão deveria pelo menos tentar imitar os passos de Jesus sobretudo no despojamento dos bens materias que para mim é a pior doença de todos os tempos: o amor ao dinheiro. Mas quando escrevo sobre isso é na tentativa de que alguns possam rever suas atitudes e não no intuito de condenação como se eu fosse melhor que cada um deles. Quando critico simplesmente por criticar, me coloco em um patamar superior, contrário aos ensinamentos de Jesus.
Por isso também não concordo com aqueles que se dizem anticristos por discordarem dos cristãos. Agindo assim eles estão dizendo que são melhores que os cristãos e que sua filosofia (que eu não sei qual é) é melhor e poderá levar a humanidade a um nível de existência mais excelente.
Mas sempre existirão os anti qualquer coisa. Anticristo, antigoverno e anticorintianos, que na maioria das vezes a sua única filosofia é ser contra, não têm crença mas não gostam dos cristãos, não têm definição política mas são antigoverno, não têm time mas odeiam o "curintia".
O que Jesus diria sobre isso? Sejam a favor da vida e do ser humano. Na medida do possível tentem ter paz com todos. Amem até os seus inimigos, não com um amor romântico, mas com amor prático e se ele tiver fome de-lhe de comer. Isso é ser cristão genuinamente. Não tem muito a ver com o que geralmente acontece nas igrejas mas tem tudo a ver com o modo como Jesus mandou que vivêssemos. Se você, mesmo não sendo cristão compartilha com esses ideais junte-se a nós, deixe de ser anti e seja a favor da vida, do amor e do respeito, as únicas coisas que poderão nos unir como semelhantes que somos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

PARECIDOS COM ELE

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. 1 João 3:2

Aproximar-se de Deus resulta em se parecer com Ele. Impossível não ser assim. A medida em que nos aproximamos Ele vai imprimindo sua aparência em nós; não uma aparência física, mas de caráter.
O texto diz que sem o ver e sem haver sido manifestado o que realmente vamos ser já somos seus filhos, "meio parecidos", ou a caminho da semelhança. Mas o texto continua dizendo que quando Ele se manifestar e quando se manifestar o que realmente seremos, aí sim seremos semelhantes a Ele porque o veremos face a face em toda a sua glória.
Eu vejo neste texto uma ascensão na nossa semelhança com Jesus e tem de ser assim, necessariamente.
Quem teve um encontro real com Jesus nesta vida não pode mais continuar do mesmo jeito, algumas coisas precisam mudar. E não estou falando necessariamente dos religiosos, daqueles que frequentam uma igreja qualquer, porque isso não é nem de longe prova de um encontro genuíno com Jesus. Estou falando de algo profundo, intenso e verdadeiro. Estou falando daqueles que encontraram Jesus na própria vida, no caminhar, na luta, porque é aí que Jesus está e sempre esteve.
Li esta semana um relato de um livro do Frei Betto que contava de um monge que havia ido ao cume de uma montanha ver Deus e, depois de nove anos descobre que Deus não estava lá, mas lá embaixo na cidade, no meio da merda. Isso mesmo, na merda da vida, onde está todo o sofrimento da humanidade, onde está todo aquele que se afundou na lama da existência; é lá que está Deus.
Ele não está na "igreja", na montanha ou regendo as grandes religiões do mundo.
Quer encontrá-lo? Então vá aonde estiver alguém sofrendo ou sendo injustiçado, Deus estará lá consolando e dando forças ao cansado e aflito.
São nestes lugares mais sombrios onde se encontra Deus; não de forma física ou sobrenatural, sentindo arrepios ou coisas do tipo, mas observando sua manifestação na vida daqueles que não têm nada mais em que se apoiar a não ser o próprio Deus.
E quando você encontra Deus nestes lugares você não é mais o mesmo. Seu modo de ver a vida muda e você precisa fazer alguma coisa com essa mudança.
Já li muitos relatos de pessoas que foram fazer alguma obra social de impacto e tiveram suas vidas transformadas. Tiveram um encontro verdadeiro com Jesus.
E não pode ser diferente. O encontro com Jesus não tem volta, é definitivo.
Por isso dizemos que somente nos tornamos filhos de Deus após esse encontro com Jesus.
Porque ser filho de Deus não é somente um título que me dou apenas por conveniência e sem nenhuma responsabilidade sobre isso. Ser filho de Deus implica identificação e aceitação da minha responsabilidade de agir de acordo com a vontade do nosso Pai. Ser filho de Deus implica que eu preciso, devo, fazer alguma coisa com a mudança que Ele começou a realizar em mim. Ser filho de Deus implica sobretudo em manifestar o amor de Deus a todo aquele que estiver sofrendo injustiças nesta vida e eu tiver oportunidade de ajudá-lo.
Ser filho de Deus implica em reconhecer no outro o meu irmão, e só assim, vamos nos tornando mais parecidos com Jesus até o dia da semelhança perfeita.
Vou escrever algo bem forte agora, mas que creio do fundo do meu coração. Se não existe nenhuma empatia sua pela dor do próximo, então talvez você devesse sair pelo mundo a procurar Deus. Saia da sua igreja e vá procurar Deus onde Ele com certeza está. Vá nos orfanatos, asilos, presídios, busque Deus nas favelas, bares e becos escuros da vida. Nesta viagem, procure aliviar a dor daqueles que encontrar e, tenho certeza, encontrarás a Deus e sua vida nunca mais será a mesma.


"Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: "Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito. Isaías 57:15"

sábado, 19 de outubro de 2013

DEUS NÃO CASTIGA


"Como é feliz o homem a quem Deus corrige; portanto, não despreze a disciplina do Todo-poderoso. Pois ele fere, mas dela vem tratar; ele machuca, mas suas mãos também curam. 

Os contemporâneos de Jó acreditavam que todas as coisas vinham da mão de Deus, boas e más. A figura de Satanás aparece no livro como o provocador de toda a situação, mas provavelmente esta inclusão foi feita tardiamente por um narrador em terceira pessoa. A ideia do diabo é pós cativeiro, antes disso a ideia que se tinha era que tudo vinha de Deus.
Por isso o amigo de Jó atribui a correção a Deus.
Mas pelo teor das conversas, seus amigos não acreditavam em uma correção para o aprendizado, mas em uma correção retributiva, ou seja, se Jó estava sofrendo era porque fizera alguma coisa errada, e, neste sentido, Deus não castiga.
Incrível, mas conversando com algumas pessoas por estes dias, percebi que na mente de muita gente ainda está a ideia equivocada que Deus castiga o mal que fazemos simplesmente por castigar, como um ato de retribuição e de vingança. É como se Deus ficasse atrás da porta com aquela foice da morte esperando a primeira mancada nossa para nos acertar a cabeça. Nós somos assim, Deus não.
A correção de Deus é para o nosso bem, porque na maioria das vezes é somente assim que conseguimos aprender e avançar na vida. Não é uma correção de vingança, mas de amor. Deus não tem melindres a ponto de revidar nossos erros e pecados; Deus se entristece, mas sua tristeza não gera raiva e nem sentimento de revide.
A correção de Deus é como de um pai, no melhor modelo de pai que conseguimos imaginar.
Se você vir seu filho atravessando a rua correndo na iminência de ser atropelado, você não o jogará para fora da rua com todas as suas forças independente de machucá-lo? O exemplo não é perfeito, mas é mais ou menos assim que Deus faz conosco.
E Ele não poderia poupar-nos do sofrimento e nos corrigir de maneiras menos dolorosas? Poderia se não tivéssemos livre arbítrio para escolhermos nossas ações, e esse é mais um dos motivos pelos quais creio na nossa liberdade de escolha diante da vida.
Por tudo isso prefiro usar textos do Novo Testamento que falam da correção de Deus a usar textos do Antigo, porque no novo a ideia de Pai está muito melhor elaborada em razão da pessoa de Jesus: "Suportem as dificuldades, recebendo-as como disciplina; Deus os trata como filhos. Pois, qual o filho que não é disciplinado por seu pai? Hebreus 12:7"
Nem Jó, nem seus amigos souberam ao certo qual foi o motivo do sofrimento, e pra mim essa é uma das mensagens do livro para nós: nunca saberemos ao certo o motivo dos nossos sofrimentos e das nossas agruras, porque na verdade nada disso importa.
A única coisa que importará em todo processo de desafios pelos quais passarmos é ter a convicção de que Deus estará conosco. Em todas as mazelas que Jó experimentara, Deus estava com Ele e no controle de tudo. Assim é na nossa vida.
Na maioria das vezes não saberemos se estamos sendo corrigidos pelo amor de Deus ou se estamos colhendo frutos de nossas escolhas. É sábio de nossa parte analisarmos nossa vida para ver se há algo a ser corrigido, mas nada mais há que se fazer a não ser acreditar que não estamos sozinhos, Deus caminha ao nosso lado.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

