segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Natal...Quae Sera Tamen...

Não vou ser longo desta vez. Quero só demonstrar minha insatisfação e deixar meu protesto. Acabamos de passar por uma das épocas do ano mais aquecidas em termos de comércio. Natal. Acompanhei por alguns dias os noticiários da TV e qual foi minha surpresa, não assisti em lugar algum alguém falar sobre o que verdadeiramente significa o natal. A maioria das pessoas quando questionadas, dizem se tratar de uma data especial, na qual devemos nos lembrar do próximo, do amor e da amizade, época de confraternização e de ajuda mútua. A cada depoimento a minha decepção aumentava cada vez mais. Nem aqueles que têm dinheiro e o poder da mídia nas mãos, conseguem dizer com todas as letras o que realmente significa o natal. Parecem ter medo de chocar e de ofender aqueles que não concordam com a "antiquada" idéia cristã a respeito dessa data. Pois bem, então resolvi dizer o que significa verdadeiramente esta data tão confundida e tão equivocadamente comemorada. Sinto decepcionar alguns, mas natal não significa compaixão. Natal não significa ajuda mútua, companheirismo e lealdade. Tão pouco natal significa paz, alegria, amor e saúde, e muito menos prosperidade. Nada disso é natal e quando virem alguém dizendo essas baboseiras na televisão, por favor, se indignem juntamente comigo, porque natal está longe de ser qualquer coisa dessas. Enquanto o sentido do natal não for resgatado em cada coração, essas coisas, embora importantes, serão muito superficiais e só servirão para distanciarmo-nos do seu verdadeiro significado. Natal foi e é o ato mais sublime de Deus para o homem. O homem distanciado de Deus pelo pecado, separado irremediavelmente do seu Criador, jamais poderia (e jamais poderá) por sua própria conta retomar a comunhão perdida com Deus. Essa é a situação do homem sem Deus; essa é a situação do ser-humano que decidiu deliberadamente viver longe de Deus, acreditando que poderia por suas próprias forças e meios alcançar a paz e a salvação de sua alma. O homem sem Deus está condenado à morte eterna, e algo que não ouvimos mais hoje, mas eu ainda creio (e me desculpem os liberais), o homem sem Cristo em sua vida está condenado ao inferno, creia você nisso ou não. Foi por isso, foi para isso que Deus em sua infinita misericórdia tomou a iniciativa, e enviou seu único Filho, no primeiro natal, para que através da sua morte e ressurreição, 33 anos depois, eu e você pudéssemos ter vida eterna, para que eu e você pudéssemos de novo ter acesso a Deus, através do sangue de Jesus Cristo vertido na cruz do Calvário. Natal significa que um dia Deus se encarnou, veio a esse mundo para que nós tivéssemos vida e vida abundante. Natal significa que o Emanuel, o Deus conosco, veio a este mundo, se encarnou, se humilhou em um corpo mortal, para que eu e você vivêssemos. Depois de entender isso, a gente pode começar a falar em amor, fraternidade, amizade e paz. Mas só depois de entender isso, porque senão tudo isso vira obra de caridade, o mérito recai sobre nós e a obra de Cristo fica obscurecida. É Cristo que tem que brilhar no natal, afinal foi Ele quem se humilhou tornando-se homem, só para me salvar da perdição eterna. Esse natal já foi, mas no próximo, se você crê no verdadeiro sentido do natal, ajude-me a proclamar essa verdade. Aonde quer que você for, conte a todos porque nós comemoramos o natal e o que ele significa para nós cristãos. Proclame a Cristo. Faça brilhar mais uma vez a estrela de Belém anunciando que o salvador, Cristo o Senhor, nasceu!!!

A Viva Esperança do Crente

Estamos quase no final de mais um ano e eu não poderia deixar de falar neste tema. Esperança. Esta época do ano é propícia para isto. Não sei explicar, mas existe algo dentro de nós que, nesta época, parece saltar de ansiedade. Uma sensação muito boa de que algo “miraculoso” vai acontecer, e, aquelas coisas que tanto nos desagradaram neste ano, parecem que vão sumir assim que o ano novo nascer e o antigo for sepultado. Alguns estão esperançosos com relação à economia global, crendo que esta crise vai desaparecer e vamos outra vez respirar aliviados. Muitos ai fora, ainda têm esperança que neste ano novo, aquela “fezinha” vai dar certo e o prêmio da mega-sena finalmente vai sair. Esperança de um emprego melhor, um carro novo, a saúde da família. São multidões de pessoas esperançosas de que a vida vai melhorar.
Por outro lado, existem pessoas cujas esperanças vão muito além desse tipo de desejo. A esperança de alguns é somente para que neste novo ano eles tenham ao menos um prato de comida decente todos os dias, ou roupas limpas para vestir, ou uma cama macia e limpa para dormir. Alguns do outro lado do mundo têm esperança de que um dia eles possam professar a sua fé em Cristo, sem terem que se esconder de ninguém, sem precisarem arriscar suas vidas a cada dia para cultuarem ao Senhor. São motivos e anseios diversos, que variam de acordo com o país, a classe social e econômica.
Independente do tipo de esperança, a verdade é que todos devemos ter esperança. E uma outra verdade é que o homem não vive sem esperança. Alguém já disse que o homem pode viver sem alimento por alguns dias, mas sem esperança ele não conseguiria viver nem alguns minutos. Precisamos esperar que coisas novas e melhores vão acontecer; é isso que nos move a continuar lutando e vivendo.
Independente de nossa esperança para este ano novo, a Bíblia nos fala de uma viva esperança, uma esperança que não está morta, ou seja, uma esperança que não é somente um desejo que pode ou não ser cumprido, que independe da minha e da sua vontade, porque é uma esperança real com 100% de certeza de cumprimento.
Vamos ler o texto de I Pe 1:1-9: ”Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória, alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.”
Que texto maravilhoso. Pedro estava falando com peregrinos, crentes sem pátria, provavelmente os judeus da dispersão que agora estavam fora de sua terra natal. Ser peregrino e estrangeiro naquele tempo, não é o mesmo que ser estrangeiro nos dias de hoje. O peregrino não usufruía de todos os direitos que um cidadão tinha. Era obrigado a pagar mais impostos, não tinha direito ao voto e não podia se casar com um cidadão, além de outras obrigações e deveres.
Nessa situação de estrangeiros também sofriam com a pobreza. Não podiam ter acesso a todos os cargos e funções disponíveis. Geralmente tinham de se contentar com o trabalho no campo ou como artesãos nas pequenas cidades. Por isso na sua grande maioria eram pessoas pobres, chegando inclusive a passar privações.
Além de tudo isso sofriam perseguição por serem cristãos, eram caluniados e difamados injustamente, porque o seu proceder era diferente dos pagãos, suas vidas íntegras agora como cristãos, irritavam aqueles que estavam de fora.
Era esse o pano de fundo da carta de Pedro, era essa a situação em que viviam os crentes para os quais Pedro escreve a sua carta. Em um dia tinham uma vida comum, e no outro suas vidas foram totalmente transtornadas. Parafraseando, saiam cedo para trabalhar, levavam seus filhos na escola, faziam compras e iam ao parque. Tinham aspirações profissionais e pessoais. Mas de repente tudo mudou. Haviam conhecido uma outra “religião”. Esta nova verdade havia aquecido seus corações; era impossível não atender ao chamado do evangelho, porque ele queimava dentro do peito. Fora uma conversão genuína e eles agora só queriam seguir a Cristo, o Messias esperado e tanto falado através dos profetas. Mas eles percebem que seguir a Cristo não seria tão fácil assim e logo tiveram de deixar suas vidas comuns e viver como peregrinos. Fico pensando se uma coisa dessas acontecesse em nosso país, o que falariam os pregadores da prosperidade e da batalha espiritual. Como explicar perseguição e morte diante de um Deus que não pode permitir sofrimento na vida do crente? Como explicar perseguição e pobreza, se cremos em um Deus que é dono do ouro e da prata? Com certeza iríamos ouvir que a culpa é a nossa pouca fé, que não entregamos tudo e que não fomos fiéis nos propósitos. Mas esse discurso hipócrita logo ia acabar porque, ou eles assumiriam sua condição de cristãos e então seriam perseguidos, ou abandonariam a farsa de crentes, o que é mais provável que aconteceria. Quantos realmente iriam subsistir em meio a uma perseguição injusta?
Mas foi exatamente isso que nossos irmãos peregrinos provaram, e a explicação de Pedro, da Bíblia e de Deus foi simples: a nossa esperança não está aqui, mas está na eternidade. Nossa viva esperança é na verdade uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para os fiéis. Sabem por que aqueles crentes perseguidos podiam agüentar a provação? Por que sua esperança não estava neste mundo, mas na eternidade. Eles sabiam perfeitamente, melhor do que sabemos hoje, que essa vida é como uma neblina, que logo se esvai.
Em primeiro lugar, nossa esperança não vai nunca morrer, mas ela é eterna. Pedro nos diz que essa esperança é viva e que nos foi dada através do sangue de Cristo derramado na cruz e de sua ressurreição dentre os mortos.
A esperança de que existe vida eterna para o crente e de que um dia vamos morar com Jesus em corpos incorruptíveis e eternos, reside no fato de que Jesus venceu a morte e, por conseguinte, nós os seus filhos somos herdeiros da mesma glória. Paulo em I aos Coríntios explica detalhadamente a respeito da ressurreição dos mortos e mostra que se os mortos não ressuscitam, logo Cristo não ressuscitou, mas se Cristo ressuscitou e nós sabemos que isso aconteceu, logo os mortos irão da mesma forma ressuscitar.
Nossa esperança além de ser eterna, não é mera possibilidade como se fosse qualquer esperança humana em alguma pessoa ou coisa, mas é uma verdade que vai se cumprir. A Bíblia é a nossa prova de que iremos morar com Cristo, se um dia decidimos aceitá-lo como nosso Senhor e salvador.
Eu tenho esperança que o Obama através de alguma medida, amenize a crise dos Estados unidos para que assim, nós também possamos respirar mais aliviados. Da mesma forma eu tenho esperança que a situação do nosso país um dia melhore, que tenhamos melhores escolas, melhores hospitais, salários mais dignos e um lugar mais seguro para se viver. São esperanças que estão condicionadas a diversos fatores e circunstâncias, e a maioria deles com uma grande impossibilidade de ocorrerem.
Jesus nos dá uma esperança sem igual, que não está condicionada a nada e nem a ninguém deste mundo, mas unicamente à vontade de Deus, que não muda e não falha. A esperança que temos em Cristo quase não poderia ser chamada assim, porque nossa concepção de esperança é sobre algo que poderá acontecer, mas não temos como certificar isso com toda a convicção. Por isso Pedro chama essa esperança de uma viva esperança. Uma esperança que ao contrário de qualquer esperança, irá acontecer porque é a Palavra de Deus.
Em segundo lugar o texto de Pedro nos diz que muitas vezes importa que sejamos contristados por um pouco de tempo.
Aqueles crentes estavam sendo provados, como o ouro é provado e purificado pelo fogo. Mas ao contrário do ouro que, embora provado e purificado, um dia iria perecer, a sua fé jamais iria sofrer dano, portanto muito mais preciosa que qualquer riqueza. Com certeza aqueles irmãos estavam sofrendo grandes privações financeiras e econômicas. Por diversos momentos na carta, Pedro compara as riquezas terrenas, com a fé e a salvação mostrando que estas são muito mais preciosas que aquelas. Em 1:18 Pedro diz que não foi com coisas corruptíveis como ouro e prata que fomos resgatados da nossa vã maneira de viver, mas pelo precioso sangue de Cristo. Pedro procura mostrar que aquela privação temporária das riquezas desse mundo, que os insultos e perseguições que agora estavam sofrendo, seriam motivo de louvor, honra e glória na revelação de Jesus Cristo.
Ninguém gosta de sofrer, assim como ninguém gosta de passar por privações, sejam elas quais forem. Mas infelizmente vivemos em um mundo que nos sujeita a isso. Talvez não passemos privações financeiras, mas a doença pode acometer alguém de nossa família. Talvez não tenhamos problemas de saúde e nem financeiros, mas não temos paz em nosso lar e isso nos incomoda muito e nos faz sofrer.
A comunidade para a qual Pedro escreve não tinha terra. Viviam como estrangeiros sofrendo discriminação e perseguição. Além disso, foram privados de seus bens e por isso tinham problemas de ordem financeira. Não podiam ter o emprego que desejassem, tinham que se contentar com subempregos. Mas apesar de tudo isso permaneciam fiéis, exatamente porque a sua maior esperança não estava nesta vida mas em uma vida eterna ao lado de Cristo.
Pedro entendia que aquilo pelo qual eles estavam passando era a prova de sua fé. Ora, tudo o que é provado pode ser aprovado ou reprovado, dependendo do resultado final. Pedro entendia que se a fé daqueles crentes era realmente uma fé genuína, ela seria aprovada por aquela prova, e muito mais que isso, ela seria purificada como o ouro é purificado quando passa pelo fogo.
Às vezes eu sinto que nossa fé precisa ser provada para deixar de ser uma fé só de palavras e se torne uma fé viva, cheia de significado. Às vezes nossa vida é sacudida por algum evento desagradável exatamente como prova de nossa fé, para ver se ela resiste ou se desaparece. Se resistir é porque era verdadeira, senão é porque era superficial e falsa. Quantas pessoas conhecemos, que diante de provações e lutas, deixam a fé, se revoltam contra a igreja e contra Deus, e se tornam pessoas piores do que eram antes. Sua fé não era verdadeira. Estavam em nosso meio, mas não eram dos nossos.
Algumas vezes chegamos a uma letargia tão grande no nosso caminhar cristão que precisamos ser sacudidos para que a fé que declaramos um dia seja revivida e nosso viver em Cristo tenha de novo um significado. Fé não é algo estático, parado. Fé é algo dinâmico que precisa ser demonstrada, precisa ter resultados, precisa ter frutos. Quando esta fé se torna estática ela precisa ser renovada e talvez a única forma de se conseguir isso é colocando-a a prova.
Se nós cremos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, então diante de uma provação, deveríamos antes de qualquer coisa perscrutar nosso relacionamento com Deus, porque pode muito bem ser que a nossa fé esteja sendo provada.
Em terceiro lugar todo o sofrimento momentâneo pelo qual passamos redundará para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. Como isso vai acontecer? Eu não sei. O que sei é que nosso sofrimento, mesmo que este seja utilizado para provar a nossa fé, será motivo de louvor e honra naquele grande dia, quando Senhor se revelar e quando estivermos com Ele na glória.
Essa é a esperança do crente. Só aqueles que crêem que nossa vida não termina aqui, mas vai continuar por toda a eternidade pode se alegrar nessa esperança.
Se você disser para um incrédulo, para alguém que não acredita na eternidade, que ainda está longe e separado de Deus, que o sofrimento dele aqui resultará em glória e louvor após a morte, ele provavelmente vai rir de você e vai achar que isso é conversa de doido, que é uma desculpa e um consolo que temos para achar uma saída para os sofrimentos. Mas para aqueles que têm a certeza de que o que Deus prometeu em sua Palavra vai se cumprir, a certeza de que um dia nossas lutas e angústias vão ser relembradas e que isso vai ser motivo de louvor, para este, esta certeza deve trazer profunda alegria e paz na alma.
Onde está a nossa esperança? Onde temos colocado a nossa confiança? Onde temos investido nosso tempo, dinheiro, saúde, nossa vida? Em algo que hipoteticamente pode nos dar segurança? Em políticos, na segurança do dinheiro, na polícia? Nossa esperança está na nossa capacidade ou na nossa autoconfiança? Se estiver, estaremos fadados ao fracasso, porque nada disso pode em si mesmo pode nos dar uma viva esperança. Nem a política, nem o dinheiro, nem nós mesmos e nossa suposta suficiência podemos garantir qualquer coisa daqui a um segundo. Mas temos uma garantia que nunca falha e jamais falhará; a Palavra de Deus que permanece para todo o sempre.
O mundo não pode e jamais poderá compreender como podemos cantar em meio ao sofrimento. Uma coisa que sempre me chamou a atenção foi durante as cerimônias fúnebres que participei. Por mais que soframos, por mais que choremos, sabemos que a morte do crente é só uma passagem, é só um até breve, porque temos a certeza de que nos encontraremos outra vez além do rio. Por isso cantamos em nossos enterros, cantamos hinos de despedida, mas principalmente cantamos hinos que nos falam de nossa viva esperança, que nos fazem relembrar o céu e as suas maravilhas, porque essa é a nossa convicção, essa é a nossa certeza. Mas no velório do ímpio, daquele que não tem certeza da sua salvação e da vida eterna, só encontramos tristeza, desespero e sofrimento incontroláveis. Isso porque lhes falta esperança, isso porque eles não têm noção alguma de onde aquela alma que não está mais naquele corpo, se encontra. É a falta de esperança que faz isso. A falta de esperança traz desconforto, sofrimento inconsolável e desespero.
Por isso somos diferentes. Por isso podemos cantar mesmo em meio ao sofrimento. Porque temos o Espírito Santo de Deus que nos consola e nos conforta. É essa paz que inunda a nossa alma mesmo em meio ao mais trágico revés, que o mundo sem Cristo não conhece; é a paz que excede todo entendimento.
Não sei se vocês conhecem a história do hino “Sou Feliz com Jesus”, que na verdade a tradução literal em inglês é “Tudo bem com a minha alma”. Um casal perde em um naufrágio seus dois filhos. A mãe que estava com os filhos conseguiu sobreviver, mas os filhos morreram afogados. Dois anos depois do acidente, em memória dos filhos o pai compôs esse hino maravilhoso que conhecemos hoje, e disse que pouco antes da viagem que fizeram para a Europa na qual morreriam, eles haviam se convertido ao Senhor.
Novamente surge a pergunta: Que força é essa que faz um pai que perde seus dois filhos de forma tão trágica, compor uma música como esta dizendo que vai tudo bem com minha alma? A única resposta é: Ele tinha uma viva esperança que nada desse mundo e nem nenhuma circunstância poderiam tirar.
Daqui a três dias estaremos em um novo ano. Novas expectativas, novos sonhos, e um recomeço de novas lutas também. Não é errado fazermos planos, muito pelo contrário, precisamos fazê-los para que tenhamos uma vida controlada e sabiamente construída. Mas acima de tudo isso que nossa esperança maior, aquela que nos motiva a estarmos vivos, que nos impulsiona a seguirmos confiantes, seja a certeza que temos pela Palavra de Deus em uma eternidade juntamente com Ele.
Que nossa maior esperança não sejam os políticos, ou nosso dinheiro ou nossa capacidade. Que nossa maior esperança seja de um dia morarmos para sempre com Jesus nos céus.
Se essa for a sua maior esperança, nenhuma luta ou dificuldade dessa vida vai lhe abalar ao ponto de você questionar o valor da sua fé. Nenhum problema será grande o suficiente para lhe tirar a alegria da sua salvação. Nenhuma dor será capaz de suplantar a paz e a certeza de que um dia, quando Cristo voltar para buscar a sua igreja, subiremos juntamente com Ele para só então, usufruirmos de uma alegria completa e inigualável.
Que a paz de Cristo que excede todo entendimento possa estar conosco em mais um ano e que a esperança de que Cristo pode voltar a qualquer momento para buscar a sua igreja possa estar cada vez mais viva em nossos corações de modo que nossa oração diária seja: Maranata! Ora vem Senhor Jesus.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Características de uma Fé Pura

