segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A IDENTIDADE DO CRISTÃO

Tito 1:1-3 “PAULO, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, para levar os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos; mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada por ordem de Deus, nosso Salvador”.
Creio que o mundo carece de identidade. Vivemos um momento claro no mundo, onde a falta de identidade tem sido motivo para que as pessoas vivam e ajam de qualquer maneira. Os estereótipos foram quebrados. Os padrões jogados ao chão, porque cada um decidiu que pode e deve andar como bem quiser, sem ter que prestar contas a ninguém do que faz ou deixa de fazer. É o mundo sem identidade; sem as características que o qualificam ou demonstram quem é ou o que faz. Há algumas décadas dava-se para imaginar algumas coisas a respeito de várias classes de pessoas. A própria vestimenta era uma das marcas que distinguia uma pessoa da outra. Pela sua roupa se sabia sua classe social e econômica. Pela roupa de igual modo, podia-se presumir a condição intelectual da pessoa. Mas não era somente o vestuário que qualificava as pessoas. O modo de falar praticamente denunciava quase tudo sobre aquela pessoa. Havia limites claros. Havia padrão no procedimento. Havia algo de comum entre pessoas que compartilhavam do mesmo pensamento e da mesma opinião. Hoje não tem mais isso. O rico veste-se com roupa rasgada, desbotada e com cara de usada, e se você não olhar a etiqueta de grife, é perigoso correr o risco de oferecer um prato de comida a ele achando que esta alimentando um mendigo. Tem pobre que se acha e gasta o dinheiro do alimento para comprar na Marcia Melo, e faz questão de deixar a etiqueta pra fora pra todo mundo ver que ele pode comprar lá. Aí não se sabe mais quem é pobre ou rico pela roupa, ou pelo carro que foi financiado em 80 meses, ou pelo rico que anda de fusca pra não ser seqüestrado, claro que não é o meu caso. Mas a idéia é que não existe mais identidade nas pessoas, talvez porque ninguém goste de ser identificado pelo que realmente é. O pobre porque é pobre, o rico porque tem medo dos bandidos, o casado porque sem ser identificado como tal, talvez ache que possa sair por ai e dar umas escapadinhas.
Mas o problema maior é quando os cristãos não querem assumir a sua identidade que é por direito, mas também por dever. E talvez haja duas razões para essa não identificação. A primeira é porque somos influenciados pelo mundo que não tem mais identidade, ou melhor, tem tantas identidades que nós na verdade não sabemos ao certo qual a correta, ou não sabemos qual dessas identidades assumimos. Apesar dessa razão ser nociva, talvez seja até certo ponto compreensível porque a pessoa age de forma inocente, não porque não queira ter identidade, mas porque não sabe realmente qual identidade assumir diante de tantas opções que nos são apresentadas a todo o tempo. Então nós nos perguntamos: como deve ser um cristão? A mulher precisa usar saia ou calça? O homem pode ou não usar bermuda? Posso cortar meu cabelo assim ou assado? Então a Bíblia nos responde. Não importa, você é livre, você pode tudo, mas lembre-se, nem tudo convém. Então nós chegamos à conclusão que na verdade a nossa identidade não está no visual externo. Se eu acho que convém, e se entendo que não vou escandalizar ninguém, então eu posso usar. Eu lembro quando minha mãe falava que em seu tempo de adolescente e jovem, os homens da igreja eram obrigados a usar chapéu, pelo menos na igreja da qual ela fazia parte, e uma certa vez meu tio, irmão de minha mãe comprou um chapéu um pouco mais moderno, na época era um chapéu da moda. Era pecado não usar chapéu, mas também era pecado usar chapéu da moda. Então por isso meu tio foi excluído da igreja e revoltado com aquela situação saiu da igreja e se embrenhou no mundo do alcoolismo, e não fosse a misericórdia de Deus, provavelmente ele estaria morto há muito tempo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sarmo 23 dos Minero


Eu ouvi este "sarmo" de um amigo meu e descobri que era do pavablog. Então com a devida autorização do autor, estou postando por achar um texto de excelente criatividade.

O sinhô é meu pastô e nada há de me fartá

Ele me faiz caminhá pelos verde capinzá

Ele tamém me leva pros corgos de água carma

Inda que eu tenha qui andá

nos buraco assombrado

lá pelas encruzinhada do capeta

não careço tê medo di nada

a-modo-de-quê Ele é mais forte que o “coisa-ruim”

Ele sempre nos aprepara uma boa bóia

na frente di tudo quanto é maracutaia

E é assim que um dia

quando a gente tivé mais-pra-lá-do-qui-pra-cá

nóis vai morá no rancho do sinhô

pra inté nunca mais se acabá...

AMÉIM!

Retirado do site: http://pavablog.blogspot.com/2009/08/oh-minas-gerais-24.html, em 07 de dezembro de 2009.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Jesus quer se revelar aos seus filhos

Lucas 24:13-31 “E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes?
E, respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram.
E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes.”

Por toda a história da humanidade, a iniciativa em se buscar comunhão nunca partiu do homem. Deus sempre tomou a iniciativa na direção do homem, com o objetivo de revelar-se ao mesmo e de prover-lhe salvação. E o primeiro exemplo aconteceu logo no início, em Gênesis, logo depois do homem e da mulher pecarem, Deus vai ao seu encontro e providencia-lhes roupas adequadas, porque nem isso o homem soube escolher direito. E a busca de Deus em direção ao homem vai se revelando nas páginas das Escrituras com Abraão, Moisés, Noé, os profetas e continua até hoje, porque nós somos provas vivas de que Deus um dia nos buscou no nosso estado de miséria e nos trouxe à sua maravilhosa luz.
E Jesus não fugiu à regra, visto que em todo seu ministério terreno, promoveu uma incessante auto-revelação com o intuito de fazer seus discípulos entenderem que Ele era verdadeiramente o Emanuel, o Deus conosco. Os milagres de Jesus, suas obras, suas palavras, no fundo nada mais eram que provas de sua identidade como aquele que havia de vir, o Messias esperado, embora na maioria das vezes, os seus próprios discípulos não conseguiam enxergar isso.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pérolas de Tozer

A fraqueza de tantos cristãos modernos é que eles se sentem à vontade no mundo. Em seu esforço para conseguir um "ajuste" agradável à sociedade não regenerada, eles perderam seu caráter de peregrinos e se tornaram uma parte da própria ordem moral contra a qual foram enviados para protestar. O mundo os reconhece e os aceita pelo que são. E esta é justamente a coisa mais triste que pode ser dita a seu respeito. Não são solitários, mas também não são santos.
Aiden Wilson Tozer
excertos de "os santos devem andar a sós"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tomou o meu Lugar


A morte de Jesus sempre foi motivo de questionamentos e dúvidas, tanto em sua época como agora. A maioria dos judeus nunca creu que Jesus fosse de fato o Messias esperado e mesmo em nossos dias eles continuam defendendo tenazmente a idéia de que Jesus era na verdade um impostor, um louco que tentou se passar pelo Messias e foi morto por esta razão.
Mas o que há de tão extraordinário na vida e na morte de Jesus para que tantas críticas fossem levantadas? Por que até hoje, não só judeus, mas pessoas do mundo inteiro questionam a divindade de Cristo e o valor de sua obra? E por que a morte de Cristo é por um lado loucura e por outro, salvação?
Isaías nos responde claramente a razão de todas essas perguntas. Deus, através do seu profeta, nos mostra como é possível conviver e crer nessa dicotomia entre maldição e santidade, entre loucura e salvação.

Vamos ler, Isaías capítulo 53 na versão da Bíblia de Jerusalém.
"Quem creu naquilo que ouvimos, e a quem se revelou o braço de Iahweh? Ele cresceu diante dele como renovo, como raíz em terra árida; não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar. era desprezado e abandonado pelos homens, homem sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, como pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos caso nenhum dele.
E no entando, eram nossos sofrimentos que Ele levava sobre si, nossas dores que Ele carregava. Mas nós o tínhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.
Todos nós como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada um o seu próprio caminho, mas Iahweh fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.
Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como cordeiro conduzido ao matadouro; como ovelha que permanece muda na presença dos tosquiadores ele não abriu a boca.
Após detenção e julgamento, foi preso. Dentre os contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter sido cortado da terra dos vivos, de ter sido ferido pela transgressão do seu povo? Deram-lhe sepultura com os ímpios, seu túmulo está com os ricos, embora não tivesse praticado violência nem houvesse engano em sua boca.
Mas Iahweh quis esmagá-lo pelo sofrimento. Porém, se ele oferece a sua vida como sacrifício expiatório, certamente verá uma descendência, prolongará seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus triunfará.
Após o trabalho fatigante da sua alma verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu servo, justificará a muitos e levará sobre si as suas transgressões. Eis porque lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a si mesmo à morte e foi contado entre os criminosos, mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos criminosos fez intercessão."