ONDE ESTÁ SUA CONFIANÇA?

Sua vida piedosa não lhe inspira confiança, e o seu procedimento irrepreensível não lhe dá esperança? "Reflita agora: Qual foi o inocente que chegou a perecer? Onde foi que os íntegros sofreram destruição? Jó 4:6-7
 
A teologia da prosperidade não é coisa recente. Existe desde os tempos do patriarca Jó. Aliás, como visto no texto acima, ele mesmo foi vítima desta teologia doente e patética.
A verdade é que a teologia da prosperidade não trata só de dinheiro. Emaranhada com a teologia da confissão positiva, ela apregoa que os cristãos não podem passar por dificuldades, sejam estas de ordem física, psicológica ou social e financeira. Se isso acontecer é sinal de que há algo errado com a pessoa.
Jó experimentou tudo, perdeu todos os seus bens (financeiro), todos os seus filhos (psicológico) e sua saúde (física). Do ponto de vista da teologia de seus amigos, ele estava terrivelmente sob o julgamento de Deus, porque como eles mesmos disseram - qual foi o inocente que chegou a perecer?
O tipo de espiritualidade vivida pelos amigos de Jó era do tipo Rei e súdito ao invés de ser do tipo Pai e filho (já falei sobre isso há alguns posts atrás). Eles não conheciam a graça de Deus, viviam no tempo do olho por olho e dente por dente, viviam um relacionamento de barganha com seu Criador. Por isso erraram feio, erraram rude!
O primeiro erro foi achar que vida piedosa é capaz de gerar confiança em alguém. Não pode. Por mais piedosa que uma pessoa seja, seus atos estarão sempre aquém de um Deus que é perfeitamente bom e justo. Quando tentamos medir se merecemos ou não alguma coisa por aquilo que somos ou fazemos, sempre ficará uma ponta de dúvida: O que eu fiz terá sido suficiente para alcançar o favor de Deus? A resposta é não. Deus, por entender que nossa consciência sempre estaria contra nós, nos trata com graça e nos mostra que sempre nos amará independente do que possamos fazer ou não. Isto é consolo para aqueles que sabem-se incapazes e teste de humildade para aqueles que acham-se auto-suficientes.
Procedimento irrepreensível também não gera esperança. Esperança está relacionada com algo bom, mas que ainda não aconteceu, portanto, fora do nosso controle. Como um amigo sempre diz: "só podemos ter esperança naquilo que Deus realmente prometeu". Não podemos ter esperança no incontrolável baseados em algo tão limitado como nosso procedimento. A única coisa que Deus prometeu de verdade é que estaria conosco, o resto é por conta e risco.
O último argumento de Elifaz é mais insano ainda. Ele diz que nunca viu um justo perecer e nem um inocente ser destruído.
Parece coisa de gente alienada, gente que não sai de casa, não assiste as notícias e não lê jornal. Muito parecido com o comentário de Davi - "Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão." Ou Davi nunca saiu do seu palácio ou fechava os olhos para as injustiças que aconteciam ao seu redor.
Comentário deste tipo é de gente que não tem o que falar, quer consolar mas acaba piorando as coisas, gente que não ousa questionar e aceita tudo que ouve de forma passiva e irrefletida.
Teologia deste tipo não cabe em um mundo onde bons e maus morrem de fome, sofrem das mais terríveis doenças, são vítimas dos crimes mais cruéis.
Por isso no capítulo 42 Deus fica indignado com Elifaz e seus dois amigos; porque falaram de Deus aquilo que Ele não era.
A Bíblia foi escrita para falar com o ser humano, gente como a gente, que sofre, chora, ri, tem sentimentos, e precisa ser consolado quando a vida lhe passa uma rasteira. Não com o consolo de Elifaz que só estava tentando comprovar sua teoria usando a desgraça alheia.
O consolo de Deus é um consolo de graça:
 