Jd 1:20-21 “Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. E apiedai-vos de alguns que estão na dúvida, e salvai-os, arrebatando-os do fogo; e de outros tende misericórdia com temor, abominando até a túnica manchada pela carne”.

Judas é uma epístola de apenas um capítulo. Provavelmente tenha sido escrita por Judas, o irmão de Jesus, porque no início este declara ser irmão de Tiago, que pela ausência de maiores apresentações deduz-se que era uma pessoa conhecida e importante.
Judas é uma carta de exortação à manutenção da fé. Muitos homens ímpios, como a própria carta diz, haviam se infiltrado dentro da comunidade e se aproveitado para executar suas obras más. Pela descrição de Judas, podemos inferir sobre algumas dessas más obras que esses homens cometiam.
1. Eles usavam a graça de Deus como pretexto para continuarem pecando, e isso o faziam deliberadamente e conscientemente. Usando a interpretação de que a graça era de graça, cometiam toda espécie de pecado, pois diziam: seremos perdoados mesmo, portanto podemos pecar à vontade. Em Romanos 6:1 nós lemos: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?”. Mas era esse tipo de atitude que permeava a vida daqueles homens.
2. Negavam a Cristo como o único soberano e Senhor. Interessante notar que o texto não diz que eles negavam a Cristo como salvador, mesmo porque usavam o pretexto da graça para pecar, mas o texto diz que eles O negavam como o único soberano e Senhor. Crer em Jesus como salvador é muito bom. Aceitar que Ele morreu na cruz do calvário para perdoar nossos pecados é maravilhoso. Muitos crêem assim e estão certos. Agora, dentre estes muitos que crêem assim, a grande maioria tem dificuldade de aceitá-lo como Senhor, único soberano. A Bíblia nos mostra que é somente através do sacrifício de Jesus na cruz que podemos ser salvos, e devemos crer nisso, mas também a Bíblia nos orienta que é necessário crer e aceitar esse mesmo Jesus, como Senhor soberano de nossas vidas. Isso não é fácil, porque mexe com nossa independência, com nossa suposta liberdade. Mas era exatamente isso o que aqueles homens negavam. Queriam Jesus como um doador de uma graça barata que aceitava todos os seus pecados deliberados, mas não o queriam como aquele que deveria ter a primazia de suas vidas. A maior dificuldade das pessoas em aceitarem Jesus como Senhor de suas vidas é deixar que Ele governe cada detalhe e cada circunstância da mesma. Quando faço isso deixo de ser dono do meu nariz, e não vivo eu, mas Cristo vive em mim. Para o homem carnal que não suporta perder a sua falsa liberdade essa idéia é abominável, mas para nós que somos salvos, é a idéia mais confortante que alguém poderia ter. A.W.Tozer quando fala sobre a fé que gera compromisso ele diz: “Vangloriamo-nos no Senhor, mas vigiamos atentamente para que nunca nos encontremos em uma situação de dependência dele.” Essa pseudo-fé não pode e nunca poderá crer em Jesus como Senhor soberano.
3. Além disso, aqueles homens difamavam autoridades superiores. Falavam de coisas espirituais que não entendiam. Usavam disso talvez para se promoverem ou para mostrar espiritualidade. Quantas pessoas hoje brincando com coisas espirituais, sobre as quais a Bíblia não nos fala nada a respeito. A única coisa que sabemos é que existe uma guerra espiritual muito grande, além de nossos sentidos. A única coisa que a Bíblia nos orienta é usarmos as armas que o Espírito nos deu para combater essas forças espirituais que nos tentam tirar do caminho. Todavia, muitas pessoas, movidas pela sua própria concupiscência, pelo desejo de serem pessoas mais espirituais que outras, usam de “supostas palavras de autoridade” para supostamente combaterem o que não conhecem, daquilo que nada sabem. Quanta gente hoje, usando mentiras que aprenderam no espiritismo, trazem esses conceitos para dentro de algumas igrejas como forma de combater o inimigo. E aí você ouve falar de pastores ungindo cidades inteiras de cima de um avião, ou ainda outros nomeando os demônios, sendo capazes de dar nome, sobrenome, RG e profissão para cada um deles. Judas nos diz que nem Miguel, o arcanjo Miguel, se atreveu a proferir juízo difamatório contra o diabo.
4. Aqueles homens eram árvores sem folha e sem frutos. As obras daqueles homens eram más e, portanto, não produziam frutos. A Bíblia nos diz que eram como árvores na época dos frutos, destes, porém, desprovidos. Não serviam para nada, não tinham utilidade, e como diz em Mt 3:10, árvore assim será cortada e lançada no fogo.
5. Eram aduladores de algumas pessoas por motivos interesseiros. Ainda bem que isso só acontece na França. Eu conheci uma igreja que passou por uma sucessão pastoral, e algumas pessoas sedentas por um cargo importante, já que a igreja era muito grande, até brigaram para ver quem bajulava mais o pastor. Mas tem também o contrário. Já viram aqueles irmãos na igreja que são praticamente venerados porque se ele for para outra igreja a falta do dízimo dele vai quebrar a igreja?Aí nas assembléias o voto daquela pessoa vale por 10.