1. Jesus não viveu como o messias esperado pelos judeus
Como é sabido da maioria, senão de todos, o Messias esperado pelos judeus não se parecia em nada com Jesus. Os judeus esperavam um Messias glorioso, poderoso e guerreiro, alguém que os pudesse libertar do domínio romano e ao mesmo tempo lhes dar soberania como nação dentre os povos poderosos daquela época.
Jesus nasceu e viveu de maneira muito simples. Filho de carpinteiro, nascido em lar pobre, na cidade de Nazaré. O preconceito contra Nazaré era tanto que Natanael, quando ouviu a respeito de Jesus pela boca de Filipe, pergunta: pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Nem a sua naturalidade combinava com o padrão dos judeus exigido para o Messias.
Ao contrário do que se esperava de um Messias, alguém corajoso e impetuoso, Jesus agia na maioria das vezes com calma e serenidade, aparentemente um homem incapaz de liderar qualquer batalha ou rebelião. Além de não ter aptidões para a guerra, Jesus não tinha nem beleza física que o pudesse identificar com o Messias. Ao contrário, sua aparência afastava as pessoas de si. A multidão que se juntava a Ele, era na sua grande maioria, pessoas interessadas somente em seus milagres ou no pão que Ele multiplicava e alimentava a todos.
Mas como o Messias ninguém o via. No máximo como um grande profeta, ou a encarnação de Elias ou de Moisés, mas Messias nunca, porque Jesus não se parecia com o Messias que eles esperavam.
E na medida em que se aproximava a hora de sua morte, sua aparência e fisionomia se distanciavam em igual proporção da figura do messias dos judeus. Como não deve ter ficado sua aparência quando, durante sua oração no Getsêmane, lágrimas de sangue encharcaram sua túnica? Com certeza não era a fisionomia de um guerreiro pronto para a batalha, mas de uma ovelha pronta para ser abatida, de alguém rendido aos braços da morte, alguém de quem escondíamos o rosto, que merecia ser desprezado e rejeitado porque parecia ser muito fraco para ser de fato um Messias.
A pré-concepção dos judeus em relação ao Messias foi totalmente equivocada; eles interpretaram mal as profecias. Qual a idéia que fazemos hoje de Jesus, qual a concepção que temos do Mestre? Se Jesus nos perguntasse hoje: quem vocês dizem que eu sou, o que nós diríamos?
Parece uma pergunta um tanto quanto infantil, mas os fatos nos mostram que muita gente hoje não sabe muito bem o que fazer com Jesus, no sentido de não entenderem o seu papel, sua missão, sua posição, e com isso, vivem um evangelho baseado em características não cristológicas. Vou tentar explicar melhor.
Se eu vivo uma vida esperando que Jesus me agrade em tudo e não tentando agradar a Ele em tudo, há um erro na minha cristologia. De fato, não sou eu que preciso ser agradado, não são minhas vontades que precisam ser feitas, mas sim a vontade de Deus. Quando eu inverto a ordem criada por Deus, eu estou vislumbrando um Jesus que não é o Messias verdadeiro.
Quando eu tiro Jesus do centro e coloco a minha vida e a minha vontade no centro, é óbvio que o meu jesus se transforma em um mero papai Noel, que é obrigado a me dar presentes se eu fui um bom menino. Jesus deixa de ser meu Salvador e Senhor e se transforma quase que em meu empregado.
Meus irmãos, e isso é tão verdadeiro que até as nossas orações são extremamente voltadas para o eu, para meu ego, para meus interesses e muitas vezes nos esquecemos de pedir que a vontade de Deus seja feita.
Qual é a imagem de Cristo que eu vislumbro? Um Cristo que tem a primazia em todos os detalhes de minha vida? Um Cristo que tem a primazia nos meus negócios, na minha família, nos meus relacionamentos, nas minhas atitudes? Ou somente um Cristo dos domingos? Eu só vou a Ele para pedir? Ou eu também vou para agradecer pelo bem e pelo mal?
Jesus tem que ser pra mim meu Salvador e Senhor. Como meu Salvador, Ele é totalmente suficiente para apagar meus pecados, quando vou a Ele arrependido e contrito. Como meu Senhor, Ele é o dono de toda a minha vida e não só daquilo que eu resolver lhe dar. Ele é o dono da minha família, do meu negócio, do meu emprego, das minhas vontades, da minha saúde, do meu estar vivo, do meu futuro. Ele tem de governar sobre a minha vida.

2. A morte de Jesus não era a morte esperada para um Messias
Mais do que a sua vida, a sua morte foi totalmente incomum para o Messias esperado. A morte na cruz era sinônimo de maldição da parte de Deus para o condenado, somente um grande pecador morria na cruz, e se Ele estava morrendo daquele jeito é porque certamente não era o Messias, antes estava sendo castigado pela justiça divina. É assim que nos relata o versículo 4: “...nós o tínhamos como vítima dos castigo, ferido de Deus e humilhado, e no entanto, eram nossos sofrimentos que Ele levava sobre si...”. Como bem foi lembrado por um dos ladrões: “...mas este nenhum mal fez”. Então, quando eu penso que na verdade era eu quem deveria estar sendo crucificado, eu percebo que aqui há uma mudança na ordem natural da lei.
A lei era clara, olho por olho, dente por dente, vida por vida, mas Jesus vem contrariar toda a lógica humana e morre em lugar do culpado, mesmo sendo inocente. Era eu quem andava como ovelha sem pastor, desgarrado, indo por todo o caminho, no entanto, foi Ele quem pagou, foi sobre Ele que Deus fez cair a iniqüidade de todos nós.
Aqui eu abro um pequeno parêntese. Quando lemos no versículo 4 que Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores, não significa aqui que Ele carregou todas as minhas doenças futuras que eu possa vir a ter, mas significa que as dores e os sofrimentos que eu deveria ter suportado na cruz, que era meu lugar, Ele suportou por mim. O sofrimento era meu, a dor era minha, mas Ele as levou por mim. Aqui não tem nada a ver com doença natural, mas dor pelo pecado, dor como conseqüência do preço que foi pago por Ele, mas que era meu. Se eu usar este texto para falar que crente não pode ficar doente eu vou ter um problema sério, porque então como eu explico que crente também morre? Da última doença de nossa vida, ninguém escapa.
Não dá pra usar esse texto, exigindo que crente não fica doente. Doença aqui é sinônimo de pecado, doença da alma. Foi essa a maior doença da qual Deus nos livrou. Foi essa doença que corroia os ossos de Davi. Essa é a maior doença da humanidade.
Uma prova daquilo que eu falei no início, de que as pessoas tiram Deus do centro e colocam o próprio eu no centro, é quando vemos centenas ou milhares de pessoas indo atrás de cura física tão somente. E isso me faz lembrar das passagens dos evangelhos, quando uma multidão acompanhava a Jesus, mas somente por causa dos milagres. Não seguiam a Jesus pelo que Ele era realmente, mas somente pelo que Ele fazia.
Quando uma pessoa é curada não significa que ela foi ou é salva, assim como quando uma pessoa é exorcizada, não significa que ela experimentou o novo nascimento. Tem muita gente sendo curada, não sei por que meios, que nunca tiveram um encontro com Jesus e nem sabem quem Ele é.
Aplicar essa passagem de Isaías a cura de doenças naturais, é rebaixar o sacrifício que Cristo fez por nós na cruz do Calvário, é diminuir o valor do que ele fez. Jesus morreu para nos libertar da escravidão do pecado e não para curar nosso corpo físico. Fecha o parêntese.
Nessa troca de lugar que houve entre mim e Cristo, onde Ele toma o lugar que é meu, há uma grande discrepância com aquilo que chamamos e entendemos por justiça.
Clamamos por justiça sempre quando vislumbramos algo que no nosso ponto de vista fugiu à lei. Quando uma pessoa mata a outra pedimos justiça. Quando somos enganados por uma empresa falsa que tomou nosso dinheiro aplicando um golpe, clamamos por justiça. Quando vemos alguém sendo maltratado ou menosprezado clamamos por justiça. E vemos gente clamando por justiça a todo o momento, cada vez que ligamos a TV em um noticiário, implorando para que alguém pague pelo que fez, o bandido pelo crime, o estelionatário pelo engano, o político pela corrupção.
O nosso conceito de lei e de ordem, de certo e errado, nos avisa quando vemos algo que ultrapassou os limites do correto e do justo. O nosso farol acende quando ficamos sabendo de alguma coisa que não está certa, no nosso modo de ver, no nosso modo de pensar e de entender justiça.
E quando olhamos pra Jesus crucificado em uma cruz, em um lugar que não era dele, mas era meu, podemos até incorrer no erro de imaginarmos que aquilo que Ele fez não era justo, porque se olharmos de acordo com nossa concepção e ótica de justiça, o ato de Jesus foi injusto, porque Ele pagou por algo que não fez, assumiu um lugar que não era seu.
O problema é que tentamos entender sob nossa ótica e nossa concepção de justiça que é limitada, porque é humana.
Mas o pouco que podemos conhecer da concepção de justiça divina, nos leva a entender o motivo de Cristo ter assumido um lugar que não era dele. A exigência e perfeição requeridas por Deus para que a sua justiça fosse feita, são tão altas e tão elevadas, que ninguém seria capaz de pagar por qualquer pecado, nem dele mesmo, nem de outra pessoa. Para que a justiça divina fosse satisfeita a contento, de acordo com a santidade de Deus, somente alguém perfeito poderia oferecer a sua vida em resgate da humanidade. E esse alguém é Cristo.
Só um perfeito homem e um perfeito Deus seria suficientemente capaz de interligar novamente o abismo que houvera sido formado pelo pecado do homem. Ninguém, por melhor que fosse, tinha as prerrogativas para oferecer o perfeito sacrifício.
E esse é o tema de Isaías 53. O justo que paga pelo injusto. O Santo que sofre em lugar do pecador. Deus que entrega a sua vida para redimir o homem que caminhava a passos largos para o inferno. Injusto? Talvez no nosso conceito de justiça sim, mas não no conceito de Deus. Para Deus foi o sacrifício perfeito, permanente e totalmente eficaz.
Por isso que Jesus não se defende diante das acusações dos seus inimigos, mas aceita livremente o castigo que lhe impunham. E não poderia ser diferente, porque sua morte foi vicária. Ele de livre e espontânea vontade ofereceu a sua vida e livremente se humilhou.
Por isso que o texto nos diz que Ele não abre a sua boca, não se defende das acusações, age como um cordeiro, passivamente, porque Ele bem sabia que aquilo era necessário e que era a vontade de Deus que assim fosse.
Por isso que a cruz de Cristo é loucura. Um inocente morrendo por um culpado. Um inocente que agüenta calado todos os ultrajes sofridos. Um Deus que deixa a sua glória para morrer por alguém que lhe havia ofendido e virado as costas. Mas também é salvação para todo aquele que aceitar essa aparente incoerência.
3. Jesus não viveu e nem morreu como o Messias esperado pelos judeus, mas foi glorificado como tal
Versículo 10 “Mas Iahweh quis esmagá-lo pelo sofrimento. Porém, se ele oferece a sua vida como sacrifício expiatório, certamente verá uma descendência, prolongará seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus triunfará”
A sua vida e a minha vida irmãos, são frutos do desígnio de Deus para a humanidade. O plano de Deus ao criar a humanidade é que essa pudesse desfrutar da sua presença constante; ter uma relação próxima e íntima com o homem, que fora criado para o louvor da sua glória. Ao pecar, o homem quebra essa relação, rompe com essa intimidade e um abismo intransponível surge entre ele e Deus.
Jesus vem restaurar novamente esse abismo criado. Ele é a ponte que nos leva de volta a Deus.
Nada pode frustrar o plano de Deus para a humanidade. O pecado não frustrou. A morte não frustrou. Seu plano continua vivo porque Cristo um dia entregou a sua vida em meu lugar, em lugar de todos nós, mas acima de tudo Ele venceu a morte e ressuscitou ao terceiro dia.
Cristo então recebe um nome que está sobre todo nome. Um nome e uma história que muitas vezes já tentaram apagar. Mas isso é uma tarefa impossível porque é a história de Deus e a sua criação. Uma história que ainda está viva e que continua avançando sob os desígnios soberanos de Deus.
E o que nos cabe irmãos? Creio que nos cabe uma reflexão sincera de nossos corações. Hoje é a ceia do Senhor. Um culto de memorial, onde relembramos o sacrifício efetuado por Jesus na cruz. Não devemos fazer isso só no culto de ceia, mas podemos também usar esse momento para isso.
O que temos feito com o Cristo da cruz? Que valor e que posição Ele ocupa em minha vida? Como tenho valorizado tão grande sacrifício feito por mim?
Enquanto eu escrevia essas palavras, muitas coisas da minha vida me vieram à mente. Coisas boas e outras não tão boas assim. Às vezes ainda me pego agindo conforme a minha velha natureza. E nesse momento eu preciso voltar. Voltar para o Pai, voltar os olhos para Deus. Voltar os olhos para a cruz e ver que quem deveria estar lá era eu, porque fui eu quem pecou. Mas quando eu olho para cruz, relembrando o que Cristo fez, eu vejo um inocente pagando pelo meu crime, por algo que eu deveria pagar. O lugar não era dele, era meu.
A nossa vida deveria demonstrar essa gratidão que deveríamos sentir quando olhamos para a cruz, mas nem sempre é assim, e nessa hora, não nos resta outra coisa a não ser voltar, arrependidos, e convictos de que a graça é maior. Não usando a graça como pretexto para pecar, mas confiando nela como única saída para nossa rebelião.
Que possamos valorizar a cada instante de nossa vida o ato voluntário de Jesus. Quando a tentação vier, olhe para a cruz. Quando o pecado lhe chamar, olhe para a cruz e para o sofrimento daquele que nada fez, mas sofreu só por nos amar.
Que Deus nos abençoe.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Radar de Deus


