sábado, 5 de maio de 2007

A Fantasia do Photoshop

Estava assistindo a um programa uma tarde dessas e um quadro me chamou a atenção. Convidaram uma garota, bem jovem, para passar por uma transformação, e se tornar a “garota da capa”. A garota era bonita, mas estava sem maquiagem e visivelmente estava com uns quilinhos a mais, claro, baseado no esteriótipo criado pela sociedade de mulheres magérrimas, quase anorexas. A garota tirou cento e cinqüenta fotos, e dessas, escolheram seis fotos. Levaram para um web designer famoso, que trata fotos de artistas famosos, e ele, dessas seis, escolheu uma, a que mais lhe agradou. Bom, para resumir, ele tirou alguns pneuzinhos, alongou seu corpo pelo menos uns cinco centímetros, tirou manchas, pintas, cicatrizes e colocou silicones virtuais em algumas regiões do corpo. A garota quando viu o resultado ficou espantada e sem acreditar no que seus olhos viam; porque aquela visivelmente não era ela. Apenas utilizaram seu rosto e a sua silhueta, o resto era artificial, era puro photoshop. Ela disse que agora sim estava pronta para ser a “garota da capa”.
Esse é o mundo em que vivemos, um mundo de fantasia e irrealidade. Um mundo em que as pessoas se contentam em não ser elas mesmas, só para parecerem melhores e mais atraentes. Esse é o mesmo mundo onde outras pessoas se contentam em assistir fatos irreais, e mesmo sabendo que são pura fantasia, se deixam ser enganadas, criando um mundo perfeito em suas cabeças, apenas como um subterfúgio para suas frustações e fraquezas, para o seu medo de encarar a realidade.
O mundo está mais preocupado com a aparência do que com o conteúdo. Não se dá mais ênfase à boa reputação e à moral. Não se busca mais integridade e fidelidade. O belo se tornou um corpo bonito e “sarado”, sem manchas, musculoso e definido. Em razão disso vemos o resultado desastroso em nossa juventude. Garotos e garotas que não conseguem formular um pensamento coerente sobre qualquer assunto que não seja namoro, “ficar”, plástica, botóx. Estão se formando mentes doentes, complexadas, com síndrome de inferioridade. A juventude não pensa mais, não questiona mais, perdeu o senso crítico. Apenas aceita o que a mídia os impõe(ou será que a mídia mostra o que o povo quer ver ?). Se alimenta cada dia mais do lixo do capitalismo selvagem que instiga e sufoca a fim de conseguir adeptos ao seu consumismo exacerbado e doente. Cada dia surge no mercado novos produtos de beleza. Existem cremes para cada 5 centímetros quadrados do corpo, sem precisar repetir. Uma pesquisa mostra que o Brasil é o segundo país que mais gasta com produtos de beleza no mundo, perdendo apenas para os Estado Unidos (de onde será que vem essa nossa herança ?).
Penso que Jesus não é muito fã do photoshop. Ele não se importa com o que fomos, nem com o que já fizemos com nossa vida no tempo em que não o conhecíamos. Não se importa com nossa aparência ou com nossas posses. Aliás, nossa noção de bonito e feio vem de nossa idéia de comparação, de louvar a uns em detrimento de outros, baseando-nos apenas em algumas qualidades que pensamos ser importantes. Seria até uma incoerência achar que Jesus se importa com nossa beleza física, já que foi Ele quem nos fez, “bonitos” ou não.
A Bíblia nos deixa claro que Jesus veio à Terra para transformar as pessoas em seu interior, e quando Ele realizava alguns milagres de cura física, foi para que elas entendessem melhor seu plano, que era muito maior e muito mais excelente. E quando Jesus curava alguém, não fazia como o photoshop, Ele realmente curava, de verdade, não virtualmente.
Jesus continua restaurando vidas. Ele não está interessado em restaurar a aparência, mas Ele está preocupado com o interior. É nosso íntimo que importa a Deus. É do nosso íntimo que sai o mais perfeito louvor do qual só Ele é digno. Podemos comprovar essa verdade em I Sm 16:7 quando Davi, o menor dos filhos de Jessé, é ungido rei de Israel. Da mesma forma em Jz 6, Deus escolhe Gideão para livrar o povo de Israel das mãos dos midianitas, ele que era o último da casa de seu pai e sua família a mais fraca da tribo de Manassés. Deus lhe escolhe pelo que você é e não pelo que tem ou pelo que aparenta ter.
Não tenho nada contra o photoshop, é um valioso instrumento no mundo da informática. Essa singela reflexão é apenas para mostrar que nem tudo o que reluz é ouro. Aliás, pouca coisa é! Vale muito mais a pena moldar as pessoas pelo que elas são. Estou falando de interior, reputação, boa índole, qualidades que estão meio fora de moda. A outra questão é mostrar que Deus pode mudar muito além da aparência, Ele pode mudar nossa vida por completo.