Era contra esse tipo de atitude que Judas alertava a igreja do Senhor. É por causa disso que às vezes temos que ouvir de incrédulos: Eu vou ser crente para ser igual àquele fulano ou fulana? São pessoas que se infiltram em nosso meio, mas como a própria carta diz, não têm o Espírito.
E é a partir desses exemplos, que Judas então orienta a igreja como viver uma fé verdadeira. Uma fé que atrai as pessoas para dentro da igreja por causa da obra de Cristo. Não uma fé interesseira em milagres ou em bênçãos materiais, mas uma fé genuína que transforma o mais vil pecador. Era sobre essa fé que Judas pediu para que a igreja lutasse por ela. É a fé que convence o pecador de sua miséria, de sua falta de Deus, de sua incapacidade de se salvar. Jamais devemos falar para o não-crente que se ele vier para a igreja, seus problemas serão resolvidos, que ele vai ter fartura e saúde, que Deus o colocará por cabeça e não por cauda e aí a pessoa já pensa que daqui por diante ele não vai ser mais empregado, mas vai ser patrão, distorcendo todo o sentido do texto. Eu não acredito no evangelho que atrai as pessoas por coisas, mas eu creio no evangelho que atrai as pessoas pelo que Cristo fez na cruz do Calvário. É esse evangelho que pregamos. O evangelho da cruz.
A primeira coisa que Judas pede para a igreja é para que ela se edificasse sobre a santíssima fé. Que fé é essa da qual Judas está falando? Judas não está aqui falando de uma fé subjetiva, ou seja, aquela fé que nos impulsiona a seguirmos nossa vida, crendo que Deus fará o melhor para nós. A fé aqui é objetiva, ou seja, são as crenças ou mandamentos cristãos, a fundação do corpo de Cristo. É a fé que nos move a crer na pessoa e obra de Cristo, é a fé fundamental que o Espírito Santo concede a todo aquele que um dia abriu o seu coração a Jesus. Resumindo, é a fé na graça de Deus.
De acordo com Judas, essa fé deve ser o fundamento, a base do nosso cristianismo. Sem essa fé nossas atitudes boas viram obras de caridade pura e simplesmente. É essa base que nos impulsiona a vivermos como cristãos. É sobre essa base que evitamos o pecado e buscamos viver uma vida diligente e sadia. A fé que Judas nos orienta a buscar é uma fé que tira toda a glória que poderíamos ter quando fazemos o bem, porque essa fé está baseada na graça de Cristo, e, portanto, a glória é dele. É por isso que aquele que acha que suas obras o salvarão, perde toda a argumentação diante dessa fé.
A segunda coisa que Judas orienta é para que os cristãos orem no Espírito Santo. Tem uma música que diz que Deus não rejeita oração. Isto não é verdade. Os fariseus oravam alto no templo para que todos pudessem ver como eles eram espirituais. Os gentios de igual forma oravam através de vãs repetições. Mas conta-se a parábola, que um publicano batia no peito e dizia: Ó Deus, sê propício a mim, pois sou pecador. Deus rejeitou a oração do fariseu e dos gentios, mas aceitou a oração do publicano, que entendeu que nada merecia, sabia que era pecador e viu que o único que poderia lhe ajudar era Deus e não as suas obras. Por isso Judas orienta a orar no Espírito Santo. Orar no Espírito Santo é falar com Deus entendendo quem somos e quem Ele é. Orar no Espírito é orar sabendo que nossas palavras muitas vezes não conseguem refletir aquilo que realmente precisamos. Orar no Espírito é orar sabendo que Ele intercede por nós com gemidos inexprimíveis, levando nossas necessidades a Deus. Tive momentos em minha vida em que a única palavra que saia de minha boca era Jesus. Foram angústias tão intensas que nem mesmo eu sabia o que dizer, faltavam-me palavras coerentes, então nesse momento a única coisa que eu poderia dizer era Jesus, e com certeza, tudo aquilo que estava em meu coração estava chegando até Deus, através da intercessão do Santo Espírito. Orar no espírito é ter essa convicção.
Mas orar no Espírito, também é orar de acordo com a vontade de Deus, sabendo que esperar por Sua vontade sempre será a melhor escolha. Há algumas semanas eu passei por um momento de decepção. Sabe quando parece que as coisas estão caminhando perfeitamente e aparentemente Deus está agindo de uma forma espantosa? Parece que tudo está dando certo e você vê um futuro promissor logo à frente. Mas de uma hora para outra, tudo desaba. Cada uma das coisas que pareciam estar caminhando para o bem vai desaparecendo e você se vê em uma rua sem saída. Nesse momento somos convidados a mostrar para as pessoas que a fé permanece inabalável. Que ela sendo fé verdadeira, não depende de circunstâncias, mas somente de Deus. E nesse exato momento Deus nos convida a orarmos a Ele, agradecendo por cada situação, pedindo mais uma vez para que a Sua vontade seja feita. Não é fácil esse tipo de oração, mas é a oração que Deus se agrada, porque é a oração que nos coloca como filhos dependentes de um Pai de amor e misericórdia. Orando assim dizemos a Deus o quanto dependemos dele e que sem Ele nada somos. Traçamos projetos, fazemos planos, mas a resposta final tem que ser de Deus. Foi para esse tipo de oração que Judas convida o povo. É por isso que às vezes somos tão arredios com a oração do Pai nosso. Não é porque essa oração tem sido usada como um tipo de repetição, mas é porque no fundo, sabemos da responsabilidade em fazê-la. Sabemos o quanto a oração do Pai nosso nos exige. Exige a nossa renúncia, nosso despojamento e nossa total e irrestrita dependência de Deus. Experimente fazer a oração do Pai nosso, meditando sobre cada versículo e analisando o peso de cada Palavra ali inserida. Você verá que não é fácil fazê-la e mais difícil ainda é vivê-la. Mas Judas, através da inspiração do Espírito Santo, nos convida a esse tipo de oração, sustentáculo da fé genuinamente cristã.
O terceiro conselho de Judas é para que nos guardemos no amor de Deus. E como fazer isso? Esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. Se é uma coisa que o Novo Testamento nos pede para aguardar com esperança é a volta do nosso Senhor Jesus, quando virá para buscar a sua igreja. Esta esperança não deve sair do nosso coração, deve estar sempre em nossa mente e nos nossos lábios. As lutas e problemas que passamos aqui nesta Terra, não deveriam suplantar a alegria da esperança de um dia encontrarmos com Jesus, para estarmos para sempre com Ele. Todavia, como eu já disse aqui outra vez, parece que nos esquecemos disso. Não falamos mais sobre isso, não cantamos mais sobre o céu, esse assunto está muito longe de nós. Ouvimos na mídia um evangelho que promete o céu aqui na Terra e aos poucos fomos nos esquecendo dessa promessa, de que nosso descanso não é aqui. Aos poucos deixamos que o evangelho que prega vida plena e abundante aqui, fosse nos enlaçando, nos convencendo, e mesmo que inconscientemente, não pensamos mais no céu como faziam nossos antepassados. Se quisermos uma prova disso, basta ouvirmos seus sermões e suas músicas e veremos o quanto este assunto lhes era familiar e comum. Judas nos convida a guardarmos o amor de Deus, pensando naquilo que Ele tem preparado para nós. Deus nos amou te tal forma que além de enviar seu Filho para nos salvar, ainda tem um céu esperando por nós, para que possamos desfrutar de Sua presença eternamente.
Até aqui, na descrição de Judas, parece que essa fé é exercida de modo pessoal e ensimesmada. Parece uma fé quase egoísta, vivida de modo vertical e tão somente. Mas suas palavras não param por aqui. No verso 22 vemos que essa fé tem um alcance vertical sim, que demonstra nosso relacionamento com Deus, mas também deve ser exercida de modo horizontal, ou seja, com meu semelhante.
A igreja para a qual Judas escreve corria sério risco de ordem teológica e moral. Homens ímpios estavam lá dentro querendo causar divisões, promover contendas e disseminar ensinos de homens. Parece que a carta é endereçada para alguns líderes daquela comunidade, pessoas com maior estrutura para suportar as pressões. Mas havia em seu meio pessoas mais fracas na fé, que precisavam de cuidado e orientação, que não eram capazes de discernir entre a sã doutrina e vãs doutrinas. A essas pessoas, Judas orienta os irmãos para que tivessem compaixão delas, porque estavam com algumas dúvidas, provavelmente causadas por aqueles homens iníquos. A fé pura nos convida a nos preocuparmos com nosso irmão mais fraco, dedicando a ele um cuidado especial. É interessante notar aqui a heterogeneidade da igreja. Há pessoas com diferentes estruturas emocionais e psicológicas. Por isso temos de tomar o cuidado quando tratamos com nossos irmãos. Às vezes, uma palavra que eu digo para aquele que é meu amigo e que temos certa intimidade, não posso dizê-la a outro, que poderá se sentir magoado.
A fé pura em Judas é também uma fé prática, onde eu posso mostrar meu amor e minha compaixão, uma fé onde eu posso mostrar em meus atos a luz de Cristo.
Essas pessoas estavam talvez já tão envolvidas com práticas pecaminosas, que Judas pede para que os irmãos as salvassem do fogo, como alguém que já estava prestes a perecer, mas que o fizessem com temor, detestando até a roupa manchada pela carne, ou seja, tendo cuidado para que também não fossem envolvidos naquelas mesmas práticas. Irmãos, temos que ir atrás dos pecadores, temos que lhes anunciar a Jesus, mas temos que fazer isso com temor e cuidado para não sermos envolvidos e enredados pelos seus pecados.
A fé de Judas não é uma fé introvertida, não é somente vertical, mas é fé na verdade. Veja que esses atos de bondade que deveriam ser exercidos, não eram atrativos para que pessoas viessem a conhecer a Cristo, mas eram conseqüências de uma vida que vive para Cristo. Não é possível uma pessoa que conheceu a Jesus e entregou a sua vida para Ele que não se compadeça daquele que perece no mundo, daquele que ainda está em dúvidas, daquele que precisa de Jesus.
Quando Paulo fala em Romanos que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei, ele está combatendo aquelas obras infrutíferas que eram praticas pelos judeus somente para se vangloriarem. Paulo, diferente do que muitos pensam, era totalmente cônscio da necessidade de um cristão dar frutos, e os frutos só podem vir através de obras, como conseqüência da salvação.
Finalizando. A fé em Judas é uma fé que resume a caminhada do cristão nesta Terra. É uma fé que crê no unigênito Filho de Deus, não somente como salvador de nossas almas, mas também como Senhor de nossas vidas, único e soberano. É uma fé que nos impulsiona a oramos de acordo com a vontade de Deus, sabendo que Ele tem o melhor para nossas vidas. É uma fé que nos move a nos preocuparmos com nosso irmão, que nos faz entender suas limitações, suas fraquezas e suas necessidades, e através da capacidade que Cristo nos tem dado, promovermos o amor a essas pessoas, cuidando delas, instruindo-as e sendo instrumentos nas mãos de Deus para a salvação delas.
E feito tudo isso, essa fé nos renova a esperança de um dia encontramos com Jesus nos ares para estarmos para sempre com Ele. É uma fé que lembra que somos amados de Deus e que vamos morar com Ele eternamente. Que essa fé nos livre do pecado. Que essa fé nos fortaleça e nos faça melhores cristãos a cada dia, sendo luz e sal para aqueles que nos observam, esperando a glorificação do nosso corpo na ressurreição do último dia. Que a paz de Cristo esteja com todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fé, Muito Além...

