segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

NATAL EM EMAÚS - Myrtes Mathias


È natal!
E no natal a gente sempre espera que aconteça um milagre.
Mas, ás vezes, a gente espera, espera e cansa, como os discípulos de Emaús:
– Senhor, é já hoje o terceiro dia, o terceiro mês, o terceiro ano...
Então, de repente, vejo-me passando às mãos do Mestre todas as mágoas, frustrações e dor.
E ele, mansamente, começa a fazer-me lembrar as bênçãos e vitórias alcançadas durante todo o ano, toda a vida: ás vezes sem conta em que o socorro chegou, talvez não como eu havia pedido ou esperado, mas sempre concorrendo para o meu próprio bem.
Enquanto minha alma caminha assim com ele, sua voz, como um acalanto, faz arder meu coração e eu lhe estendo a mão, queixas e murmuração, transformadas num pedido de amor:
– Fica comigo, Senhor!
O dia declina. Já não sou mais jovem, nem forte, nem cheia de ilusões.
O crepúsculo me assusta, me causa pavor:
– Fica comigo, Senhor!
Mas quando suas mãos marcadas, glorificadas, se estendem para partir o pão – que é ele mesmo, minha alma alimentada, agradecida, reconhece que sempre esteve comigo, durante todo o caminho. E a alegria é tanta que quase não dá para crer:
– Eras tu, Jesus! Eras tu, Rabi!
E eu me ajoelho para adorá-lo e para escrever essa estranha mensagem de ressurreição num dia de natal...
E hoje, o terceiro dia, o terceiro mês, o terceiro ano... Que esperava eu?
Não me lembro. Não importa.
O milagre aconteceu!
Há luz ao meu redor, há luz dentro de mim:
Jesus nasceu! Ele vive! Está aqui! Emanuel! Rabi!
Glória a Deus nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor!
O caminho da espera se fez o da esperança:
Deus feito criança nasceu, cresceu, morreu, ressuscitou, cumpriu as promessas, deixou a promessa:
– Este Jesus há de voltar um dia!
E tudo isto é tão lindo, tão pleno, tão consolador, que a gente tem que terminar repetindo com o anjo anunciador:
– Não temais! Eis que vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
hoje vos nasceu Jesus Cristo, o salvador!
Vos nasceu – nasceu para nós, cada um de nós, mesmo para os que caminham na direção de Emaús.
Hoje é dia de ressurreição e de advento, dia da renovação do entendimento, que vem em resposta ao meu clamor:
– Fica comigo, Jesus! E Jesus ficou!
Noite feliz! Noite de paz! Noite de amor!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

RETROALIMENTANDO O BEM

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações. 2 Coríntios 1:3-4

O modo de vida que Jesus propôs é um sistema de retroalimentação. Foi assim que Ele quis que fosse porque este é o modo mais produtivo de relacionamento humano. Funciona em qualquer sistema de governo, em qualquer classe social e em qualquer época.
Jesus criou um sistema de cuidado mútuo, onde eu cuido de você e você cuida de mim e todos nós nos cuidamos ao mesmo tempo porque estamos sendo cuidados por Deus. De modo que ninguém deveria passar qualquer necessidade, de espécie alguma. E isto deve se aplicar a qualquer tipo de necessidade, seja ela social, emocional ou financeira.
E à medida em que vamos passando pelas necessidades vamos nos tornando mais aptos para ajudar aqueles que estão ou passarão pelas mesmas necessidades porque teoricamente a experiência nos garantiria alguma vantagem.
Neste sistema aquele que tem mais distribui com aqueles que têm menos. Aquele que passou por uma experiência profunda de luto ajuda aquele que está passando por isso. Aquele que tem a capacidade de ouvir e aconselhar fará àquele que precisa ser ouvido e aconselhado.
Haverá tempos em que não poderei ajudar porque estarei demasiado machucado pela vida e neste momento precisarei de ajuda e de tempo para me curar. No entanto, haverá outros tempos em que poderei compartilhar alguma coisa porque estarei bem com Deus e comigo mesmo.
E a ideia original era que esse sistema se alastrasse e tomasse o mundo, até os confins da Terra.
Neste sistema não dependeríamos do governo ou de qualquer entidade porque quem se ajuda na verdade são pessoas e não órgãos jurídicos.
Este sistema criado por Jesus chama-se evangelho. Não é socialismo ou comunismo como o conhecemos, porque o socialismo tolhe a liberdade de expressão e de escolha das pessoas. Tampouco é o capitalismo que dá liberdade mas tira o pão.
No evangelho de Jesus você tem liberdade porque é a graça que impera. E você tem pão e todas as suas necessidades supridas pela comunidade de irmãos; pelo menos esse era o ideal.
E por que o evangelho de Jesus tira a possibilidade de se viver sozinho? Porque só vivendo em comunidade e dependendo desta é que aprendo a não ser egoísta, aprendo a compartilhar e aprendo a ajudar e a ser ajudado.
Eu quero convidá-lo a viver este sistema onde você estiver. Na sua comunidade, na sua família, no seu bairro, onde a vida lhe mandar.
Porque natal se vive assim...todos os dias do ano.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CONFIANÇA CEGA


Então Jó respondeu ao Senhor: "Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado". Tu perguntaste: "Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento?" Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. Tu disseste: ‘Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá’. Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza". Jó 42:1-6

