terça-feira, 28 de outubro de 2014

TEOLOGIA DO ABSOLUTO

"O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo". Salmos 103:19

Costumamos tecer nossa teologia de acordo com nossas necessidades. Isso é normal, embora não seja certo. Porque quando fazemos isso sempre incorremos no erro de acrescentar ao texto o que ele não quis dizer.
O texto acima é um poema antes de tudo. Davi está extasiado com a grandeza de Deus e está tentando, a despeito de suas limitações, descrever o indescritível, e neste caso, a bondade de Deus.
Davi não está errado, porque não tem como falarmos de Deus sem usarmos expressões humanas, porque, obviamente, é assim que nos comunicamos. Não podemos, todavia, nos esquecer de que Deus é inexplicável, e por isso, toda explicação estará fadada a ser insuficiente.
O problema começa quando vemos João falando que o mundo todo está no maligno, ou sob o poder do maligno (5:19). Se o reino de Deus domina sobre tudo, como pode o mundo estar no maligno?
É a nossa teologia do absoluto tentando explicar situações locais e momentâneas da forma menos sofrível possível.
Acabamos de passar por eleições presidenciais onde há muita gente insatisfeita com os resultados e muita gente colocando nas redes sociais que Deus está no controle. No controle do que? Da política? Duvido. Porque se estivesse não estaríamos na situação em que estamos. No controle dos políticos? Também duvido, porque se estivesse teríamos justiça neste país.
Desculpem-me, mas essa teologia é fraca e não sobrevive ao questionamento mais simplório. Ela servia há algumas décadas onde ninguém questionava nada, mas não serve mais hoje.
Quando dizemos que Deus está no controle de tudo, queremos dizer que tudo que acontece é de sua vontade e de seu comando.
Não acredito que milhares que morrem todos os dias de fome seja vontade de Deus. Não acredito que todas as atrocidades cometidas contra crianças indefesas seja vontade de Deus. Não acredito que toda maldade humana seja ordenação de Deus. Deus não está no controle de tudo, não da forma que imaginamos.
Colocar tudo sob o controle de Deus tira nossa responsabilidade como seres humanos, pensantes e com poder decisório, como o próprio Deus nos fez. Colocar tudo sob a vontade de Deus nos exime da responsabilidade de decidir e lutar por um mundo melhor. Colocar tudo sob o controle de Deus soa como covardia de assumir as próprias decisões.
A política não está no controle de Deus. A economia não está no controle de Deus. A justiça (ou injustiça) tampouco. Tudo isso está sob o controle da maldade e ganância humanas. O mundo está no maligno.
Então o que está sob o controle de Deus? Assim como Jesus, acredito que o que realmente está sob o controle de Deus é o fim de tudo. Na parábola do joio Jesus vai descrevendo uma situação que aparentemente leva ao caos e ao desespero: trigo ruim no meio do trigo bom. Mas no fim, um é separado do outro e o agricultor pode então usufruir do seu trabalho.
Ainda não chegou o momento da separação e por isso ainda estamos em luta e somos responsáveis pelas nossas escolhas.

sábado, 20 de setembro de 2014

PENSAMENTO DO DIA

O perdão talvez seja um processo de "esquecimento" natural que acontece quando você decide, no momento da raiva, escolher não se vingar. E essa escolha se chama misericórdia. E esse perdão não é para o bem do outro, mas para seu próprio bem.

sábado, 16 de agosto de 2014

É ASSIM QUE VEJO DEUS

"Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.
Porque está escrito: " ‘Por mim mesmo jurei’, diz o Senhor, ‘diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus’ ".
Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.
Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão." Romanos 14:10-13

Esta semana conversei com uma pessoa que tentou me convencer de que Deus vai um dia me convencer de que eu precisarei voltar para a "igreja" institucionalizada, porque senão estarei irremediavelmente "desviado". Respondi que estou plenamente convencido de que, mesmo fora da instituição, continuo com Deus, Cristo é o meu Senhor e que estou tão salvo (seja lá o que esta pessoa entenda por salvação) quanto em qualquer outra época.

