quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Deixa Cristo Nascer - Myrtes Mathias

Desce a noite lenta sobre a terra,
Bela e triste, quase irreal!
Bela demais em seu sublime encanto,
triste demais para nascer um santo:
Nasce Deus no primeiro Natal.

À ordem de César, Belém regurgita,
anima a cidade o decreto real:
cheia demais está a hospedaria,
à virgem cansada resta a estrebaria:
Nela nasce Deus no primeiro Natal.

Pastores que velam na escura montanha,
ouvindo a nova do coro angelical,
deixam o rebanho, em busca da luz,
primeiros crentes, vão ver a Jesus:
Adoram a Deus no primeiro Natal.

Sábios, a espera do doce milagre,
reconhecendo a estrela divinal,
deixam o Oriente, trazendo um tesouro,
simbólica oferta: mirra, incenso, ouro:
presentes para Deus no primeiro Natal.

Homem, não maldigas tua sorte incerta,
Não tornes vã a noite sem igual.
Que importa Jesus tenha nascido?
Que importa Ele tenha sofrido?
Se ele não nascer em ti neste Natal?

Deixa o orgulho, a indiferença, o ódio,
sê humilde e crente, abandona o mal.
Não faças do teu coração hospedaria,
onde lugar para Cristo não havia:
dá lugar a Deus neste Natal.

Aceita a história simples da estrebaria,
a estrela linda, o coro angelical.
Entrega teu coração em mística oferta.
Em tua alma haverá paz, no céu haverá festa,
se Cristo nascer em ti neste Natal!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Duro é este Discurso !

Jesus não foi compreendido por seus contemporâneos. Aliás, acho que Ele foi muito bem compreendido, e por isso tão rejeitado. Seus atos eram no mínimo estranhos para a sua época, desconexos e provocantes. Um misto de inveja, temor e ódio, podia ser visto pelos líderes religiosos da época, que apesar de muito se esforçarem para detê-lo, não conseguiam encobrir sua popularidade. Se apenas considerarmos a Jesus como homem, temos que concordar que Ele era muito bom no que fazia.
Jesus tinha uma forma toda especial ao lidar com fariseus, escribas e afins. Ao citar o caso da viúva de Sarepta e do Sírio Naamã (1), começa a mostrar aos judeus o alcançe de sua missão, os gentios. Isso certamente não agradava em nada a elite religiosa, preconceituosa e convicta do seu exclusivismo diante de Iahweh. Todavia nada puderam fazer a não ser expulsá-lo da cidade. Jesus falara a verdade, e os judeus entenderam a mensagem.
Para os judeus, aqueles que eram acometidos por alguma doença ou defeito físico, o eram por um castigo divino. Por isso não se aproximavam dos tais e se consideravam imundos caso os tocassem acidentalmente. Jesus então, como quem estivesse imune a todas essas tradições, vem e toca o leproso, e não se sente imundo por isso. Jesus se deixa tocar por uma mulher, duplamente imunda, primeiro por ser mulher e depois por estar sofrendo de uma terrível hemorragia. Era assim que os judeus a viam, e aquele seu ato de fé, seria digno de morte se a pessoa a quem ela tocara, não fora Jesus. A mulher tem certeza de sua cura, os judeus não podem fazer nada. Jesus mais uma vez toma o controle da situação e ensina muitas lições, e o povo se cala.
Os samaritanos eram odiados pelos judeus. Também pudera, se misturaram com outros povos, imundos, indignos, fora da aliança de Deus. Era assim que os judeus os viam. Apesar de serem parentes, eram também imundos. Jesus mostra, através da parábola do bom samaritano, que devemos amar nossos inimigos, prestar-lhe socorro se preciso for. Como aquela história deve ter doído nos ouvidos do legalista, tão convicto de suas “santas” tradições. Jesus não dá chance para resposta. Não há o que responder. Jesus vai no mais íntimo do homem, e escancara as suas chagas, revela quão podre está.
Jesus cura no sábado, perdoa uma mulher adúltera digna de morte, acaba com os cambistas do templo, se deixa levar pelos soldados, perdoa um ladrão à beira da morte, e morte de cruz, símbolo da maldição de Deus, e depois de tudo isso, se entrega à morte. A morte, a natureza, o véu do templo, a mente humana, todas as coisas lhe estavam sujeitas. Jesus tinha tudo sob controle, cada detalhe foi divinamente pensado e humanamente executado. Não há como não aceitar, Jesus era muito bom em tudo que fazia.

1Citação do evangelho de Lucas capítulo 4 versículos 25 à 27

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A Loucura da Cruz

O texto desta noite se encontra em I Co 1:18.
“Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus”.
A cruz de Cristo, desde os tempos de Paulo, tem causado inquietação entre as pessoas. Alguns a idolatram como sendo mais importante que o próprio sacrifício de Cristo, outros a desprezam, ignorando completamente o que Cristo fez através dela, e o que ela, na pessoa de Cristo, significa para nós.
Nesta passagem, Paulo escreve a uma igreja bastante complicada e cheia de arestas a serem reparadas. A igreja de Corinto era uma igreja bastante mista. Ricos, pobres, muitos comerciantes, gregos e judeus, todos se misturando e levando suas particularidades culturais para dentro da igreja. Paulo, preocupado com as divisões que ocorriam na igreja, tenta mostrar que a sabedoria do mundo nada é diante da cruz de Cristo. Nem o mais sábio de todos os homens, com toda a eloqüência que porventura possa ter, não é capaz de substituir a mensagem da cruz.
Quero porém me deter nos versos 22, 23 e 24, que dizem assim: “Os judeus pedem sinais, e os gregos buscam sabedoria, nós porém pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, é Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”
A cruz era símbolo de escândalo e maldição. Para o judeu, seria uma total incoerência e uma completa blasfêmia aceitar que o Messias se submeteria a morrer em uma cruz. Deuteronômio 21:22-23 diz assim: “Se um homem tiver cometido um pecado digno de morte, e for morto, e o tiveres pendurado num madeiro, o seu cadáver não permanecerá toda a noite no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto aquele que é pendurado é maldito de Deus. Assim não contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança”. Essa era a imagem que a cruz de Cristo causava a qualquer judeu que ainda não havia sido alcançado pela graça de Jesus.
O grego por sua vez, acreditava que tudo se podia vencer pela sabedoria e eloqüência, que uma boa oratória era capaz de convencer o mais cético dentre os homens. Para o grego poder-se-ia alcançar o divino e o santo, através da sabedoria humana.
É neste contexto que Paulo chama a cruz de loucura, escândalo, pedra de tropeço. Com isso Paulo queria dizer que qualquer concepção humana nada é diante da cruz. Nem a revelação judaica e nem a sabedoria grega poderiam alcançar, por menor que fosse, qualquer entendimento sobre a cruz. A cruz foi feita para os puros e simples de coração. A cruz foi feita para o homem que entende que nada é diante de Deus e de que nada pode fazer para alcançar a sua salvação por seus próprios méritos. Por isso que a cruz era loucura. Como entender que um símbolo de maldição, se torna símbolo de salvação e redenção?
A cruz era loucura porque exigia do homem completo sentimento de fraqueza. A cruz exigia que o homem se despojasse de si mesmo, se colocasse na posição de servo e deixasse qualquer conceito de merecimento de lado. A cruz exigia que o homem confessasse sua completa dependência de Jesus, e era isso que o ofendia tanto. Como poderia o homem, tão convicto de sua superioridade sobre todos os outros seres, se render e confessar sua total insignificância, mesmo que fosse diante de Deus?
A cruz era loucura para o judeu, que era tão convicto de sua salvação, porque já se considerava superior em razão da aliança de Abraão. A cruz, da mesma forma, era loucura para o grego que se sentia tão superior, em razão de sua sabedoria humana.
A cruz continua sendo loucura nos nossos dias.
A cruz é símbolo de entrega, de submissão e de obediência. Jesus demonstrou todas estas características quando se deixou pendurar-se na cruz. Ele se entregou por nós, foi submisso e obediente ao Pai, porque a minha e a sua salvação dependiam de seu sacrifício. Cruz é símbolo de dor, agonia e sofrimento. Cruz é símbolo de rejeição. Quando pensamos na cruz, nos entristecemos, por mais que sabemos que ela significou nossa salvação. Jesus, momentos antes de sua crucificação, no jardim do Getsêmani, se entristeceu ao pensar na cruz e em agonia, suou gotas de sangue. O primeiro sentimento que nos deve vir quando pensamos na cruz deve ser de reflexão e pesar, porque foi nela que Jesus deu sua vida, por minha culpa e por sua culpa. Ele era Santo e não precisava morrer, mas o fez porque nos amou.
Por esse motivo a cruz tem sido rejeitada nos nossos dias. Tem sido pouco pregada nos púlpitos das igrejas, está meio fora de moda.
As igrejas têm trocado a cruz por outros símbolos menos melancólicos e com significados mais alegres. A cruz tem sido trocada pela estrela de Davi, pelo candelabro e alguns outros símbolos que chegam mais próximos do esoterismo que do cristianismo. Os cânticos que fazem mais sucesso são aqueles que nos induzem ao êxtase, com palavras quase mágicas, mas com conteúdo oco, longe de provocar mudança. E por que essa inversão de valores? Porque as igrejas querem ver seus auditórios cheios, não se importando realmente por qual motivo seus membros estão ali.
A cruz incomoda porque fere o ego e a independência do homem. Coloca o homem em frente ao espelho e revela seu pecado, sua sujeira.
Como pregar a cruz em um mundo onde as pessoas correm como loucas atrás de seus objetivos mesquinhos e egoístas? Como pregar a cruz a um mundo onde as pessoas buscam prazer a qualquer preço? Como pregar a cruz a um mundo corrompido pela ganância e pelo apego aos bens materiais?
E por incrível que pareça, não é só o mundo que rejeita a cruz de Cristo, mas a igreja também já foi afetada por esse mal. Como é difícil pregar sobre a cruz para uma igreja que precisa andar sobre as águas para crer que Jesus é Deus. Como é difícil pregar sobre a cruz para uma igreja que crê que nenhum mal nos sobrevirá, que utiliza texto por pretexto, como uma forma de rejeição do sofrimento e da dor. Como é difícil falar em cruz, sofrimento, dor, sujeição e arrependimento, a uma igreja que somente busca conforto, prosperidade e bens materiais. E eu não estou me referindo a nenhuma igreja em especial, mas é isso que vemos na maioria das igrejas denominadas “evangélicas” hoje em dia. Mas pode ser que alguém ai pense consigo, por que nesta igreja não se fala tanto em bençãos materiais, em curas ? Simplesmente porque o cerne do evangelho não é esse. Não foi isso que Jesus nos mandou pregar. Evangelho é transformação. Evangelho tira o homem do pecado e trás de volta para Deus. É com isso que Deus se importa.
Como a mensagem de Paulo é atual e fala aos nossos dias. Como o ser - humano não mudou, apesar de todo o tempo que se passou.
Por que será que quando ligamos nossa TV em um programa evangélico, dificilmente ouvimos o que Jesus ensinou aos seus discípulos em Mt 16:24: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me”. Não se ouve muito sobre isso, porque os pregadores de multidões querem atrair, mas sem transformação, querem encher suas igrejas, sem compromisso com a Palavra de Deus. Não há como seguir a Jesus, sem antes nos negarmos a nós mesmos e sem levarmos a nossa cruz.
Paulo quando escreve aos Gálatas nos mostra uma conseqüência inevitável do viver sob a cruz de Cristo. No capítulo 2 e verso 20 ele escreve assim: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”. Obviamente que Paulo não estava falando de um fato físico, mas sim espiritual. Quando morremos com Cristo, crucificamos nossa velha natureza, deixamos de praticar as coisas que antes praticávamos, Jesus nos dá nova vida e nos tornamos nova criatura. Mas essa mudança exige renúncia de nossa parte, exige conversão, mudança de direção em 180°. Por isso a mensagem da cruz incomoda e geralmente preferimos não pensar nela.
Aquele que se propõe a seguir a Cristo, sempre será ridicularizado nos nossos dias. O mundo diz que somos caretas, antiquados, fora de época. É loucura hoje em dia, dizer que nunca traiu, que casou virgem ou que não burla o imposto de renda para ser beneficiado. É loucura para o mundo, quando dizemos que somos livres em Cristo, e ao mesmo tempo temos de nos privar dos prazeres temporários que o mundo nos oferece.
A cruz é loucura para o mundo em busca de prazeres, dinheiro e vida plena, mas também é loucura para o pseudo-cristão que rejeita a doença, o desemprego e a ausência de bens materiais, que decreta e declara a todo o momento, querendo fazer o papel de Deus. Mas aquele que quer viver sob a graça de Deus e dentro da Palavra de Deus, a cruz de Cristo é o poder de Deus. Poder para salvar, para perdoar, para resgatar do mundo a mais vil criatura. A cruz é a glória do cristão.
Na PIB de Nova Odessa existe um letreiro com o texto de I Co 1:23 “Mas nós pregamos a Cristo crucificado”. Deve ser uma motivação para cada pregador que ali chega, mas, mais do que na parede, essa mensagem deve estar impregnada em nossos corações, no nosso viver diário.
Alguns cristãos com alma judia querem sinais, outros com alma grega querem felicidade plena, querem especulações, mas Jesus nos dá a cruz.
Não há outro remédio, não há outra saída. Cristo é a única esperança para o perdido pecador e também para o crente confuso.
Não importa que a cruz traga vergonha e exponha nossa sujeira. Não importa que doa e machuque quando olhamos para a cruz, porque ela expõe nosso pecado. O que importa é que além de tudo isso a cruz trás mudanças.
Que possamos como igreja levar onde quer que formos essa mensagem maravilhosa. Que ela seja o centro de nossos discursos e principalmente de nossa vida. Que o mundo possa ver em nós o resultado desta mensagem. Que o mundo reconheça no nosso proceder e nas nossas atitudes, que a cruz de Cristo operou e ainda opera transformação na vida das pessoas.

Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 10 de novembro de 2007

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O Cristianismo em um Contexto Pós-Moderno

Vivemos em dias perigosos para o cristianismo. Dias em que inúmeras questões estão sendo levantadas nos meios acadêmicos, entre pessoas de influência, respeitadas por sua eloqüência e conhecimento. Essas questões começam a inquietar muitas pessoas, porque mexem em algumas bases nas quais estamos apoiados e nas quais apoiamos nossa fé. Para enterdermos melhor esse tema vamos à Palavra de Deus.
O livro de Juízes termina com uma frase bastante perturbadora, diz assim: Juízes 21:25 “Naqueles dias não havia rei em Israel, e cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos”.
O livro de I Samuel começa exatamente onde termina o livro dos Juízes. Na verdade Samuel é a personagem chave do elo entre a era dos juízes e a monarquia. Somente quando começamos a ler Samuel, podemos entender claramente qual o significado do último versículo do livro de juízes. Israel passava por uma série crise política e religiosa.
A crise política é claramente observada no verso chave. Cada um fazia o que bem lhe parecia aos seus olhos. A impressão que dá é de que não havia lei. O povo vivia uma espécie de anarquismo, onde vale tudo, onde tudo é possível, onde não existe certo ou errado. Provavelmente prevalecia a lei do mais forte, do mais poderoso.
A crise religiosa só pode ser entendida quando lemos I Samuel. Vejamos o que diz o texto.
No capítulo 2 e verso 12 lemos que os filhos de Eli eram filhos de belial, em outra versão diz que eram vagabundos, isto é, sem valor, imprestáveis, obreiros degenerados na casa de Deus. Dos versos 13 ao 17 lemos que aqueles homens desprezavam a oferta do Senhor. Ao invés de pegarem apenas o que pertencia por direito ao sacerdote (Lv 7:29-36), constrangiam e ameaçavam o povo a que lhes dessem o melhor do sacrifício, antes mesmo de queimarem o sacrifício ao Senhor.
Além de desprezarem as ofertas ao Senhor, os filhos de Eli cometiam imoralidade sexual à entrada da tenda da reunião. Eli sabia disso por intermédio do povo, mas praticamente nada fez, além de alertá-los a respeito da justiça de Deus. Filhos desobedientes e pais omissos.
Tudo isso traduz claramente o que se passava em Israel, explica o que significava a expressão : “fazia o que bem lhes parecia aos seus olhos”. Não havia limites, não havia temor, a lei de Deus estava longe de suas vidas. Os poucos rituais que ocorriam eram apenas ritos, imperfeitos, que não passavam de uma obrigação legalista. O coração do povo estava longe de Deus, vivendo cada um à sua própria maneira.
Eu precisava fazer essa introdução para poder mostrar como estamos vivendo dias semelhantes.
Estamos na era chamada pós-modernismo, embora alguns estudiosos questionem essa afirmação.
O pós-modernismo não é uma organização ou um movimento sólido com sede e fundador, mas é um espírito, e espírito no sentido de idéia globalizada, uma maneira de ver a realidade, um estilo de vida sem parâmetros, sem leis, sem padrões. Aliás, padrão é uma palavra inexistente no mundo pós-moderno.
O mundo se encontra num conflito existencial jamais visto. A tecnologia e a ciência que prometiam ser a solução para os problemas da humanidade no início da modernidade, se mostram agora frágeis e impotentes. O lixo se acumula cada dia mais nas grandes metrópoles, a fome ainda prevalece nos países subdesenvolvidos, o desemprego ainda é grande, a religião está cada dia mais contaminada pelo modo de vida capitalista. O modernismo não deu conta do recado, e agora urge uma pergunta inevitável, o que fizemos? E o pior, o que vamos fazer?
No desespero de encontrar uma solução, a primeira coisa que se vêm à mente é que os padrões antes estabelecidos não podem mais ser aceitos. Tudo o que se acreditava certo e absoluto não faz mais sentido. Leis que antes eram inquestionáveis são colocadas agora em dúvida e postas à prova.
Japiassu diz o seguinte: “o campo epistemológico, o sujeito pós-moderno desconfia dos “grandes sistemas teóricos” ou da “grande idéia”, que, no fundo é de inspiração religiosa – visto que são as religiões que sempre prometem a felicidade (uma “idade de ouro”) num tempo futuro. As religiões vivem deste tipo de propaganda enganosa”. Esse é o pensamento pós-moderno. Novamente a religião é colocada na parede, e o que é pior, designada como culpada do caos do pensamento humano.
Raymundo de Lima, psicanalista e professor da Universidade de São Paulo, fala o seguinte a respeito do pensamento pós-moderno: “Nossa sociedade é regida mais do que pela ânsia de “espetáculo”; existe a ânsia de prazer a qualquer preço. O superego pós-moderno “tudo vale” e “tudo deve porque pode”. Todos se sentem na obrigação de se divertir, de “curtir a vida adoidado” e de “trabalhar muito para ter dinheiro ou prestígio social”, não importando os limites de si próprio e dos outros”.
Os cristãos já enfrentaram muitas afrontas e perseguições, mas o pós-modernismo traz consigo uma arma muito mais perigosa, porque é sutil, não causa espetáculos e nem é violenta, pelo menos não no sentido denotativo. Essa arma é a própria consciência pós-moderna, aquela que todos os fundamentos estão colocados ao chão, não nos servem mais.
A base do cristianismo contém fundamentos muito sólidos. Esses fundamentos estão inseridos na Bíblia sagrada. Nela encontramos tudo que necessitamos para sermos bons cristãos. Quando voltamos para o pensamento pós-modernos, ou quando somos influenciados por ele, começamos a duvidar e a desacreditar dessas bases. A Bíblia passa de um discurso absoluto (absoluto no sentido da revelação) para um sentido relativo. Começamos a dizer que aquilo que pensávamos que era, não é bem assim, e assim sempre damos um jeitinho de acomodarmos a Palavra de Deus aos nossos interesses. Adaptamos a Bíblia à nossa teologia particular, ao invés de sujeitarmos nossa teologia à autoridade bíblica.
A crise em que vivemos é tão semelhante à vivida pelo povo judeu na época de Samuel, que não temos muitas dificuldades para contextualizar praticamente todo o texto que lemos. Em razão dessa falta de base, de alicerce onde se firmar, a cada dia igrejas e mais igrejas são formadas, ora pela ânsia de poder e bens materiais, ora pela idéia de ter encontrado uma “nova revelação”. E a culpa não está somente naquele que subjuga essas pessoas, mas também naqueles que se deixam subjugar-se, movidos exatamente por essa falta de identidade, pela ausência de um encontro real com Jesus. Podemos ver claramente essa verdade em II Tm 4:3-4 que diz assim: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas”. Só existem mercenários do evangelho, porque do outro lado existem pessoas sedentas pelas promessas feitas pelos tais. De um lado pessoas ansiosas por bênçãos materiais e felicidade plena nessa vida, de outro lado falsos pastores ansiosos pelo dinheiro desse povo. É uma troca de favores que não tem nada a ver com evangelho, está longe do mandamento de Jesus que nos manda dia após dia levarmos nossa cruz, e seguí-lo.
No salmo de número 11 no verso 3 encontramos o seguinte alerta para os nosso dias: “Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?”. Nossos fundamentos devem estar bem fixados e inabaláveis, eles devem estar na Palavra de Deus. Nosso ponto de partida ainda é a cruz de Cristo. O que Cristo fez por nós na cruz do calvário não é e nunca será relativo. Não depende de você crer ou não, independe da sua vontade. O sacrifício de Cristo é absolutamente perfeito, é para toda a humanidade, e não está condicionado a nenhum pensamento humano, não está sujeito a nenhuma nova tendência filosófica.
Há uma música do Gérson Borges e do Isaías de Oliveira que trata um pouco das conseqüências deixadas pela pressão exercida pelo capitalismo e agora acentuada pelo contexto pós-moderno, a letra é assim:

Sem lenço, sem documento, sem pastor
Ai como a coisa vai ficando alienada
E há tanto perigo na beira da estrada
Da nossa vida que tem pressa em viver
O que fazer?

Sem lenço, sem documento, sem pastor
A vida da gente vai se transformando no que for
Ausência, saudade, distância
Do belo, do riso e da flor
Por isso é preciso voltar
Para o Primeiro Amor

Quando Deus
Era bem mais que uma palavra
Oração atravessava a madrugada
E ajudar, oferecer a nossa mão
Era um prazer
Ser cristão rimava com partir o pão
Mas o deus ciência-tecnologia
e Mamom nos seduzindo noite e dia
E um milhão de coisas mais:
Mais formação, viva o prazer
Vão levando até o que não podíamos perder

Sem lenço, sem documento, sem pastor
Me vejo pródigo, iludido, enganado
Ai, como a gente vai ficando cansado
De acreditar que a vida é o que se vê,
Vê na tevê

Sem lenço, sem documento, sem pastor
A vida da gente vai se acostumando com a dor
E esquece o início, os sonhos
E perde o viço e o vigor
Por isso eu preciso voltar
Para o Primeiro Amor

Como mostra a canção, o mundo está perdido, desorientado, confuso entre tantas opções. Não se sabe mais o que é certo, não se tem mais respostas para nada, pelo menos não objetivas. As respostas são sempre vagas, dependentes e relativas. Apesar do pós-modernismo negar que possa existir uma resposta concreta e absoluta, nós sabemos que ela existe.
A resposta para o mundo atual é Jesus, assim como sempre foi em todas as outras épocas em que a humanidade se pôs a pensar sobre sua existência e a razão desta. E a nossa posição como cristãos deve ser a que sempre foi, dizer ao mundo conturbado que ainda há esperança. Assim como a tecnologia e a ciência não deram conta dos problemas do mundo, o pensamento pós-moderno do relativismo também não dará. A única solução para o pecador é Jesus.
Nossa posição nesse mundo plural que se nos apresenta deve ser a de cristãos sólidos, que mantém a adesão aos fundamentos éticos e morais bíblicos, apesar do mundo inteiro ditar o contrário. Devemos mostrar ao mundo, como parte da missão que Cristo nos deixou, de que ainda existem verdades absolutas, e que a única solução para o mundo em crise está na velha rude cruz. Nosso discurso não deve se amoldar aos padrões irracionais do pós-modernismo. Podemos sim contextualizar nossa mensagem para que ela atinja o alvo desejado na obra de Deus, de acordo com o contexto social em que nos encontramos. Mas pecado sempre será pecado, porque a Palavra de Deus não muda, ela permanece para sempre.
A visão pós-moderna que nega a existência do certo e do errado, onde cada um faz o que lhe apraz, não deve nem de longe passar por nossos pensamentos como se fosse válida. Deus não deixou dúvidas em sua Palavra daquilo que seja certo ou errado. Algumas pessoas tentam adaptar esses conceitos de acordo com seus interesses, mas nós não podemos nos deixar influenciar por elas.
E o povo fazia o que lhe parecia correto. Mais do que nunca devemos mostrar a luz de Cristo através de nossas vidas. Mais do que nunca devemos deixar bem claro que somos diferentes, que não nos conformamos com esse mundo. Mais do que nunca devemos levar aos quatro cantos do planeta a mensagem da cruz. A mensagem que não muda. A mesma mensagem que salvou o homem dos primeiros séculos, é a mesma mensagem que salva o homem pós-moderno, confuso e sem rumo. Como diz um antigo cântico: “junto à cruz há lugar pra ti e pra mim”. E diante de tudo isso que nossa única posição seja a de servos de Deus, preparados para que Ele nos use. Servos prontos a levar a mensagem que transforma e liberta, a levar luz e conforto a um mundo em trevas e perdido.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Ainda há uma Chance

Há uma música muito antiga que diz mais ou menos assim:
“Qual foi a razão de esconderes de Deus, problemas, tristezas e dores ?
Qual foi a razão de estares assim, pois Jesus quer cuidar de ti.
Qual foi a razão de não mais desejar que Cristo levasse teu fardo ?
Se tu queres então, um amigo real, em Jesus podes confiar.”

Há momentos em nossas vidas que nos sentimos exatamente assim, longe de Deus, longe do Criador. E na verdade estamos. O pecado e o mundo vai aos poucos nos seduzindo e quando acordamos (quando acordamos), estamos á beira do abismo, se é que já não estamos soterrados nele. Mas Deus prove meios de nos alertar. Sua infinita misericórdia nos alcança, onde quer que estejamos, e sempre nos dá uma chance. Pode ser que essa poesia que emprestei da Myrtes (sem ela saber), seja a sua chance, o seu escape, um veículo para a sua salvação, porque na verdade nossa salvação está em Cristo. Mas se voce pode ler neste momento esse texto, saiba que ainda há uma chance. Se agarre a ela e viva. Viva com Deus.