Eu estou com você e sempre estarei.
Isso que está acontecendo não foi promovido por algo que você fez ou deixou de fazer.
A vida às vezes prega peças, por isso não tente encontrar qualquer resposta para o seu sofrimento.
Não se culpe.
Entregue sua dor aos meus cuidados.
Deixe que meu Espírito lhe cure por completo.
 
Isto é evangelho. Isto é graça.
A graça de Deus cura e não adoece, salva e não condena, gera vida e não morte. Qualquer coisa diferente disso não é graça e precisa ser rejeitada.
Ainda tem muita gente vivendo a teologia dos amigos de Jó, se esmerando para tentar fazer coisas que mereçam a atenção do seu deus, esmagando-se psicologicamente na tentativa de entender os desfavores da vida, deixando de viver o maior presente de Deus para nós, a sua graça.
Se entregar à graça é encontrar a paz de espírito que tanto se procura. A paz que mal nenhum nesta vida pode tirar, porque é presente de Deus para todo aquele que o confessa.

sábado, 7 de setembro de 2013

EXPLICANDO O INEXPLICÁVEL


Então eles voltaram para Jerusalém, vindo do monte chamado das Oliveiras, que fica perto da cidade, cerca de um quilômetro. Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro, João, Tiago e André; Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus. Naqueles dias Pedro levantou-se entre os irmãos, um grupo de cerca de cento e vinte pessoas, e disse: "Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse por boca de Davi, a respeito de Judas, que serviu de guia aos que prenderam Jesus. Ele foi contado como um dos nossos e teve participação neste ministério".
( Com a recompensa que recebeu pelo seu pecado, Judas comprou um campo. Ali caiu de cabeça, seu corpo partiu-se ao meio, e as suas vísceras se derramaram. Todos em Jerusalém ficaram sabendo disso, de modo que, na língua deles, esse campo passou a chamar-se Aceldama, isto é, campo de Sangue. )
"Porque", prosseguiu Pedro, "está escrito no Livro de Salmos: ‘Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite’; e ainda: ‘Que outro ocupe o seu lugar’. Portanto, é necessário que escolhamos um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, desde o batismo de João até o dia em que Jesus foi elevado dentre nós às alturas. É preciso que um deles seja conosco testemunha de sua ressurreição". Então indicaram dois nomes: José, chamado Barsabás, também conhecido como Justo, e Matias. Depois oraram: "Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois tens escolhido para assumir este ministério apostólico que Judas abandonou, indo para o lugar que lhe era devido". Então tiraram sortes, e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi acrescentado aos onze apóstolos. Atos 1:12-26