Este tipo de comentário me entristece. Em primeiro lugar porque esta pessoa não entendeu quase nada do evangelho da graça de Deus. Para esta pessoa a graça ainda não é suficiente visto que preciso estar atrelado a alguma instituição. Para ela, além da graça não ser suficiente, também não é eficaz, visto que posso perdê-la ao me ausentar da instituição.
O segundo motivo da minha tristeza é generalizado, porque assim como esta pessoa, muitas outras que estão "dentro" das instituições continuam julgando aqueles que estão "fora" delas como se este fosse o critério para se estar perto de Deus ou não.
Eu aprendi, infelizmente de forma um tanto tardia, que a única coisa que posso e devo fazer é tentar seguir os ensinamentos de Jesus, tentar viver da forma como ele viveu e pediu para que vivêssemos. Tentar, ao longo da minha vida, ajudar o maior número de pessoas possível, e assim, estarei cumprindo a lei de Deus. E o que passar disso é invenção da religião e pode ser perfeitamente descartado ou simplesmente ser vivido da forma que agradar, levando em conta culturas ou costumes.

Gosto de ver Deus em pequenos atos de amor na vida de pessoas simples e anônimas. Gosto de ver Deus em palavras singelas mas de grande impacto, vindas de pessoas que não tiveram o privilégio de se educarem. Gosto de ver Deus assim, na vida, no cotidiano, agindo silenciosa mas poderosamente, transformando pessoas "doentes" e cansadas, em gente do bem, alegres e gratas por tudo que têm, mesmo que o tudo seja muito pouco.
É assim que vejo Deus e é assim que tento viver minha espiritualidade.
Não julgo os que estão "dentro", mas por favor, não me julgue por estar aqui "fora".

quinta-feira, 27 de março de 2014

CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTO

"Então o sumo sacerdote perguntou a Estêvão: São verdadeiras estas acusações?...
...Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo!...
...Mas eles taparam os ouvidos e, gritando bem alto, lançaram-se todos juntos contra ele, arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo..." Atos dos Apóstolos 7

Estevão havia sido acusado de falar contra o templo e contra a lei, ou contra Moisés e contra Deus. Eles não estavam muito certos porque afinal as testemunhas eram falsas e se contradiziam um pouco.
E ele começa sua defesa no capítulo 7 e termina o capítulo sendo apedrejado e morto.
Em sua defesa ele mostra que a história do judaísmo não havia sido um mar de rosas como muitos pensavam. Abrão fazia parte de um povo pagão e politeísta, mas mesmo assim é neste lugar pouco "santo" que Deus o chama. Os filhos de Jacó, bisnetos do grande Abraão, tiveram inveja do irmão José e o venderam como escravo ao Egito. Sim, os 11 patriarcas dos quais todos os judeus descendiam foram escravagistas do próprio irmão.
Mas mesmo lá no Egito, outra terra pagã, Deus cuida de José e usa esta mesma nação pagã para salvar a vida da pequena família hebreia, que passava fome.
O extraordinário Moisés, representante da lei que os judeus veneravam, comete um assassinato e por isso precisa fugir.
Mas mesmo assim, Deus o escolhe para livrar seu povo da escravidão, e o mesmo hebreu que o acusara de assassinato, que questionara sua liderança, agora precisa admitir seu erro e seu mal julgamento.
No deserto, o povo hebreu julga mal de novo e pede para o grande Arão, sumo sacerdote, encarregado de interceder a Deus pelo povo, fazer um bezerro de ouro para que pudessem adorar; o povo ainda carregava a idolatria em seu coração.
Davi, homem segundo o coração de Deus em sua sinceridade, é impedido de construir o templo porque tinha as mãos carregadas de sangue, mas seu filho o constrói, mesmo sabendo que esta não era a vontade de Deus.
Erro em cima de erro, maus julgamentos, idolatria, rebeldia. Estevão termina dizendo que os seus acusadores estão tão equivocados como estiveram muitas vezes as pessoas mais célebres do judaísmo.
É difícil ouvir verdades incontestáveis. Precisa-se ter muita humildade para aceitar o fato de que cometemos muitos erros no passado. Há que se ter coragem para ouvir, aceitar e dar meia volta e tentar arrumar as coisas. Isso geralmente leva gerações para acontecer.
Os religiosos não aceitaram ouvir seus tropeços e calaram a boca de Estevão.
Hoje não é diferente. Aqueles que se atrevem a falar contra o sistema religioso imposto é tido como herege e rebelde, e logo tem sua voz calada pelo poder.
Na maioria das vezes não matam fisicamente, mas matam moralmente e de forma caluniosa. Abafam a voz daqueles que tentam mostrar por "a" mais "b" que tem alguma coisa muito errada acontecendo dentro deste universo chamado "igreja" institucionalizada.
Ontem, comentando a respeito, dissemos: será que teríamos coragem de fazer o que Estevão fez? Será que correríamos o risco de termos nossa reputação assassinada pelo sistema?
E a resposta foi: Sim, se estivermos cheios do Espírito Santo, porque é Ele quem nos encoraja a falarmos a verdade.
Enche-nos ó Deus do teu Espírito, esta é a minha oração.