HÁ UM DEUS EM TUA VIDA(Myrtes Mathias)
“Quando te vejo tão acomodado ao mundo que te cerca, como a água tomando a forma do vaso que a contém, eu me lembro de um Rei coroado de espinhos, arrastando uma cruz pelos caminhos, pelas ruas de Jerusalém.

Quando te vejo tão preocupado com rótulos e comodidades, tão desejoso de aparecer, eu me lembro de um jovem-Deus perdido no deserto, onde só feras e anjos O podiam ver. Um jovem-Deus que te entregou um dia o privilégio da grande Comissão, o qual negas com tua covardia, sucumbindo a promessas que te falam à carne e ao coração.

Quando te vejo tão ocupado em construir celeiros, ajuntando fortunas que o ladrão pode roubar, eu me lembro de um Deus caído sob tuas culpas sem o conforto de uma pedra para repousar.

Quando te vejo conivente com aquilo que ele aborrece, ao ponto de ocultar a Herança que ele te legou, pergunto: Seria falsa a promessa que fizeste ou o amor que tu Lhe tinhas era pouco e se acabou?

Onde está o teu grito de protesto, que já não escuto? Tua atitude de inconformação? Será que te esqueceste do santo compromisso ou te parece pouco o privilègio da tua missão?

Por que tremes diante do mundo, temendo por valores que só servem aqui? Será que Cristo te escolheu em vão ou será que já não existe um Deus dentro de ti? Tu estás no mundo, mas não és do mundo. Não escolheste - foste escolhido. Por que te escolhes ao ponto de seres grande pelo padrão dos homens, comprometendo tua autoridadede condenar um mundo corrompido?

Foste escolhido para uma missão tão grande que nem a anjos foi dada a executar: não te assustem ameaças, não te seduzam promessas, numa obra eterna, é melhor morrer do que negar. Lembra-te que há um Deus em tua vida que os teus atos devem glorificar.”


Pai, não permita que eu me conforme com o mundo. Não permita que eu sinta qualquer prazer nas coisas ilusórias que esse mundo nos oferece, que eu as tenha como esterco ante a magnitude de ser teu servo. Cumpre na minha vida aquilo que Tu tens para realizar, segundo os teus soberanos planos, planos esses escritos mesmo antes que eu visse a luz. Que minha vida glorifique em tudo teu nome; que o mundo veja e reconheça em minha vida o poder transformador do evangelho, e assim, a glória será unicamente Tua. Pai, não almejo riquezas, glória nem fama, quero unicamente ser um servo fiel, e se ao menos isso eu conseguir, serei eternamente grato, porque até minha fidelidade provém da fé que me deste, da Tua misericórdia em me escolher. Seu eternamente filho.

Fábio Adriano Cruvinel Machado
Cincinnati, 27 de agosto de 2007

domingo, 19 de agosto de 2007

Tão somente pela graça

Não consigo entender Pai, porque ainda me aceitas, miserável pecador que sou.
Não consigo entender porque ainda continuas me dando chance, vez após vez, dia após dia, sem que eu mereça, ás vezes mesmo sem pedir.
Olho para minha vida e só vejo fraqueza, podridão e medo. Um vaso quebrado a espera de um remendo.
Todavia, tu vens como um oleiro, e em vez de remendar-me, me molda de novo, e me faz novo, como se eu acabara de nascer.
Sinto raiva de mim mesmo por todas as vezes em que te magoei, te ofendi e te neguei, mesmo que fosse só interiormente.
Não consigo entender Pai, o teu amor inconcebível, incompreensível, inatingível, que atinge a mais vil criatura, fazendo-a filho, e trazendo-a ao aconchego do lar.
Sinto-me desesperado Senhor, quando olho para minha vida, ofuscada pela tua santidade, e nesses momentos sinto que não vou conseguir, que os teus caminhos são demais para mim, e chego a sentir até que não sou digno de Ti.
Nesses momentos Senhor, em que as palavras não resolvem, e a mais bela canção se perde no vácuo dos meus pensamentos, procuro uma voz Pai, mansa e suave que possa me confortar, que possa me chamar outra vez de filho.
Nesses momentos Pai, escuto tua voz, quase inaldível, porém inconfundível, voz de amor, voz de ternura, voz que acalma a tempestade, mas também que tranquiliza meu coração.
Ah, Senhor ! Nessas horas me sinto desmoronar, lágrimas começam a descer pela face e o coração parece querer saltar dentro do peito. Não teria sido a mesma sensação vivida pelo filho pródigo ? Sensação de alívio, paz, aquela que ele não encontrou no mundo.
Jamais entenderei Senhor, seu chamado paterno. Jamais entenderei meu Deus, porque me queres tanto assim.
E em momentos como esse, onde as respostas fogem, só uma palavra me vem á mente, “graça”.
Foi de graça, foi por graça, que um dia, ainda informe, me escolhestes. Não que eu fosse melhor que qualquer um, mas simplesmente porque não poderia ser diferente, mesmo porque escolhestes a todos.
De uma forma incrível, mesmo sabendo todos os pecados que eu cometeria, me amou, com amor sem igual, com amor eternal.
E surpreendentemente, cada vez que me perdoas, não se lembra dos pecados que eu cometi, e não leva em conta os que ainda eu vou cometer, simplesmente perdoa, esquece, e me olha sob a sombra da cruz.
Por mais que eu dissesse Senhor, jamais explicaria tão grande amor, sempre faltaria algo, sempre soaria vazio. Porque não se explica o infinito, o perfeito, apenas se cre.
Não me resta nada então Senhor, senão descansar em Ti, Autor da vida, Senhor do meu destino.
Sob teu olhar gracioso, mais uma vez me levanto Senhor, na convicção de que serei diferente, na fé de que posso ser útil, um vaso de honra, agora remodelado pelo sumo-oleiro.
Toma a minha vida Senhor, reconstituída, "re-generada" por teu poder. Continuo não tendo nada, não sendo nada, mas sob tua força sou mais que vencedor.
Aqui está Senhor, um vaso vazio, mas pronto para ser cheio. E que esse conteúdo, que só pode te conter, transborde ao ponto de atingir a outros. Que as minhas cicatrizes, deixadas pelo pecado, sirvam pelo menos de exemplo. Que a minha vida, que só é vida por causa tua, seja símbolo de transformação, seja marco do teu amor. E se apenas uma vida se salvar, vendo em mim a tua graça, já terá sido mais que mereço, mais que eu poderia imaginar.
E que eu possa, a exemplo de Paulo nos derradeiros de sua jornada, dizer da minha humilde trajetória: - Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé ! Tão somente pela graça.

Fábio Adriano Cruvinel Machado
Belleville, 19 de agosto de 2007

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Miss Gospel

Depois de muito tempo fora, entrei novamente no orkut. Primeiro porque queria falar com velhos amigos, mesmo que fosse virtualmente. Depois porque estou viajando, longe, e me deu saudade de rever algumas pessoas, mesmo que por fotos.
Porém, nem tudo é perfeito. Entrei em uma comunidade de um amigo meu que se chama: “Beleza Gospel”, e só entra quem for convidada. Imagino que quem é convidada para entrar, deve se sentir a modelo. Bom, fora os erros de português e essa linguagem “internetiana” que me irrita com suas abreviações, tem até a capa do mês. Garotas se inscrevem para ser a capa do mês e uma equipe de solteirões, imagino, as elege.
Escrevi um texto há algum tempo chamado “A Fantasia do Photoshop” que tratava do culto à beleza exterior em detrimento do interior. Não quero ser repetitivo, mas algumas considerações se fazem necessárias.
Primeiro que me envergonha como cristão, saber que existem moças, que se denominam também cristãs, que se expõe dessa maneira, como uma roupa na vitrine, como algo que está à venda e pior, sob liquidação. Fico me perguntando, qual a intenção de se criar uma comunidade para apresentar (a quem ?) moças bonitas ? (para que?). Me perdoe se tem alguém que conheço que está nessa comunidade, mas aconselho a pensar no assunto.
Se não fui claro, não estou aqui dizendo que a mulher cristã não pode ser bonita ou não deva se cuidar, muito pelo contrário, deve sim zelar pelo templo do Espírito Santo, deve sim se fazer bonita para seu marido, ou futuro. O que estou dizendo é que a intenção da comunidade criada gera uma desconfiança muito ruim por parte de quem lê.
Agora que espero ter deixado claro meus motivos, quero tecer alguns comentários bíblicos do comportamento da mulher cristã, que está comprometida com a Palavra de Deus.
Pv 11:16 nos diz: “A mulher graciosa guarda a honra como os violentos guardam as riquezas. Eu sei que honra é uma palavra meio fora de contexto, mas observe o que diz a Bíblia. Imagino como um homem violento, um bandido, deve guardar o fruto do seu roubo, com todas as suas forças. Assim uma mulher que dá valor à sua honra, deve guardá-la, com todas as suas forças, não deixando que mal intencionados abusem e queiram tirar vantagem. No mesmo capítulo de Provérbios no verso 22 vejo retratado a imagem da moça cristã que não zela pela sua reputação. O texto diz o seguinte: “Como jóia de ouro no focinho de uma porca, assim é a mulher formosa que não tem discrição”. Sabe qual a beleza de uma jóia, por mais preciosa que seja, no focinho de uma porca ? Nenhuma. A sujeira da porca irá encobrir a beleza da jóia. Não terá valor nenhum. Assim é a beleza da mulher cristã que se porta com indiscrição. Será nula, sem valor.
Por outro lado, a mulher virtuosa por si só excede o valor de muitas jóias, conforme lemos em Pv 31:10. Não há nada melhor para um homem crente, saber que tem em casa uma mulher que lhe honra, em quem pode confiar.
Quero mostrar o que diz Pv 31:30 e termino. Lemos da seguinte maneira: “Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada”. Veja que o texto em nada contraria o fato da mulher querer e dever se cuidar, como jóia preciosa de Cristo. O texto é bastante claro quando diz que o problema está em se colocar a confiança na beleza, utilizá-la como instrumento de sedução barata.
A nossa vida é como uma neblina, que está aqui e logo se vai. Mais rápida ainda é a juventude, passa como uma ventania (e digo por experiência). Se você é jovem, bonita, agradeça a Deus por tê-la feito dessa maneira, mas não coloque em sua beleza a solução para os seus problemas. O seu futuro casamento não pode estar baseado na beleza física simplesmente, ela passa com o tempo, e depois o que restará ? Nossa vida como um todo deve ser entregue nas mãos do Senhor, inclusive nosso físico, até nisso devemos glorificá-lo. Não jogue fora a sua juventude com banalidades que para nada se aproveitam. Usufrua os melhores anos de sua vida como um bom mordomo daquilo que Deus tem lhe dado. Que Deus lhe abençoe.