Tive o privilégio de ir ao Canadá há três anos. Algumas coisas me surpreenderam nessa viagem. A primeira foi a segurança com que se vive. Pode-se deixar o carro aberto no estacionamento do mercado que não possui guarita e nem segurança particular. Pode-se deixar a casa aberta enquanto você vai ao trabalho, aliás, pouquíssimas casas possuem chaves. Mas a coisa mais impressionante foi o trânsito. Dirigindo pelas ruas de Belleville, você pode mensurar o nível de educação de um povo. Não importa o horário, ninguém ultrapassa o sinal vermelho. Ninguém ultrapassa em local proibido e nenhum pedestre atravessa fora da faixa, com raríssimas exceções. Aí você vem para o Brasil e pode mensurar o nível de educação de um povo, ou seja, nenhum.
É incrível como o brasileiro é sem-educação e ignorante. Você está em uma via cuja velocidade máxima é 60 km/hora, e você já está muito próximo da velocidade máxima. O cara de trás não se contenta e quer lhe ultrapassar. Mas ele é tão ignorante que não percebe que logo à sua frente tem uma fila enorme de carros. Ele lhe ultrapassa, geralmente em local proibido e fica bem à sua frente na fila enorme de carros. O que ele ganhou? Nada, ou talvez uns dois segundos de sua vida, ou morte, quem sabe?
Mas essa falta de educação e integridade não se resume ao trânsito, mas está em todos os aspectos da vida do cidadão. Ele toma o lugar reservado para pessoas deficientes no estacionamento do mercado. Ele “empresta” o filho do vizinho para poder pegar a fila preferencial no banco. Ele mente sua situação financeira para poder conseguir bolsa de estudo para a faculdade. Ele diminui a velocidade quando está próximo a um radar, mas aumenta logo depois que passa pelo mesmo, e se você escolher respeitar as leis, ele simplesmente fica irritado e lhe acha um idiota.
Infelizmente, levamos essa falta de integridade e responsabilidade para outros aspectos mais importantes de nossa vida, como, por exemplo, no nosso relacionamento com Deus. Tratamos Deus como tratamos o radar, a lei e o governo. Achamos que podemos enganar a Deus como enganamos o leão do imposto ou ao guarda de trânsito.
Todavia nos esquecemos que o radar de Deus não é como o radar da sua cidade que está ligado, quando está, em apenas alguns pontos que você já conhece. E caso você se esqueça e seja pego pelo radar, o máximo que pode acontecer é pagar uma multa e ter alguns pontos na sua carteira. Mas quando somos pego pelo radar de Deus, uma coisa muito mais grave nos acontece, pecamos contra Ele.
O radar de Deus está ligado 24 horas por dia e não se encontra somente em alguns lugares, mas em todos os lugares e circunstância de nossa vida. Salmo 139:8 “Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também”. Não há lugar que o radar de Deus não possa me pegar, nenhum sequer.
Achamos que não, mas a nossa falta de integridade com que agimos em muitos aspectos de nossa vida, acaba atingindo nosso relacionamento com Deus. É quase automático e intuitivo. Não paramos para pensar e agimos conforme nossa natureza.
Nosso radar acaba sendo as pessoas ao invés de ser Deus. Na frente das pessoas somos crentes comprometidos e respeitamos as “leis”, mas longe delas somos iguais a todos e agimos como se Deus não estivesse nos olhando, como fazemos com os radares de nossa cidade.
Até aqui eu só fiz uma ilustração de nossa atitude para com Deus e nossa integridade para com as coisas comuns de nossa vida. Mas você sabia que todas as nossas atitudes do dia-a-dia refletem de maneira inequívoca nossa comunhão e obediência a Deus? Não pensando muito sobre isso, com freqüência avançamos o sinal e somos fotografados pelo radar de Deus, e com isso pecamos.
De novo voltei ao trânsito. Quantas vezes vejo barbaridades cometidas por alguém e quando o carro passa, lá está no pára-choque a célebre frase “nas mãos de Deus” ou então “propriedade exclusiva de Jesus”. Quanta hipocrisia e quanta insanidade. Ao invés de servir para dignificar a Deus só serve de escândalo. Aliás, uma sugestão, se você é do tipo esquentadinho, por favor, não coloque nada em seu carro que o identifique como um crente em Cristo. Nesse caso o anonimato trás menores prejuízos.
A primeira pregação e talvez a mais significativa seja a nossa própria vida, e caso essa seja tortuosa, de nada valerá nossas palavras, pelo contrário, servirão apenas para que o nome de Cristo seja blasfemado entre os pagãos.
Vivamos a nossa vida, cônscios de que o radar de Deus não se desliga, mas está constantemente nos olhando e vendo o que estamos fazendo. Vivamos a nossa vida diante dos homens de forma íntegra de modo que em nada possamos ser acusados, vivendo aquilo que pregamos e falamos. Que Deus nos abençoe.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma Fé de Coragem

Muito se tem dito a respeito de fé. Grande é a exploração que se faz em cima desta palavra tão cheia de significado, mas que infelizmente tem sido mal interpretada e na maioria das vezes usada apenas como meio de explorar a simplicidade de alguns. É só você ligar a televisão em algum culto neo-pentecostal, e você vai ser desafiado a usar a sua fé, mas uma fé egoísta, autoritária e petulante; e nós vamos ver através da reflexão de hoje que fé verdadeira está muito acima destas coisas. A fé que agrada a Deus não é essa fé televisiva com a qual temos sido bombardeados todos os dias.
Uma coisa que temos de entender quando lemos sobre fé na Bíblia, é que essa mesma palavra pode, dependendo do contexto, assumir vários significados. Sempre quando lemos a respeito de fé, principalmente nos evangelhos, precisamos entender que tipo de fé está se apresentando, e isso é descoberto pelo próprio contexto; o próprio contexto vai delimitar até onde podemos chegar com o significado de fé daquele texto. Apesar do livro de Hebreus nos dar uma definição de fé, até lá ela assume um significado particular que é de mostrar como os homens do antigo testamento, mesmo sem terem visto a plenitude dos tempos, agiram como se já estivessem vendo.
Mas vamos ao texto da nossa reflexão desta noite:
Marcos 5:25-34: “E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver quem fizera isto. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.”