sexta-feira, 14 de março de 2014

CONVIVENDO COM O DIFERENTE

"Naqueles dias, crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaram-se dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento. Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: "Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra". Tal proposta agradou a todos. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, Prócoro, Nicanor, Timom, Pármenas e Nicolau, um convertido ao judaísmo, proveniente de Antioquia. Apresentaram esses homens aos apóstolos, os quais oraram e lhes impuseram as mãos." Atos 6:1-6

Lá vou eu com meu coração peludo novamente tentar entender o texto.
Mas me respondam: Por que somente as viúvas dos judeus de fala grega estavam sendo esquecidas na distribuição do pão? Por que os apóstolos pedem para que eles mesmos resolvam o problema (escolham entre vocês)? Por que as pessoas escolhidas foram somente homens com nomes gregos?
A minha resposta é simples. Tratamento diferenciado já nos primeiros dias da igreja.
Um pouco de história para atualizar. Os judeus helenistas, ou seja, os de fala e costumes gregos haviam deixado a palestina por inúmeras razões, desde as vezes em que Israel fora levado como escravo por outras nações, até por questões comerciais e políticas. O fato é que, ao conviver com outros povos, acabou absorvendo seus costumes de alguma forma, e se tornando mais "abertos" ao sopro do mundo, diferentes dos seus irmãos que permaneceram na Palestina. Isto obviamente gerou desde sempre, uma certa rivalidade entre os dois grupos, que ao meu ver está evidente no texto em questão.
Já vi muito teólogo influente tentando salvar a pele dos judeus de fala hebraica (ou aramaica), onde estavam incluídos os doze apóstolos, querendo dizer que este problema não foi proposital. Não vejo razão para isso, porque acho que Lucas quis exatamente contar a história do jeito que ela foi, sem diminuir nem pôr, mas sendo o mais honesto possível com os acontecimentos, mesmo os mais desagradáveis.
Não há muito o que especular no texto. À medida que os grupos vão crescendo, vão aparecendo os problemas de relacionamento e consequentemente vamos expondo nossas fragilidades e nossos preconceitos. É fácil conviver com aqueles que são iguais, que pensam igual e sempre concordam conosco. Mas neste caso não há crescimento de nenhum dos lados.
É difícil conviver com pessoas que pensam diferente, que falam outra língua ou que têm coragem de nos interpelar porque não concordam com nossa posição. Neste caso, se houver discussão madura, haverá crescimento de ambos os lados do embate.
O evangelho de Jesus veio exatamente unir os diferentes. Colocar na mesma mesa da comunhão pessoas que pensam e reagem de forma diferente, e mostrar que aquilo que nos une é maior que aquilo que nos divide. O evangelho de Jesus veio provar que é possível conviver com conflitos de opinião, mas sempre tendo como ponto de elo o amor a Deus e o respeito ao outro.
Por isso, ao estudar este texto fiz-me uma pergunta: Como Jesus resolveria o conflito do problema da distribuição dos pães?
Veio-me à mente Jesus, calmamente se levantando, pegando a bandeja de comida nas mãos e servindo a todos sem distinção. Depois Jesus olha para as pessoas e pergunta: Vocês conseguem fazer isso? Se sim, então nós não temos mais um problema.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

MALDIÇÃO DE POVO

"Então o sumo sacerdote e todos os seus companheiros, membros do partido dos saduceus, ficaram cheios de inveja. Por isso, mandaram prender os apóstolos, colocando-os numa prisão pública."