O livro de Jó foi escrito por um narrador em terceira pessoa, aquele que não participa da história mas conta dela como se fosse um observador.
Provavelmente este narrador escreve esta história muito depois dela ter acontecido. Porque na época de Jó não se conhecia a figura do diabo, do mal. Mas o narrador o conhecia muito bem e tenta, a partir do que sabia da história e da sua noção do mal encaixar tudo como conhecemos hoje.
O fato é que o próprio Jó nunca soube da suposta queda de braço travada entre Deus e o diabo. Pra ele e seus contemporâneos tudo vinha de Deus, benção e desgraça, e ele morreu achando que tudo aquilo foi algum plano misterioso e secreto de Deus e somente dele.
Alguns textos na Bíblia são particularmente muito difíceis de entender e esse é um deles. Quando me deparo com textos assim eu tiro aquilo que dá. O que não dá, não fico espremendo pra tentar entender.
O que eu consigo extrair desta história é que em 100% de tudo que acontece na nossa vida, de fato não conseguimos entender sua trama espiritual, se é que houve alguma. Não podemos falar com convicção que Deus agiu assim ou assado, que este ou aquele momento foram consequências naturais de nossos atos ou foi "a mão de Deus", se foi coincidência do acaso ou foi o "mover sobrenatural". Empiricamente falando? Impossível saber.
Além de impossível acho também desnecessário, porque se fosse necessário, Deus teria explicado a Jó, mas Ele não o fez.
Alguns tentam usar a história de Jó para explicar porque o justo sofre. Não tem como explicar. No nosso modo de ver e entender a situação ela sempre parecerá injusta e desnecessária. Jó já era um cara supimpa, precisava sofrer tanto assim? Deus precisa provar alguma coisa ao diabo? E o que nós temos a ver com isso?
São perguntas sem resposta ou talvez a resposta que o narrador quis dar à história de Jó não tenha sido tão feliz assim. Eu acredito na história de Jó mas tenho dúvidas a respeito da interpretação do narrador.
E o que fazemos então com essa história toda? Pegamos aquilo em que não há dúvidas.
Jó nunca soube realmente o motivo daquilo que estava se passando com ele, mas sempre teve a certeza de que Deus estava acompanhando tudo de perto.
E deve ser assim conosco. Nunca saberemos onde estamos pisando. Nunca teremos plena convicção (eu sei que isso é um pleonasmo) até onde estamos envolvidos neste mundo espiritual. Nunca saberemos com certeza se o tropeção foi o sapato que enroscou ou foi obra do tinhoso pra me fazer xingar. Mas podemos saber, pela fé, que Deus sempre estará conosco, porque isso Ele prometeu.
Sempre podemos ter a certeza da fé de que Ele nos acompanha, nos olha e será assim até o dia final, porque isso Ele nos prometeu.
É uma fé cega eu sei, mas é baseada naquilo que Ele realmente disse que faria.
Ele não prometeu que não sofreríamos, mas que em qualquer situação Ele estaria ao nosso lado nos dando paz.
E eu acho que esta é a fé que Ele espera de nós; uma fé que acredita que Ele está, mesmo sem ver e sentir nada.
E por que o justo sofre? Porque todo mundo sofre. Porque foi assim que deixamos o mundo em que vivemos. Lembre-se: o sofrimento é culpa do ser humano e não de Deus.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

QUANTO VOCÊ AMA A JESUS?


"Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta.

Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais? " Lucas 7:41-42

Esta pergunta foi dirigida ao fariseu, a você e a mim. Quanto você ama Jesus? Parece uma questão quantitativa. É e não é. Pra Deus não é, mas pra nós, seres humanos deve ser.
O fariseu se achava mais "santo" que a pecadora e por isso Jesus lhe conta uma parábola. A conclusão da parábola é simples: nem o fariseu "santo" e nem a pecadora tinham com que pagar a dívida para com Deus, mas Ele perdoou a ambos.
A pecadora devia mais que o fariseu? Claro que não. Esta é mais uma daquelas ironias deliciosas que só Jesus sabia fazer. Diante de Deus ambos deviam igual. Isso mesmo. Você deve a mesma coisa que o bandido e a prostituta.
Mas para o fariseu ele devia pouco ou nada, e para a prostituta, ela devia muito e talvez tudo.
A conclusão é simples. A prostituta, sabendo que sua dívida era impagável saiu perdoada e feliz. O fariseu saiu sobrecarregado e triste.
E esta é uma das maravilhas que esta pequena parábola nos mostra. Dependendo do quanto você acha que deve pra Jesus, você pode sair triste ou alegre, leve ou com um peso enorme nos ombros.
A auto-confiança vale somente no mundo contemporâneo onde se exacerba o homem e seu pseudo poder interior. Pra Deus qualquer auto-confiança é lixo porque ele nos vê interiormente, sabe quem somos no mais profundo do nosso ser.
A receita que Jesus nos dá é simples. Aceite que sua dívida é impagável mas que Jesus já a pagou. Você sairá leve como a prostituta com a certeza do perdão. Não mais olhará o outro como menos ou mais pecador, mas olhará a todos e se incluirá como dependente de Deus, salvo por graça e não por mérito.
Seu amor por Jesus será grande porque só você saberá de onde Ele o tirou. Só você saberá o peso que estava sobre você mas não está mais. E ouvirá, bem no fundo do seu coração: Sua fé lhe salvou, vá em paz.