Fábio Adriano Cruvinel Machado
Belleville, 13 de agosto de 2007

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

As Últimas Palavras

Foi triste ler o diálogo transcrito da caixa preta do avião da Tam que caiu no dia 17 de julho desse ano no Aeroporto de Congonhas. Quando terminei de ler, fechei rapidamente o arquivo, aflito, porque enquanto lia, vivenciava cada segundo, como um filme passando em minha mente.
Umas das últimas palavras ditas pelo piloto (segundo publicou o site do Terra), foram: “Oh, meu Deus. Oh, meu Deus”. Longe de mim questionar a crença do piloto, mas é fato que a maioria das pessoas na hora do desespero apelam para Deus, mesmo que durante toda a sua vida tenham ignorado a existência do mesmo. Como já disse não estou querendo dizer que o piloto não cria em Deus, apenas usei o fato ocorrido como exemplo para o que vou colocar.
Mesmo que não seja de forma racional, pensada, temos a tendência de clamarmos a Deus quando a “coisa pega”. Talvez seja por motivos culturais, não sei, mas o fato é que, ao primeiro sinal de perigo, invocamos Aquele que pode nos socorrer. Está implícito em nosso sub-consciente que Deus pode nos salvar do perigo e da angústia, que Ele é o único que pode operar o impossível na nossa vida. Não chamamos nossa mãe e nem nosso pai, mas rogamos a Deus, porque sabemos que na hora da dificuldade maior, só Ele mesmo. Não posso afirmar isso com certeza, mas acredito que até mesmo aquele que se diz ateu, teria a mesma reação em um momento de aflição.
Não estamos errados em fazer isso. Realmente Deus é o único que pode nos livrar quando ninguém mais pode, quando a situação foge ao nosso controle, quando não há mais ninguém que seja capaz de nos socorrer.
Não quero dizer com isso que Deus vai nos livrar em todos os momentos. Ele poderia ter salvo aquelas pessoas do acidente com o avião ? Obviamente que sim. Então por que não salvou ? Não sei, pergunte a Ele se você tem coragem. Talvez Ele lhe responda como respondeu a Jó. E se quiser saber leia o livro de Jó.
As últimas palavras de uma pessoa, quando há essa oportunidade, podem refletir muito da sua intimidade com Deus aqui na Terra. Temos muitos exemplos na Bíblia de pessoas que na sua última hora, deram o maior testemunho de suas vidas, como verdadeiros filhos de Deus, convictos de sua salvação em Cristo Jesus. Vamos começar pelo próprio Jesus.
Em Lc 23:46 lemos sobre as últimas palavras de Jesus bradadas no alto da cruz do calvário: “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.” Jesus sabia de sua comunhão com o Pai, sabia de sua missão, sabia que depois de morrer ia novamente encontrar com seu Pai, face a face. Como isso deve ter fortalecido a Jesus diante de tão angustiante morte. Apesar do sofrimento sem par, Jesus tinha plena convicção que sua obra estava completa e que o Pai o aguardava do outro lado da vida. As últimas palavras de Jesus mostram o seu amor pela humanidade, sua comunhão com o Pai e sua missão salvadora cumprida.
Como estamos diante de Deus ? Como estamos executando a tarefa que Ele nos incumbiu a fazer ? Se partirmos hoje, partiremos convictos da missão cumprida ? Que essas perguntas nos inquietem, nos incomodem, ao ponto de dizermos ao Senhor: “Eis-me aqui Senhor, fala que teu servo ouve”.
Os versículos 59 e 60 do capítulo 7 de Atos nos mostram as últimas palavras de Estevão: “E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu”. Que lição maravilhosa e difícil de ser cumprida. Estevão tinha tanta certeza de sua comunhão com Jesus que na hora de sua morte pede ao Senhor que receba seu espírito, a exemplo do que o próprio Jesus disse ao morrer. Praticamente Estevão repete as palavras de Jesus na cruz. À semelhança do que Jesus disse, Estevão pede ao Pai que não imputasse aquele pecado aos homens que o matavam. Não consigo enxergar comunhão mais perfeita. O anseio pelo céu era tão grande que nada, nem a morte conseguia tirar a alegria da esperança de poder encontrar-se com Jesus, Aquele por amor de quem ele havia lutado e sofrido. As últimas palavras de Estevão mostram o amor deste pelo céu, pelo encontro triunfante com seu Mestre.
Lemos na história, todas as perseguições sofridas pelos cristãos dos primeiros séculos. Quando presos, se não negassem o evangelho, eram martirizados com requintes de crueldade. Comidos por leões, queimados na fogueira, arrastados pelas ruas da cidade, empalados em estacas, enfim, coloque a sua imaginação para funcionar e pense nas mais altas crueldades que um ser-humano pode realizar; talvez ainda seja um pouco pior. No entanto, lemos também na história, quão destemidamentes esses heróis encaravam a morte. Com o desejo de sofrerem por amor a Cristo e ao Seu evangelho, não tinham receio de se auto-denominarem cristão, ou antes ainda, aqueles que eram do caminho. Queriam que todos soubessem das boas novas de Cristo, nem que isso lhes custasse a vida. As últimas palavras desses mártires eram glórias a Jesus, aleluias, glórias ao cordeiro que foi morto. Suas últimas palavras eram palavras de coragem. Coragem de pessoas que criam em um Deus soberano, que tanto os podia livrar da morte, como podia os conduzir ao lar eterno para estarem para sempre com seu Senhor.
Quero que pense um pouco em como você gostaria que fossem suas últimas palavras. Quer que sejam palavras de desespero e angústia, ou palavras que glorifiquem a Deus, palavras de certeza de uma vida eterna com Jesus ? A diferença está em como você está levando sua vida hoje, qual a importância que você dá a Deus em seu coração, qual o lugar que Ele ocupa em sua vida (ele ocupa algum lugar ?). A eternidade é certa. A única diferença é onde você irá passá-la.
Jesus comprou na cruz do calvário o “passaporte” que nos dá direito a estarmos com Ele no céu para sempre. Presos em nossos pecados e delitos, não tínhamos direito algum de obter comunhão com Deus. Mas o Senhor Jesus nos resgatou através de seu sangue, nos vivificou e agora temos certeza de salvação e de vida eterna. A única coisa a fazer é aceitar que somos pecadores, carentes de salvação, e que fora de Cristo não há outro caminho, então, entregarmos a Ele toda a nossa existência, crendo que Ele pode nos perdoar de todos os nossos pecados. Como eu sempre digo, Cristo já pagou nosso resgate, e agora está em nossas mãos a decisão, a escolha é sua. Escolha Cristo, escolha a vida. Depois disso una-se a nós, e que nossas palavras possam ser constantemente: “Maranata, ora vem Senhor Jesus”.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Belleville, 10 de agosto de 2007

sábado, 21 de julho de 2007

Tão Incomum !

Este título me veio à mente quando ouvia uma música do Rogério Reis intitulada “Incomum”. Confesso que a primeira vez que vi o clip dessa música me emocionei e depois disso já o vi várias vezes. Hoje, comecei a ouvir essa música e deixei na tela do computador uma pintura que tenho do calvário, onde mostra a cruz de Cristo no centro, uma parte das outras duas cruzes e, ao fundo, um crepúsculo enegrecido pelo terror daquele momento de agonia do Senhor. Novamente me emocionei e pensei em escrever sobre esse tema, tão incomum.
O sacrifício de Jesus não foi pelo mundo e suas belezas, mesmo porque todas essas coisas irão passar, como o próprio Senhor Jesus declara em sua Palavra. Tão pouco foi um acidente do destino. Sua morte estava predita desde a fundação do mundo. O resgate do ser-humano já estava preescrito na soberania de Deus. Cada detalhe da história foi escrito meticulosamente para que no tempo certo, o sacrifício maior e único, fosse realizado, aquele que substituiria de uma vez por todas, todos os sacrifícios humanos que jamais agradaram a Deus, e que eram apenas uma sombra do que realmente Deus planejara.
Incomum foi o modo como Cristo veio ao mundo, de uma virgem, concebido pelo Espírito Santo, de uma forma milaculosa e jamais vista, Deus se faz homem. Experimenta a carne, o “ser humano”, com todas as suas tentações, mas ao contrário de nós, vence o mundo, imaculado, sem pecar, assim como veio.
Incomum eram seus milagres. A parcela esquecida do povo, era agora alvo das misericórdias de Deus. Os marginalizados e discriminados pela alta cúpula da religião, estavam agora sob o olhar do Cristo. Aleijados, cegos, doentes terminais, mulheres, todos aqueles que para os judeus foram vítimas da maldição divina, eram acolhidos por Jesus. Pecadores, publicanos, gente odiada pelo “clero”, tinha a honra do convívio de Jesus em suas festas, em suas casas. Jesus se alegrava com eles, comia com eles e a eles era pregado o reino dos céus. Como era incomum esse tipo de atitude para os judeus da época, arraigados em suas tradições egoístas, tradições estas que os cegaram, e os distanciaram da privilegiada missão de levar o conhecimento de Deus a todas as nações. Triste para nós, que ainda hoje, achamos incomum atitudes como essas que Jesus demonstrou. Achamos estranho quando vemos uma pesoa que devolve o dinheiro que achou no lixo ao seu verdadeiro dono. Achamos estranho quando vemos um pai que perdoa o bandido que assassinou seu filho, que dá de comer ao vizinho que só sabe ofendê-lo e maldizê-lo. Depois de tanto tempo, ainda nos causa estranheza ações de misericórdia. As obras que Jesus deixou como exemplo ainda nos são incomuns.
Incomum era o modo como Jesus amava. Os judeus amavam seus irmãos, pessoas que lhes eram boas e partilhavam da mesma fé e modo de pensar. Jesus amava o inimigo. Os judeus odiavam os samaritanos, mas Jesus dava a eles água da vida e mostrava a eles que a salvação era universal. Os judeus discriminavam a mulher e a tratavam como alguém sem alma, indigna do reino. Jesus amava as mulheres como pessoas valiosas, tanto quanto os homens. Jesus falava com elas, as curava, deixava que elas o tocassem como forma de adoração, permitia que elas o sustentassem financeiramente como forma de agradecimento e louvor. Jesus amava sem favoritismo, sem olhar a aparência ou a classe social. Jesus amava o escriba e o ladrão, amava a mulher e o sacerdote, a criança e o ancião. Jesus amava porque essa era sua essência. Não poderia ser de outra maneira seu amor, uma amor incondicional e perfeito.
A religião de Jesus era incomun. A “elite” religiosa da época (escribas, fariseus, saduceus) primava pela tradição e pela lei, mais ainda pela tradição. Zelosos pelo decálogo, não compreendiam a abrangência do mesmo no âmbito de sua aplicação prática. Jesus vem demonstrar mais do que a obediência à lei, antes, vem dar à lei uma denotação de amor e de misericórdia. Para Jesus, o pecado não se resumia em cobiçar a mulher alheia, mas o simples fato de pensar nela já era suficiente para desagradar a Deus. Para Jesus, o sábado não era somente um dia de descanço, de ócio, antes, era um dia para demonstrar amor pelo próximo, de ajudar o necessitado, de alimentar o faminto. A religião de Jesus não aceitava o fato de mercenários comercializarem as coisas sagradas dentro do templo. Às custas da exploração dos menos favorecidos, ladrões se enriqueciam vendendo objetos de culto que deveriam ser sagrados e separados para a adoração e para o sacrifício. A religião de Jesus não era somente dos judeus, mas era para todo o mundo, universal. A religião de Jesus bateu de frente com a religião judaica, que estava acomodada, e que havia acomodado a lei de acordo com suas necessidades mesquinhas a fim de favorecer a minoria “clerical”. Estava fácil para os judeus da época que viviam uma religião egoísta, sem comprometimento verdadeiro, tapando o sol com a peneira, mostrando uma falsa moralidade em nome de Deus.
Incomum foi o sacrifício de Jesus na cruz do calvário. Para os judeus, conhecedores da lei, a morte no madeiro significava maldição da parte de Deus. Ora, como pois o Filho de Deus poderia se deixar crucificar ? Paulo escrevendo aos gálatas explica: “ Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;”. Todavia os judeus não aceitaram essa realidade. John Stott em seu livro “A Cruz de Cristo” põe da seguinte maneira: “O problema do perdão é constituído pela colisão inevitável entre a perfeição divina e a rebeldia humana, entre Deus como Ele é, e nós como somos”. Deus é perfeito e precisava de um sacrifício perfeito. A morte de Cristo precisava ser incomum.
Por mais incomum que nos pareça ainda hoje o sacrifício vicário de Jesus, a graça de Deus e sua perfeita justiça exigiram que assim fosse. Como pecadores que somos, às vezes saímos do alvo, nos desviamos da vontade de Deus para nossas vidas. Importa que reconheçamos nossos pecados (palavra fora de moda hoje em dia) e nos voltemos para aquele que nos ama com amor sem igual, incomparável amor, simplesmente incomum.
Para terminar gostaria de colocar o refrão da música que me inspirou esse texto, ei-lo: “Tão incomum, que o autor do universo aceitasse morrer, se entregar e sofrer, mesmo que pra salvar só um de nós, tão incomum ! E ao lembrar que na cruz pensou em mim, acho tudo isso assim tão incomum !”
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 18 de julho de 2007