Companheiros, partidos, inveja, prisão pública. Parece coisa de político, e é.
A verdade é que quem faz o bem sempre enfrentará problemas.
Os apóstolos começaram a mexer com gente grande que não estava nem um pouco interessada em mudar a condição de vida da "gentalha", mas que também não admitia perder sua influência sobre as pessoas.
Afinal de contas, por que mexer com gente que o próprio Deus já amaldiçoou?
E quando a "gentalha" que havia sido "amaldiçoada por Deus" começa a ser curada e começa a se livrar de alguns demônios, isto gera alguns problemas para os religiosos.
Porque o pessoal do discurso adora teologizar. Será que foi Deus? E, se foi, por que Ele tiraria a maldição que Ele mesmo "havia colocado"? Mas se não foi Deus, só pode ser coisa do diabo. Mas o diabo pode fazer o bem?
E já que o concílio não chega a lugar algum, vamos prender todo mundo e tapar a boca deste povo.
Isso é coisa de político e não de cristão. Porque pra lidar com religião precisa ser político, mas pra se lidar com o evangelho precisa ser cristão.
O religioso tem medo dos maltrapilhos porque sua aparência e suas atitudes podem macular o "santo" ambiente eclesiástico. O cristão não tem medo de recebê-los porque se sabe como um deles e se reconhece em seus pecados e desvios de conduta.
O religioso não recebe os maltrapilhos e condena quem o faz, porque acredita com isto estar protegendo a integridade da "Santa" igreja. O cristão, ignorante de qualquer regra eclesial, não tem medo de conviver com essas pessoas, porque entende que é exatamente através da convivência e do amor que se expressa o verdadeiro evangelho.
O religioso construiu um pensamento meritocrático e, por isso, tenta classificar os pecados, mantendo os seus, obviamente, na base da escala. O cristão por sua vez, se entende tão miserável que não tem coragem de imaginar que exista qualquer tipo de classificação.
O bom em tudo isso é que o reino de Deus é construído por maltrapilhos e miseráveis e não por religiosos.
Aos religiosos, podem continuar em seus confortáveis templos longe do perigo da escória do mundo. Deixa essa preocupação com os cristãos.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

DESCOBERTAS

Descobri com o tempo que os discursos não convencem ninguém; no máximo irão arregimentar aqueles que já não tinham qualquer opinião. Mas esse tipo de convencimento não é válido; no próximo discurso bem elaborado, mesmo que repleto de falácias, essas pessoas mudarão novamente de "lado".

Descobri que quanto mais se luta contra alguma coisa, mais essa coisa ganha força e cresce. As nossas críticas alimentam mais ainda o fanatismo das convicções, não importa o quão absurdas sejam.

Descobri que as amizades sempre terão um quê de retribuição. Ninguém nos terá em apreço incondicionalmente, porque afinal de contas não somos Deus, somos humanos e fomos criados assim. E no campo das convicções, você terá amigos tanto quanto suas ideias concordarem. O oposto também é verdade, infelizmente.

Descobri que não é o revelar-se nua e cruamente ao outro que te faz verdadeiro, mas é o dizer as palavras certas na hora certa, ou talvez nem dizê-las. O revelar-se por completo revela quem você realmente é, e a maioria das pessoas não está interessada nesta descoberta; a maioria se afastaria de você.

Descobri que uma cosia muito boa na vida é o não almejar as riquezas. Isso te faz viver de forma leve e o torna um apreciador das pequenas ações.  O dinheiro é escravizador, por isso quem não o tem como um deus, vive melhor.

Descobri que não tenho mais medo de aprender. Aprendo a cada dia e à medida que aprendo, mudo o modo como penso. As minhas verdades estão sempre em construção e vão, juntamente com a maturidade, adquirindo novas nuances. Mas, independente de serem renováveis, sempre são verdades, porque também aprendi que ninguém vive bem sob a angústia da dúvida. Por isso, tenha as suas verdades, a cada dia.

Descobri que o arriscar-se é melhor que o acomodar-se. Quando se arrisca você no mínimo conhece novas pessoas, novas opiniões, cria novas oportunidades e cresce como ser humano. O acomodar-se nos faz indiferentes a outras realidades. Quando nos arriscamos, diminuímos a chance de sermos manipulados por aqueles que querem nossa alienação.

Descobri que não posso viver de nostalgia porque fatalmente estaria mais propenso a cometer velhos erros. Mas aprendi também que não posso ignorar meu passado. Ele é tudo aquilo no que me tornei hoje, sem mais nem menos. Por isso, dou risada de tudo que aconteceu, mesmo das coisas ruins, porque se posso rir é porque ainda estou vivo.