Eu precisava escrever, colocar para fora aquilo que estou sentindo, mas se fosse escrever realmente aquilo que estou sentindo, minha fé pareceria vacilante e tudo aquilo que tenho tentado viver pareceria fachada e teatro. Então resolvi escrever para mostrar e provar que a fé está e deve estar além das circunstâncias, além do visível, do físico, muito além daquilo que podemos provar com nossos sentidos.
Durante muito tempo eu ouvi sobre um tipo de fé e nem mesmo fazia idéia de que havia outros tipos de fé, mas hoje eu sei que há, infelizmente.
A fé que eu conheci era uma fé tipo “você pode tudo”, uma fé que engrandecia o homem super-poderoso, aquele que conseguia uma intimidade tão grande com o Altíssimo que tinha acesso direto ao "Santo dos Santos". Mas muito mais que acesso direto. Essa intimidade era tão grande que bastaria uma simples palavra de ordem e os céus se moveriam imediatamente em favor do homem super-poderoso. Era uma fé que saltava aos olhos do mais bobinho, do mais ingênuo. Afinal de contas, quem não gostaria de ter uma fé dessas? E olha que eu ouvi muitos relatos desse tipo de fé, mas talvez pela escassez de super-poderosos eu nunca vi nada muito consistente que provasse esse tipo de fé, apenas relatos. Durante muito tempo me questionei e me perturbei porque esse tipo de fé estava longe de minha vida, longe de minhas pecadoras possibilidades. Claro que a resposta era, que eu não havia alcançado as exigências necessárias para se ter esse poder quase ilimitado e eu me contentava com isso, porque afinal não podia fazer muita coisa a respeito. Mas no fundo a angústia me corroia, porque olhando eu para mim mesmo, não via jamais tal possibilidade. Era um pecador mesmo, e diante disso sentia que jamais poderia experimentar esse tipo de fé que aprendi ser a única agradável e válida.
Até que um dia uma luz raiou. Em um glorioso dia apresentaram-me uma outra fé, que ao primeiro contato me pareceu estranha, algo muito incoerente baseado no que eu acreditava, quase um antagonismo. Essa fé era diferente porque não exigia nenhum sacrifício sobre-humano da minha parte, muito pelo contrário, essa fé exigia somente que eu me aceitasse como humano, fraco, pecador, mas salvo pela graça. Era isso, uma fé baseada na graça. Uma fé que a única exigência feita ao homem é que ele se convença e aceite que é um pecador e que não merece nada. Uma fé cujo ator principal não sou eu e minha suposta super-humanidade, mas cujo Autor é Jesus, o único Poderoso nessa história.
Mas as descobertas não pararam por aí. Disseram-me que essa fé era a única fé verdadeira, porque é uma fé que coloca todos e todas as coisas em seu devido lugar. O homem como homem, não merecedor, e Deus como Deus, soberano e eterno. Essa fé, a verdadeira, me trouxe paz, porque entendi, mesmo que de uma forma mesquinha e superficial o tamanho de Deus, e ao mesmo tempo a minha insignificância diante de Sua grandeza. Essa fé me tranqüilizou porque me fez entender a oração do Pai-nosso quando diz: Seja feita a tua vontade!
Acreditar nesta fé não é tão difícil, mas vivê-la é por demasiado penoso às vezes. Isto porque somos humanos e como tal, sempre queremos provar, sentir, enxergar. É a necessidade pelo empirismo que se aflora em nós se contrapondo com a fé verdadeira que nos pede para confiarmos em Deus, porque seja lá qual for o resultado, Ele estará conosco.
Deixe-me colocar isto em moldes mais práticos. Você procura um emprego e pede a Deus para que o oriente. A fé do super-homem diz que se eu declarar com fé, pedir sem duvidar, aquele emprego pelo qual estou buscando vai ser meu. A fé verdadeira me diz que devo deixar nas mãos de Deus, sabendo que Ele tem sempre o melhor para minha vida, mesmo que não seja aquele emprego que eu queria. Outro exemplo. Se conheço alguém que está doente e eu gostaria que fosse curado, a fé verdadeira me diz que posso orar para que Deus o cure, mas devo estar ciente que essa pode não ser a vontade d’Ele e neste caso a resposta para minha oração seria: Não!
A fé do super-homem é mais fácil, mas não é fé de verdade, porque faz de Deus uma marionete nas mãos de homens limitados que não podem acrescentar um côvado à sua altura. A fé verdadeira me faz descansar nas mãos de um Deus poderoso sabendo que a sua vontade é boa, perfeita e agradável.É isso, minha fé está sendo provada nestes dias e preciso pô-la em prática, porque só assim ela pode se tornar fé de verdade e sair do pensamento e da teoria. Que Deus me ajude a vivê-la. Que Deus lhe ajude a encontrá-la. Talvez seja mais difícil porque requer espera muitas vezes, mas com certeza trás conforto e paz ao coração.
Valinhos, 3 de novembro de 2008.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Igreja – Uma Grande Família

Gn 6: 17-19

Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará. Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo. E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão.

At 4:32

E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.

I Jo 3:18

Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. E nisto conhecemos que somos da verdade, e diante dele asseguraremos nossos corações;

Talvez vocês estejam pensando: O que esses três textos têm a ver um com o outro? Tentarei explicar.

Na verdade os textos têm a ver com a idéia da família de Deus, têm a ver com os propósitos que Deus planejou para a sua igreja nesta Terra, têm a ver com nosso papel de cristãos, com aquilo que pregamos e com aquilo que efetivamente fazemos.

Costumamos ver o dilúvio como um julgamento de Deus sobre uma raça humana pecadora, maldosa e perversa. E por um lado é isso mesmo. Todavia gostaria de analisar mais a arca e menos o dilúvio. Se nosso foco recair sobre a arca, ao invés de vermos um Deus cruel, que extermina todo aquele que o contraria, veremos antes a misericórdia de Deus. Na perspectiva da arca, vemos o quanto Deus ama o ser-humano, e o quanto de chances Ele nos proporciona. O homem merecia aquilo mesmo, o dilúvio, porque o salário do pecado é a morte, mas Deus dá mais uma chance, e ao longo da história bíblica perdemos a conta de quantas chances Deus proporciona ao homem caído e pecador. Deus também é um Deus de chances. Portanto o dilúvio é muito mais que um julgamento implacável, é a misericórdia de Deus derramada de uma forma toda especial a uma família justa e fiel. Noé tinha todas as influência do mundo para ser igual aos outros, mas não foi, ele foi um homem irrepreensível no meio de uma geração corrupta. Mas isso fica para outra hora.

O que gostaria na verdade de destacar é a amplitude e a abrangência da arca. Lá coube todo mundo que deveria caber. Noé e toda a sua família. De todos os animais terrestres e de toda a ave entraram pelo menos um casal de cada. Todo mundo juntinho, apertadinho. Sem especular se os animais eram filhotes ou não, eles eram diferentes, cada um de uma espécie, cada um de um jeito. O cheiro não deveria ser muito agradável, mas mesmo assim eles conviveram longos dias juntos. Não deve ter sido fácil, mas foi plenamente possível. E só foi possível porque a arca foi o plano de Deus para salvar a humanidade e nesse caso se torna uma tipologia de Cristo. Mas também não vou falar sobre salvação hoje, mas o que a arca nos ensina sobre uma das funções da igreja como a família de Cristo.

Na arca coube de tudo. Uns coloridos e outros sem cores. Uns que cantavam alto e outros que talvez nem sons emitiam. Uns que comiam feito leão e outros que ciscavam vez ou outra no chão. Se é uma coisa que deve ter havido na arca foi tolerância e paciência, porque do contrário a convivência se tornaria insuportável. Lá fora o mundo despencava em água. Era água por cima, água por baixo, água batendo na lateral da arca, e isso devia fazer muito barulho. Embora talvez tenham sentido medo, no fundo uma sensação de proteção alentava seus corações, como alguém dizendo: não precisam ter medo porque estão a salvo da tempestade.

Arca, compaixão, amor, paciência,tolerância, igreja. A gente pode aprender muito com Noé e seus bichos. E é a partir daqui que quero tecer algumas reflexões sobre o papel mais importante da igreja neste mundo, o papel de amar.

Toda empresa que é dirigida por objetivos e tem ambições de crescer deveria ter uma visão. A visão de uma empresa é que pautará toda a estratégia dessa empresa para chegar onde deseja, até onde sua visão alcançar. A visão da Coca-Cola, por exemplo, é: matar a sede do mundo. Talvez não seja a forma mais saudável de matar a sede, mas é essa visão que norteará toda a ação da empresa e inclusive seus objetivos.

A igreja da mesma forma também deve ter uma visão, algo que a norteie, a guie. Seja qual for a visão escolhida pela igreja, ela deverá estar baseada no amor. É o amor que deveria orientar cada cristão em suas ações, cada um que um dia resolveu seguir a Cristo.

A partir do amor podemos retirar todas as outras ações que visam o bom relacionamento entre os irmãos, a família de Deus. A partir do amor podemos falar em comunhão, sorriso, afeto, abraço, alegria, cuidado, amparo, compreensão, acolhimento. É como Paulo fala aos coríntios, sem amor nenhuma dessas ações são possíveis, o amor é a base de tudo. Por isso o amor é nossa marca, é nossa identidade, e como identidade, é por causa do amor, que o mundo reconhece que somos filhos de Deus.

Brennan Manning em seu livro “O Evangelho Maltrapilho” às vezes me choca, mas não posso deixar de concordar com ele quando ele diz que muitas vezes, ao invés de proporcionarmos um ambiente de acolhimento para as pessoas, proporcionamos um ambiente que inibe as pessoas, esquecendo-nos que enquanto estivermos nesta Terra, estaremos sempre sujeitos ao pecado, porque como o próprio apóstolo Paulo nos adverte, aquele que está em pé, olhe para que não caia. Criamos um ambiente onde aparentemente todos são puros, quase intocáveis, e quando alguém tropeça, praticamente o expulsamos da arca, à mercê do dilúvio, e como diria alguém: eu perdôo mas não esqueço.

1. A família de Deus, cuja visão está baseada no amor, deve promover o acolhimento e deve dar o ombro para aquele que tropeçou, mas que quer se levantar. Lucas 17 deixa isso muito claro. Se alguém pecar contra mim e arrepender-se, é minha obrigação perdoá-lo. Quantas vezes perguntaram os apóstolos? Todas as vezes que forem necessárias respondeu Jesus, ao que os apóstolos concluíram: então acrescenta-nos a fé. O que isso quero dizer? Que é fácil exercer esse tipo de perdão? De maneira nenhuma. Mas é possível. Claro que é, porque Jesus o disse.

Mas o acolhimento não é só manifestado entre os irmãos, mas também àquele que está ingressando na arca e que está em processo de entender que lá fora a tempestade vai derrubá-lo, mas dentro da arca há salvação. Muitas vezes esquecemos que a santificação é um processo do qual todos, indistintamente fazem parte, e queremos exigir do novo convertido que ele seja tão maduro quanto nós que temos décadas de janela. Ele precisa de nosso apoio, de nossa oração e de nosso acolhimento. Ele precisa ter suas feridas curadas quando cair, e não ser soterrado com pedras de farisaísmo. Ele precisa de amor, nossa marca, nossa identidade.

2. A família de Deus deve procurar o convívio e a comunhão. Foi assim que os bichos conseguiram sobreviver longos dias dentro de uma arca, fechados. Era assim que a igreja de Atos vivia nos promórdios da nossa história. Seus corações eram somente um, seus desejos eram comuns, suas alegrias, tristezas, lutas e vitórias eram comuns. Tudo era compartilhado. As pessoas de fora viam que existia algo muito diferente naquele povo. Jerusalém vivia tempos difíceis, onde havia muitos necessitados entre o povo, muita gente que sofria pelo descaso do governo romano (parece que eu conheço isso de algum lugar). Um exemplo claro disso é o evento do tanque de Betesda. Uma multidão de doentes a espera de um suposto anjo que vinha e agitava as águas. Por um lado os judeus os discriminavam porque pensavam serem objetos de maldição divina, por outro lado os romanos os deixavam à mercê da sorte. Mas na igreja do Senhor, incrivelmente, não havia necessitado algum, ninguém passando fome, ninguém mendigando. E o Senhor acrescentava cada dia, aqueles que iam se salvando. Essa é a marca de uma igreja cuja visão baseia-se no amor, que vive como uma verdadeira família.

O mundo tem se tornado frio. Estamos cada vez mais nos fechando dentro de nossos condomínios. Vivemos como em cadeias, com muito mais conforto é claro, mas presos de qualquer forma. Pra piorar vivemos em uma região fria por natureza, e não fria no sentido climático mas no sentido social, de relacionamentos. Eu sou de Campinas e sei do que estou falando.