Jesus, o Deus Encarnado

Quero refletir em um breve texto, sobre o fato da aceitação dos cristãos, de Jesus como a segunda pessoa da trindade, sendo portanto o próprio Deus , e que durante todo seu ministério terreno, deu evidências dessa verdade e trabalhou para que seus discípulos o compreendessem como tal. Vejo a relevância deste tema, no fato de que nossa fé baseia-se nisso e deve como consequência proclamar ao mundo a divindade de Cristo.
Era muito difícil para o povo judeu ouvir o que ouviram de Jesus. Eles acreditavam em um Deus soberano, uno em sua essência e que jamais se rebaixaria ao plano material e humano para se revelar. Sabiam sim, que mais cedo ou mais tarde, Deus enviaria seu ungido, o Messias, e que esse livraria o povo de Deus da opressão de seus inimigos. Consideravam a tarefa do Messias como a de um poderoso político, que libertaria seu povo das mãos de Roma, mas jamais imaginariam que Deus enviaria seu próprio filho para esse mundo, essência do próprio Deus, de mesma natureza, eterno como o Pai. Isso era irracional, ilógico e porque não dizer blasfemo, para um povo que tinha seu próprio modo de enxergar e entender a Deus. No entanto foi assim que Deus fez; era preciso que fosse dessa maneira.
Muito interessante o modo como Jesus é recebido em razão do seu nascimento. Magos vindos do Oriente, reconheceram através de um sinal no céu que o Rei dos judeus havia nascido. Não se sabe como e nem a origem desse sinal, mas o fato é que pessoas de muito longe (aparentemente não judeus) sabiam do nascimento do Cristo e com exatidão o encontram e o adoram. Jesus, ainda um inocente bebê, dá a conhecer que era uma pessoa especial. Além do aviso do anjo, Maria e José podem comprovar que seu filho não era uma criança comum. Havia algo de especial nele que mais tarde haveria de ser conhecido.
Jesus inicia seu ministério sendo batizado por João Batista e sendo tentado pelo diabo. Evidentemente Jesus não necessitava do batismo de João, porque esse era para arrependimento, coisa de que Jesus não precisava. Mas o Senhor quis que seu ministério se identificasse e fosse uma continuação do ministério do Batista, “arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”, essa foi a mensagem de ambos.
Causa-nos admiração o fato dos discípulos terem atendido ao chamado de Jesus tão facilmente e sem relutância. Todavia sua fama já estava bem conhecida por curar enfermos e expulsar demônios em vários lugares, e sem dúvida os discípulos reconheceram nele uma possibilidade de liberdade, pois um homem com tantos poderes só poderia ser um ungido do Senhor, mas o seu conhecimento de Jesus se resumia somente a isto.
A primeira grande demostração pública de Jesus, de que era Deus, está em Lc 5 que narra a história do paralítico que é levado pelos amigos para ser curado. Ao invés de Jesus simplesmente curá-lo como já havia fazendo, Ele diz: “Homem, os teus pecados te são perdoados”. Ora, havia ali doutores da lei e fariseus que sabiam muito bem que nenhuma pessoa em sã consciência poderia dizer tal blasfêmia, porque essa prerrogativa era somente e tão somente divina. Ninguém tem poder para perdoar pecados e os judeus sabiam disso, a não ser que esse alguém fosse realmente Deus. Jesus então, à partir desse episódio, começa a se revelar como o Filho de Deus, a segunda pessoa da trindade, o próprio Deus encarnado, alguém que pode sim perdoar pecados.
Em Lc 6:5 Jesus dá uma segunda demostração de sua deidade. Reclama para si o direito de ser Senhor do sábado. O dia de sábado era sagrado para os judeus. Deus havia dito, quando da ocasião dos dez mandamentos, que eles deveriam santificar o sábado e que esse dia seria um dia de descanso. Em Ex 20:10, Deus diz que o sábado era d´Ele, o que implica reconhecer que, se Jesus se diz Senhor do sábado, a si mesmo se proclama Deus. Apesar dessas declarações terem sido feitas abertamente e em público, Jesus, como vamos ver, estava muito mais preocupado em se auto-revelar aos seus discípulos do que a qualquer outro. Eram eles que continuariam a sua obra aqui na Terra e deveriam saber exatamente a quem estavam seguindo.
Em Lc 7:12-16 lemos a história da ressurreição do filho de uma viúva da cidade de Naim. Longe de desmereçer o milagre efetuado por Jesus, não temos nesse episódio um milagre original e que jamais havia sido efetuado. Em I RE 17 está relatada a semelhante história da ressurreição de um menino, igualmente filho de uma viúva. Elias era homem, e não Deus. Obviamente, ele efetuara o milagre em nome do Senhor Iahweh, mas isso não o conclamava Deus. Parece que Jesus estava pouco a pouco mostrando em seu ministério que Ele era mais que um profeta. Assim como Elias fizera, Ele poderia também fazer. Tanto é que, ao presenciar esse milagre o povo o identifica como um grande profeta, mas não mais que isso. Jesus estava apenas começando sua revelação.
Temos em Lc 7:48 outra demonstração de Jesus como sendo apto para perdoar pecados. Dessa vez uma pecadora, convicta dos seus pecados e em demonstrações de arrependimento, acha graça aos olhos do Senhor. Na casa de um fariseu, Jesus mostra mais uma vez que, ao contrário do que todos pensavam, Ele não era somente mais um profeta que se levantava. Ele era maior que Elias e João Batista. Ele era o próprio Deus.
Acredito que uma das mais belas demostrações de Jesus como único e verdadeiro Deus está relatada em Lc 8. Jesus, aparentemente apático ante a situação de luta contra a fúria do mar, dentro de um barco que está sendo açoitado pelas ondas, é “acordado” pelos seus discípulos a fim de que os ajude a controlar o barco prestes a naufragar. Depois de acalmar as ondas e o vento, Jesus no verso 25 lhes pergunta: “onde está a vossa fé ?...”. Temos a tendência de entender essa pergunta como um incentivo de Jesus a seus discípulos, para que eles mesmos, através da fé, acalmassem a tempestade. Na verdade, prefiro entender e interpretar essa pergunta de Jesus como mais uma evidência de demonstração de sua auto-revelação. Costumo parafrasear essa pergunta como sendo: “Vocês não crêem que sou Deus ? Vocês não sabiam que eu estava no barco e, sendo Deus, sou capaz de controlar as forças naturais, visto que eu mesmo as formei no início da criação ?”. Gosto dessa interpretação porque tira qualquer mérito humano. Nossa dependência fica inteiramente em Deus, e não em nossa imperfeita fé. Esse modo de entender, nos coloca em nosso verdadeiro lugar, o de servos, completamente dependentes do Senhor. Nossa única fé deve estar em Deus, e em saber que Ele é suficiente para fazer aquilo que lhe apraz. Os discípulos não precisavam ter fé suficiente para provar que poderiam acalmar o mar, mesmo porque essa tarefa não era realmente deles, mas sim de Jesus. A única fé que Jesus esperava, é que eles descansassem n´Aquele que verdadeiramente poderia lhes dar segurança e alívio em meio à tribulação e ao perigo. Essa é a verdadeira fé que Jesus espera de seus servos hoje.
O diabo sabia da divindade de Cristo. Lucas 8:28 relata a história de um endemoninhado que habitava em sepulcros e andava nú, e quando avista Jesus lhe identifica como Jesus, Filho do Deus altíssimo. Apesar dos seus discípulos estarem juntos, esse fato passa desapercebido por eles. Diante de todas as demonstrações já realizadas, eles tinham evidências suficientes para identificarem em Jesus, o Messias prometido, aquele que haveria de vir como havia predito os profetas. Todavia ainda não era chegado o tempo dessa tão preciosa revelação.
No versículo 43 do mesmo capítulo enxergo outra demonstração da deidade de Jesus. O capítulo 15 de Levítico nos mostra como deveria ser o procedimento dos Judeus em caso de uma pessoa com fluxo de sangue. O verso 25 em especial, diz que se uma mulher tivesse um fluxo de sangue contínuo, fora dos dias normais de sua menstruação, seria imunda por todo esse tempo e não poderia ser tocada sob nenhuma hipótese, pois aquele que a tocasse seria imundo juntamente com ela. O restante do capítulo descreve todas as possibilidades dessa lei e os procedimentos de purificação. Mas voltemos à Lucas. Uma mulher imunda por 12 anos toca as vestes de Jesus. Em primeiro lugar vemos a fé dessa mulher. Ela sabia que não poderia tocar, nem ser tocada por ninguém, porque em razão de sua situação, estava à parte da sociedade, era uma imunda, indigna do convívio com outras pessoas. No entanto, pela sua atitude, sabia que Jesus não era uma pessoa comum. Embora não soubesse ao certo quem era Ele, sabia que poderia tocá-lo, que por algum motivo desconhecido Ele estava acima da ordenança. Jesus por sua vez, cura a mulher em razão da sua fé em acreditar que Ele estava acima da lei, e ao contrário do que aconteceria com uma pessoa comum, Jesus não se sente impuro por ter sido tocado por uma mulher “imunda” e, para provar isso, Ele logo em seguida ressuscita a filha de Jairo, sem precisar passar por nenhum ritual de purificação. Jesus estava acima de qualquer ordenança. As leis foram dadas para o imperfeito. O Perfeito não precisa de lei e nem é afetado por ela.
No capítulo 9 de Lucas, Jesus sacia a fome de uma multidão de quase cinco mil homens, multiplicando 5 pães e 2 peixes. Mateus 14 relata o mesmo milagre da multiplicação dos pães, mas ao contrário de Lucas continua a narrativa com uma nova demonstração de poder sobre a natureza, onde mostra Jesus, andando por cima das águas. A meu ver, esse milagre é o grande desfecho da auto-revelação de Jesus como Deus soberano e eterno. Nitidamente Jesus força aquela situação, quando obriga seus discípulos a passarem para a outra banda do mar sem Ele. No meio da viagem, novamente uma tempestade os castiga quase levando-os ao naufrágio. Jesus porém aparece andando por cima das águas, vindo em direção a eles. Deixe-me ressaltar que até agora, apesar de ter dado várias evidências de sua divindade, Jesus não havia sido tão explícito quanto dessa vez. Em nenhuma outra circunstância alguém já havia andado por cima das águas. Moisés tocou no mar e ele se abriu, portanto não andou sobre as águas. Elias da mesma forma tocou nas águas do rio Jordão com sua capa e o Rio se dividiu ao meio, e ele e seu servo Eliseu passaram em seco. Parece que Deus estava meticulosamente preparando o milagre do andar sobre as águas para Jesus. Parece-me que Ele queria mostrar que ninguém anda sobre as águas senão Deus. Indo por esse pensamento não nos resta dúvida de que a intenção de Jesus ao repreender Pedro por falta de fé, não era para que Pedro, através de sua fé, fosse capaz de andar sobre o mar. A intenção de Jesus era, como da primeira vez, que não só Pedro, mas todos os outros, apenas confiassem n´Ele. Pedro, de uma forma mesquinha, quis provar a Jesus, apesar do mesmo já haver se identificado. Pedro queria fazer uma coisa que só Deus poderia fazer e isso lhe custou vergonha diante dos outros discípulos. Veja que Jesus não mandou que Pedro viesse ao seu encontro, mas apenas disse para que não temessem, para que confiassem que Ele, o Deus encarnado, era suficiente para os livrar. Como é fácil para nós, falhos e pecadores, nos maravilharmos da possibilidade de que, mediante nossa fé, podemos qualquer coisa. Não é isso que a Palavra de Deus ensina. Ela ensina tão somente a acreditar que Deus é suficiente, e que mesmo na angústia Ele está conosco, para nos livrar segundo o seu propósito soberano, ou para nos levar para estarmos junto d´Ele para sempre. De qualquer forma Seu nome deve ser glorificado em nossas vidas.
Creio que o cenário da auto-revelação de Jesus como Deus, estava pronto. Obviamente não tracei aqui, nesse breve texto, todas as evidências que podemos encontrar nas escrituras, porque acredito que nem mesmo um trabalho científico seria suficiente para isso. Porém quis esboçar um pouco do que Jesus fez para que realmente seus discípulos soubessem quem Ele era. Isso era importante porque disso dependeria toda a abnegação em servir a Cristo por parte de seus discípulos, e a continuar Seu ministério depois que voltasse para junto de Deus. Mais para frente no capítulo 16 de Mateus, Jesus pergunta para todos os discípulos o que os homens diziam sobre Ele. Então responderam que alguns pensavam ser Ele João Batista, Jeremias, Elias ou alguns dos profetas. Jesus na verdade apenas encontrou um modo de iniciar a pergunta que realmente queria fazer. Não era seu interesse naquele instante, que todo o povo soubesse quem era Ele. Mas Ele queria que seus discípulos, depois de tantas evidências e sinais, tivessem plena consciência de sua divindade. Então pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou ?”. Não poderia ser outro. Pedro havia provado de sua própria incredulidade, quando quis fazer algo que era próprio de Deus. Ele teria de responder por todos: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Estava feito. Jesus havia conseguido fazer com que seus discípulos cressem quem realmente era. Ele agora poderia se transfigurar na frente dos mesmos, eles estavam preparados. Ele agora podia falar de sua morte e ressurreição, pois eles sabiam quem Ele era, estavam prontos para ouvir palavras mais duras, tinham amadurecido como verdadeiros discípulos do Senhor.
O que fazer com essa verdade ? Somos discípulos do Senhor, chamados para o louvor da sua glória. Será que estamos maduros a ponto de sabermos que Ele é suficiente para nossas vidas, ou preferimos prová-lo como fez Pedro, “Se és tu, manda-me ir ter contigo” ? Como o Pai deve se alegrar conosco, quando mostramos uma fé inabalável, independente da situação que vivemos. Uma fé genuína não deve ser firmada somente quando o impossível acontece, quando Deus opera o sobrenatural e confunde os homens carnais, porque nossa fé não pode estar baseada em coisas, em fatos, mas em Deus.
Jesus faz conosco hoje, como fez com seus discípulos no passado. A cada manhã, através das “pequenas” coisas, nos mostra que é soberano, que pode tanto abrir o mar como andar por sobre ele, faz abrir a flor esquecida no campo e alimenta os bilhões de passáros ao redor do mundo. A nós, cabe tão somente descançar em seus braços de misericórdia. A nós não sobra outra alternativa, senão entregarmos a Ele toda a nossa vida, como servos, aos quais não pertence o amanhã, dos quais a vida é tida como perda por amor a Ele.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 14 de julho de 2007