Descobri como é bom e libertador dizer não àquilo que me incomoda. Não somos obrigados a agradar a todos e nem a nos tornarmos infelizes para satisfazer desejos alheios. Dizer não te põe novamente no controle da sua vida. Não se preocupe, os amigos verdadeiros continuarão ao seu lado.

Descobri tantas outras coisas; algumas que nem posso dizer. Mas essas são minhas descobertas. Espero que tenha as suas e que elas façam tão bem a você como as minhas fazem a mim.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

SOBRE BODES DOENTES E OVELHAS VELHAS


Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham. Com grande poder os apóstolos continuavam a testemunhar da ressurreição do Senhor Jesus, e grandiosa graça estava sobre todos eles. Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um. José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa encorajador, vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos.

Um homem chamado Ananias, juntamente com Safira, sua mulher, também vendeu uma propriedade. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: "Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus". Ouvindo isso, Ananias caiu e morreu. Grande temor apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido. Então os moços vieram, envolveram seu corpo, levaram-no para fora e o sepultaram. Cerca de três horas mais tarde, entrou sua mulher, sem saber o que havia acontecido. Pedro lhe perguntou: "Diga-me, foi esse o preço que vocês conseguiram pela propriedade? " Respondeu ela: "Sim, foi esse mesmo". Pedro lhe disse: "Por que vocês entraram em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Veja! Estão à porta os pés dos que sepultaram seu marido, e eles a levarão também". Naquele mesmo instante, ela caiu aos pés dele e morreu. Então os moços entraram e, encontrando-a morta, levaram-na e a sepultaram ao lado de seu marido. E grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos. Atos 5:1-11

O texto fala da vida da igreja primitiva. Lucas, de forma proposital, coloca em paralelo três personagens, José cujo apelido era Barnabé (aquele que gostava de ajudar) e um casal, Ananias e Safira.
O povo que morava em Jerusalém começava a passar por uma crise política e financeira, prenúncio da destruição que estava por vir, e aqueles que estavam se convertendo ao evangelho passavam pela mesma crise (a igreja não está isenta dos males desse mundo). Por isso, os irmãos começaram a se ajudar e aqueles que tinham mais ajudavam os que tinham menos, mostrando sua lealdade aos ensinamentos de Jesus.
Essa ajuda era voluntária, ninguém estava obrigado a fazê-la.
O casal citado acima prometeu doar todo o valor da venda de uma propriedade, mas reteve parte do valor para eles, talvez acostumados com os vícios da antiga religião, onde os bodes e ovelhinhas sacrificados já não eram tão puros como deveriam ser.
O costume começou a se alastrar porque afinal de contas nada acontecia mesmo; aparentemente Deus estava aceitando tudo numa boa.
Então tudo aquilo que não servia mais era levado ao sacrifício; ovelhas doentes e velhas começaram a substituir a pureza do sacrifício. E não é que Deus não ligava, Ele apenas  havia abandonado a religião à sua sorte. Deus havia fugido do "Templo".
O casal achou que poderia continuar com os mesmos vícios e roubou uma parte do dinheiro que havia sido prometido, e por isso morreram.
Você pode achar muito cruel, mas na verdade a morte física foi só uma manifestação daquilo que já havia acontecido em suas almas; eles já estavam mortos há muito tempo.
Como não existem mais histórias na Bíblia de pessoas que morreram pelo mesmo motivo, resta-nos entender este fato como um princípio do evangelho. E o princípio é simples: no cristianismo não dá pra se viver uma vida de enganação, porque na verdade não se engana as pessoas mas a Deus, e Deus não se deixa enganar.
E aqueles que estão usando do evangelho para benefício próprio, vivendo como se Deus não se importasse ou nem existisse, estão como o casal, mortos espiritualmente.
E o sinal mais evidente daqueles que estão vivos é o temor a Deus (...e grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos...). Temor aqui não significa medo, mas conhecimento de Deus. E quanto mais eu o conheço, mais eu o amo e menos medo eu tenho.
Quanto mais amor, menos medo. Quanto menos medo, mais temor.
Aquele que não o conhece, acha que pode mentir para Ele e por isso não há temor neste coração; talvez apenas medo de ser descoberto.
A questão aqui não é pelo dinheiro, mas pela mentira, por achar que se pode tratar o evangelho de Jesus com fraude e arrogância, como quem está acima de qualquer consequência.
Pode continuar na "igreja" trazendo seus bodes doentes e suas ovelhas velhas, mas saiba que já está morto; o enterro é mera consequência.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