A fé desta mulher se chama coragem. Foi isto que Jesus quis dizer quando disse: Mulher, a tua fé te salvou, a tua coragem te salvou. E por que coragem? Em primeiro lugar porque ela era uma mulher e mulher não tinha muito valor para o judeu. Era discriminada e tratada de forma inferiorizada. Existe uma prece recitada pela manhã pelos judeus homens onde eles dizem: “Oh! Senhor, obrigado por não ter nascido gentio, escravo e nem mulher”. Hoje em dia eles tentam amenizar o sentido dessa expressão, mas a verdade é que sabemos que sempre houve preconceito contra a mulher. Prova disso é que a mulher que havia cometido adultério, fora levada sozinha diante de Jesus, sem o homem que estava com ela, ou será que ela cometeu adultério sozinha? Em segundo lugar porque ela estava em estado de imundice, contaminada pela sua doença. Ela sabia quais eram as implicações legais de seu ato audacioso e por isso podemos entender que o que ela fez demonstrou muita coragem e porque não dizer, desespero de causa.
Mas a fé corajosa desta mulher nos mostra pelo menos 4 características importantes para a nossa vida hoje. Importantes principalmente pelo fato de que hoje em dia estamos sendo expostos a tantos tipos de fé, que na verdade não são fé, mas são reflexo de uma teologia humanista e liberal, que pouco a pouco tenta nos distanciar do nosso maior tesouro como cristãos que é a graça de Deus. A teologia humanista e liberal tenta tirar nosso foco de Deus e de sua graça, e colocar o foco no homem e em seu suposto valor intrínseco.
A primeira característica que podemos observar no texto é que é uma fé que ultrapassa as tradições
A tradição do povo havia excluído aquela mulher do convívio social e a colocado em uma condição de inferioridade. A lei nesse caso era boa e visava à proteção do povo de Deus e a manutenção de sua saúde física, principalmente enquanto viajaram pelo deserto. Todavia, com o passar do tempo, os líderes religiosos deram à lei uma conotação preconceituosa e excludente. Deixaram o amor de lado e usavam a lei para os seus próprios interesses. Como o próprio Jesus declara, eram incapazes de oferecer ajuda a um necessitado em um sábado, mas tinham bastante coragem para tirar uma ovelha que havia caído em um buraco no mesmo dia, porque obviamente a ovelha lhe custaria dinheiro se morresse. A tradição e a má interpretação da lei pelos escribas e líderes judaicos haviam deixado aquela mulher na mesma situação do aleijado, do leproso, do cego, ou seja, todos eram indignos e se estavam ou eram daquele jeito, é que por certo haviam cometido algum pecado digno daquela situação. Era assim que pensavam.
Mas apesar de conhecer a tradição e saber qual era seu lugar dentro de uma sociedade que excluía ao invés de incluir, ela ousou ultrapassar todas essas barreiras e cometeu um ato que naquela época poderia até tê-la levado à morte.
Quantas vezes as nossas tradições de que tanto nos orgulhamos, tem nos levado a encapsular Deus dentro de nossa caixinha de “achismos”, e com isso perdemos a oportunidade de fazer diferença neste mundo. Quantas vezes por causa destas mesmas tradições, perdemos tempo discutindo sobre coisas tão banais, e deixamos para depois nossa honrosa tarefa de sermos luz e sal para este mundo que vive em trevas. Eu fico impressionado, para não dizer decepcionado, quando ouço de igrejas que ficam horas e horas discutindo acaloradamente a cor das paredes da igreja, gerando com isso discórdia e inimizades, frieza espiritual ao invés de espiritualidade.
Nossa fé irmãos tem de saber qual a hora de respeitar as tradições que são importantes sim, quando não ultrapassam o amor a Deus e ao próximo, e dar lugar à ação debaixo da graça e do poder de Deus. Quando o que está em jogo é a salvação de uma vida ou a demonstração de amor ao próximo, as nossas tradições devem ficar em segundo lugar, porque senão estaremos sendo legalistas como eram os judeus tão criticados por Jesus.
O evangelho de Jesus é inclusivo e não excludente. Quando lemos com quem Jesus se preocupou e a quem Ele dava mais atenção, vamos ver que eram pessoas que viviam de forma anônima em seu contexto sociológico. Não possuíam os mesmos direitos que um judeu “comum” da época, e por isso viviam à margem da sociedade.
Mas às vezes a nossa tradição tem excluído as mesmas pessoas que hoje em dia sofrem do mesmo mal. Excluímos porque elas não se vestem como nós, não falam como nós e tiveram histórias muito diferentes das nossas. Excluímos porque inventamos um padrão evangélico estereotipado, que achamos que é o certo, mas que na verdade apenas reflete o nosso modo de ser e a nossa cultura herdada.
Existem muitas “mulheres impuras” implorando para entrar em nosso meio, sedentas pelo evangelho que liberta e transforma e que não podem ser barradas pela nossa tradição, mas precisam ser aceitas e acolhidas pelo nosso amor e pelo nosso desejo ardente de levarmos a mensagem de Cristo a todo mundo.
Mas a fé da mulher com fluxo de sangue também era uma fé que ultrapassava o medo de ser rejeitada.
O texto é claro e nos mostra que a mulher na verdade não queria ser notada por ninguém. Tanto é que ela vem por detrás de Jesus e lhe toca na orla de suas vestes, ou seja, na borda, na beirada. Mas apesar de toda essa discrição, havia um risco em tudo isso, o risco de ser notada, e pior, o risco de ser reconhecida e rejeitada e talvez humilhada. Não sei se ela teve tempo de contabilizar todos esses riscos, mas com certeza ela tinha medo da rejeição porque senão ela teria ido pessoalmente falar com Jesus, ao invés de apenas querer tocar sorrateiramente em sua roupa. Havia o medo, havia o risco, mas a coragem e a determinação daquela mulher foram maiores que seu medo, mesmo porque ela não tinha mais nada a perder. Já havia perdido o dinheiro, a sua vida social e a sua dignidade, e talvez esse sentimento de nada mais possuir, seja na verdade o início de todo encontro com Jesus.
Jesus nos mostra através do ato daquela mulher, de que não devemos ter medo de sermos rejeitados por Ele, quando nos achegamos a Ele arrependidos e com o coração contrito. Veja que eu não estou mudando de assunto. Aquela mulher tinha a plena consciência de sua impureza, que na mentalidade judaica significava pecado. Não é isso que lemos lá em João 9 quando os discípulos de Jesus perguntam a Ele: Mestre, quem pecou? Este ou seus pais para que nascesse cego. E Jesus responde, ninguém. Não é assim como vocês pensam, não é porque alguém nasceu ou ficou doente que necessariamente tenha cometido pecado.
Mas aquela mulher não sabia disso, havia aprendido pela tradição que doença era sinônimo de pecado e por isso chegou-se a Jesus como uma pecadora. Não era só o fluxo que a atormentava, mas todas as implicações que advinham daquela doença.
Quando vamos até Deus em oração, com sinceridade de coração, Deus não só ouve a nossa oração, mas Ele pela sua infinita graça e misericórdia perdoa nossos pecados e apaga as nossas transgressões. Ele, mais do que ninguém e mais do que nós mesmos é o maior interessado na nossa saúde espiritual e anseia pelo nosso retorno, como o Pai ansiava pelo retorno do filho pródigo.
Mas muitas vezes, o inimigo de nossas almas tem nos colocado um medo em nossos corações de sermos rejeitados por Deus, de não mais sermos aceitos e com isso, muitos não conseguem chegar-se ao Pai como filhos. Não se perdoam e não aceitam por isso que Deus lhes pode perdoar, e assim carregam um peso inútil sobre seus ombros, um peso que Jesus já carregou por nós na cruz do Calvário, exatamente para que eu e você não mais precisássemos carregar qualquer peso extra.
Não permita que o inimigo sopre essa mentira em seus ouvidos. Não deixe que o peso dos seus pecados passados, dos quais você já se arrependeu e dos quais Deus já lhe absolveu, venham esterilizar a sua vida espiritual e lhe torne um crente apagado e triste. O escritor aos Hebreus nos convida a chegarmos com confiança ao trono da graça, para que assim possamos alcançar a misericórdia da parte de Deus.
Mas a fé da mulher é também uma fé que ultrapassa a sua condição de inferioridade.
Dentro daquele contexto judaico, aquela mulher sabia da sua inferioridade. Como já foi dito, por ser mulher e por sofrer de uma doença que a fazia impura e suja. Até aquele momento Deus aceitou esse pensamento porque na verdade a obra de colocar todos no mesmo patamar era de Jesus, fazia parte da sua missão enquanto na Terra. Mas mesmo diante da consciência de sua inferioridade ante o restante do povo, ela teve coragem para romper com isso e fazer algo que poucas mulheres teriam tido a coragem de fazer.
Hoje, com toda a revelação de Deus ao nosso dispor, não cabe mais qualquer noção ou menção de inferioridade entre as pessoas. A Bíblia é clara em dizer que diante de Deus todos são iguais e que não devemos tratar a ninguém de acordo com qualquer padrão de merecimento humano que porventura achamos correto.
Quando tratamos pessoas de forma diferente só por causa de sua condição social, financeira ou intelectual, há um problema com nosso evangelho e ele precisa ser revisto. Mas eu não quero enfatizar o nosso modo de tratar as diferenças, mas o modo como Deus nos vê e nos trata apesar de nossas diferenças.
E o modo é: Ele nos trata de forma igual, Ele nos vê de forma igual e Ele nos perdoa de forma igual.
Apesar de saber que neste mundo sempre teremos diferenças e que elas de alguma forma sempre nos influenciarão, é maravilhoso pensar que Deus não nos enxerga pelas nossas diferenças, mas nos enxerga por um fator comum que nos liga a todos os homens, que é a nossa necessidade de salvação.
Quando Deus te vê meu irmão, Ele te vê como um pecador salvo pela graça, e quando Ele te vê meu amigo, que ainda não aceitou a Jesus como salvador, Ele te vê como um pecador carente da graça. No âmbito de nossa necessidade de salvação, todos somos carentes da graça de Deus, estamos todos na mesma situação.
Por isso, mesmo que o mundo lá fora o coloque em um patamar social muito abaixo, mesmo que as pessoas lhe desmereçam, não lhe dêem valor e lhe desprezem, saiba que para Jesus você é muito precioso, foi por você que Ele morreu e ressuscitou. Foi por você que Ele se sujeitou a um corpo carnal, humilhando-se até a morte.
Aquela mulher mais do que ninguém sabia o que era ser rejeitada e menosprezada. Vamos ler em Levítico 15:25-30 “Também a mulher, quando tiver o fluxo do seu sangue, por muitos dias fora do tempo da sua separação, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua separação, todos os dias do fluxo da sua imundícia será imunda, como nos dias da sua separação. Toda a cama, sobre que se deitar todos os dias do seu fluxo, ser-lhe-á como a cama da sua separação; e toda a coisa, sobre que se assentar, será imunda, conforme a imundícia da sua separação. E qualquer que a tocar será imundo; portanto lavará as suas vestes, e se banhará com água, e será imundo até à tarde. Porém quando for limpa do seu fluxo, então se contarão sete dias, e depois será limpa. E ao oitavo dia tomará duas rolas, ou dois pombinhos, e os trará ao sacerdote, à porta da tenda da congregação. Então o sacerdote oferecerá um para expiação do pecado, e o outro para holocausto; e o sacerdote fará por ela expiação do fluxo da sua imundícia perante o SENHOR.”
Doze anos vivendo como uma impura. Doze anos sem poder abraçar e nem tocar em ninguém sem que essa pessoa também ficasse impura. Provavelmente doze anos vivendo isolada porque ninguém podia sequer tocar onde ela havia estado. Doze anos sem poder oferecer sacrifício pelo seu pecado porque a sua impureza não deixava seu corpo. Doze anos sem ir ao templo e, portanto, longe da presença de Deus.
Mas ela ultrapassou a sua condição de inferioridade e deu um passo em direção à liberdade.
Mesmo que você se sinta inferiorizado, rejeitado pela sociedade, Deus lhe espera com roupas limpas, anel de filiação para lhe dar, e um novilho cevado pronto para a festa.
Mas a quarta e última característica da fé daquela mulher é que era uma fé baseada na graça.
Mesmo que o conceito de graça não estivesse obviamente presente em suas concepções religiosas que eram construídas baseadas na lei, ela deu um passo fundamental para o entendimento do que seria a graça de Deus manifesta em Jesus. Ela atendeu a duas das exigências da graça. Ela entendeu quem ela era, mas também entendeu quem Jesus era e o que podia fazer pela sua vida.
A graça de Deus através da pessoa de Jesus, opera diante de duas situações na vida do homem. A primeira é que o homem precisa entender que não a merece, e por isso ela é graça. E a segunda, o homem que já entendeu que não merece, precisa entender que só pode alcançar essa graça em Jesus. A pessoa que não entende essas duas exigências, não entende a graça e conseqüentemente não pode alcançar o perdão dos seus pecados. Note que aqui não estou falando mais de merecimento diante dos homens, mas sim diante de Deus. Diante dos homens não há ninguém superior ao outro, mas diante de Deus todos são indignos e carentes da mesma graça que só Ele pode dar.
Aquela mulher sabia quem ela era, mas principalmente reconheceu em Jesus alguém que mais do que curar a sua doença, poderia restaurar a sua dignidade de vida, e a transformar em uma cidadã respeitada. E a superioridade de Jesus é demonstrada porque mesmo depois de ser tocado por uma mulher imunda, não sente necessidade de se purificar, e prova disso é que momentos depois, ressuscita a filha do chefe da sinagoga, mostrando que Ele estava acima de qualquer lei ou tradição, e por isso Ele não podia ser outro senão o próprio Deus encarnado.
Como eu disse, ela queria se livrar daquele mal que tanto a afligia, mas não sabia que seu ato se transformaria em um exemplo de graça, para que hoje nós pudéssemos aprender um pouco mais do amor de Deus.
Da mesma forma que o filho mais novo da parábola não merecia ser de novo aceito como filho, da mesma forma que a mulher adúltera não merecia ser perdoada, essa mulher da mesma forma não merecia ter sua saúde restaurada. São exemplos distintos, mas que no seu âmago demonstram a graça de Deus sendo derramada a pessoas que não mereciam.
Se você e eu estamos aqui hoje meus irmãos, é porque um dia Deus nos enxergou na nossa miséria e nos amou de tal maneira que nem João conseguiu exprimir, de tão inconcebível que foi o modo como Deus nos amou.
A fé baseada na graça não fica exigindo que Deus lhe dê coisas para que você gaste em seus deleites. A fé baseada na graça não permite que você exija de Deus como um filho mimado e petulante, mas faz com que você se submeta à vontade dele, esperando que Ele sempre fará o melhor pela sua vida.
A fé baseada na graça tira nossa visão humanista de viver nossa religião e coloca nosso foco em Deus, e quando olhamos Deus não há como nos esquivarmos de nosso coração pecador, e quando entendemos que somos pecadores carentes da graça de Deus, e que essa carência é constante, não temos mais coragem de tratar nosso irmão como se fôssemos melhores do que ele, e então vivemos como uma família. Essa é a lógica de Deus.
Por isso que eu falei que a fé que escutamos constantemente na televisão, com raras exceções, não é na verdade fé. Primeiro que essa fé faz do homem o centro das atenções e tira Deus do papel principal. Segundo que essa fé pressupõe que Deus deva estar constantemente a serviço do homem, como o gênio da lâmpada. Além do mais, essa fé que não é fé, cobra de Deus o que Ele não prometeu em sua Palavra, e se Ele não prometeu, Ele simplesmente não vai cumprir.
A fé da Bíblia nos coloca em nosso lugar de pecadores que somos, e coloca Deus no lugar que Ele deve ficar, poderoso e soberano, mas que apesar disso nos ama com um amor sem igual e inexplicável.
A fé da mulher do fluxo de sangue é uma fé que ultrapassa as tradições, porque a fé precisa estar acima das tradições. Mas também é uma fé que não tem medo da rejeição porque sabe que Deus acolhe a todos que se chegam a Ele indistintamente. É uma fé que apesar do preconceito vivido pelo mundo, não se deixa levar por ele e chega com ousadia aos pés de Jesus, confiante no seu perdão e no seu amor. Mas acima de tudo é uma fé que não está baseada em um modo egoísta de viver, mas está baseada na graça de Jesus, uma fé que me faz entender quem eu sou, de onde eu vim, da situação em que fui tirado e me mostra o favor imerecido de Deus, como único meio de conseguir salvação.
É essa fé que Deus quer nos ensinar a viver hoje, e por ser bíblica, é uma fé inabalável, que está além das circunstâncias e das situações pelas quais você possa estar passando, porque fé de verdade, não está baseada nas situações, mas somente no alvo da fé que é Jesus.
Pra terminar. A.W.Tozer diz assim em um de seus livros: "Para cada um de nós certamente está prestes a chegar o tempo em que não teremos outra coisa senão Deus. Saúde, riqueza, amigos, esconderijos desaparecerão e teremos apenas Deus. Para o homem que tem a pseudo-fé, esta é uma idéia apavorante, mas para o que tem a fé verdadeira é uma das idéias mais confortantes que o coração pode nutrir". E então que nós possamos dizer como disse o apóstolo Paulo: a tua graça nos basta... que o Senhor nos abençoe.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Leve a Luz