Se você concorda comigo, e acha que nesse mundo em que vivemos faltam pessoas sinceras e honestas, e gostaria de ser uma dessas, Deus pode transformá-lo nessa pessoa. Se você concorda que seu coração precisa de muito mais reparos do que sua aparência, então você precisa de Jesus. Já dizia um antigo pensamento: Jesus conserta o coração se lhe entregarmos os pedaços. O photoshop pode dar um jeitinho na sua aparência, mesmo que virtualmente, mas Jesus transforma por completo a sua vida. E depois de tudo isso Ele nos promete um novo corpo, glorificado, transformado pelo poder da sua glória. Faça a escolha por Jesus e você terá uma vida abundante e profunda, sem fantasias e sem superficialidade. Deus não precisa de uma “garota ou garoto da capa”, Ele quer homens e mulheres transformados pelo poder do evangelho, vivendo para o louvor da sua glória.
Fábio Adriano Cruvinel Machado
Valinhos, 04 de maio de 2007.

Análise de Gênesis Capítulo 3

A passagem de Gn 3 relata a queda do homem, como espécie, e mostra como o pecado passa a fazer parte da natureza humana.
Há consenso entre a maioria dos escritores, em que a serpente, responsável por induzir a mulher ao erro, foi um instrumento utilizado por Satanás. A escolha pela serpente, certamente está ligada ao comportamento da mesma na natureza, como o próprio texto diz, de sagacidade e astúcia, servindo muito bem aos propósitos malévolos do diabo.
Mesquita, associa a possível beleza física da serpente, e seu comportamento astuto, ao fato da mulher ter cedido tão facilmente aos seus oferecimentos. Todavia o texto nos leva a entender, que o que realmente fez com que a mulher cedesse à desobediência, foi a descoberta de que a árvore era boa, bonita e daria conhecimento do bem e do mal (verso 6), prerrogativas até então divinas. Já nesse ponto podemos tirar uma lição sobre o pecado, e como ele se apresenta a nós.
Não podemos negar que o pecado sempre se mostra ao homem bonito, e portanto sedutor. Foi isso que chamou a atenção de Eva. O mundo hoje, da mesma forma que no princípio, continua a nos seduzir e a nos convidar a provar de suas “delícias”, que embora passageiras, são boas, bonitas e porque não dizer, nos abrem o conhecimento, afastando-nos da “caretice” de sermos cristãos, onde a falácia de que nada pode ainda predomina na mente das pessoas. Os métodos utilizados pelo diabo continuam os mesmos, apenas contextualizados à nossa época.
Um outro ponto a ser discutido foi a incredulidade de Eva ante as ordens de Deus. Conforme escreve Hoff, a mulher só cedeu ao pecado porque deixou de crer no que Deus havia dito e passou a crer nas palavras do diabo. Deus havia dado um mandamento ao homem, e o texto nos mostra que ou o homem repassou esse mandamento à mulher ou Deus pessoalmente o fez, porque quando questionada pelo diabo sobre a proibição, Eva mostrou ter conhecimento claro sobre o assunto. Mas a astúcia do inimigo fez com que ela entendesse que não era bem assim que Deus queria dizer, amenizando portanto a força do mandamento. O diabo sempre procura amenizar as ordens de Deus, tentando nos mostrar que podemos ser fiéis, mesmo que não obedeçamos a Deus de uma forma completa e verdadeira. A sua intenção na verdade é distorcer a Palavra de Deus. Foi desse modo que tentou Jesus no deserto. É assim que continua a nos tentar. E quando cedemos a essas tentações estamos na verdade tirando o foco da nossa fé. Deixamos de crer em Deus e na Bíblia e passamos a crer nas mentiras do diabo. Esse é o início de uma vida de pecado. Primeiro olhamos o pecado e ele nos atrai. Depois acreditamos que podemos prová-lo sem nos contaminar.
Law nos orienta e nos concientiza acerca do poder do diabo e de como devemos nos proteger. Não gostamos de pensar muito sobre o nosso inimigo, e dessa forma, às vezes, deixamos que ele aja livre e abertamente. Preferimos pensar no mal como uma força que não exerce muita influência sobre nós, ao invés de encará-lo como uma pessoa que está constantemente tentando nos derrubar. Precisamos obedecer a Palavra de Deus que nos exorta a resisitir ao diabo, que diuturnamente tenta nos tragar. Argumenta ainda Law, que o diabo é o príncipe deste mundo, deus deste século, e líder de exércitos incontáveis que estão a seus serviços continuamente com o único propósito de nos derrotar, nós que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Por tudo isso resta-nos vestir toda a armadura de Deus para que possamos resisitir no dia mau.
As consequência que o pecado trouxe para a humanidade foram funestas. A primeira consequência observada foi a ruptura da comunhão com Deus desfrutada pelo homem antes de pecar. Logo que seus olhos foram abertos, em decorrência da desobediência, verificaram que estavam nus, porque o pecado os fez sentirem-se envergonhados. E assim que notaram a aproximação de Deus tiveram medo. O pecado rompeu a comunhão do homem com Deus. Um abismo se abriu e o homem teve de ser expulso do jardim que Deus criara para ele.