SOMOS AMANTES

"Sempre haverá pobres na terra. Portanto, eu lhe ordeno que abra o coração para o seu irmão israelita, tanto para o pobre como para o necessitado de sua terra." Deuteronômio 15:11
"Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". Romanos 12:20

O evangelho de Jesus expande nosso modo de nos relacionarmos. Em deuteronômio eu tinha que abrir a mão apenas para o meu irmão, em Romanos até para o inimigo. Deus mudou de opinião? Não, na época antiga era inconcebível fazer o bem àqueles que nos queriam mal. Era como falar em avião em uma época que nem carro existia.
Mas o que eu quero falar é outra coisa. Quero falar daquilo que Jesus nos chamou para fazer. Amar, que aqui se traduz como ajudar, compartilhar, repartir, socorrer, não é amor romântico, mas amor prático.
Nem sempre pensei desta forma, mas hoje acredito que Jesus não nos chamou para guerrear, protestar ou para nos filiarmos à esquerda ou à direta. Jesus não nos chamou para a revolução armada, mas para a revolução do amor. Jesus não disse que suas boas novas seriam compartilhadas através de nossa militância política, mas através da sua história contada, corroborada com nosso proceder inculpável.
Uma vez uma pessoa tentava me convencer de que era importante termos cristãos na política para que os direitos cristãos pudessem ser defendidos. Discordei na época e discordo hoje. A igreja não precisa ser defendida. Talvez as instituições precisem, a igreja não. Da igreja quem cuida é o Espírito Santo e Ele se basta.
Às vezes agimos como quem não acredita mais nisso. Tememos que o "mundo" entre na "igreja". Tememos em recepcionar nas instituições pessoas que possam promover algum risco à "santidade" da "igreja" (e aí você pode incluir gays, lésbicas, prostitutas, maçons, etc, etc) como se a santidade da igreja não estivesse dentro de nós mesmos. Agimos como se Jesus nos tivesse incumbido de assegurar a inviolabilidade da igreja. Tolo engano.
Invertemos tudo. Tentamos proteger as instituições usando de manobras políticas e impedindo o acesso de algumas classes de pessoas e esquecemos o essencial e imprescindível: amar.
O amor é tão poderoso que dispensa qualquer meio de defesa: vai impedir com que os mal intencionados fiquem e vai atrair quem realmente precisa e quer ser curado. Nós não controlamos isso, é o Espírito quem controla, por isso não há o que temer.
Quando tentamos fazer do nosso jeito nos amoldamos ao mundo, quando amamos como Jesus nos mandou nos transformamos pela renovação da nossa mente.
Não somos militantes, somos amantes.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

CREMOS REALMENTE NA GRAÇA?