sábado, 5 de maio de 2007

A Fantasia do Photoshop

Estava assistindo a um programa uma tarde dessas e um quadro me chamou a atenção. Convidaram uma garota, bem jovem, para passar por uma transformação, e se tornar a “garota da capa”. A garota era bonita, mas estava sem maquiagem e visivelmente estava com uns quilinhos a mais, claro, baseado no esteriótipo criado pela sociedade de mulheres magérrimas, quase anorexas. A garota tirou cento e cinqüenta fotos, e dessas, escolheram seis fotos. Levaram para um web designer famoso, que trata fotos de artistas famosos, e ele, dessas seis, escolheu uma, a que mais lhe agradou. Bom, para resumir, ele tirou alguns pneuzinhos, alongou seu corpo pelo menos uns cinco centímetros, tirou manchas, pintas, cicatrizes e colocou silicones virtuais em algumas regiões do corpo. A garota quando viu o resultado ficou espantada e sem acreditar no que seus olhos viam; porque aquela visivelmente não era ela. Apenas utilizaram seu rosto e a sua silhueta, o resto era artificial, era puro photoshop. Ela disse que agora sim estava pronta para ser a “garota da capa”.
Esse é o mundo em que vivemos, um mundo de fantasia e irrealidade. Um mundo em que as pessoas se contentam em não ser elas mesmas, só para parecerem melhores e mais atraentes. Esse é o mesmo mundo onde outras pessoas se contentam em assistir fatos irreais, e mesmo sabendo que são pura fantasia, se deixam ser enganadas, criando um mundo perfeito em suas cabeças, apenas como um subterfúgio para suas frustações e fraquezas, para o seu medo de encarar a realidade.
O mundo está mais preocupado com a aparência do que com o conteúdo. Não se dá mais ênfase à boa reputação e à moral. Não se busca mais integridade e fidelidade. O belo se tornou um corpo bonito e “sarado”, sem manchas, musculoso e definido. Em razão disso vemos o resultado desastroso em nossa juventude. Garotos e garotas que não conseguem formular um pensamento coerente sobre qualquer assunto que não seja namoro, “ficar”, plástica, botóx. Estão se formando mentes doentes, complexadas, com síndrome de inferioridade. A juventude não pensa mais, não questiona mais, perdeu o senso crítico. Apenas aceita o que a mídia os impõe(ou será que a mídia mostra o que o povo quer ver ?). Se alimenta cada dia mais do lixo do capitalismo selvagem que instiga e sufoca a fim de conseguir adeptos ao seu consumismo exacerbado e doente. Cada dia surge no mercado novos produtos de beleza. Existem cremes para cada 5 centímetros quadrados do corpo, sem precisar repetir. Uma pesquisa mostra que o Brasil é o segundo país que mais gasta com produtos de beleza no mundo, perdendo apenas para os Estado Unidos (de onde será que vem essa nossa herança ?).
Penso que Jesus não é muito fã do photoshop. Ele não se importa com o que fomos, nem com o que já fizemos com nossa vida no tempo em que não o conhecíamos. Não se importa com nossa aparência ou com nossas posses. Aliás, nossa noção de bonito e feio vem de nossa idéia de comparação, de louvar a uns em detrimento de outros, baseando-nos apenas em algumas qualidades que pensamos ser importantes. Seria até uma incoerência achar que Jesus se importa com nossa beleza física, já que foi Ele quem nos fez, “bonitos” ou não.
A Bíblia nos deixa claro que Jesus veio à Terra para transformar as pessoas em seu interior, e quando Ele realizava alguns milagres de cura física, foi para que elas entendessem melhor seu plano, que era muito maior e muito mais excelente. E quando Jesus curava alguém, não fazia como o photoshop, Ele realmente curava, de verdade, não virtualmente.
Jesus continua restaurando vidas. Ele não está interessado em restaurar a aparência, mas Ele está preocupado com o interior. É nosso íntimo que importa a Deus. É do nosso íntimo que sai o mais perfeito louvor do qual só Ele é digno. Podemos comprovar essa verdade em I Sm 16:7 quando Davi, o menor dos filhos de Jessé, é ungido rei de Israel. Da mesma forma em Jz 6, Deus escolhe Gideão para livrar o povo de Israel das mãos dos midianitas, ele que era o último da casa de seu pai e sua família a mais fraca da tribo de Manassés. Deus lhe escolhe pelo que você é e não pelo que tem ou pelo que aparenta ter.
Não tenho nada contra o photoshop, é um valioso instrumento no mundo da informática. Essa singela reflexão é apenas para mostrar que nem tudo o que reluz é ouro. Aliás, pouca coisa é! Vale muito mais a pena moldar as pessoas pelo que elas são. Estou falando de interior, reputação, boa índole, qualidades que estão meio fora de moda. A outra questão é mostrar que Deus pode mudar muito além da aparência, Ele pode mudar nossa vida por completo.
Se você concorda comigo, e acha que nesse mundo em que vivemos faltam pessoas sinceras e honestas, e gostaria de ser uma dessas, Deus pode transformá-lo nessa pessoa. Se você concorda que seu coração precisa de muito mais reparos do que sua aparência, então você precisa de Jesus. Já dizia um antigo pensamento: Jesus conserta o coração se lhe entregarmos os pedaços. O photoshop pode dar um jeitinho na sua aparência, mesmo que virtualmente, mas Jesus transforma por completo a sua vida. E depois de tudo isso Ele nos promete um novo corpo, glorificado, transformado pelo poder da sua glória. Faça a escolha por Jesus e você terá uma vida abundante e profunda, sem fantasias e sem superficialidade. Deus não precisa de uma “garota ou garoto da capa”, Ele quer homens e mulheres transformados pelo poder do evangelho, vivendo para o louvor da sua glória.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 04 de maio de 2007.

Análise de Gênesis Capítulo 3

A passagem de Gn 3 relata a queda do homem, como espécie, e mostra como o pecado passa a fazer parte da natureza humana.
Há consenso entre a maioria dos escritores, em que a serpente, responsável por induzir a mulher ao erro, foi um instrumento utilizado por Satanás. A escolha pela serpente, certamente está ligada ao comportamento da mesma na natureza, como o próprio texto diz, de sagacidade e astúcia, servindo muito bem aos propósitos malévolos do diabo.
Mesquita, associa a possível beleza física da serpente, e seu comportamento astuto, ao fato da mulher ter cedido tão facilmente aos seus oferecimentos. Todavia o texto nos leva a entender, que o que realmente fez com que a mulher cedesse à desobediência, foi a descoberta de que a árvore era boa, bonita e daria conhecimento do bem e do mal (verso 6), prerrogativas até então divinas. Já nesse ponto podemos tirar uma lição sobre o pecado, e como ele se apresenta a nós.
Não podemos negar que o pecado sempre se mostra ao homem bonito, e portanto sedutor. Foi isso que chamou a atenção de Eva. O mundo hoje, da mesma forma que no princípio, continua a nos seduzir e a nos convidar a provar de suas “delícias”, que embora passageiras, são boas, bonitas e porque não dizer, nos abrem o conhecimento, afastando-nos da “caretice” de sermos cristãos, onde a falácia de que nada pode ainda predomina na mente das pessoas. Os métodos utilizados pelo diabo continuam os mesmos, apenas contextualizados à nossa época.
Um outro ponto a ser discutido foi a incredulidade de Eva ante as ordens de Deus. Conforme escreve Hoff, a mulher só cedeu ao pecado porque deixou de crer no que Deus havia dito e passou a crer nas palavras do diabo. Deus havia dado um mandamento ao homem, e o texto nos mostra que ou o homem repassou esse mandamento à mulher ou Deus pessoalmente o fez, porque quando questionada pelo diabo sobre a proibição, Eva mostrou ter conhecimento claro sobre o assunto. Mas a astúcia do inimigo fez com que ela entendesse que não era bem assim que Deus queria dizer, amenizando portanto a força do mandamento. O diabo sempre procura amenizar as ordens de Deus, tentando nos mostrar que podemos ser fiéis, mesmo que não obedeçamos a Deus de uma forma completa e verdadeira. A sua intenção na verdade é distorcer a Palavra de Deus. Foi desse modo que tentou Jesus no deserto. É assim que continua a nos tentar. E quando cedemos a essas tentações estamos na verdade tirando o foco da nossa fé. Deixamos de crer em Deus e na Bíblia e passamos a crer nas mentiras do diabo. Esse é o início de uma vida de pecado. Primeiro olhamos o pecado e ele nos atrai. Depois acreditamos que podemos prová-lo sem nos contaminar.
Law nos orienta e nos concientiza acerca do poder do diabo e de como devemos nos proteger. Não gostamos de pensar muito sobre o nosso inimigo, e dessa forma, às vezes, deixamos que ele aja livre e abertamente. Preferimos pensar no mal como uma força que não exerce muita influência sobre nós, ao invés de encará-lo como uma pessoa que está constantemente tentando nos derrubar. Precisamos obedecer a Palavra de Deus que nos exorta a resisitir ao diabo, que diuturnamente tenta nos tragar. Argumenta ainda Law, que o diabo é o príncipe deste mundo, deus deste século, e líder de exércitos incontáveis que estão a seus serviços continuamente com o único propósito de nos derrotar, nós que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Por tudo isso resta-nos vestir toda a armadura de Deus para que possamos resisitir no dia mau.
As consequência que o pecado trouxe para a humanidade foram funestas. A primeira consequência observada foi a ruptura da comunhão com Deus desfrutada pelo homem antes de pecar. Logo que seus olhos foram abertos, em decorrência da desobediência, verificaram que estavam nus, porque o pecado os fez sentirem-se envergonhados. E assim que notaram a aproximação de Deus tiveram medo. O pecado rompeu a comunhão do homem com Deus. Um abismo se abriu e o homem teve de ser expulso do jardim que Deus criara para ele.
A primeira demonstração prática do pecado na vida do casal foi a tentativa de escapar da culpa. Quando Deus pergunta ao homem se ele havia comido da árvore que Ele havia proibido, o homem logo trata de transferir a culpa à mulher, e esta por sua vez mostrando um aprendizado demasiadamente rápido, transfere a culpa para a serpente que a havia enganado. A pessoa que vive em pecado sempre tenta culpar alguém por sua vida longe da comunhão do Pai. Às vezes culpando a igreja por falta de apoio, às vezes a família que não o compreendeu, enfim, não faltam desculpas. Mas a Bíblia é clara quando afirma que cada um dará conta de si mesmo a Deus por toda obra praticada. Não há desculpas para o pecado. Temos sim, de nos convencer que somos pecadores e de que precisamos da graça de Deus.
Além da separação do homem e de Deus, o pecado também trouxe mais consequências para todos os envolvidos no episódio. A serpente foi amaldiçoada por Deus, que a condicionou a viver de uma forma rastejante por toda a sua existência, e a fez inimiga mortal do homem e da mulher. A mulher por sua vez, teria as suas dores de parto multiplicada. Entendo aqui que a mulher antes do pecado sofreria dores ao dar à luz, mas com certeza essas dores seriam bem reduzidas comparadas ao que é hoje. Isso porque Deus promete multiplicar as suas dores. Ora, não se pode multiplicar o que não existe. Além disso, o desejo da mulher seria para seu marido e esse a dominaria. Ao homem Deus promete uma vida dura de trabalho. Trabalho esse que não ofereceria realização e lhe traria muitas amarguras.
Deus expulsa o casal do jardim e coloca querubins para guardarem o caminho da árvore da vida, impedindo assim que o homem comesse da mesma e vivesse para sempre, já que agora tinha conhecimento do bem e do mal. Se isso acontecesse certamente traria consequências ainda piores, porque o homem teria vida eterna numa condição de pecado e desobediência.
Ao amaldiçoar a serpente Deus lhe dá o direito de ferir o calcanhar da linhagem da mulher, e a esta o direito de esmagar a cabeça da serpente. Podemos inferir duas intrepretações daí. Uma diz respeito à relação que existe hoje entre o homem e as serpentes em geral, certamente uma relação de eterna rivalidade. Todavia, desde tempos antigos, os cristãos interpretam essa passagem como um proto-evangelho, enxergando na linhagem da mulher o próprio Jesus e na serpente o diabo. Jesus então, na cruz do calvário, esmaga a cabeça da serpente e novamente reestabelece a comunhão do homem com Deus que havia sido quebrada no Éden.
Mediante essa interpretação, fica claro o papel de cada cristão hoje na proclamação do evangelho. Sabemos que pelo pecado do primeiro casal, a relação de Deus com a raça humana foi rompida. Também é sabido que somente por intermédio de Cristo essa relação volta a ser efetivada. Antes de morrer, Jesus bradou de cima da cruz: Está consumado ! A obra de redenção do homem estava completa, não faltava mais nada, tudo havia sido feito de uma forma perfeita. Logo após o pecado de Adão e Eva, Deus pela sua infinita misericórdia, prepara túnicas de pele para os dois e os cobre. Deus começa a preparar um caminho para a regeneração do homem. Mas a obra só é finda, quando o cordeiro de Deus se entrega vicariamente, e morre pelos nossos pecados.
A nossa tarefa como cristãos, remidos e lavados pelo sangue de Jesus, é proclamar essa verdade a toda a criatura. É uma mensagem simples, mas é uma verdade profunda. O homem sem Cristo não passa de uma criatura de Deus, condenado à morte eterna. Cristo é a ponte entre Deus e o homem. No princípio, vemos que o homem foi incapaz de escolher até mesmo o que vestir. Deus precisou ajudá-lo nessa tarefa. Hoje, da mesma forma, o homem por si só é incapaz de se salvar. Seus méritos nada valem para isto. Não há o que façamos que nos possa salvar de nosso destino cruel sem Deus. Não há boa obra ou vida abnegada que nos faça chegar até Deus. A única solução para o pecador é Cristo. É crer nele como único e suficiente salvador.
Essa mensagem percorreu toda a história da igreja cristã e continua sendo a nossa mensagem. É nisso que os homens devem crer e é isso que nós
devemos proclamar. Que essa mensagem maravilhosa não se aparte de nossos lábios e que seja o nosso respirar durante toda a nossa vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bíblia de Jerusalém. Traduzido para o português dos originais. São Paulo: Paulus, 2004.
Hoff, P. O Pentateuco. Tradução de Luis Aparecido Caruso. Miami: Vida, 1983.
Kidner, D. Gênesis Introdução e Comentário. Traduzido pela Inter – Varsity Press. Londres: Mundo Cristão, 1991.
Law, H. Cristo em Gênesis. Traduzido pela Editora Leitor Cristão. São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 1994.
Mesquita, A. N. Estudos no Livro de Gênesis. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1943.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Questão de Escolha