Mateus 5:14-16 “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

Esse é o mês da juventude Batista. Quando o Esmael me convidou para trazer a Palavra para esta comemoração e com um tema tão apropriado, sinceramente eu fiquei pensando no texto chave que está em Mateus 28: 19-20 “ide, fazei discípulos de todas as nações...” e enquanto eu pensava sobre uma palavra a respeito, muitas coisas me vieram a mente. Por exemplo: O que está faltando hoje em dia para que as missões sejam mais efetivas do que estão sendo? Por que os crentes de um modo geral se interessam tão pouco por missão? Ou qual a verdadeira influência que a igreja está deixando no mundo? Ou mais ainda, estamos influenciando de alguma forma o mundo ou o contexto no qual estamos inseridos? Todas essas perguntas me vieram à mente e de verdade, eu não conseguia encontrar respostas muito conclusivas. Coincidência ou não, essa semana na faculdade tive o privilégio de discutir um pouco a respeito do assunto com colegas ou durante as aulas e então eu tomei um outro rumo para a pregação de hoje. Vamos partir do pressuposto que sabemos que a Luz que temos que levar é Cristo. Sabemos também que temos de levar essa Luz que é Cristo a todo o mundo, e isso faremos durante toda a nossa vida em todos os lugares por onde andarmos, sem que para isso tenhamos a necessidade de sermos missionários consagrados. Entendemos também que todo aquele que um dia entregou a sua vida a Cristo, tem o dever de anunciar o evangelho.
Apesar de sabermos que a Luz é Cristo, a Bíblia também nos fala no texto de Mateus que foi lido, que somos a luz do mundo. Isso é fácil de entender porque se temos Jesus em nossa vida e se Ele é a Luz, logo é inevitável que resplandeçamos essa Luz que está dentro de nós e por isso em uma escala muito reduzida somos também luz, não a Luz que Ele é como Deus, mas a luz que é refletida pela Sua presença em nosso ser. Somos reflexo da Luz de Cristo, ou pelo menos é isso que deveríamos ser e é isso que o mundo deveria enxergar em nós.
Todavia a impressão que tenho é que essa luz está ofuscada de alguma forma, ou pior, que está distorcida, e se está distorcida o mundo pode ter uma idéia errada da fonte dessa luz. Nunca ninguém chegou ao sol e por certo nem chegará. Mas muito do que sabemos a respeito deste grande astro se deve aos seus raios que viajam milhares de quilômetros até nós e de alguma forma nos afeta pelo calor que provocam. Se esse calor diminui ou aumenta podemos deduzir que algo está se passando. Da mesma forma, o mundo pode estar tendo uma idéia errônea a respeito de Deus porque talvez estejamos refletindo mal a sua luz em nossa vida.
Mas vamos aos pontos do texto. O primeiro é que, uma vez que você decidiu fazer parte da igreja de Deus na Terra através do sacrifício de Cristo, a sua luz vai brilhar de qualquer forma, ou de forma correta ou de forma distorcida.
O texto que lemos é o início do sermão do monte que Jesus proferiu aos seus discípulos a fim de ensinar-lhes o modelo do reino que Ele estava inaugurando e o modelo de vida que Ele gostaria que seus servos tivessem. Apesar de haver uma grande multidão por perto, esses ensinos são dirigidos especificamente aos seus discípulos que de uma forma voluntária resolveram seguir o Mestre. Por isso que Cristo inicia o versículo 13 dizendo que os discípulos são o sal da Terra e no 14 que nós lemos Ele diz que os discípulos são a luz do mundo. Jesus não estava falando com a multidão, mas com os discípulos que já haviam feito a sua decisão de acompanhá-lo. E quando Jesus diz que eles são a luz, na sequência Jesus diz quais são as implicações de ser luz. Como luz, os discípulos eram agora como uma cidade sobre um monte a qual não poderia ser escondida. Não tinha mais retorno, a luz estava brilhando e eles estavam sendo vistos, como uma cidade toda iluminada, construída sobre um monte. Você enxerga a cidade de longe e ninguém precisa lhe dizer que existe um povo que vive ali.
Quando Jesus nos compara com sal e luz, Ele está nada mais nada menos que ditando o modelo da relação que deveríamos ter com o mundo. Ora, se estamos no mundo, precisamos de alguma forma nos relacionar com esse mundo. Note que eu não estou falando de comunhão, porque comunhão é algo que só podemos ter com os irmãos na fé, porque comunhão denota, como o próprio nome diz, uma união com objetivos em comum, mas podemos e devemos ter algum tipo de relacionamento com aqueles que são de fora. E que tipo de relacionamento é esse?
Em primeiro lugar um relacionamento onde sirvamos como exemplo de cristãos. Sejamos sinceros, como é difícil hoje em dia vermos excelentes exemplos de cristãos como víamos antigamente. No meu penúltimo emprego eu convivi com pessoas que infelizmente não davam bons exemplos como cristãos; mentiam, falavam mal de outras pessoas, agiam sem integridade. Nós sabemos irmãos que a santificação é um processo, pelo qual passa todo aquele que entregou a sua vida para Cristo, mas o mundo não sabe disso e nos condena porque não vêm diferença entre a nossa conduta e a conduta de outras pessoas fora da igreja. Mas se só encontrássemos exemplos assim nos cristãos novos de conversão, poderia-se dar um desconto, mas vemos atitudes deploráveis em crentes antigos de igreja.
Uma coisa tem de ficar clara para nós; não há como nos escondermos; nossa luz está brilhando quer queiramos ou não, e ela pode estar irradiando um deus que não é o Deus verdadeiro.
Pra que isso não ocorra, tem gente que vive uma vida como crente secreto. Trabalha, estuda, realiza seus negócios, mas nunca diz que é crente, e ainda tem coragem de dizer que não se pode misturar vida na igreja com vida secular. Age como um incrédulo e um dia sem querer, descobrem que ele frequenta uma igreja. Sua máscara cai por terra e novamente o nome dos crentes cai no descrédito do povo.
Ser discípulo de Jesus é inerente a todo aquele que decidiu seguí-lo, ou seja, não há como aceitar a Cristo sem se tornar discípulo dele, e uma vez discípulo a marca de Cristo está em nossas vidas. O mundo vai reconhecê-lo mesmo que você tente se esconder na multidão. Assim como Pedro, até o seu modo de falar vai condená-lo de que um dia você teve um encontro com o Mestre. Essa marca indelével se chama Espírito Santo de Deus; você não pode perdê-lo uma vez que Ele entra na sua vida , mas você pode extinguí-lo no sentido de torná-lo apagado em sua vida.
Em segundo lugar, o relacionamento que devemos ter com o mundo, implica que sejamos úteis de alguma forma. As cidades na antiguidade costumavam servir de refúgio para os viajantes, principalmente naquele tempo em que as viagens eram longas e perigosas. Uma cidade sempre significava descanso, segurança e abrigo. Era lá onde se encontava uma boa comida e um bom lugar para pernoitar. Da mesma forma a candeia. Em tempos onde era extremamente restrita a iluminação artificial, uma candeia jamais seria colocada debaixo de um móvel, porque ela só teria utilidade em um lugar bem alto para que toda a casa fosse iluminada. Como um viajante solitário ansiava por uma cidade iluminada que pudesse lhe conceder abrigo, como uma pessoa em densa treva dentro de uma casa escura ansiava por uma candeia que pudesse lhe clarear o caminho, assim, o ser-humano perdido nas trevas desse mundo espera alguma utilidade da minha vida e da sua vida. Ele espera que de alguma forma possamos lhe dar alívio para o seu cansaço e luz para o seu caminho. E a pergunta que faço agora é: estamos de alguma forma sendo úteis ao mundo? O mundo vê utilidade na igreja aqui nesta Terra? Que tipo de diferença estamos fazendo no meio desta geração corrupta?
Eu entendo que o mundo deseja ver em nós modelo de integridade. O mundo quer ver homens e mulheres de Deus como descreve o Salmo 15: “Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo; A cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao SENHOR; aquele que jura com dano seu, e contudo não muda. Aquele que não dá o seu dinheiro com usura, nem recebe peitas contra o inocente. Quem faz isto nunca será abalado.”
Mas eu entendo que além de integridade, o mundo gostaria de nos ver mais engajados com os problemas que cercam a nossa sociedade. Com o discurso que inventamos de que não podemos misturar a igreja com as coisas “do mundo”, criamos uma barreira entre nós e o restante do povo, a ponto de quase não nos sentirmos mais parte da sociedade comum. Criticamos o governo e a sua incapacidade de resolver os problemas, mas também não fazemos nada como se isso não fosse a nossa responsabilidade como povo de Deus.
Não consigo enxergar Jesus aquém das necessidades sociais da sua época. Quem eram os excluídos da época de Jesus? Mulheres, doentes de todos os tipos, gentios, algumas pessoas que exerciam profissões ditas como indignas para os judeus. E quem foram as pessoas mais atendidas por Jesus? Exatamente esse povo excluído. Jesus não só dava a elas alimento espiritual, mas resgatava a dignidade social dessas pessoas, fazendo com que novamente pudessem ser inseridas na sociedade da época. Isso não soa familiar aos nossos ouvidos? Não temos excluídos na nossa sociedade? Não temos meios de ajudá-los a novamente serem inseridos? Além de ajuda espíritual não sabemos e podemos também dar ajuda moral e social? É disso que estou falando. Fazer diferença no mundo de corrupção, ser sal e luz. As pessoas poderão até não gostar da nossa pregação porque condenamos e combatemos o pecado, mas não terão o que falar quando verem a nossa luz brilhando. Isso não é ganhar salvação pelas obras, mas mostrar a salvação que já temos ganho através delas.