Algumas coisas na vida nos incomodam muito - aquilo que não podemos explicar e aquilo que parece tão lógico mas na verdade não é. Não que não exista alguma lógica no universo, ela existe; a Terra foi criada com lógica, há uma lógica para o resultado do pecado e para a redenção do ser humano, e por aí vai. O problema é que não sabemos exatamente onde e nem quando ela ocorre (quando ela ocorre), e então começamos desesperadamente tentar encontrar respostas para aquilo que não podemos entender e nem explicar.
Jesus voltou ao Pai, seus discípulos ficaram em Jerusalém esperando a promessa do Espírito Santo e num certo dia, não suportando mais a situação inexplicável de Judas, Pedro resolve dar um jeito na coisa, colocando outra pessoa em seu lugar.
Não acredito que Pedro tenha errado e também não creio que ele tenha acertado. Temos que levar em consideração a mística que o judeu tinha e tem com os números, afinal 12 era o número das tribos de Israel. Não o condeno por isso e nem creio que esse foi seu real motivo para escolher outro para o lugar do traidor.
Para mim o real motivo foi esse: Pedro e nem ninguém conseguia explicar por que Jesus, sendo Deus, havia escolhido um homem que o trairia e depois se mataria. Acaso Jesus não sabia de antemão que isto iria acontecer? Jesus teria errado?
Este era o problema de Pedro, não conseguir explicar o inexplicável.
E na ânsia de encontrar uma saída, sai a procura de apoio bíblico para uma solução do problema insolúvel.
Deus? Não estava preocupado com isso. Deus estava "preocupado" com a missão que estava prestes a começar. Para Ele esse cabalismo incipiente judaico era a menor das preocupações, porque Deus se preocupa com vidas.
Bom, falei tudo isso pra dizer que acontece a mesma coisa conosco.
Olhamos para os acontecimentos de nossa vida e tentamos encontrar um padrão do agir de Deus. O problema começa quando baseamos esse padrão no padrão que nós mesmos criamos e acreditamos seja o modo correto de Deus agir. O problema maior surge quando erramos na avaliação do que está acontecendo porque simplesmente temos uma visão muito limitada do que está acontecendo ao nosso redor.
Quando acontece uma coisa boa (aos nossos olhos), então foi Deus. Quando acontece uma coisa ruim (também ao nosso ver) então foi o diabo, ou no máximo falamos que é Deus nos provando. Isso é tentar explicar o inexplicável.
Porque na verdade nunca teremos uma dimensão exata daquilo que Deus está fazendo. Nunca saberemos porque Deus fez, se Deus fez e como Deus fez, e nunca saberemos as consequências disso tudo.
Mas quando temos "certeza" de que aquilo fora feito por Deus e no final sai diferente do que planejamos, ficamos como Pedro, desesperados para encontrar uma solução que tente explicar o inexplicável. Vamos pra Bíblia, fazemos mandingas, macumbas, buscamos a palavra do "profeta", porque afinal de contas foi Deus que fez ou falou. Isso nos causa frustração, cansaço espiritual e perda de tempo.
Por que Jesus escolheu Judas mesmo sabendo o que iria acontecer? Não sei, Ele pode ter tido um milhão de motivos que nunca saberemos.
O que precisamos entender definitivamente é: não é porque não deu certo aos nossos olhos, que não tenha dado certo pra Deus. Deus planejou então o final de Judas? Óbvio que não, mas na vida não temos sempre os finais felizes como os que ocorrem nos filmes e novelas. A vida é o que é. Deus nos dá oportunidades e escolhas, mas nós escolhemos quaiiremos aproveitar.
Nem sempre o nosso final feliz é o final feliz pra Deus e vice-versa.
O que nos cabe? Acreditar que Ele tem sempre tudo sob controle, mesmo que pareça que deu tudo errado. Acreditar que Ele sempre quer e quererá um bom fim para nossas vidas, mas quem definirá esse fim, no fim das contas, são nossas escolhas.
Que Deus nos ajude a escolher bem.