Graça é um termo cristão. É o favor que recebemos de Deus sem merecermos. Nossa fé nos diz que todo relacionamento de Deus para com os seres humanos é tão somente baseado na graça. Isto quer dizer que não há nada que você faça ou deixe de fazer para merecer mais ou menos o favor de Deus.
O conceito é até certo ponto simples de entender mas extremamente difícil de ser vivido, porque todos os relacionamentos que criamos são baseados em trocas. Gostamos de quem gosta de nós, favorecemos a quem nos favorece, e por consequência odiamos quem nos odeia. Foi assim que fomos construídos como indivíduos em regra geral. Por isso que ajudar quem não nos tem em apreço é muito custoso, visto que vai ao encontro de nossa formação como pessoas e, por isso, necessita de vontade de nossa parte, já que não é algo que flui naturalmente.
Como cristãos, falamos na graça, a defendemos, veneramos aqueles que a sistematizaram como doutrina (coisa que não deveríamos fazer), mas na hora de viver nossa espiritualidade baseados nela, sempre colocamos algo a mais.
E a religião está recheada destes algo a mais. TODOS, indistintamente, colocam muitos "algo a mais" na graça: ortodoxos, fundamentalistas, liberais ou pentecostais, todos eles criaram e criam mecanismos de adesão ou engessamento que são na verdade penduricalhos à graça, que deveria ser e é um conceito pleno e suficiente. Ela não precisa de adereços e não suporta qualquer adendo.
A própria liturgia é um adereço quando entendida como essencial e pragmática. Porque ela engessa, condiciona e dita um modo "como deve ser vivida a espiritualidade" que é única e individual. E o que nela (a liturgia) ocorre são muitos adereços dentro do maior. Porque via de regra, as pessoas defendem com unhas e dentes o seu modo "correto" de adorar. A sua música é a certa, a sua Bíblia é a melhor, a sua interpretação é a correta e por aí vai. E sempre que eu coloco o meu modo de exteriorizar a minha espiritualidade como o melhor ou o correto, automaticamente eu digo que o seu é o pior ou o errado, e nesse ponto a graça foi pro brejo porque ela deixou de ser suficiente, ou seja, eu preciso da graça, mas também preciso cantar essa música, orar deste jeito, acreditar nesta ou naquela interpretação deste ou daquele texto, e quando me dou conta, a graça que deveria ser pura está contaminada com pressuposições e interpretações humanas e autoritárias. Deixou de ser graça.
A graça é tão pura e tão livre que também me faz viver de forma pura e livre. Pura não no sentido de imaculada, mas no sentido de dependência irrestrita e descompromissada com os adereços.
A graça não me faz santo e nem cafajeste. A graça me faz sensível ao meu próprio mal. E quando este mal vem à tona eu não fico indiferente e nem temeroso com o castigo de um "deus" furioso, mas eu sinto dor, daquelas dores de quem entristece um amigo por quem é amado sem ter nada que fazer para reparar o erro. Daquelas dores que a gente sente na hora da morte de um ente, porque sabe que poderia ter sido melhor do que foi.
Essa é a graça que eu acredito, que é maior que tudo porque é baseada no amor maior.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O JESUS HISTÓRICO - "Um cadinho de Teologia"

O JESUS HISTÓRICO (out 2009)



Introdução
Este tem sido um tema controverso e causador de muitas polêmicas. A pessoa de Cristo sempre foi alvo de especulações e por isso, não era de se admirar que não só sua deidade, mas também a historicidade de Jesus fosse questionada. Esse questionamento iniciou-se por vota do século XVII, onde as pessoas não mais aceitavam os modelos de interpretação propostos até então e começaram, principalmente na Europa, dar início a questionamentos sobre a pessoa de Cristo. A pergunta da problemática é mais ou menos esta: Temos base histórica objetiva suficiente para acreditar na pessoa de Jesus Cristo?
Este trabalho se propõe a discutir esse dilema sob a perspectiva de alguns autores que se dispuseram a defender a historicidade de Jesus, sob a qual sua obra e sacrifício se apóiam.


A Problemática
Schillebeeckx afirma que esse interesse moderno pelo Jesus histórico na verdade, não é conseqüência da moderna consciência histórica, mas é questão essencial para o cristianismo, porque confessamos na fé acerca do homem histórico, Jesus de Nazaré, e não acerca de figura mítica, que Ele é o Messias ou o Cristo. O que o autor na verdade está querendo dizer é que a necessidade desta investigação está na própria necessidade cristã de crer em um Jesus que viveu como homem, cresceu e morreu como tal. Para que a obra de Jesus pudesse ser eficaz, havia a necessidade da encarnação; Deus precisava tomar a forma humana para salvar o homem. Isto não poderia ser feito por um espírito e muito menos inventado por uma histórica de mitologia.
Nos vários momentos do cristianismo, Jesus assume um significado particular que estava em boa parte relacionado com a idéia e o conceito que as pessoas faziam dele. Por exemplo, na carta aos Hebreus, Jesus é o sumo sacerdote celeste. Na idade média e alta, Jesus é aquele que trouxe propiciação e nos redimiu. Já o iluminismo viu nele a imagem por excelência da moralidade humana e assim por diante.
Da mesma forma, podemos, a partir de cada experiência de conversão, fazer nosso próprio conceito a respeito de Jesus, o que não significa ser este conceito fidedigno de quem Jesus realmente foi enquanto Homem-Deus. Daí vem a importância da questão histórica: Quem foi realmente Jesus de Nazaré?
O estudo livre das Escrituras, isto é, à parte e sem a tutela da igreja, foi motivo de muita crítica e relutância por parte da igreja que temia que o método histórico-crítico pudesse criar um abismo entre o Jesus histórico e o Cristo da fé. Essa relutância, no entanto, foi deixando de ser, na medida em que a própria igreja via na pesquisa, um meio de reafirmar a pessoa de Cristo, de forma empírica e histórica.
Todavia, parece que toda a questão em cima do Jesus histórico e do Cristo da igreja, era menos cristológico e mais uma luta contra a patente exclusivista de interpretação das Escrituras.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

ONDE ESTÁ TEU IRMÃO?