E cada vez mais o homem tem criado métodos de afastar as pessoas umas das outras. Hoje não precisa mais sair de casa para fazer compras. É só acessar o site do mercado, escolher os produtos, digitar o número do seu cartão de crédito e a compra chegará am algumas horas na sua casa. Isso acontece também com lojas de roupa, carro, e muito mais. Nem no pedágio as pessoas querem mais parar. Com o sem-parar, o operador do pedágio fica sem nosso bom dia e sem o folheto falando sobre o plano da salvação. De igual forma a moça do banco, porque dá pra fazer quase tudo de casa pelo computador. E assim vamos nos afastando do convívio, da gentileza, da oportunidade de mostrar ao mundo que somos diferentes, porque somos filhos de Deus. Assim vamos nos tornando frios, como estava lá no dilúvio, fora da arca, no meio daquele aguaceiro todo, porque dentro da arca havia calor, havia comunhão, os bichos conversando entre si e Noé com sua família faziam o mesmo.

A família de Cristo precisa preservar a comunhão. E não estou falando só de, de vez em quando participar de um jantar na igreja para manter as aparências, não estou falando só daquele momento de cumprimentos que fazemos antes de começar o culto. Estas coisas são importantes mas não basta. Estou falando de comunhão como uma famíla. Estou falando daquele irmão que liga durante a semana para saber se aquele problema pelo qual oramos no domingo à noite foi resolvido. Estou falando da comunhão de Atos, onde o seu problema também é meu problema, onde a sua alegria, também é minha, onde o seu choro deve me levar a chorar.

Vivemos em uma ansiedade tão grande, que perdemos o gosto por nos reunirmos como família. Antigamente (minha avó que contava), como não tinha televisão, as pessoas sentavam-se na calçada para conversarem, contarem o que havia se passado naquele dia. Como não tinha internet, as famílias passavam mais tempo juntas. Havia tempo para o diálogo, para o discipulado dos filhos. Hoje não dá mais. Chegamos extremamente cansados depois de 10 ou 12 horas de trabalho fatigante. Precisamos ler o jornal e assistir o noticiário porque afinal de contas o homem moderno precisa estar muito bem atualizado. Precisamos ver nossa caixa de e-mails que transborda a cada dia. Daí o tempo que era da família foi tomado com qualquer outra coisa “mais urgente”. E se não achamos tempo nem para a família, como vamos encontrar tempo para a família de Deus? É cada um por si e Deus por todos.

3. A grande família de Deus deve entender as diferenças de cada um e deve saber respeitar essas diferenças em amor.

Somos muitos, um de cada cor, com ascendentes em muitas regiões do país, com gostos, sentimentos e culturas diferentes. Cada um de nós veio de um contexto totalmente diferente, com hábitos e características diferentes. Deus nos fez assim, ele quis que fôssemos assim, e nós precisamos em primeiro lugar aceitar, e depois aprender a conviver com isso.

É por isso que a igreja é um corpo, cada qual com a sua função, cada qual com seu dom, cada qual um projeto particular de um Deus soberano e amoroso.

Quando entendemos que cada um de nós tem uma importância especial dentro do corpo de Cristo, começamos a aceitar melhor as diferenças de cada um, porque, como haveríamos de desempenhar tarefas tão distintas se fôssemos iguais?

Tem aquele que canta alto e aquele que não canta. Tem aquele que levanta a mão efusivamente e aquele que mal abre a boca. Tem aquele que é chorão e aquele um pouco mais seco, assim como eu. No meio dessa multidão chamada família de Deus encontramos aqueles que são extremamente bem humorados e aqueles que são mais tímidos, tem gente muito estranha e gente totalmente certinha para os padrões da sociedade. Há gente de todo tipo, pra todo gosto. É assim que é porque foi assim que Deus fez. O problema não está nas pessoas e suas diferenças diante de Deus, mas o problema está em nós, em como encaramos essas diferenças, tentando adaptá-las aos nossos padrões restritos, como se o nosso fosse melhor que o do outro.

Para promovermos o acolhimento, o convívio e a comunhão, para entendermos as diferenças uns dos outros, precisamos do amor. É ele que nos fará aceitar o outro com suas peculiaridades. Francisco de Assis já dizia: pregue o evangelho, se preciso use palavras, e eu reitero, viva o amor, se for preciso use palavras, e você verá que quase sempre não será necessário. “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”. Amar por obra e em verdade é amar com ações, é demonstrar amor. E mais uma vez o apóstolo João nos coloca na parede dizendo: como podemos amar a Deus que não vemos e odiar nosso irmão a quem vemos?

Faço minhas as palavras do pastor Natanael da IBCS, “O nosso negócio, como igreja, é amar, a gente tem que ser bom nisso”.

Temos vários exemplos na Bíblia que nos ensinam como demonstrar o amor. Amar como o Pai recebe um filho que exige toda a sua herança antecipada, um filho que mesmo que indiretamente, desejou a morte do Pai, e que mesmo assim é recebido não como escravo, mas como filho legítimo, com festa, anel e roupas limpas e novas.

Amar como o bom samaritano amou, mesmo sabendo que quem estava ali caído era um judeu; mesmo sabendo que aquele povo os odiava e os rejeitava, mesmo assim cuidou daquele homamcom as próprias mãos, cuidou de suas feridas e levou-o a um lugar seguro, usando seus próprios recursos financeiros.

E por que amar desse tanto?

Porque essa é a nossa identidade, base para a nossa visão. É por isso que seremos reconhecidos e o mundo verá a luz de Cristo em nossas vidas.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Vontade de Deus

Êta assunto difícil. Tem sido tema de incontáveis discussões durante séculos. Razão de separação de grandes e influentes igrejas históricas. Motivo pelo qual não me preocupo com isso, porque se não chegaram a uma conclusão satisfatória até hoje, não serei eu que vou fazê-lo.
Mas o problema aqui não se trata desse âmbito global, dessa magnitude toda. Aqui só quero refletir meus dilemas, minhas insignificantes preocupações, que para mim se agigantam sobremaneira.
A linha entre o comodismo e a total dependência do Senhor são extremamente tênues, e geralmente não consigo distinguir quando estou de um lado ou estou de outro. Uma parte minha me diz que não devo me acomodar, que devo procurar algo melhor para minha vida, um emprego que me dignifique, que me trate com o respeito que eu gostaria de receber, e esse lado me diz que devo ir à luta. Então, para obedecer este lado, envio meu curriculum aos quatro cantos, sempre orando para que Deus faça a sua vontade, crendo que Ele fará o melhor.
A minha outra parte, talvez mais conservadora, ou medrosa não sei, me diz que devo esperar no salmo 40, com paciência, crendo que o Senhor vai prover as minhas necessidades. Essa parte me diz que as coisas do mundo são passageiras, e que eu deveria antes gastar minhas energias e meus dons na obra do Senhor, e as minhas necessidades básicas seriam acrescentadas.
Aí é que vem o dilema. Qual das partes obedecer? Se me acomodo, sou preguiçoso e muitos podem pensar que eu esteja querendo viver da “fé” dos irmãos. Se resolvo viver a vida como a maioria, sou materialista e não tenho a visão adequada do reino. Maldito capitalismo que me coloca na parede, e é por causa dele que hoje temos nossa vida dividida ao meio. Parte dela é religiosa e funciona geralmente, somente aos domingos. A outra metade é secular e funciona a semana toda. Na primeira metade eu devo fazer a obra do Senhor, mas não faço como deveria. Se formos pensar no dízimo, eu deveria dar pelo menos 10% do meu tempo para Deus. Se eu ficasse o domingo todo trabalhando em favor do reino, teria mais de 14%, mas não fico. Se dispomos 4 horas por domingo é muito, o que dá um pouco mais de 2% da semana toda. A outra metade, a secular, me diz que eu devo ganhar dinheiro para deixar para a minha descendência. Também me diz que devo ser bem sucedido porque assim o nome de Deus será glorificado nos meus bens, e nesse caso aquele que é pobre não glorifica o nome de Deus, porque não tens bens para glorificá-lo.
Sem aparente solução, tento fazer um mix das minhas metades. Não tenho culpa do capitalismo, pelo menos não na essência. Também não tenho culpa se nasci nessa época e nesse contexto. Agora terei culpa se não tentar viver, a despeito da situação externa, dentro dos padrões bíblicos. Por isso decici ir à luta, crendo que o Senhor guia a minha vida. Crendo que, embora aparentemente quase nada faça sentido, estou nas mãos d’Ele, vivendo sob seus cuidados.
Decidi não mais dar o dízimo do meu tempo ao Senhor. Decidi que posso, pelo menos tentar, viver, onde eu estiver, independente do que esteja fazendo, dar 100% da minha vida e do meu tempo a Deus. Se no emprego, quero glorificá-lo. Se na rua, quero ser uma testemunha. Se no shopping, quero viver de modo a agradá-lo, e sei que vou agradá-lo quando começar a viver a vida que Ele me dá, levando o evangelho por toda a parte. Vou tentar não separar mais as minhas metades, tentarei juntá-las em uma só, uma vida voltada para o reino. Tentarei não pensar que tenho uma vida secular, mas sim que tenho uma vida “espiritual”, e o que quer que eu esteja fazendo, é essa minha vida, única vida, que deve ter a primazia.
Paulo construia tendas, mas esse era só um meio de sobrevivência, porque na verdade ele sabia que era um apóstolo. Creio que se perguntassem a ele sobre o seu ofício, ele jamais diria construtor de tendas, mas sim apóstolo. Era isso que guiava a sua vida. Todas as outras coisas eram somente acessórios.
Conheci uma pessoa esses dias que enchia a boca pra dizer que era advogado. Eu sou biólogo, mas se me perguntarem um dia sobre o meu ofício, que eu responda somente uma palavra: servo!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Que Justiça é essa?