Isso foi o que Tiago disse em sua epístola no capítulo 1 e no verso 27: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. Sabe por que isso não tem a ver com salvação? Porque Tiago está falando com crentes que já eram salvos, mas que se esqueceram que uma fé teórica é morta e talvez nem exista.
Mas existe um fator muito importante. Nossas obras somente serão recompensadas quando, esforçando-nos no benefício de outrem, o fizermos para a glória de Deus e não para angariar a aprovação dos homens ou para a edificação do próprio ego.
O segundo ponto que gostaria de mostrar é: se quisermos que a nossa luz reflita verdadeiramente o Deus a quem servimos, teremos de andar na contramão do mundo.
Em termos práticos o que isso significa? O que Jesus estava realmente querendo dizer com ser luz e ser sal? O texto que antecede ao que lemos nos diz a esse respeito, e é o texto das bem aventuranças. Basicamente o texto diz o seguinte: vocês serão bem-aventurados, ou felizes, se vocês forem pobres de espírito, chorões, mansos, terem fome e sede de justiça, misericordiosos, limpos de coração, pacificadores, forem perseguidos por causa da justiça e injuriados.
Aí você me diz, peraí, tem alguma coisa errada em tudo isso. Você está me mostrando o retrato de um derrotado, de um fraco e não de uma pessoa feliz e bem-aventurada. Como um pobre de espírito, um manso e um misericordioso pode ser bem sucedido no mundo atual? Para ser bem sucedido hoje você tem de ser forte, acreditar que você tem dentro de si um potencial inerente, ter fome e sede de sucesso e não de justiça, ser misericordioso que nada, você tem é que ser frio e calculista, e cada um por si.
Aí Jesus lhe diz: o meu padrão de felicidade e de bem-aventurança, não é o mesmo padrão do mundo e se você quiser seguir o padrão do mundo, você não terá lugar no meu reino, porque aqueles que aceitam viver de acordo com os meus padrões andam na contra-mão do sistema, se chocando com tudo e com todos a todo tempo.
Agora ficou claro para você o que Jesus quis dizer com ser sal e ser luz? O texto das bem-aventuranças não pode ser dividido do restante. Jesus ainda está fazendo o seu discurso e falando da mesma coisa. Ele diz assim no versículo 12: “Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” E continua: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar?”
Você quer servir de sal para o mundo? Quer servir de luz para as pessoas? Então precisamos cumprir as bem-aventuranças na nossa vida porque é disso que Jesus está falando.
Porque quando determinamos viver segundo os padrões do mundo e não segundo os padrões de Deus, irradiamos uma luz estranha para as pessoas. Mesmo o mais vil incrédulo que não entende nada de Bíblia e nada de Deus, vai ver que existe uma incoerência na nossa vida, porque até Ele sabe que o crente precisa ser diferente. Até Ele consegue identificar que a nossa luz está distorcida.
Você percebe que o evangelho que se prega aí na mídia não tem nada a ver com o evangelho de Jesus? O “evangelho” aí de fora lhe diz: desafie Deus com propósitos e seja feliz nesta Terra. O evangelho de Jesus Cristo, o verdadeiro, me diz: ande na contra mão do mundo e você terá um galardão nos céus. Como é Fábio? E aqui na Terra, não ganho nada? Claro que ganha: paz sem igual, uma vida repleta do amor de Deus, a presença do Espírito Santo em seu coração, a certeza de uma vida eterna com Cristo, a identidade de pertencer à família de Deus, o título de sacerdote real, povo adquirido por Deus, amigo de Jesus, etc., etc., etc.
Parece pouco? Pra mim é tudo.
Tudo isso parece estranho, controverso, confuso, mas o que Jesus está afirmando aqui é que, ainda que todos considerem que seus seguidores são os mais infelizes e desafortunados, e ainda que eles mesmos nem sempre estejam totalmente otimistas com referência à sua própria condição, diante do céu e pelas normas do reino eles são realmente felizes. Isso é verdadeiro não somente pelas bençãos reservadas para eles no futuro, mas também em virtude de seu presente estado porque o favor do céu já repousa sobre eles.
E muitas vezes, para que a luz de Cristo brilhe através de sua vida, você vai precisar ser pobre de espírito ao invés de usar de esperteza, vai precisar chorar ao invés de rir orgulhoso da sua suposta vitória, vai precisar ser manso ao invés de dizer o que estava no seu coração e vai precisar agir com misericórdia ao invés de dar o castigo merecido a quem lhe ofendeu ou prejudicou. Aliás quando eu falo de misericórdia eu lembro do texto paralelo do sermão do monte em Lucas onde ele diz lá em 6:36: ” Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”. Já refletiram sobre o peso desta Palavra? Já ouvi muita gente orando a Deus, citando o texto de Lamentações que diz que as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã. Mas como é difícil exercer essa mesma misericórdia quando um irmão pisa no nosso calo. Nós nos esquecemos do texto de Lamentações e consequentemente do texto de Lucas.
O mundo está nos olhando para ver se o evangelho transformador que pregamos, realmente transformou a nossa vida.
Dito isto vamos ao terceiro e último ponto. Quando a nossa luz for refletida de forma correta, Deus então será glorificado e o evangelho que nós pregamos sairá da teoria e se transformará em um evangelho prático.
Entendendo que a luz de Cristo brilha através da minha vida e que essa luz tem de brilhar de forma correta, então eu posso ir lá para Mateus 28 e ter a certeza que Deus será glorificado na minha vida e que Ele me usará de forma gloriosa para resgatar almas perdidas. Sabe por que isso é fundamental irmãos? Vamos lá para o texto de Mateus 28: 19-20: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”
A maioria dos irmãos já deve saber isso, mas não custa repetir. O verbo ir no início do verso está na verdade no gerúndio e deve ser entendido como indo e não como ide, sendo assim a ênfase de Jesus não está no ir mas no fazer discípulos. A idéia de discípulos está associada a caminhar junto. Era assim que um discípulo era discipulado naquela época, ele andava junto com seu Mestre a fim de aprender tudo o que pudesse na prática. Por isso vemos os discípulos de Jesus com Ele o tempo todo, sem desgrudar um minuto sequer daquele que estava os guiando e os discipulando. Quando alguém escolhia ser discipulado por outra pessoa, esse alguém desejava ardentemente ser parecido com seu mestre.
Então vamos voltar ao texto. A ordem de Jesus é fazer discípulos. Como? Batizando-os e ensinando-os a guardar todas as coisas que Ele mandou. Agora imaginem os discípulos de Jesus caminhando e fazendo discípulos. Eles começam a contar aos seus discípulos tudo o que Jesus ensinou e ordenou que os seus seguidores cumprissem, mas ao mesmo tempo não praticam nada daquilo que eles estavam falando. O discípulo dia após dia teria a certeza que aquele discurso todo não passava de blá-blá-blá, porque aquela suposta experiência de ter conhecido Jesus, que estava sendo pregada, não havia causado nenhuma mudança de comportamento na vida daqueles homens. Graças a Deus não foi isso o que aconteceu.
Não tem como fazer discípulo, se o discípulo não puder ver em minha vida que aquilo que eu prego com tanto entusiasmo é realmente verdade e de alguma forma transformou meu proceder.
Sabe aquela frase que inventamos para livrar a nossa cara que diz que as pessoas têm de olhar para Jesus e não para nós porque somos falhos? Pois é, essa frase não passa de uma fuga para o medo que eu tenho de que alguém se espelhe em minha vida e eu me torne motivo de escândalo. O discípulo de Jesus que não tem medo de ser vigiado diz como disse o apóstolo Paulo, sede meus imitadores. Que coragem a dele não? Mas ele disse aquilo porque ele sabia o significado do discipulado e que inevitavelmente as pessoas olhariam para a sua vida tentando ver a obra de Cristo.
Nossa pregação tem de ser completa. Não somente com os nossos lábios e palavras, mas principalmente através da nossa vida. Que o mundo possa ver em minha vida e na sua vida irmão, que o evangelho que nós pregamos tem poder para transformar; que através desse evangelho nós nos tornamos nova criatura em Cristo. Eu cometo erros? Sim. Eu cometo pecados? Sim. Mas não vivo pecando como fazia antes de conhecer a Jesus.
Se você tem o desejo ardente de se tornar um vaso de honra para Deus, cumprindo a ordem de Jesus de fazer discípulos de forma excelente, gostaria que você orasse a Ele neste momento pedindo para que Ele o use, de forma que a Sua Luz brilhe em tua vida e que o mundo possa reconhecer que um dia você teve um encontro com o Mestre. Que Deus o abençoe!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Vamos Enterrar o Rei do Pop