A primeira demonstração prática do pecado na vida do casal foi a tentativa de escapar da culpa. Quando Deus pergunta ao homem se ele havia comido da árvore que Ele havia proibido, o homem logo trata de transferir a culpa à mulher, e esta por sua vez mostrando um aprendizado demasiadamente rápido, transfere a culpa para a serpente que a havia enganado. A pessoa que vive em pecado sempre tenta culpar alguém por sua vida longe da comunhão do Pai. Às vezes culpando a igreja por falta de apoio, às vezes a família que não o compreendeu, enfim, não faltam desculpas. Mas a Bíblia é clara quando afirma que cada um dará conta de si mesmo a Deus por toda obra praticada. Não há desculpas para o pecado. Temos sim, de nos convencer que somos pecadores e de que precisamos da graça de Deus.
Além da separação do homem e de Deus, o pecado também trouxe mais consequências para todos os envolvidos no episódio. A serpente foi amaldiçoada por Deus, que a condicionou a viver de uma forma rastejante por toda a sua existência, e a fez inimiga mortal do homem e da mulher. A mulher por sua vez, teria as suas dores de parto multiplicada. Entendo aqui que a mulher antes do pecado sofreria dores ao dar à luz, mas com certeza essas dores seriam bem reduzidas comparadas ao que é hoje. Isso porque Deus promete multiplicar as suas dores. Ora, não se pode multiplicar o que não existe. Além disso, o desejo da mulher seria para seu marido e esse a dominaria. Ao homem Deus promete uma vida dura de trabalho. Trabalho esse que não ofereceria realização e lhe traria muitas amarguras.
Deus expulsa o casal do jardim e coloca querubins para guardarem o caminho da árvore da vida, impedindo assim que o homem comesse da mesma e vivesse para sempre, já que agora tinha conhecimento do bem e do mal. Se isso acontecesse certamente traria consequências ainda piores, porque o homem teria vida eterna numa condição de pecado e desobediência.
Ao amaldiçoar a serpente Deus lhe dá o direito de ferir o calcanhar da linhagem da mulher, e a esta o direito de esmagar a cabeça da serpente. Podemos inferir duas intrepretações daí. Uma diz respeito à relação que existe hoje entre o homem e as serpentes em geral, certamente uma relação de eterna rivalidade. Todavia, desde tempos antigos, os cristãos interpretam essa passagem como um proto-evangelho, enxergando na linhagem da mulher o próprio Jesus e na serpente o diabo. Jesus então, na cruz do calvário, esmaga a cabeça da serpente e novamente reestabelece a comunhão do homem com Deus que havia sido quebrada no Éden.
Mediante essa interpretação, fica claro o papel de cada cristão hoje na proclamação do evangelho. Sabemos que pelo pecado do primeiro casal, a relação de Deus com a raça humana foi rompida. Também é sabido que somente por intermédio de Cristo essa relação volta a ser efetivada. Antes de morrer, Jesus bradou de cima da cruz: Está consumado ! A obra de redenção do homem estava completa, não faltava mais nada, tudo havia sido feito de uma forma perfeita. Logo após o pecado de Adão e Eva, Deus pela sua infinita misericórdia, prepara túnicas de pele para os dois e os cobre. Deus começa a preparar um caminho para a regeneração do homem. Mas a obra só é finda, quando o cordeiro de Deus se entrega vicariamente, e morre pelos nossos pecados.
A nossa tarefa como cristãos, remidos e lavados pelo sangue de Jesus, é proclamar essa verdade a toda a criatura. É uma mensagem simples, mas é uma verdade profunda. O homem sem Cristo não passa de uma criatura de Deus, condenado à morte eterna. Cristo é a ponte entre Deus e o homem. No princípio, vemos que o homem foi incapaz de escolher até mesmo o que vestir. Deus precisou ajudá-lo nessa tarefa. Hoje, da mesma forma, o homem por si só é incapaz de se salvar. Seus méritos nada valem para isto. Não há o que façamos que nos possa salvar de nosso destino cruel sem Deus. Não há boa obra ou vida abnegada que nos faça chegar até Deus. A única solução para o pecador é Cristo. É crer nele como único e suficiente salvador.
Essa mensagem percorreu toda a história da igreja cristã e continua sendo a nossa mensagem. É nisso que os homens devem crer e é isso que nós
devemos proclamar. Que essa mensagem maravilhosa não se aparte de nossos lábios e que seja o nosso respirar durante toda a nossa vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bíblia de Jerusalém. Traduzido para o português dos originais. São Paulo: Paulus, 2004.
Hoff, P. O Pentateuco. Tradução de Luis Aparecido Caruso. Miami: Vida, 1983.
Kidner, D. Gênesis Introdução e Comentário. Traduzido pela Inter – Varsity Press. Londres: Mundo Cristão, 1991.
Law, H. Cristo em Gênesis. Traduzido pela Editora Leitor Cristão. São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 1994.
Mesquita, A. N. Estudos no Livro de Gênesis. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1943.