Maníaco de Guarulhos confessa crime pelo qual 3 pessoas estão presas há dois anos. Essa foi ontem uma das repostagens do domingo espetacular. Durante a matéria foi mostrado como os três jovens foram torturados pela polícia (sacos plásticos, gás de pimenta, choques elétricos, socos, tapas e pontapés) e depois presos, porque segundo os policiais havia uma carta de confissão assinada (pudera, depois de tanta violência, qualquer um confessa qualquer coisa). Como se sabe, estupradores são tratados com a pena de morte dentro das cadeias pelos próprios detentos, porque segundo a justiça da criminalidade esse é um crime inaceitável até para eles. Com medo que isso pudesse ocorrer, o advogado de defesa das vítimas enviou ao comando do PCC de dentro da cadeia uma cópia do processo do crime para que ele pudessem avaliar e julgar por si. Inacreditavelmente depois de verificar nos mínimos detalhes todas as falhas que continha o processo, os integrantes do PCC consideraram os supostos assassinos inocentes e resolveram então protegê-los dentro do presídio.
Com a noticia da confissão do crime pelo maníaco de Guarulhos, os líderes do PCC enviaram um aviso ao diretor do presídio pedindo para que os 3 rapazes fosses soltos, caso contrário eles promoveriam uma rebelião interna que só terminaria com a soltura dos jovens.
O que me chocou, e confesso que fiquei irado com a reportagem, foi verificar que a justiça dos criminosos nesse caso, funcionou melhor que a justiça dos homens. Não estou justificando todos os atos horrendos que o PCC pratica só por esse ato isolado, mas temos de concondar que eles foram mais justos dessa vez. O que me choca é ver que 3 inocentes foram para a cadeia depois de serem torturados, talvez porque fossem pobres e não tinham olhos azuis, enquanto o acusado Gil Rugai anda solto no sul do país, com provas indiscutíveis de sua culpa na morte do pai e da madrasta, descumprindo ordens judiciais, talvez porque seja rico.
Essas notícias sempre vão me chocar, inevitavelmente. Não consigo me controlar ante injustiças.
O que me consola é que eu tenho certeza que um dia vou viver em uma terra onde não haverá mais injustiças, onde não haverá mais desigualdades, onde não haverá mais sofrimento, onde não haverá mais morte, onde não haverá mais dor, onde tudo e todos vão ser guiados pelo amor.
O que me deixa feliz e em paz é que tudo aquilo que hoje me entristece, me choca, me tira a tranquilidade, deixarão de existir. As nossas lutas pela preservação do meio-ambiente não mais serão necessárias ali, nesta terra não haverá mais poluição. Nossa preocupação com a segurança não terá mais lugar porque nesta terra não haverá mais assaltos, disputas por drogas, viciados em drogas (porque são esses que alimentam o tráfico), inveja, maldade. Nesta terra haverá uma paz da qual o mundo jamais tomou conhecimento.
Mas ainda tenho que dizer que nesta terra não haverá mais acidentes de trânsito, porque as pessoas respeitarão seus semelhantes. Não haverá mais a loucura das grandes cidades onde cada um precisa chegar antes que o outro para levar vantagem am alguma coisa. O stress das megalópoles não vai mais ser visto por lá porque o tempo não será mais problema, teremos todo o tempo do mundo, ou melhor, do novo mundo.
Nesta nova terra onde o amor será a fonte de tudo, não vai haver mais hospitais porque as pessoas não vão mais ficar doentes, e além de não mais ficarem doentes não vão mais envelhecer, e por conta disso porque fazer cemitérios já que não mais morrerão também?
Não estou louco não. Esta terra vai existir e eu vou viver nela porque um dia fiz uma escolha que me garante esse privilégio. Esta terra é o céu, terra do meu Deus, terra onde reina o amor e a justiça.
Tem muita gente que assim como eu, um dia fez a escolha por esta terra. Mas com o passar do tempo, movidos pela agitação dos grandes centros, levados pela ânsia da prosperidade, enebrecidos pelo desejo de glória e poder, se esqueceram que existe um lugar melhor para se viver. Esqueceram-se que esta vida é como uma fumaça, que agora existe e daqui a pouco se esvai. Esqueceram-se que Jesus prometeu: Vou preparar-vos lugar. Por isso agora vivem como se já não vivessem, sonhando com coisas temporais, desgastando-se com mesquinharias superficiais e ilusórias. Apenas sobrevivem.
Gostaria de lembrá-los que a promessa feita por Jesus ainda está de pé. Ele vai voltar assim como prometeu, para levar o seu povo que um dia tomou a decisão de segui-lo, aceitando-o como Senhor de suas vidas. Esse é o passaporte, e a garantia é a Sua Palavra que não muda e não falha.
Eu estou ansioso para morar nesta terra onde habitará uma justiça infalível, inerrante e eterna. E você? Ainda acredita que este mundo tem jeito? Ainda acredita na justiça dos homens? Jesus tem a solução para nossas inquietações e nossos dilemas. Jesus nos oferece hoje a garantia de um lugar melhor para se viver, e será melhor porque Deus estará lá, para sempre.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A Música na Igreja

É uma honra falar sobre algo que tem sido motivo de tantas críticas em nossos dias. Eu mesmo, por muito tempo, preservei uma visão extremamente limitada sobre o papel da música na igreja. Não que eu esteja livre totalmente de uma pré-concepção, vítima de uma herança altamente tradicionalista, mas procuro aos poucos, abrir-me para uma leitura mais contemporânea no que concerne à música.
Os tópicos aqui abordados foram retirados em boa parte da palestra “A Música na Igreja” do maestro Parcival Módolo e alguma coisa do site do maestro Flávio Santos. Não gosto de copiar ninguém, mas temos de valorizar as coisas boas que são escritas, e essas são algumas delas. Como não entendo tecnicamente de música, achei melhor buscar com quem entende, apenas endossando com algumas percepções que venho tendo ao longo de alguns anos.

"... Às margens dos rios de Babilônia nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?" (Salmo 137)

Durante toda a história do povo no Velho Testamento e depois da vinda de Cristo, durante toda a nossa história cristã, a música fez parte dos momentos mais importantes da vida do povo de Deus. Isso continua sendo verdade em nossos dias. Contudo, a Igreja passa por um momento cuja ênfase quanto ao canto, ao som de instrumentos e das vozes no culto, não obedece a um padrão. Qual é o verdadeiro papel da música no culto? Para que realmente serve a música? Basicamente se cantava quando se estava alegre, quando havia motivos de festa. Como o povo de Deus, oprimido na babilônia, poderia entoar cânticos a Iahweh? Eles tinham de manifestar a sua tristeza e isso não poderia ser com cânticos. Apenas como introdução, vejo um contra-senso ocorrendo hoje com a música na igreja. Tiago 5:13 diz o seguinte: “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores”. Não queira exigir que todos que estão na igreja devam estar felizes. Muitos ali estão com problemas gravíssimos, e só o fato de estarem no culto já é um milagre. Por isso não lance palavras como: “Você não pode estar triste na presença de Deus”, ou que “alegria é sinônimo de vida íntima com Deus”. Nem sempre isso é verdade! Se pregamos que temos liberdade na presença de Deus, devemos agir assim com todos.

Mas iniciando propriamente a palestra, vejo que basicamente a música ocupa 2 papéis importantes dentro de um culto, o de impressão e o de expressão.

O papel de impressão tem a ver com criar um ambiente próprio, uma atmosfera propícia que pode mexer com as pessoas, dependendo de sua susceptibilidade ou carências momentâneas. Você já deve ter ouvido falar por exemplo em pesquisas que são realizadas com plantas que se desenvolvem melhor quando em contato com algum tipo de música. Isto é verdade. Mas não só é verdade com plantas e animais, funciona também com o ser-humano. Você já deve ter ficado feliz ou triste quando ouviu uma música. Em algum momento uma música deve ter mexido com as suas emoções, fora de seu controle.
Parcival conta uma história de um retiro onde estava-se cantando alguns louvores altíssimos e outros mais altos ainda. Alguns jovens começaram, depois de 40 minutos, a saírem para fora enjoados e com dor de cabeça, outros entraram em um estado de euforia descontrolável dentro do ambiente. O preletor pediu várias vezes por silêncio antes de começar a falar mas não obteve sucesso. Foi então que o rapaz do piano começou a tocar uma música bem calma e tranquila e em menos de 5 minutos o preletor podia falar e ser ouvido. Esse é o papel de impressão da música e por isso existe a música certa para cada tipo de ambiente e para cada ocasião.

Ritmo x Melodia x Harmonia
Obviamente as pesquisas recentes mostram que música não é composta só desses 3 ítens, mas para nossa conversa hoje é um bom começo.
Ritmo é a marcação do tempo ou a frequência em que a ação se repete. Ritmo mexe com uma área específica de nosso corpo que são nossos músculos. Quando uma música enfatiza muito o ritmo, inevitavelmente nossos músculos (incluindo o nosso coração) será afetado.
Melodia são sucessões de sons e ela mexe com nossas emoções, somente ela faz isso. Existem instrumentos que só conseguem tocar melodias como a flauta, o piston, são os instrumentos melódicos. A melodia mexe tão duramente com as emoções que a melodia certa, em um auditório certo, destrói emocionalmente qualquer um. Não se escandalizem com o que vou dizer agora: Não há necessidade do Espírito Santo para fazer um auditório chorar; basta usar a melodia certa. Para mudar de vida, para ser uma nova pessoa, precisa-se do Espírito, mas fazer chorar a gente faz com a melodia certa, facilmente. E não só fazer chorar.
Harmonia pode ser definida como sons simultâneos. A combinação, por exemplo, de um coral, cada um cantando a sua voz, forma uma harmonia. A harmonia mexe com o intelecto, ela tem a ver com o córtex cerebral, com cognição e criatividade. Quanto mais complicada a harmonia, mais complicada é para ser ouvida. Exige um pouco mais de "massa cinzenta". Por isso, nem todo mundo aprecia uma tremenda fuga em órgão de Bach, porque é harmonia elevada ao extremo.
É natural que, quando qualquer um desses elementos é por demais enfatizado, ocorre o detrimento dos outros. O problema é que quando valorizamos o ritmo, parte das informações cerebrais são desligadas. Por isso, o ritmo é um dos elementos mais valiosos para o desligamento das pessoas nos centros de umbanda, yoga, zen budismo, etc.. "Mantra" nada mais é do que uma pequena melodia repetida tantas vezes que se torna um ritmo. Excesso de ritmo leva as pessoas a pararem de pensar. Por isso cuidado com os cânticos que repetem a mesma coisa incansavelmente. Cuidado com aqueles “ministradores” que falam chorando, querendo te influenciar. Não se engane, isso são técnicas de manipulação de massa que se aprendem com qualquer guru das vendas. Aliás, qualquer mestre em motivação pode convencer uma platéia incauta de crentes, e os fazer chorar.
A música fica indelevelmente arquivada em nosso cérebro em uma região que se chama cérebro mamal. Todo professor de cursinho sabe disso e por isso trabalha com música. Assim como a música, os odores são gravados na mesma região cerebral. Por isso você jamais se esquece de uma certa fragrância que você sentiu durante sua vida. Da mesma forma você jamais se esquecerá das músicas dos mamonas assassinas, infelizmente.
Em razão de tudo isso podemos entender quão importante é o aspecto impressivo que a música ocupa dentro de nossas igreja e também por isso o cuidado que devemos ter com a mesma. Lutero já dizia: "eu sei que amanhã, segunda-feira, vocês vão esquecer o que eu estou falando agora no meu sermão. Mas os hinos que os faço cantar, jamais vão ser esquecidos". Por tudo isso o principal aspecto que o responsável pelo grupo de louvor deve ter é com a Palavra de Deus. Os hinos devem refletir fielmente a Bíblia. Eles devem ser analisados da mesma forma que uma pregação é analisada pelo pregador consciente antes de pregá-la. Sempre que quero colocar um hino novo na lista, devo passá-lo pelo crivo da Bíblia, senão estarei catequisando a igreja com baboseiras teológicas.

Papel de Expressão
Esse papel acontece quando a música diz alguma coisa junto com o texto, ela endossa o texto, no caso a pregação da Palavra. Do contexto de onde vim esse papel era desconhecido pela igreja, ou ignorado não sei. Era extremamente comum ouvir algum grupo de senhoras cantarem sobre o “homem de branco”, “anjos subindo e descendo”, “fogo no altar”, em um culto de santa ceia. Não havia concordância entre o momento do culto e a música cantada. Resultado: a mensagem não alcançava todo o resultado que poderia.
Nesse momento quero abrir um parêntese para falar a respeito do termo levita, muito usado hoje em dia. Vamos ler Nm 1:50-51. Como se vê pelo texto, o levita deveria realizar toda a administração do tabernáculo no deserto, que incluia a montagem e desmontagem do mesmo. Em outras palavras o levita era uma espécie de trabalhador da construção civil. Claro que outra de suas funções era a responsabilidade pela música nos eventos festivos, mas não podemos dizer que era apenas essa. Se alguém hoje em dia toma para si o termo de levita, deveríamos perguntar-lhe se ele também faz as obras de manutenção da igreja. Resumindo: não temos levitas hoje em dia na igreja, essa função foi extinta, pertence ao judaísmo e só a ele. No NT só aparece 3 vezes o termo.
Agora, se queremos seguir o exemplo do AT, deveríamos ser tão criteriosos quanto eles eram na escolha daqueles que ministrariam no templo e nos sacrifícios. Leiamos I Cr 15:22. Eles escolheram o melhor dentre todos os levitas. Há muitas áreas onde as pessoas podem servir a Deus dentro da igreja, mas por causa do “status” muitos preferem estar lá na frente. O que sinto é que não se dá tanta importância à música nas igrejas, como se ela fosse só um adereço do culto, mas não é. A música deve ser tratada com a mesma seriedade quando se convida um pregador de fora para pregar.

