sábado, 7 de setembro de 2013

EXPLICANDO O INEXPLICÁVEL


Então eles voltaram para Jerusalém, vindo do monte chamado das Oliveiras, que fica perto da cidade, cerca de um quilômetro. Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro, João, Tiago e André; Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus. Naqueles dias Pedro levantou-se entre os irmãos, um grupo de cerca de cento e vinte pessoas, e disse: "Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse por boca de Davi, a respeito de Judas, que serviu de guia aos que prenderam Jesus. Ele foi contado como um dos nossos e teve participação neste ministério".
( Com a recompensa que recebeu pelo seu pecado, Judas comprou um campo. Ali caiu de cabeça, seu corpo partiu-se ao meio, e as suas vísceras se derramaram. Todos em Jerusalém ficaram sabendo disso, de modo que, na língua deles, esse campo passou a chamar-se Aceldama, isto é, campo de Sangue. )
"Porque", prosseguiu Pedro, "está escrito no Livro de Salmos: ‘Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite’; e ainda: ‘Que outro ocupe o seu lugar’. Portanto, é necessário que escolhamos um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, desde o batismo de João até o dia em que Jesus foi elevado dentre nós às alturas. É preciso que um deles seja conosco testemunha de sua ressurreição". Então indicaram dois nomes: José, chamado Barsabás, também conhecido como Justo, e Matias. Depois oraram: "Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois tens escolhido para assumir este ministério apostólico que Judas abandonou, indo para o lugar que lhe era devido". Então tiraram sortes, e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi acrescentado aos onze apóstolos. Atos 1:12-26

Algumas coisas na vida nos incomodam muito - aquilo que não podemos explicar e aquilo que parece tão lógico mas na verdade não é. Não que não exista alguma lógica no universo, ela existe; a Terra foi criada com lógica, há uma lógica para o resultado do pecado e para a redenção do ser humano, e por aí vai. O problema é que não sabemos exatamente onde e nem quando ela ocorre (quando ela ocorre), e então começamos desesperadamente tentar encontrar respostas para aquilo que não podemos entender e nem explicar.
Jesus voltou ao Pai, seus discípulos ficaram em Jerusalém esperando a promessa do Espírito Santo e num certo dia, não suportando mais a situação inexplicável de Judas, Pedro resolve dar um jeito na coisa, colocando outra pessoa em seu lugar.
Não acredito que Pedro tenha errado e também não creio que ele tenha acertado. Temos que levar em consideração a mística que o judeu tinha e tem com os números, afinal 12 era o número das tribos de Israel. Não o condeno por isso e nem creio que esse foi seu real motivo para escolher outro para o lugar do traidor.
Para mim o real motivo foi esse: Pedro e nem ninguém conseguia explicar por que Jesus, sendo Deus, havia escolhido um homem que o trairia e depois se mataria. Acaso Jesus não sabia de antemão que isto iria acontecer? Jesus teria errado?
Este era o problema de Pedro, não conseguir explicar o inexplicável.
E na ânsia de encontrar uma saída, sai a procura de apoio bíblico para uma solução do problema insolúvel.
Deus? Não estava preocupado com isso. Deus estava "preocupado" com a missão que estava prestes a começar. Para Ele esse cabalismo incipiente judaico era a menor das preocupações, porque Deus se preocupa com vidas.
Bom, falei tudo isso pra dizer que acontece a mesma coisa conosco.
Olhamos para os acontecimentos de nossa vida e tentamos encontrar um padrão do agir de Deus. O problema começa quando baseamos esse padrão no padrão que nós mesmos criamos e acreditamos seja o modo correto de Deus agir. O problema maior surge quando erramos na avaliação do que está acontecendo porque simplesmente temos uma visão muito limitada do que está acontecendo ao nosso redor.
Quando acontece uma coisa boa (aos nossos olhos), então foi Deus. Quando acontece uma coisa ruim (também ao nosso ver) então foi o diabo, ou no máximo falamos que é Deus nos provando. Isso é tentar explicar o inexplicável.
Porque na verdade nunca teremos uma dimensão exata daquilo que Deus está fazendo. Nunca saberemos porque Deus fez, se Deus fez e como Deus fez, e nunca saberemos as consequências disso tudo.
Mas quando temos "certeza" de que aquilo fora feito por Deus e no final sai diferente do que planejamos, ficamos como Pedro, desesperados para encontrar uma solução que tente explicar o inexplicável. Vamos pra Bíblia, fazemos mandingas, macumbas, buscamos a palavra do "profeta", porque afinal de contas foi Deus que fez ou falou. Isso nos causa frustração, cansaço espiritual e perda de tempo.
Por que Jesus escolheu Judas mesmo sabendo o que iria acontecer? Não sei, Ele pode ter tido um milhão de motivos que nunca saberemos.
O que precisamos entender definitivamente é: não é porque não deu certo aos nossos olhos, que não tenha dado certo pra Deus. Deus planejou então o final de Judas? Óbvio que não, mas na vida não temos sempre os finais felizes como os que ocorrem nos filmes e novelas. A vida é o que é. Deus nos dá oportunidades e escolhas, mas nós escolhemos quaiiremos aproveitar.
Nem sempre o nosso final feliz é o final feliz pra Deus e vice-versa.
O que nos cabe? Acreditar que Ele tem sempre tudo sob controle, mesmo que pareça que deu tudo errado. Acreditar que Ele sempre quer e quererá um bom fim para nossas vidas, mas quem definirá esse fim, no fim das contas, são nossas escolhas.
Que Deus nos ajude a escolher bem.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