Então o Senhor perguntou a Caim: "Onde está seu irmão Abel? " Respondeu ele: "Não sei; sou eu o responsável por meu irmão? " Gênesis 4:9

Esta pergunta não foi feita somente à Caim, ela é feita a todas as pessoas que optaram viver suas vidas pautadas pelo evangelho de Jesus: Onde está teu irmão?
O evangelho é maravilhoso porque ele cria um círculo benéfico de ajuda mútua, eu te ajudo, você me ajuda e assim ninguém tem falta de coisa alguma. Por isso somos responsáveis uns pelos outros, e por isso, até hoje, Deus continua nos fazendo a mesma pergunta: Onde está teu irmão? Como está teu irmão?
E irmão de acordo com as boas notícias de Jesus é um conceito que vai muito além dos limites consanguíneos e se estende até o inimaginável conceito de inimigo. Porque no evangelho é sempre assim, tudo se estende, tudo se amplifica, como a graça de Jesus.
E Jesus certa vez tratou desta questão de uma maneira bem simples e resolveu criar o conceito de próximo, e disse que próximo é todo aquele que passa pelo teu caminho precisando de ajuda, e se você puder fazer alguma coisa para ajudá-lo, ele se transformou em teu próximo, seja ele amigo ou inimigo.
Por isso Deus continua nos perguntando: Onde está o teu próximo?
Podemos fazer como Caim e respondermos: esta responsabilidade não é minha, a culpa é do governo, do sistema ou do diabo, ou podemos responder à pergunta que transcende épocas e gerações: eu estou cuidando do meu próximo.
Caim era mais velho e, portanto, responsável por cuidar do seu irmão mais novo. Deus te colocou em uma situação privilegiada de poder cuidar ao invés de ser cuidado? Então a responsabilidade é tua e de mais ninguém. Quando você se exime dela você mata teu próximo.
Como cristãos, que possamos responder à pergunta de Jesus com tranquilidade de alma: sou responsável por meu irmão Senhor, pode deixar que dele eu cuido.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

AMOR PENTECOSTAL

Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo. Ouvindo-se este som, juntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: "Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna? Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, Ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua! " Atônitos e perplexos, todos perguntavam uns aos outros: "Que significa isto? Atos 2:1-12
O pentecostes foi um evento único. inigualável, sem precedentes e que não se repetirá jamais. Foi o cumprimento da promessa de Jesus: não deixarei vocês sozinhos, enviarei o consolador para estar para sempre com vocês. Ter o Espírito Santo é ter a presença de Deus conosco, em todos os lugares e ocasiões, além dos limites geográficos, temporais e religiosos.
O Pentecoste veio unir o que Babel separou.
Em babel Deus salva o homem de sua loucura e o espalha para povoar a Terra.
Em Pentecoste, Jesus reúne novamente as pessoas, apesar de suas diferenças, sob o poder unificador do evangelho.
Porque só o evangelho de Jesus é capaz de unir pessoas de qualquer raça, povo, nação ou cultura; nenhum poder político ou ideológico foi, é ou será capaz disso. E aqui não falo de instituições religiosas, mas do evangelho de Jesus.
Portanto, o significado maior do pentecoste é a união de todos em um. É a superação das diferenças em função do bem maior de Deus: o ser humano. É a presença de Deus no mundo além de qualquer limite que possa ser imposto pelo homem ou pela religião.
O evangelho apenas une, nunca separa. Por isso, qualquer adereço religioso que causa separação e contenda não é evangelho, mas uma trama diabólica. E esta é uma boa régua para sabermos onde estamos pisando.
O Pentecoste é a garantia de Deus de que podemos falar a mesma língua em uma só voz. Esta linguagem é a linguagem do amor que pode superar qualquer obstáculo de nacionalidade, cultura ou religião, e só ela é capaz de fazer o nome de Jesus conhecido em todos os lugares até os confins da Terra.