Teologia e Música
Muitos por aí dizem: “É preciso manter os jovens na igreja”, “é melhor que eles estejam aqui do que no mundo”. É exatamente por isso, por eles estarem aqui que precisam fazer melhor que lá fora. Havia um tempo, na história reformada de nossas igrejas, que o melhor de música que se produzia era dentro das grandes catedrais. Pessoas viam de fora para aprenderem boa música na igreja. Bach passou 45 anos de sua vida trabalhando como músico de uma única Igreja (a Igreja de St. Thomaz, em Leipzig). Sua obra inteira foi S.D.G. (Soli Deo Gloria). Ele assinava assim. Essa era a sua finalidade; por isso ele fazia o melhor que podia, exatamente porque era para a glória de Deus.
Ivan Lins declarou um dia em uma entrevista: “A música precisa estar subordinada à Palavra”. Incrível a percepção de um músico “mundano” como costumamos chamar, quando vemos muitas vezes nas igrejas os instrumentos disputando o maior volume com os cantores. Tudo isso faz parte da percepção que devemos ter quando trabalhamos com música na igreja.
Quando falamos de música boa ou ruim, não estamos defendendo a música do hinário em detrimento do “louvor” atual. Existem músicas atuais muito boas, assim como existem músicas no hinário que precisam ser revistas. A maior parte das músicas atuais são ruins porque ainda não foram filtradas pelo tempo. Se acontecer como aconteceu em séculos passados, onde só ficou a música boa, em alguns anos vamos ter uma melhor qualidade das músicas que se cantam hoje.
A nossa proposta é que façamos uma leitura cuidadosa do texto, tanto dos novos cânticos quanto dos hinos impressos, mais dos novos porque não foram ainda filtrados pelo tempo, e usemos somente aqueles que realmente são bons, nessa linha de raciocínio.
Eu tenho visto que por várias vezes o grupo de louvor canta algum cântico relacionado com a pregação da noite. Isso é ótimo, mas acho que não precisamos deixar isso totalmente a cargo do Espírito Santo, podemos fazer nossa parte fazendo coincidir o assunto da noite com os hinos cantados.
A música não é um parêntese no culto. Ela faz parte do mesmo e ocupa lugar de honra e de importância vital.

Termos em Moda
Existem alguns termos que estão em moda mas que na verdade são recursos persuasivos para transformar baboseiras “teológicas” em palavras inspiradas. Em 5 minutos de pesquisa pela internet eu encontrei vários desses termos “pipocando” na rede. Seguem alguns deles. Os termos encontrados estão em negrito, os meus comentários em parêntese.

. Restaurando levitas para Deus, o chamado e unção profética de Davi (Davi era da tribo de Judá!!)
. João Batista: o primeiro homem a ter a unção de Elias ( o que???!!!)
. Unção dos quatro seres. (Meu Deus o que é isso????... por isso tem gente se arrastando e urrando que nem leão por aí !!)
. Adoração profética (qual o papel do profeta hoje em dia? Tem a mesma conotação do profeta da Bíblia???)

Sejamos sábios irmãos. Pessoas mal intensionadas estão usando palavras de peso expressivo para forjar uma falsa unção (aliás, unção é um termo que se tem usado muito hoje em dia, quase sempre fora do seu contexto bíblico). Na dúvida vá até a sua Bíblia e faça uma análise séria dessas expressões que estão na moda. Você ficará impressionado porque na maioria das vezes nem vai encontrar esses termos na Bíblia, e se não está na Bíblia é heresia.

Música Sacra ou Profana?
Quando os nossos avós cantaram os hinos dos Salmos e Hinos (o primeiro volume traduzido integralmente) eles cantaram música sacra, absolutamente sacra, porque aqueles sons nunca haviam sido ouvidos antes. Não interessa se era música de bar americano. Uma coisa precisamos ter em mente: o sacro, na verdade, aquilo que é verdadeiramente aceito por Deus, não tem nada a ver com o tipo de sons; tem a ver com o coração e lábios limpos, tem a ver com o cantante e com Deus. Mas porque, por exemplo, há alguns anos instrumentos de percussão eram profanos e não podiam entrar na igreja? Simplesmente porque associávamos o tambor com o centro de macumba, então esse instrumento era profano. Esse é um mito que devemos romper. Música é música, assim como inglês é inglês. Música é uma forma de linguagem através dos sons e tecnicamente nada mais do que isso.
O hino "Mais Perto Quero Estar" para os milhões de cinéfilos que foram assistir o filme "Titanic" lembra apenas e tão somente a cena de desespero e despedida dos músicos daquela tragédia. Este hino somente tem um significado espiritual e especial para aqueles cristãos que conheceram o hino em sua experiência religiosa.
Na prática o que um compositor, cristão, sensato, polido e equilibrado procura fazer é utilizar combinações sonoras que não estejam tão associadas ou vinculadas a coisas mundanas de seu tempo. Muitas vezes ele guarda na gaveta suas criações, e muitos deles só são reconhecidos na posteridade, como é o caso de Bach, cujas partituras foram usadas para enrolar mercadorias, até que um músico descobriu novamente a obra de Bach.
Portanto cabe a nós a sensatez e a sabedoria ao escolher as músicas e os ritmos que deverão compor nossos cultos.
Não consigo entender porque algumas igrejas simplesmente se negam em aceitar que existe coisa muito boa sendo feita atualmente. Mas também não consigo entender porque algumas igrejas se negam a aceitar que já foi feita muita coisa boa no passado e que eles não precisam jogar tudo isso fora. Acredito piamente que possa existir um concenso entre passado e presente, primeiro porque há coisas boas do passado e segundo porque devemos respeito por aqueles que nasceram há alguns anos mas ainda estão em nossas igrejas como corpo de Cristo.

E agora, o que fazer?
. Creio que já vai melhorar muito quando lermos os textos dos cânticos, do hinário ou dos louvores atuais. Não tenha medo em fazer isso, os hinos não são inspirados como a Bíblia, por isso fique a vontade em mudar alguma letra que você identificar como não-bíblica. Quando fizer isso, fale com a congregação sobre isso, eles verão que há uma preocupação com a Palavra dentro dos nossos cânticos e não somente na pregação.
. Incentive o aprimoramento daqueles que lidam com música dentro da igreja. Temos de oferecer o melhor para Deus, melhor inclusive do que o mundo oferece ao seu deus.
. Será que precisamos importar tudo o que se faz nos EUA? Será que não temos capacidade de criar nossa própria música, dentro do nosso contexto, com a nossa cara? Tem gente boa fazendo isso e creio que podemos mudar esse quadro.
. Assim como os levitas no AT, os músicos da autalidade devem levar a sério o ministério que executam na igreja. Isso requer preparação espiritual, familiaridade com a Bíblia, vida consagrada a Deus. Se você não sabe mais do que meia dúzia de versículos da Bíblia, ou se não conhece as principais doutrinas da Palavra, vai se deixar levar por uma melodia bonita, ao invés de ser crítico com a mensagem que se vai passar. O ministério de música é um ministério sério como outro qualquer e deve ser encarado desta maneira.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pequenos Gigantes em um Mundo sem Fronteiras

Ap 3:7-13 – “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre:
8 Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.
9 Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo.
10 Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.
11 Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
12 A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”

Antes de tudo um prólogo para que vocês tomem conhecimento de algumas características da cidade que serão muito importantes para o nosso entendimento do texto.
Filadélfia foi fundada em 140 a.C. por Átalo II, cujo sobrenome era filadelfo. Localizava-se estrategicamente junto a uma rodovia bem trafegada que ligava o oriente (Ásia) com o ocidente (Europa).
A área que circundava a cidade era vulcânica e conhecida como a “terra fumegante”. As cinzas vulcânicas desciam e tornavam o solo extremamente fértil.
Por causa da atividade vulcânica, a cidade era abalada por freqüentes terremotos. Um forte tremor devastou a cidade em 17 d.C. Em vista desta catástrofe, o imperador Tibério doou dinheiro para a reconstrução da cidade. Para honrar o ato do imperador, os habitantes então trocaram o nome da cidade para Neocaesarea (a cidade do novo César). O nome permaneceu por cerca de 30 anos, quando então para honrar o imperador Tito Flávio Vespasiano, a cidade passou a se chamar Flávia.
Porém, os habitantes da cidade com medo dos freqüentes terremotos e da destruição que abalara a cidade, resolveram viver fora dos muros da cidade, em campo aberto.