Após quase duas semanas, finalmente vão enterrar o rei do pop Michael Jackson. Sinceramente não agüentava mais ouvir falar sobre isso, e infelizmente não tenho TV a cabo para poder fugir do único assunto dos últimos dias de praticamente todas as emissoras de canal aberto.
Não que eu não gostasse dele, mas é que em termos musicais eu sinceramente prefiro um Oswaldo Montenegro ou um Ivan Lins, com muito mais qualidade e com muito mais poesia; eles não dançam, mas também eu não ligo pra isso. Tá bom, vamos ser justos, em se tratando de pop eu prefiro Lulu Santos. Mas a minha critica aqui não é especificamente para ele, mas para a bajulação que se faz em cima do nome dele.
Vou colocar aqui o que já ouvi e vi nesses dias através de todos os documentários que se fizeram de sua vida.
Uma criança pressionada pelo pai, criticada pela família, vítima de uma pressão psicológica intensa que vislumbrava o enriquecimento, aparentemente. Complexado com sua aparência quando criança, situação agravada por presenciar algumas vezes cenas de relação sexual dos irmãos com prostitutas. Tudo isso foi relatado pelo próprio Michael em uma entrevista. Não quero questionar a estrutura emocional e psicológica do astro, mesmo porque não sou psicólogo, mas tecer alguns paralelos anônimos que enfrentamos todos os dias em nosso país.
Estamos cansados de ouvir sobre crianças que são obrigadas pelos pais a irem para os faróis pedir dinheiro, para que eles possam alimentar seus vícios. E se essas mesmas crianças não conseguem o dinheiro esperado, são espancadas ao chegarem em casa. Muitas dessas crianças se transformam em marginais e seguem a mesma “carreira” dos pais, mas muitas não se deixam levar pela infância sofrida e se transformam em gente de bem, trabalhadores e cidadãos respeitados.
A desculpa que Michael deu para ter seu rosto transformado foi que na infância sofreu muito por causa de sua aparência causada pelo grande número de espinhas. Conheço crianças que têm ou tiveram seu rosto deformado por algum problema ou acidente e nem por isso pensam em se transformar em uma múmia ambulante, pelo contrário, são felizes porque conseguem se enxergar além da aparência. De onde vem nosso estereótipo de beleza se não de uma percepção doentia do que é “normal” ou do que não é?
Ele jurou de “pé junto” que não fez mais do que duas cirurgias plásticas (ele pensou por uns dez segundos antes de responder a esta difícil pergunta feita pelo entrevistador). Quem ele quis enganar? Ninguém muda do jeito que ele mudou naturalmente, e mudanças que aconteciam da noite para o dia.
Envolvido com escândalos de pedofilia. De verdade? Eu jamais pagaria qualquer indenização se eu fosse inocente. Se ele pagou é porque tinha alguma culpa no cartório.
Cansei e vou ao que interessa. Como uma pessoa com tantos problemas, tantas qualidades não invejáveis e com tantos distúrbios pode atrair tantos fãs? Envolvido com pedofilia, mentiras, psicologicamente perturbado, evidências claras de anorexia (mais de 1,80 metros pesando 50 quilos), e uma obsessão doentia pelo visual.
Parece que hoje em dia somos fascinados e atraídos pelo errado e pelo avesso. Quais as verdadeiras qualidades do Michael? Cantava, dançava e interpretava muito bem. Conheço dúzias de pessoas que possuem as mesmas qualidades (ou semelhantes), mas são pessoas “normais” e não estão todos os meses nas manchetes envolvidas em alguma confusão. Mas parece que o normal não nos causa mais assombro, precisamos de algo diferente e contrário às regras para sermos conquistados.
E é isso que me preocupa. Como cristãos, somos grandemente afetados por essa mudança de percepção do mundo. Aquilo que no passado nos ajudava, que era a boa reputação, a ética, os bons costumes e a moral, foi deixado de lado e se deu lugar a um sentimento equivocado do que é certo ou errado. Aliás, falar hoje de certo ou errado não cola mais, porque para o pensamento pós-moderno não existe mais o certo e o errado. E o pior é que isso invadiu nossas igrejas. O que chama a atenção hoje não é mais o padrão, mas sim o exótico e o extravagante, e quanto mais diferente você for, mais você chamará a atenção e conquistará admiradores.
Cazuza já dizia em uma de suas músicas: “meus heróis morreram de overdose”. E é isso mesmo, os heróis da maioria das pessoas usam drogas, praticam crimes e são totalmente contra os bons costumes e as regras.
E nesse ponto vem minha preocupação. Como vamos pregar a “antiquada” mensagem da cruz nas igrejas daqui a alguns anos? Como vamos anunciar a mensagem que pede que os homens sigam os padrões estabelecidos pelo nosso Senhor Jesus Cristo? Como vamos falar de renúncia se o que vale hoje é a satisfação total e sem limites? Como vamos falar de pecado se o certo e o errado hoje não têm mais fronteiras? Como vamos falar de amor se o que atrai fãs hoje em dia são o egoísmo e a excentricidade?
Acho que estamos em uma época decisiva para a igreja onde teremos de escolher, ou nos encolhemos dentro dos nossos templos ou encararmos o mundo, afrontando o pecado como ele precisa ser afrontado, não tendo medo de dizer que o rei do pop foi uma pessoa que viveu sua vida dissolutamente e que não é o modelo a ser seguido para quem quer agradar a Deus. Passou da hora de apontarmos o dedo na direção do erro e do pecado como faziam os antigos profetas. E talvez pela nossa conivência com o pecado, não estamos enfrentando perseguições na nossa época. Estamos aceitando tudo e fazendo vista grossa para a maldade que nos cerca.
Esses dias vi um padre na televisão nos chamar de seita, porque não cremos na transubstanciação da ceia ou eucaristia, e ao mesmo tempo vejo alguns evangélicos querendo fazer aliança com o catolicismo defendendo o ecumenismo. Dialogando com pessoas que acreditam que Maria é a nossa co-redentora, como ouvi de outro padre há algum tempo. E depois perguntam por que não somos mais perseguidos. Simplesmente porque aceitamos conviver pacificamente com o erro e com as heresias que nos rodeiam.
Agora dá pra entender porque os antigos missionários foram tão perseguidos em nossas terras; porque eles não aceitavam e não toleravam esses discursos heréticos que machucam gravemente a nossa fé.
Nossos missionários morrem todos os dias vítimas da perseguição implacável de outras religiões, mas eles estão fora do estereótipo moderno, porque os nossos heróis na verdade, morrem de overdose. Nossas crianças morrem todos os dias vítimas das drogas e da violência, mas nós preferimos gastar nosso dinheiro comprando um LP relíquia do Michael Jackson do que ajudar a uma entidade que tenta tirar essas crianças das ruas, porque afinal de contas os nossos heróis estão morrendo de overdose. Nossos velhos estão morrendo nas filas dos hospitais, aqueles que costumavam ser nossos heróis, nos quais nos espelhávamos, mas isso mudou, porque hoje, nosso heróis morrem mesmo é de overdose, e viva Cazuza, porque ninguém entende melhor de overdose do que ele.
Provavelmente quando eu morrer não farei muito sucesso e talvez seja até vítima de críticas. Talvez seja chamado de chato, antiquado e fanático, mas não importa, porque o que eu quero na verdade é não agradar ao mundo. Que achem de mim o que acharam do apóstolo Paulo, a escória de todos (I Co 4:13), contanto que eu não me conforme com esse mundo.
Como seria bom se os nossos heróis não morressem de overdose, mas morressem sendo perseguidos por amor a Cristo; que morressem fazendo o bem, alimentando o faminto, tirando crianças das drogas, amparando e cuidando de idosos. Como seria bom se nossos heróis fossem aqueles que procuram viver de forma digna, que não se tornam ladrões somente porque viveram cercados por eles; que usam seus bens para ajudar o que tem menos e que não se deixam ser corrompidos pela ganância do poder e do dinheiro.
Eu tenho muitos heróis, pessoas nas quais me espelho e procuro imitar porque são pessoas que procuram viver uma vida digna dentro das suas possibilidades humanas, mas o grande herói que encabeça toda a lista é meu Jesus, porque foi Ele quem morreu pra me salvar; e Ele toda honra, glória e louvor para todo o sempre.

Valinhos, 7 de julho de 2009.