PRIMEIRO O REINO


Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.

Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?
E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.
Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. Atos 1:5-8

Conflito de foco e de importância sobre a vida.
Jesus está falando sobre uma futura mudança de paradigma jamais vista em todos os tempos. Uma mudança que afetará toda a humanidade. Uma mudança que marca o início da restauração do caos da criação. Esta mudança é a decida do Espírito Santo sobre toda a humanidade, não mais de forma local e esporádica como acontecia até então, mas de forma universal.
Deus não será mais o "Deus dos judeus". Deus não mais estará confinado em um templo, "controlado" por leis e regras limitadas e temporais (óbvio que Ele nunca esteve, mas assim pensavam os judeus). Deus agora está "livre" e vai atuar sem limites e sem discriminações quanto a raças ou religiões.
Mas o foco e as preocupações daqueles que ouviam Jesus eram outras. Seus problemas eram tão pequenos e insignificantes perto do que estava para acontecer, que Jesus tem de interromper sem muita cortesia - "esquece isso, a vocês não importa saber tempos ou estações. Eu quero que vocês se preocupem com algo que vai muito além dos seus problemas imediatos: o Reino de Deus".
Ser testemunhas do que Jesus fez, falou e viveu, essa era a missão.
Veio-me a mente uma questão: Temos nos preocupado em ser testemunhas do que Jesus fez, viveu e falou, ou temos tentado encher "linguiça" dando o nome a isso de "evangelho"?
Mas voltando ao assunto, esse conflito entre Jesus e aqueles que o ouviam se parece muito conosco.
Estamos por demais preocupados com nossos problemas, aquilo que nos afeta pessoalmente, aquelas coisas que só a nós dizem respeito e não temos muito tempo de olhar para as necessidades do reino. Não que nossos problemas não sejam importantes e grandes aos nossos olhos, mas o que Jesus quer que entendamos é que, à medida que nos preocupamos com o reino, Ele se preocupa com nossas coisas. À medida que dedicamos tempo e esforços com as coisas do seu reino, Ele se encarrega de nossas demandas. Aliás, tenho certeza que Ele pode resolvê-las melhor que nós mesmos não é?
Mas queremos sempre ter o controle de tudo, quando no fundo não controlamos nada, nenhum segundo da nossa ínfima existência.
Isto não significa apatia diante dos problemas, que não vou mexer um dedo na tentativa de resolvê-los. Significa que farei apenas aquilo que está ao meu alcance fazer, e o que não estiver, entrego pra Ele.
Agindo assim não me desgasto com aquilo que foge ao controle e posso pensar nas coisas que realmente importam, as do reino.
Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça.
Você pode estar pensando: esse cara não tem problemas, deve viver uma vida muito mansa pra pensar assim. Engano seu, sei muito bem o quanto é difícil viver esta ordem de Jesus. Exatamente, não é um conselho, mas uma ordem - buscai. Mas ao mesmo tempo que sei o quanto é difícil, sei que se foi Jesus quem falou, então é possível.
E o interessante é que viver o reino é o oposto perfeito de viver preocupado com nossas coisas, porque viver o reino é se preocupar com o outro, com os seus problemas. Mas nosso mundo está egoísta demais para pensar numa insanidade destas, não é mesmo?
Mas quando não temos coragem de deixar as coisas mais importantes de nossa vida nas mãos de Deus, falta-nos fé. Podemos ser os mais religiosos de nossa comunidade, mas não teremos a fé que move o coração de Deus, a fé da entrega total.
Vou terminar deixando uma pergunta para você e para mim, cristãos. Qual a distância que estamos do verdadeiro evangelho vivido por Jesus?