Ec:11:9 - “Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e anime-te o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo. (BJ: ...Deus te convocará para julgamento)”
Apesar do tema de Eclesiastes (Palavras de Coélet - nome dado a um ofício daquele que fala nas assembléias, por isso o título “O Pregador”, transcrito da Bíblia grega), não andar sobre um plano definido, a idéia central é a vaidade das coisas humanas, que inicia e encerra o livro. Entretanto podemos ver ao longo de suas máximas, lições de desapego aos bens terrestres, que negando a felicidade dos ricos abre caminho e prepara o mundo para entender que “bem aventurado são os pobres”(comentário da BJ). A mais provável data para a elaboração do livro é o século III a.C.
O versículo da introdução fala diretamente com os jovens. O coélet reconhece e conhece, talvez pela própria experiência, os desafios enfrentados pelos jovens, o mundo com suas ilusões e paixões, por isso ele dá um conselho e esse nos é ainda pertinente nos dias de hoje. Com uma pitada de sarcasmo e desafio em suas palavras, ele conclama aos jovens a aproveitarem ao máximo o que a vida lhes pode oferecer: prazeres, deleites, farras inconsequentes e impensadas. Incentiva os jovens a se alegrarem, animarem seus corações, isto é, dar lugar a todo tipo de emoções que possam ser sentidas. Contudo, após esse aparente conselho descabido e leviano, ele mostra realmente a idéia central de sua frase, e afirma acertadamente que para toda ação vivida, haverá um julgamento e um prestar de contas perante o justo juíz, Deus.
Coélet mostra uma entrada pela qual podemos deixar com que as emoções nos invadam, e um depósito onde as armazenamos. O depósito é o coração. Ele diz: “anda pelos caminhos do teu coração”. Por que ele diz isso ? Certamente por saber que o coração é a sede de todas as emoções e sentimentos. Claro que sabemos hoje que o coração é um orgão do aparelho circulatório e serve como uma bomba para o nosso sangue, porém num sentido figurado, coração é a sede dos sentimentos, das emoções, de toda sorte de desejos, ou seja, nossa mente. Após o episódio do dilúvio, Deus promete nunca mais destruir a Terra por um evento semelhante, mas afirma que a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice (Gn 8:21). Esses dias eu ouvi uma entrevista do Sérgio Malandro dizendo que o homem nasce bom, e é a sociedade que o transforma em mau. Não é isso que a Palavra de Deus nos diz. O ímpio não aceita o pecado como algo inerente à natureza humana e que só pode ser aniquilado pela cruz de Cristo. No Salmo 14:1 lemos “diz o nécio em seu coração, não há Deus”. É no coração que o homem nega a Deus, zomba de Deus e rejeita seu amor. Toda sorte de sentimentos maus nascem no coração e se manifestam pelas nossas ações, nas nossas palavras e nas nossas atitudes. Em Provérbios 6:12-14 vemos “O homem vil, o homem iníquo, anda com a perversidade na boca, pisca os olhos, faz sinais com os pés, e acena com os dedos; perversidade há no seu coração; todo o tempo maquina o mal; anda semeando contendas. Todos os nossos sentidos são controlados pelos desejos do nosso coração (a boca fala do que o coração está cheio). O mau é maquinado nos desejos e a ação consequente disso é contendas e perversidades. No Sl 24:3-4 vemos as prerrogativas daquele que estará apto para subir o monte do Senhor e estar no lugar santo; somente aquele que for limpo de mãos e puro de coração. Na antiga aliança somente o sumo-sacerdote, uma vez ao ano entrava no lugar santo para sacrificar por todo o povo, e se ele não fosse encontrado apto para a cerimônia, certamente morreria. Um coração puro significa um coração sem malícia, sem violência, sem mágoa, significa um coração convertido ao Senhor.
Mas o coração também pode ser a fonte de boas e saudáveis emoções, em outras palavras, podemos usá-lo para glória de Deus. Em Mt 22:37 lemos: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Assim como podemos negar a Deus com nosso coração, podemos amá-lo de igual modo. Não há como expressar amor se nosso coração não estiver cheio dele,portanto não há como amar a Deus se no nosso coração ainda houver coisas que o desagradam, nosso amor não será verdadeiro. Assim como fica bastante complicado expressar nosso amor a alguém sem dar prova disso, da mesma forma, Deus quer que manifestemos nosso amor para com ele. É no mínimo estranho amarmos alguém e jamais externarmos esse amor.
Coélet nos mostra também que há outra maneira de inundar nosso corpo de emoções, aliás, a primeira certamente está subjugada à segunda, porque quando nosso coração estiver cheio de emoções estranhas, é porque nossos olhos já viram muita coisa estranha. Na verdade a porta de tudo que entra em nosso coração são os olhos. Lemos em Gn 3:5-6, “ Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Os olhos foram o instrumento usado para a entrada do pecado no mundo. Parafraseando a palavra do nosso inimigo, ele quis dizer: vocês estão com os olhos fechados, mas no dia em que comerem desse fruto, sereis como Deus, vossos olhos se abrirão. Esse não se parece com o convite que o mundo de hoje nos faz constantemente ? A internet, a televisão, revistas, estão a nos convidar constantemente a abrirmos os olhos e vermos quanta coisa “bonita” há para se ver. Por que fechar os olhos para tanta coisa “bela”, não é mesmo ? E sabe o que mais ? A mulher viu que a árvore era boa para se comer e agradável aos olhos. Não se engane, os frutos que o mundo nos oferece são bons de comer e agradáveis aos olhos. O diabo não nos ia oferecer coisas que nos causassem repugnância, ele nos oferece coisas boas e agradáveis aos olhos, porém no fim dessas coisas encontramos a morte. O nosso inimigo vai usar pessoas para lhe dizer que se você não experimentar de seus frutos, você estará na contra-mão do sistema, será careta e talvez até lhe chame de crentinho. Quando isso acontecer lembre-se que esse foi o mesmo convite que Eva recebeu, e que lhe custou a carga do pecado que hoje acomete toda a humanidade. Resista aos convites do mundo. Eles não valem a pena de serem experimentados. Há 3 classes de pessoas: as ignorantes, que nunca aprendem, as inteligentes que aprendem com o próprio erro, e as sábias que aprendem com o erro alheio. Sejamos sábios, utilizemos os exemplos que a Palavra de Deus nos dá para nos mantermos longe do pecado e perto de Deus.
Jesus nos dá uma lição preciosíssima acerca do cuidado com os olhos. Ele nos diz em Mt 6:22-23 “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!”.
O que nossos olhos estão vendo ? O que estamos colocando em frente a eles ? Damos preferência para a Bíblia ou para a internet ? Nossos olhos são capazes de filtrar os conteúdos dos sites ? Conheço um rapaz que há alguns anos começou a utilizar a internet de tal forma que se tornou um “webólatra”. Hoje ele não estuda, está em estado de depressão profunda, não tem amigos verdadeiros, só virtuais, resumindo, só Deus agora poderá libertá-lo dessa escravidão em que vive. Seus olhos foram expostos a tanta podridão, que agora seu coração já está contaminado. Se depender de suas próprias forças, não há solução para ele. Mas há solução para Deus.
Lemos em Mc 9:47 o seguinte “...se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no inferno. Não quero que ninguém saia por aí se mutilando, mas se o teu olho é a causa dos desejos do teu coração, “arranque-o” e o entregue a Cristo. Peça para que ele o ajude a controlar o que olhas. Encontramos a chave e a solução no Sl 25:15: “Os meus olhos estão postos continuamente no Senhor, pois ele tirará do laço os meus pés”. A solução é estar com os olhos continuamente no Senhor, na sua Palavra. É a Palavra de Deus quem nos santifica. Se nossos olhos estiverem continuamente na sua Palavra, o Espírito Santo vai nos alertar e nos livrar quando a tentação chegar aos nossos olhos. Não há outro remédio que pode nos curar (...”e conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”). A verdade é Cristo, é Ele quem nos liberta e nos livra das influências que o mundo quer nos impor. Qual é o teu anseio ? Lança sobre Ele toda a tua ansiedade, é Ele quem cuida de nós. Jesus está disposto a nos ajudar e a consertar nosso coração quebrado e moído pelo pecado. Ele está à porta do nosso coração batendo e chamando, vinde a mim todos vós cansados e sobrecarregados. Jesus alivia teu coração e lhe dá a paz que o mundo não pode lhe dar. As emoções do mundo são fúteis e passageiras, a paz de Deus excede todo entendimento e nos faz descançar em Seus braços de amor.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 09 de janeiro de 2007.

Metamorfose

Sempre busquei do Senhor uma resposta quanto à mudança de caráter do crente. Queria saber porque as pessoas custam tanto a mudar seu caráter, seu modo de vida. Sempre recitava alguns versículos que mostravam que Cristo liberta, salva e causa uma mudança completa na vida daqueles que lhe entregam a vida. Todavia, não conseguia ver muita mudança de fato em muitas pessoas, cristãs confessas, pessoas sinceras que buscavam uma comunhão maior com o Senhor, mas que estavam sempre envolvidas em práticas do velho homem, vivendo uma vida inconstante demais para poder experimentar as bençãos espirituais que estão disponíveis para aqueles que são fiéis a Deus.
Por outro lado ouvia pessoas falarem do tipo de comunhão que gozavam com Deus, e ficava mais inquieto ainda. Exatamente porque essas pessoas se mostravam quase “perfeitas”, espirituais, praticamente intocáveis e inculpáveis quanto às tentações da carne. Parecia mesmo que o pecado não tinha lugar na vida delas em nenhum momento, pelo menos aparentemente. O problema é que quando investigadas um pouco mais a fundo suas vidas, víamos que toda aquela aparência “santa”, não passava de aparência, às vezes até muito superficial.
Li “O Filho pródigo” de Henry Nowven e descobri que na verdade a maioria das pessoas têm é medo de se expor e por isso pintam uma fachada colorida para parecerem mais espirituais, mais do que realmente são.
Mas isso não me acomodou e um dia perguntei a Deus porque Ele com toda a Sua soberania e poder não me transformava logo em um vaso útil para o Seu proveito, assim como a borboleta e o girino são transformados em suas formas adultas. Ele imediatamente me respondeu: É exatamente isso que eu estou fazendo, e então comecei a pensar como se processa a metamorfose desses animais e verifiquei com um breve ajuntamento de idéias, que isso não ocorre da noite para o dia.
Assim como nossa vida nas mãos de Deus, a metamorfose é um processo dividido em fases. Essas fases, embora possam ser separadas para fins didáticos, se processam de forma contínua, como num filme. Essas fases para que se processem adequadamente e com sucesso, dependerão de alguns fatores: o local apropriado para a transformação, o tempo exato, a luta contra possíveis inconvenientes externos. A lagarta precisa se preparar para fazer seu casulo, esse precisa estar num lugar seguro contra predadores e tudo deve ser feito dentro do tempo pré-determinado. Por outro lado os girinos precisam estar dentro da água, num lugar de igual modo seguro a fim de esperar seu momento. Uma vez vi uma poça dágua formada pela chuva, enegrecida de tanto girino que ali estava. Havia água, mas com certeza não haveria tempo suficiente para que se processasse a transformação dos girinos antes que a água se secasse e eles fatalmente morreriam porque seus pulmões ainda não estariam formados.
Assim é nossa vida. Deus nos quer transformar em algo útil para o Seu proveito e para a glória do Seu nome, mas isso exige um processo. Esse processo precisa estar caminhando no tempo exato, pré-determinado por Deus, caso contrário culminará em nosso fim. Além disso Deus nos coloca em determinados lugares e situações para que possamos ser por Ele provados,a fim de alcançarmos corações sábios, (Sl 66:10) refinados como a prata.
Existem algumas espécies de anuros que possuem cuidado parental, ou seja, os pais cuidam dos filhotes enquanto esses não adquirem suficiente independência para fugir de predadores e procurar seu próprio alimento (alguns guardam sua prole dentro de sua boca). Assim é Deus. Apesar de sempre estarmos recebendo influências externas que querem nos tirar do plano que Deus traçou para nossa vida, Deus tem nos guardado, nos protegido a fim de que acabemos a carreira e, principalmente, guardemos a fé. O cuidado de Deus é eterno.
A metamorfose de Deus às vezes parece dolorida, devagar demais para pessoas ansiosas como nós, e isso nos incomoda. Mas esse é o tempo e o modo de Deus, porque Ele conhece nossa estrutura (Sl 139:15-16), sabe que sucumbiríamos se mudássemos da noite para o dia, e certamente não saberíamos o que fazer com tamanha mudança.
Ao longo da metamorfose, Deus nos dá o privilégio de passar por experiências maravilhosas e profundas, que servirá de material contra as adversidades que certamente sobrevirão, quando nos encontrarmos totalmente envolvidos com Seu reino.
Mas tenho uma “má” e uma boa notícia para você. A “má” é que ao contrário da borboleta e do girino, a metamorfose de Deus jamais acaba. Enquanto estivermos nessa Terra, Deus estará nos transformando, nos moldando, nos tornando homens melhores, e mais preparados a fim de executarmos a sua obra. A boa notícia é que Deus nunca nos deixará orfãos e nem nos deixará ser tentados acima do que podemos suportar, e além de tudo estará conosco todos os dias até a consumação dos séculos. Não podemos querer promessas melhores e maiores do que estas. O que nos resta ? Submetermo-nos inteiramente à Sua vontade a ao Seu senhorio. Ele sabe e quer cuidar de nós, mostrar ao mundo que a cruz de Cristo ainda produz transformação, transformação que resultará em uma vida plena na Terra e uma vida eterna no céu.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 04 de janeiro de 2007

