sábado, 4 de julho de 2015

PENSAR FORA DA CAIXA

Este é um assunto filosófico e eu não sou filósofo.
Mas é um assunto sobre o qual gosto de pensar e que me leva a longos e insolúveis devaneios. Então talvez isso seja um pouco de filosofia, mesmo que de forma bem amadora.
De uma forma bem genérica, pensar fora da caixa para mim é pensar diferente do que a maioria pensa. É tentar fugir das tradicionais linhas de pensamento e de opinião. É tentar achar e defender ideias que destoam do padrão.
Mas isso é utópico, já que é impossível conceber um pensamento que seja isento de qualquer interferência, seja social, genética, religiosa, ou qualquer outra. Qualquer ínfimo pensamento está carregado de influências externas; achamos infantilmente que o pensamento é nosso, mas não é, ele é resultado da construção do nosso ser.
Então o pensar fora da caixa torna-se um exercício ainda mais desafiador. Não na busca ingênua da isenção do pensamento, mas na aproximação, tanto quanto possível da isenção da maioria das ideias correntes.
Vou usar um exemplo teológico para mostrar de forma mais clara. Quanto à interferência de Deus no mundo, a maioria das pessoas têm duas formas básicas de pensamento. Ou Deus determina tudo na nossa vida, como por exemplo, a hora da nossa morte, ou Deus não determina nada e nossa vida está fadada ao acaso. Dificilmente você encontrará pessoas que estão no meio do caminho, que acreditam que Deus pode sim determinar algumas coisas, e outras não, e neste caso, para alguns Deus determinaria a hora da sua morte, e para outros o acaso vai agir.
Pessoalmente não conheço ninguém que pense desta forma além de mim. Penso assim não por rebeldia às tradições, mas simplesmente porque nenhuma das linhas tradicionais me satisfazem e não explicam muitas coisas da nossa vida.
Hoje no Brasil temos basicamente duas tendencias políticas nada definidas, mas ferrenhamente defendidas: a direita e a esquerda. Não gosto de forma irrestrita de nenhuma destas ideologias e quando falo que concordo com algumas coisas de um lado e outras de outro sou tido pelos meus amigos educados como estranho e pelos não educados como alienado e incoerente.
Foram somente dois exemplos que dei para mostrar como pensar fora da caixa incomoda as pessoas. Isso porque temos herança grega nas veias. Pensamos de forma binária e temos verdadeira agonia em imaginar que possa existir um terceiro, quarto ou quinto caminhos.
Até a nossa interpretação da Bíblia passa por essa jaula grega dos dois pensamentos. Ou vamos para o céu, ou para o inferno. Pouquíssimas pessoas neste mundo ousaram propor uma terceira ou quarta opções para a eternidade da humanidade, e quem assim o faz é tido como herege de último nível candidato à fogueira.
O problema é que quase sempre o preto ou o branco, o zero ou o um, não explicam os melindres da vida e as incoerências entre teoria e prática. Na maioria das vezes optamos por uma vertente, não por convicção, mas por comodismo ou até por modismo. Se está na moda ser do contra, então serei, mesmo que no fundo não me satisfaça.
E por esse assunto passa tudo que nos cerca: a música, a dança, a teologia, as convicções políticas e ideológicas, quase tudo é rearranjo do que já foi falado e em alguns casos do que nem funciona mais.
Por isso não tenho problema em tentar pensar fora da caixa e nem problema com quem tenta assim viver. Tenho dificuldade sim com aqueles que se negam a aceitar novas nuances, mesmo que a primeira vista pareçam loucura, porque pode bem ser que, lá na frente, essas loucuras sejam a nossa salvação.
Nosso mundo está carente de pessoas inovadoras de fato, como houveram no passado. Os atuais "gênios" da atualidade, fazem nada mais nada menos que "dar uma mão de tinta" naquilo que já existe. É uma pena.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

16 OU 18? UMA QUESTÃO MAIS FILOSÓFICA QUE LEGAL.

Se você achou que eu iria discutir aqui a redução da maioridade penal, você se equivocou.
Quero apenas deixar aqui uma pequena consideração.
A igreja cristã, em sua identificação mais embrionária, existe para acolher, ajudar, cuidar e dar esperança a todo aquele que deseja ser acolhido, ajudado e cuidado. O amor prático precisa ser aceito pela outra parte. Quando a igreja quer fazer mais (ou menos) que seu papel exige, sempre encontra problemas.
O papel do estado, em sua identificação ideal existe para dar condições a todo cidadão para que viva de forma digna, tendo pelo menos o básico para sobrevivência com boa qualidade de vida. Também existe para manter a ordem e punir aqueles que, exacerbando de sua liberdade, afetam a vida ou a liberdade alheia. Quando o estado quer fazer mais (ou menos) que seu papel exige, sempre traz problemas.
A laicidade do estado foi na verdade uma conquista das igrejas históricas no passado, e se o estado é laico a interferência da igreja no estado é um erro, e vice-versa.
Por isso, para defendermos ou não o assunto do título não podemos usar a Bíblia. Ela é uma ferramenta das igrejas cristãs usada para o papel que a igreja deve exercer no mundo.
E quanto ao título, eu acho a questão dos 16 ou 18 mais filosófica que legal ou penal. 16 ou 18 são apenas números que não dizem nada por si mesmos. O que deve ser levado em consideração nesta história é o tempo em que vivemos, porque a responsabilização está ligada ao discernimento. Se alguém é capaz de discernir, então precisa ser responsabilizado.