Juntamente com a igreja de Esmirna, Filadélfia não recebe nenhuma reprimenda da parte do Senhor, antes é elogiada por sua conduta fiel.
Jesus inicia a carta como todas as outras, se apresentando, e desta vez Ele se apresenta como o santo e verdadeiro. Podemos tirar duas conclusões a partir desta afirmativa de Jesus. A primeira é que Jesus é santo, e como santo suas palavras são verdadeiras, dignas de confiança. Jesus quer que os habitantes de Filadélfia creiam n’Ele, não duvidem e tenham certeza que tudo o que Ele disser acontecerá. A outra conclusão é que, como filhos d’Ele que somos, devemos imitá-lo, e por termos de imitá-lo, devemos juntamente com Ele desejarmos a santidade e a verdade. Nossas palavras da mesma forma têm de ser verdadeiras.
O que significa ter a chave de Davi? Essa promessa feita por Deus a Eliaquim, filho de Hilquias, é encontrada em Isaías 22:22, que servira ao rei Ezequias como um mordomo fiel. Eliaquim recebera emblemas régios, de autoridade, um manto com cinturão e a chave da dinastia de Davi sobre seus ombros. Jesus, como raiz de Davi, é o verdadeiro portador desta chave, a chave do reino de Deus. E como possuidor de tamanha autoridade, Ele abre as portas do reino, mas também as pode fechar em virtude da rebeldia e rejeição de um povo. A salvação, portanto, vem do Senhor e só d’Ele, nada nem ninguém pode usurpar esta autoridade.
Jesus também conhecia a igreja de Filadélfia nos mínimos detalhes. Todas as suas obras e ações estavam patentes aos olhos do Senhor. Jesus havia aberto uma porta para a igreja e ninguém a fecharia. Que porta é esta? Filadélfia estava muito próxima de uma importante rodovia que ligava a Europa e a Ásia. Isso não só facilitava seu comércio, mas também era uma importante estratégia para a propagação do evangelho. Jesus havia aberto as portas do evangelho para aquela pequena igreja e ninguém a fecharia. Em razão dos elogios que Jesus faz a igreja é concluinte que esta estava desempenhando muito bem o seu papel na evangelização, estava tornando conhecido o nome de Deus entre as nações que ali passavam para comercializar seus produtos. Com certeza muitos povos conheceram o nome de Cristo através da humilde igreja de Filadélfia.
Mas por que eles tinham pouca força? É errônea a interpretação de que eram crentes fracos, como alguns supõem. Muito pelo contrário, eles eram crentes maduros que entenderam a sua missão na proclamação do evangelho. A sua fraqueza residia no tamanho da igreja. A igreja era pequena, com poucas pessoas, e, tanto era, que os judeus davam pouca importância aos crentes de Filadélfia, achando que a sua influência era tão pequena que não precisavam ser temidos. Mas eles estavam enganados. Apesar de pequena, a porta aberta para a igreja por intermédio de Jesus era imensa, de proporções continentais. O evangelho estava sendo espalhado pela Ásia e pela Europa pelos “insignificantes” crentes de Filadélfia.
A despeito de serem poucos, souberam manter a Palavra de Deus intacta, sem subvertê-la ou distorcê-la. Não negaram o nome de Cristo nem mesmo em meio à perseguição.
Há algo importante que devemos citar neste ponto. Apesar de parecerem insignificantes aos olhos dos judeus, esses poucos crentes não deixaram de sofrer perseguições. Como cristãos naquela época e naquela região, com certeza foram perseguidos e difamados.
O verso nove é uma dura palavra ao povo judeu. Jesus os chama de “os da sinagoga de Satanás”. Ora, Jesus aqui está querendo dizer que, quem habita agora nas sinagogas dos judeus é o próprio Satanás. Deus estava longe de lá. Em primeiro lugar porque eles rejeitaram a Jesus como o Filho de Deus e em segundo lugar porque eles perseguiam aqueles que agora são verdadeiramente os filhos de Deus, a nova aliança de Iahweh. Jesus inaugurara um novo tempo, sob um novo concerto, e quem não aceitasse essa nova aliança infelizmente estava fora do pacto, e quem não é por Deus, só pode ser contra Ele. Esses mesmos judeus que se vangloriavam da aliança do Sinai, mas rejeitavam a aliança do próprio Filho de Deus, iriam um dia reconhecer que aquela igreja pequena, a qual eles tanto desprezavam, era a verdadeira igreja de Cristo, comprada pelo seu precioso sangue.
O verso 10 é uma palavra de conforto a uma provação que viria no futuro. Os crentes de Filadelfia poderiam ficar tranqüilos porque não seriam afetados pela hora da tentação que abalaria o mundo inteiro. Eles estavam protegidos sob a mão poderosa de Deus, porque eram herança de Deus, sob os cuidados de seu eterno amor.
Jesus promete vir sem demora no versículo 11 e desta forma pede para que os crentes guardem a sua coroa, para que não a percam. Será que Jesus está querendo aqui dizer que os cristãos de Filadélfia estavam arriscados a perderem a sua salvação? De maneira nenhuma. Em várias partes da Bíblia e do próprio Apocalipse aparece a figura da coroa. Em um sentido conotativo, como é o caso desta passagem, coroa significa autoridade. Era um símbolo de autoridade de um rei por exemplo. Jesus havia aberto uma porta para a igreja de Filadélfia, uma porta para a evangelização de muitas pessoas. A igreja de Filadélfia tinha a autoridade de Deus para levar o evangelho a todos os viajantes que passassem por seu território. Se eles deixassem de valorizar este privilégio concedido por Deus, essa autoridade de falar em Seu nome, Deus poderia fechar-lhes a porta que um dia fora aberta, porque a chave de Davi está em Suas mãos e não em nossas mãos. É Ele que abre e fecha a porta do reino de Deus. Portanto era imprescindível que a igreja valorizasse esse privilégio que Deus lhe dera e não deixasse que essa porta se fechasse porque não valorizaram a missão que Deus colocara em suas mãos. A coroa poderia ser transferida caso a igreja deixasse de utilizá-la.
Não só os crentes, mas a cidade inteira de Filadélfia estava cansada dos abalos sísmicos que assolavam a cidade. Prova disso é que se mudaram para fora dos muros. Era como se não tivessem uma cidade onde morar porque dormiam em campo aberto, provavelmente sob tendas. Jesus, como um consolo para a igreja que não só sofria perseguição, mas também sofria com os eventos naturais, promete lhes fazer de colunas no templo de Deus. As colunas do templo de Deus seriam tão inabaláveis que os crentes jamais precisariam abandonar a nova Jerusalém “dela nunca sairá”. Eles não precisariam mais dormir no relento, ou sob tendas, porque o templo de Deus é inabalável. Os crentes não iriam mais precisar ter medo das catástrofes naturais.
A cidade de Filadélfia em um esforço de agradar seus governantes trocava o nome de sua cidade a cada troca de governo. A cidade de Filadélfia não tinha mais identidade própria; sua identidade momentânea dependia de quem estava governando a cidade. Jesus promete dar uma identidade àquele que vencesse. O nome de Deus seria escrito em todo aquele que cresse no unigênito Filho de Deus. Eles passariam a ter uma identidade, passariam a ter uma história e principalmente passariam a ter um futuro. De alguma forma eles achavam importante que o governante fosse homenageado, dando o seu nome à cidade. Mas Deus dá a eles um novo motivo de regozijo, que é o de ter o nome de Cristo, o nome de Deus e o nome da cidade de Deus gravados em si mesmos.
Mas o que isso tem a ver com a igreja de Cristo e mais especificamente com a Igreja Batista de Valinhos? O que esse texto pode nos ensinar nos dias de hoje?
Em primeiro lugar: o que Deus pensa sobre nós? O que Deus pensa sobre mim? Qual seriam as palavras de Jesus ao nosso respeito? Uma coisa é certa, Deus nos conhece e conhece as nossas obras. Sabe o que estamos fazendo e o que estamos deixando de fazer. Ele conhece as portas que Ele mesmo abriu para esta igreja e sabe se estamos desempenhando bem a nossa tarefa ou não.
Será que Deus tem aberto uma porta à nossa frente? Quando comparamos, por exemplo, países que não têm liberdade religiosa, somos obrigados a confessar que Deus tem aberto uma porta gigantesca a nosso favor. Podemos falar livremente em nossos púlpitos, podemos entregar folhetos, podemos falar com o vizinho da fila sobre o amor de Deus. Podemos educar nossos filhos dentro dos padrões bíblicos. Diante de tudo isso, só temos uma coisa a declarar: Que porta o Senhor tem aberto para nós!
O Brasil além de ser um país livre, é um país conhecido mundialmente, por coisas boas e outras nem tanto. Mas o importante é que somos bem quistos em praticamente todos os países. Então, com certeza o Senhor falaria da igreja no Brasil o mesmo que falou à igreja em Filadélfia: Eis que diante de ti pus uma porta aberta. Mas como ficaria o restante da frase? Será que essa porta nunca vai se fechar? Será que estamos administrando bem a oportunidade que o Senhor tem colocado em nossas mãos?
Eu gostaria de compartilhar algumas características da igreja de Filadélfia que fizeram com que o Senhor a elogiasse e que com certeza podem nos ensinar muito hoje.
Em 1° lugar a igreja de Filadélfia sabia de sua missão no mundo e aproveitou a porta que o Senhor abrira. Eles tinham a oportunidade de falar do amor de Cristo a praticamente todo o mundo daquela época, tanto os que estavam a leste na Ásia como os que estavam a oeste na Europa. Eles tinham certeza de sua salvação mas também tinham a certeza que não deveriam guardar este tesouro somente para eles. Eles cumpriram o mandado do Senhor, anunciando o evangelho a toda a criatura.
Preocupa-me quando olho para a igreja evangélica no Brasil, vejo quão grande porta o Senhor tem aberto, e chego a conclusão que poderíamos fazer muito mais do que estamos fazendo. Talvez gastamos mais dinheiro com lanches do Mcdonalds do que investimos em missões. Encaramos missões como um programa à parte da igreja local, onde pouquíssimos escolhidos devem negar completamente suas vidas pessoais para irem até os confins da Terra. A nossa tarefa se reduz somente em dar um pouco do nosso dinheiro e quando lembramos, nossas orações. Sempre que tenho oportunidade eu tenho falado que se há um paradigma que precisa ser mudado na visão da igreja é o que se relaciona a missão. Missão não é privilégio de poucos, não está restrito a poucos escolhidos. Missão é obrigação de todo crente, de todo aquele que um dia decidiu seguir a Cristo. Temos de tirar da mente a idéia de que fazer missões é ir embora do país, sofrer e voltar depois de alguns anos velho e cansado. Missões deve ser feita diariamente, no meu trabalho, na minha faculdade, no ponto de ônibus. Eu preciso acordar de manhã e orar: Senhor dá-me oportunidade hoje de falar do seu amor, não somente com meu testemunho de cristão, porque isso é minha obrigação, mas falar de uma forma ativa, dizer que só o Senhor pode salvar o pecador. A igreja de Filadélfia entendeu sua função nesta Terra e foi elogiada por Deus.
Em 2° lugar a igreja de Filadélfia soube guardar a Palavra do Senhor. Naqueles tempos muitas heresias já estava se levantando e uma muito perigosa que encontrou seu apogeu no século III foi o Arianismo que duvidava da divindade de Jesus. Filadélfia manteve intacta a Palavra do Senhor, pregando um evangelho genuíno, sem deturpação e com consistência.
Se tem uma coisa que precisamos ter cuidado hoje em dia é com relação ao evangelho que estamos ouvindo na mídia, um evangelho barateado, com cara de esmola. Evangelho são boas novas de salvação, não é enriquecimento material, não são prodígios e maravilhas, não é vida mansa, sombra e água fresca. Tudo isso é outro evangelho, do qual Paulo nos fala claramente que a esse devemos rejeitar e lutar contra, ainda que um anjo do céu venha proclamá-lo, como lemos em Gálatas 1:8-9. O evangelho de Cristo não procura agradar a homens, nem satisfazer seus desejos egoístas, o evangelho genuíno de Cristo está interessado em vidas, almas, em arrependimento, em salvação.
Os judeus queriam persuadir os Filadélfos com a circuncisão, tirando o mérito da cruz de Cristo e de seu sacrifício. Jesus os chama de “os da sinagoga de Satanás”. Todo evangelho que é pregado e que não enaltece o sacrifício vicário de Jesus, não é evangelho, é qualquer outra coisa menos evangelho. Precisamos lutar para que esse pseudo-evangelho seja extirpado, aniquilado. Fique com as Palavras do Senhor em Mateus 16:24: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”. Evangelho exige renúncia, negação própria e muitas vezes perseguição. Os cristãos de Filadélfia entenderam isso muito bem e foram elogiados por Deus.
Em 3° lugar os crentes de Filadélfia creram que existia um lugar melhor para eles que aquela cidade sem identidade, do que aqueles prédios fragilizados pelos abalos sísmicos. Eles criam na nova Jerusalém, na cidade eterna, onde não haveria mais mortes, nem mais sofrimento. Uma cidade onde eles poderiam habitar em segurança, sem perseguições, sem tremores. Uma cidade onde não mais seriam conhecidos como fracos e pequenos, mas teriam sobre eles o nome do Deus Todo-Poderoso inscrito.
Às vezes eu sinto como se a igreja evangélica do século XXI tivesse deixado de acreditar na volta do Jesus. Principalmente no Brasil vivemos uma vida relativamente tranqüila. Não temos guerras, não temos grandes terremotos, não temos Tsunamis devastadores, nem vulcões ativos temos aqui. De acordo com pesquisas a oferta de emprego tem aumentado nos últimos meses e o brasileiro com isso tem maior poder de compra. Bem ou mal o Brasil tem crescido.
Talvez essa aparente tranqüilidade seja a causa de não ouvirmos muito sobre a volta de Cristo. Não me lembro de ter ouvido na TV alguma pregação que falasse sobre a volta de Jesus, a não ser da igreja adventista, mesmo porque esse é o lema deles. Acho que posso contar nos dedos, de todas as igrejas que visitei nos últimos anos, uma pregação sobre o retorno de Jesus. Conclusão: acho que deixamos de esperar a volta de Cristo para qualquer momento.
Sejamos sinceros agora, nem os cânticos que cantamos falam mais sobre a volta de Jesus. Falam sobre andar sobre águas, pisar serpentes, pisar a cabeça do diabo (como se Cristo já não tivesse feito isso), mas não falam mais da gloriosa esperança do crente, o retorno do Senhor para buscar a sua igreja pura, gloriosa, irrepreensível.
Agora quero que você faça uma pergunta para si mesmo: Eu estou esperando o retorno de Jesus para qualquer momento? Eu anelo pela volta do Senhor? Quando penso que Jesus pode voltar a qualquer instante, isso me traz alegria ou temor?
I Co 15:19 “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”
I Ts 4:16-17 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”
Ap 22:12 “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra”
Ap 22:20 “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Maranata. Ora vem, Senhor Jesus”
Filadélfia esperava Jesus a cada momento, vivia sua vida e sua missão na Terra como se Cristo fosse voltar naqueles dias. Eles alcançaram elogios da parte do Senhor.
Recapitulando: queremos ser uma igreja sobre a qual o Senhor só terá elogios a fazer?
1. Cumpramos nossa missão. Não estamos aqui na Terra para vivermos de baixo de um coqueiro tomando água de côco. Jesus tem aberto uma porta imensa para que possamos pregar o evangelho e é isto que devemos fazer. Nossas crianças precisam ser ensinadas desde cedo que essa é a nossa função como crentes. Lembremo-nos que os islâmicos ensinam seus filhos desde a mais tenra idade e eles têm crescido de uma maneira estrondosa em todo mundo.
2. Guardemos a Palavra do Senhor, preservando o evangelho genuíno onde Cristo deve ser exaltado e não o nosso ego. Lutemos contra o evangelho água com açúcar que se tem pregado aí fora. A verdadeira fé não depende de coisas, mas somente de Deus. A. W. Tozer disse o seguinte: “Para cada um de nós certamente está prestes a chegar o tempo em que não teremos outra coisa senão Deus. Saúde, riqueza, amigos, esconderijos desaparecerão e teremos apenas Deus. Para o homem que tem a pseudo-fé, esta é uma idéia apavorante, mas para o que tem a fé verdadeira é uma das idéias mais confortantes que o coração pode nutrir”
3. Tenhamos a firme confiança que Cristo pode voltar a qualquer instante. Não se deixe levar pela falsa aparência de tranqüilidade. Aproveite esse momento de liberdade em que vivemos para proclamar a Cristo aos quatro cantos. Vivamos o dia de hoje como se fosse nosso último dia nesta Terra. Não duvide, Jesus está voltando!