Pela Graça sois Salvos

Paulo certamente evocou nesse texto de efésios 2 uma lição sublime sobre a graça de Deus, sobre a salvação e a incapacidade total das obras de qualquer homem como meio salvívico. Essa passagem nos conscientiza totalmente da condição deplorável em que todos nos encontramos antes de aceitarmos a Cristo, e como Ele pela sua infinita misericórdia nos resgata e nos faz assentar em lugares celestiais, para mostrar aos homens e até aos principados (3:8) a grandeza e a riqueza dessa graça.
Mas gostaria de tecer alguns comentários pessoais, mas não anti-bíblicos, sobre como a graça se apresenta para mim, do modo como me cativa.
Começo lendo Isaías 53 e me sinto o mais miserável dentre os homens, porque vejo que foi por mim que Cristo sofreu, e na mesma hora me interrogo, como posso ser insensível ao ponto de ainda cometer pecados ? Como posso olhar para o sofrimento do meu Senhor com indiferença ? Me coloco na pele do apóstolo Paulo (Rm 7) e repito as suas palavras com um aperto grande no coração, “...miserável homem que sou...o bem que quero não faço, mas o mal, esse pratico”... creio que o mesmo aperto invadiu a alma do apóstolo no momento em que era inspirado e convencido pelo Espírito Santo da sua condição deplorável de pecador.
Continuo lendo Isaías e vejo que Jesus foi moído pelas nossas transgressões, isso significa esmagado, como se o passassem por uma máquina de moer carne ou um rolo compressor. Sua carne foi vituperada, aniquilada, porém seu Espírito continuava firme, inabalável na convicta decisão de salvar a mim e a você, de nos livrar do peso e da condenação impostos pelo pecado. Contudo eu e você ainda pecamos, às vezes até voluntariamente, resultado de uma natureza manchada pelo mal, resultado de uma condição adâmica que ainda tenta nos capturar e que ainda tenta nos desviar do caminho que o Senhor nos traçou.
Todavia a graça de Deus, revelada em Cristo Jesus nos coloca em lugar de privilégio, nos torna outra vez filhos, amados e queridos de um Pai bondoso. Penso que a graça de Deus é tão sublime que nos outorga o direito de escolhermos se o queremos seguir ou não. Deus não invade, não arromba, Ele bate (Ap 3:20) e espera, pacientemente, como o Pai espera pelo filho pródigo com anel, roupas e um novilho cevado. Mesmo porque Ele não está sujeito ao tempo, Ele é o Senhor do tempo e está acima deste. Nós é que estamos sujeitos ao tempo e perdemos, quando por rebeldia "adiamos" o plano de Deus em nossas vidas.
Não é incrível pensar que o amor de Deus não está condicionado em nossas atitudes e na nossa recíproca ? É quase ilógico nesse mundo egoísta e mesquinho em que vivemos, pensar em um amor incondicional. O mundo não consegue conceber esse tipo de amor, nem sequer cogitar sua existência. Apenas os salvos conseguem crer, porque o experimentaram. Somente nós sabemos a condição da qual Cristo nos resgatou e somente nós sabemos o valor dessa tão gloriosa salvação.
O pecado nos faz morrer porque essa é sua lei, esse é o preço. Cristo nos faz viver, nos dá a paz que o mundo jamais pode nos dar. Na verdade Cristo nos ressuscita da nossa condição miserável, juntamente com Ele na sua ressurreição.
Nós não podemos fazer nada para obter a salvação, porque ela é dom de Deus, não vem de nossas obras ou méritos. Mas uma coisa podemos fazer depois de sermos salvos e aceitos como filhos, podemos e devemos-Lhe fidelidade, e quanto a isso Cristo é exigente. Ele não aceita restos, sobras ou uma parte apenas de nossa vida. Ele a quer por inteiro, sem reservas, sem vínculo com nosso passado de pecado e desgraça. Jesus pede nossa vida, simplesmente porque é dEle, Ele a comprou na cruz do calvário. Foi Ele quem pagou um alto preço por ela. Foi Ele e não eu quem foi moído, ferido e traspassado pelas minhas culpas.
Quando aceitei a Cristo como Salvador, também o aceitei como Senhor de minha vida, e se o aceitei como Senhor, imediatamente me coloquei na condição de servo, e servo denota fidelidade, porque o meu Senhor não me comprou na condição de escravo como conhecemos, mas antes, nos livrou da condição de escravos em que vivíamos e nos tornou filhos.
Aceitar a graça é aceitar o poder do sacrifício de Jesus em nossas vidas e também aceitar o seu senhorio em nós. Isso certamente requer renúncia e luta. Renúncia aos pecados e luta contra nossa vil concupiscência.
A graça está hoje disponível a mim e a você. Hoje temos em nossas mãos a escolha de aceitarmos a Cristo ou definitivamente negá-lo. Se o aceitarmos, devemos ter em mente que devemos a Ele fidelidade, completa e irrestrita. Se o negarmos devemos também ter em mente que o futuro que nos aguarda será sombrio e tenebroso, porque estaremos longe daquele que nos deu a vida. Como vê, você decide e como já disse em outro texto, essa escolha vale a eternidade, com Deus ou sem Ele. Cabe um conselho ? Decida por Cristo. Decida pela vida.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
22/12/2006

Efeitos do Pentecoste

A intenção aqui não é criticar, nem defender o movimento pentecostal, ou alguma igreja denominada assim; a intenção aqui é apontar à luz da Palavra de Deus, o que julgo ser um povo movido pelo poder pentecostal e a repercussão desta experiência ao mundo.
Por motivos óbvios vou estar utilizando textos de Atos, apoiados, é claro, pela interpretação de toda a Bíblia.
Não há como negar que o que aconteceu aos apóstolos no dia do pentecoste foi uma experiência sem igual, que jamais houve, e nunca mais haverá, simplesmente porque naquela ocasião o Espírito Santo de Deus foi enviado a este mundo como consolador e ensinador (Jo 14:26).
Além de consolador e revelador das verdades de Deus, uma outra consequência prática após a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, foi a ousadia e intrepidez com que anunciavam a Jesus, sua obra salvívica, morte e ressurreição. A ousadia deles era tamanha que mesmo após prisões e açoites (At 5:40), sentiam-se felizes e agraciados por terem sido achados dignos de padecerem pelo nome de Cristo e continuavam a pregar, ensinar e anunciar a Jesus.
É importante nesse ponto notar que o centro da mensagem dos apóstolos sempre foi Jesus, sua crucificação e ressurreição. Os sinais e milagres apenas acompanhavam a exposição da Palavra, para testemunho e confirmação do que estava sendo exposto, para uma geração incrédula. Nunca vamos ver Pedro e os demais apóstolos fazendo dos sinais e milagres tema principal de sua pregação e recebendo glória por eles (At 4:29-31).
É interessante ver como hoje muitos pregadores fazem da cura, manifestações de poder, sinais e prodígios, carro-chefe de seus sermões e igrejas, como se essas coisas fossem trazer santidade ao povo e se esquecem de que Jesus deve ser sempre o tema principal de nossa vida.
Não dá para aceitar um avivamento, seja esse individual ou coletivo, seja como você quiser crer, sem que haja um desejo quase incontrolável por transmitir a mensagem do evangelho. Não dá para crer em avivamento no domingo, quando no restante da semana nada ou muito pouco mudou na vida das pessoas.
Outra característica produzida na igreja primitiva após o dia do pentecoste foi a união entre os irmãos (AT 2:44-47). O amor uns pelos outros foi tão grande que alguns por livre e espontânea vontade, vendiam suas propriedades e depositavam o dinheiro da venda aos pés dos apóstolos para repartir a quem tivesse necessidade. Essa abnegação aos bens materiais era tanta, que chegavam ao ponto de dizerem que nada do que possuíam eram seus, senão que eram de todos (4:32), e o mais surpreendente é que entre eles não havia nenhum necessitado (v. 34).
O Espírito Santo de Deus derramado na vida de uma pessoa como foi no dia de pentecoste, tráz junto a ele o fruto do Espírito (Gal 5:22), de modo que o mundo veja e reconheça o verdadeiro filho de Deus (Jo 14:35).
Infelizmente, igrejas que dizem ter sofrido um avivamento, ou que buscam constantemente um “renovo espiritual” de uma forma coletiva, se esquecem que subsequente a esse derramamento de poder deve haver fruto: fruto do Espírito. Avivamento não é barulho, nem tampouco um enchimento mesquinho e egoísta, onde cada vez mais se busca poder, poder e no final não se sabe o que fazer com tanto “poder”. Avivamento é prática de vida cristã, é amor, bondade, longanimidade, mansidão, domínio próprio, paz, gozo, fé, benignidade, e contra essas coisas não há lei.
É claro que todas essas virtudes fazem parte da santificação do crente que deve ser constante e progressiva, mas mesmo assim não estamos vendo muita gente hoje em dia pregando sobre isso, simplesmente porque isso não atrai multidões, não dá ibope.
Não dá para acreditar em um avivamento onde o egoísmo, o individualismo e a paixão pelas coisas materiais anule o amor e a comunhão entre as pessoas. Onde a preocupação com as coisas desse mundo nos tape os olhos de modo que deixemos de ver o irmão ao nosso lado que passa por necessidades.
Uma outra consequência na vida de uma pessoa marcada pelo Espírito Santo de Deus, é que essa pessoa vai ser perseguida. Não só vemos isso na vida dos apóstolos de uma forma prática, como também lemos nas Palavras de Jesus, que já havia predito que isso aconteceria (Jo 15:19, At 5:17-18).
Se você está oferecendo através de suas mensagens apenas o que o mundo quer ouvir e não aquilo de que ele necessita, e dessa forma atraindo multidões que na verdade são movidas apenas por desejos egoístas, cuidado. A história da igreja sempre foi marcada por perseguições, as mais diversas possíveis. Quem um dia propôs em seu coração falar das verdades de Deus, sem meios-termos, sempre foi visto com olhos indiferentes pela maioria. Portanto se a sua mensagem mais agrada que provoca mudança, é melhor que reveja seus conceitos, pode ser que esteja dando aquilo que a multidão quer ouvir e não o que ela precisa ouvir.
Não dá para acreditar em avivamento na vida de um pastor ou ministro do evangelho que não aceita passar por perseguição, que não aceita tribulação na sua vida, que exige hotel 5 estrelas e pagamento para pregar, e o pior, ensinam o povo que essas coisas devem acompanhar e são sinais de uma vida vitoriosa em Deus (Fil 4:10-13).
Se queremos um avivamento pentecostal em nossas vidas ou se acreditamos pertencer a algum desses, precisamos entender e aceitar as consequências que deverão vir em função desse avivamento. Esse avivamento chega quando você se entrega a Cristo e morre para o mundo. O mesmo poder que desceu sobre os apóstolos no dia do pentecoste vem sobre você, e esse poder se chama Espírito Santo de Deus. No exato momento de sua entrega você se torna morada de Deus na pessoa do Espírito Santo. Mas lembre-se que viver para Cristo exige renúncia, despojar-se de si mesmo e carregar cada dia a sua cruz. Preciso informar-lhe que você não vai carregar vitórias e conquistas todos os dias, você não vai andar sobre as águas e muito menos o mar vai se abrir para você todos os dias, mas uma coisa eu garanto e é certa, você terá que carregar sua cruz todos os dias. Mas não importa o que aconteça, Jesus prometeu que estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos. E essa promessa deve nos bastar para que sejamos crentes fiéis, verdadeiros discípulos daquele que nos alistou para a grande batalha.
Você quer um avivamento pentecostal na sua vida ? Ótimo, eu também quero. Pode até ser que um dia Deus lhe use para curar um enfermo ou operar algum sinal, como fez com os apóstolos, mas com certeza isso será em decorrência da sua vida abnegada a levar outras vidas para Cristo. Deus não cura por curar. Deus quer vidas, vidas comprometidas com a sua Palavra e entregues sem reserva aos seus cuidados.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 01 de abril de 2006