Em Memória de mim

Quando celebramos a ceia do Senhor, estamos relembrando a sua morte, como Ele mesmo orientou que fizéssemos até o dia da sua volta, quando por fim celebraríamos com Ele nos céus. E por que relembrar o sacrifício de Cristo? Para que não aconteça conosco como aconteceu muitas vezes com o povo de Israel, que se esquecia do que Deus havia feito a eles e se desviavam dos caminhos do Senhor. Relembrando a morte de Cristo, estamos na verdade reafirmando quem somos, pecadores salvos pela graça de Deus, e nos conscientizando de quem Deus é, amoroso, gracioso e que nos tirou do poder do pecado quando na cruz deu o seu Filho para morrer em nosso lugar.
Mas o sacrifício de Jesus, além de significar a nossa salvação, a nossa libertação das garras do pecado, significa a restauração da nossa união com Deus que havia sido quebrada desde o Éden. Quando decidimos, através de Adão, a andarmos segundo os nossos próprios caminhos e não segundo os conselhos de Deus, criamos um abismo intransponível na nossa relação com o Altíssimo. Aquela comunhão que Adão desfrutava com Deus antes do pecado se quebrara e estava irremediavelmente destruída. Embora depois disso, Deus por diversas vezes ter falado com homens, esses foram poucos e escolhidos a dedo, e faziam parte do plano de Deus para a humanidade. Quando Deus se revelava a alguns homens da Bíblia, uma atmosfera de terror e medo se apossava daquele que ouvia a voz de Deus ou via uma fagulha da sua glória, como foi o caso de Moisés, isso porque a relação havia sido quebrada. Os homens sabiam da enorme distancia que os separava do Deus Altíssimo, e quando Deus se aproximava, o medo tomava conta de seus corações como se fossem morrer.
Por conta disso, Cristo vem novamente restaurar a nossa comunhão com o Pai. Efésios mostra claramente essa idéia no capítulo 2 e nos versos 14 à 16 quando diz: “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades”. O homem com seu pecado criou uma parede de separação entre ele e Deus, mas Cristo veio derrubar essa parede.
Nesse mesmo assunto, a figura que eu mais gosto na Bíblia, que mostra que o sacrifício de Jesus uniu novamente o homem a Deus, é a figura que se encontra nos 3 evangelhos sinóticos, mas eu vou destacar o texto de Mateus 27:51 “E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras”. Essa é para mim a figura mais surpreendente que prova que o nosso relacionamento com Deus fora religado para nunca mais ser rompido. O véu que nos separava de Deus, com a morte de Jesus, foi totalmente rasgado, e mesmo que ele fosse novamente costurado fisicamente, espiritualmente ele não poderia mais existir, porque a barreira havia sido rompida. Cristo fez isso por nós.
Vamos voltar um pouco ao antigo testamento e ver as implicações e significados desse véu para o povo judeu, o que ele representava e o que a sua ruptura passou a representar para nós cristãos.
A primeira referência ao véu do templo está em Êxodo 26 à partir do versículo 31, onde Deus dá instruções à Moisés de como ele deveria construir o tabernáculo, o que certamente incluía o véu. Vamos ler: “Depois farás um véu de azul, e púrpura, e carmesim, e de linho fino torcido; com querubins de obra prima se fará. E colocá-lo-ás sobre quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro; seus colchetes serão de ouro, sobre quatro bases de prata. Pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e porás a arca do testemunho ali dentro do véu; e este véu vos fará separação entre o santuário e o lugar santíssimo“. A função do véu era basicamente separar o lugar chamado santuário e o lugar santíssimo, onde Deus revelaria a sua glória e aceitaria a oferta pelo pecado do povo. O véu significava a separação entre Deus e o povo. Somente o sumo-sacerdote poderia entrar naquele lugar e mesmo assim uma vez ao ano para oferecer oferta pelo povo de Israel. Havia uma indumentária toda especial e o sumo-sacerdote precisava ter algumas prerrogativas para poder oferecer sacrifício pelo povo. Se por um acaso o sacerdote tivesse qualquer defeito físico ele estava impossibilitado de exercer a função. Poderia comer dos sacrifícios que eram oferecidos, mas de maneira nenhuma poderia chegar-se além do véu como mostra Levítico 21:23. Deus com isso queria mostrar ao povo que o pecado cometido pelo homem fora tão grave que o relacionamento havia sido quebrado. Era inconcebível para qualquer homem inteligente, a idéia de entrar no lugar santíssimo, na presença de Deus, porque ele sabia que certamente morreria se fizesse isso. O homem, irremediavelmente pecador, não agüentaria ficar nem um segundo na presença de um Deus que é perfeitamente santo.
Outro detalhe importante antes de voltarmos ao novo testamento é que o sumo-sacerdote, além de estar todo paramentado, ser considerado fisicamente perfeito, e só entrar além do véu em tempos determinados, não poderia entrar lá sem antes espargir o sangue dos animais que eram mortos para o sacrifício. Se o ritual não fosse seguido rigorosamente, ou o sacerdote não fosse achado digno do trabalho, certamente ele morreria na presença do Deus Santo. Este foi o nível do abismo que fora criado entre nós e Deus, quando decidimos andar segundo o nosso coração enganoso e deixamos de confiar em Deus.
Voltando ao Novo Testamento, tanto Mateus quanto Marcos registram exatamente o momento em que o véu do templo rasga-se de alto a baixo, que foi imediatamente depois de Cristo ter morrido. Aquele símbolo de separação não resistiu ao poder da morte de Jesus, que veio exatamente nos abrir o caminho a Deus. Quando Cristo morre e aquele véu se rompe, era como se Ele estivesse dizendo: acabou de uma vez por todas o tempo do sacerdócio humano. Vocês não precisam mais trazer sacrifícios para a expiação dos vossos pecados, porque eu mesmo, Jesus de Nazaré me fiz sacrifício por vocês e de uma vez para sempre. Se Cristo pudesse ter dito possivelmente Ele diria: vão lá e olhem o templo, o véu foi rasgado, o caminho foi aberto. Não adianta costurarem o véu porque Deus não se revelará mais naquele lugar, a glória do meu Pai se retirou do templo e agora se revelará a todo aquele que crer no meu sacrifício e que me aceitar como único Salvador. Prova disso é que no ano 70 aproximadamente Jerusalém é sitiada e o templo é destruído. Pra que um templo se Deus não estava mais lá?
Aquela comunhão que Adão e Eva desfrutavam no Paraíso antes do pecado foi parcialmente restituída. Parcialmente porque ela só será restaurada por completo quando estivermos na glória e desfrutarmos de perfeita comunhão com o Senhor onde o veremos face a face. Mas ela foi parcialmente restituída porque hoje podemos falar com Deus sem medo, e como o próprio livro aos Hebreus menciona, podemos nos achegar ao santuário com ousadia, pelo novo e vivo caminho. Hebreus 10:19-20 “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne”. Não mais um santuário feito por mãos de homens, mas um santuário espiritual que é o próprio céu onde Cristo está à direita de Deus. Quando oramos a Deus é lá que nossas orações chegam e é de lá que elas são respondidas, do próprio trono de Deus. Tudo isso porque o caminho foi novamente aberto. Não existe mais véu, não existe mais parede de separação.
A própria Bíblia nos orienta que oremos uns pelos outros e essa prática é muito importante não só para a pessoa que recebe a oração, mas também para aquela que intercede em oração. Todavia não podemos nos esquecer que cada um de nós tem livre acesso a Deus. Não precisamos mais de intercessores humanos, porque foi Ele quem pagou o preço.
E essa é outra característica importante quando analisamos o simbolismo do véu rasgado. A nossa comunhão com Deus foi restaurada sem necessidade de intermediários humanos para isso. Infelizmente ainda hoje muitas igrejas e religiões ainda mantêm o papel do intercessor humano entre o homem e Deus. Em alguns lugares se diz que você só consegue o perdão dos pecados quando confessa com o sacerdote, e este, como que usufruindo de um privilégio que a maioria dos pobres mortais não tem, lhe dá a receita para a sua penitência. Mas não pensem que isso é privilégio deles não. No nosso meio, o evangélico, tem muita gente se intitulando “homem de Deus”, “ungido do Senhor”, “apóstolo” e outros adjetivos que são usados como meio de engrandecimento. Afinal de contas quem é a pessoa que teria coragem de contradizer um “ungido do Senhor”? E esses homens então, desfrutando de uma autoridade que eles próprios se deram, servem como pseudo-intercessores entre os chamados crentes comuns e Deus. Esqueceram-se que a comunhão foi restaurada no Calvário, que o preço pago foi muito grande, que a dor que o nosso Senhor Jesus sofreu foi incalculável e sem precedentes, e agindo dessa maneira querem recosturar o véu que foi rasgado, só para ter prestígio e poder sobre as pessoas.
Não nos deixemos enganar por esse tipo de gente que usa do medo e da intimidação para alimentar seu desejo mesquinho de sentir-se importante e superior aos outros. Cristo nos abriu o caminho para nunca mais ser fechado.
Outra característica que o véu rasgado nos mostra é que o sacrifício foi perfeito e perfeitamente suficiente para que todo e qualquer sacrifício humano fosse abolido. Até a morte de Cristo, as pessoas sacrificavam animais para que Deus pudesse lhes perdoar os pecados. Mas os sacrifícios não eram somente para perdão de pecados. Havia também sacrifícios de agradecimentos e ofertas voluntárias. Havia sacrifícios para pecados sem intenção ou com intenção. Levítico nos dá a lista completa de todos eles. Mas o importante é que, qualquer coisa que se quisesse oferecer a Deus, ou qualquer intenção do homem de se aproximar de Deus, fosse para perdão, fosse para agradecimento, este deveria ser feito via sacrifício de animais e via sacerdócio humano. Era o único meio que o homem usufruía de chegar-se a Deus, de uma forma muito restrita e superficial. O nosso pecado nos distanciava tanto de Deus que ele só poderia aceitar qualquer oferta de nossa parte se esta estivesse coberta pelo sangue de vítimas inocentes, mesmo que esses fossem animais. Um inocente tinha de morrer para que o povo pudesse se aproximar de Deus. Era um paliativo porque na verdade isso nunca satisfez completamente ao Senhor e só foi um meio temporário de mantermos comunhão com o Pai. Mas conforme nos mostra Hebreus, o que Cristo fez na cruz por nós, veio abolir de uma vez por todas esse tipo de sacrifício temporário e imperfeito. Imperfeito porque tinha que ser feito a todo o tempo, sempre que uma pessoa pecasse ou que quisesse oferecer uma oferta. Imperfeito porque apesar das vítimas serem inocentes, eram animais incapazes de raciocinar porque estavam sendo executados. Imperfeito porque apenas um povo poderia se utilizar desse meio de se aproximar de Deus.
Cristo substituiu para sempre o que era imperfeito para dar lugar ao sacrifício perfeito e eterno. Perfeito porque foi um único sacrifício e depois dele não mais houve necessidade de nenhum outro. Perfeito porque além de ser uma vítima inocente, Ele é o próprio Deus encarnado, e somente alguém como Deus poderia realizar um sacrifício perfeito. Embora as escrituras estabeleçam um grande número de razão para a encarnação, a principal é que, desse modo, Deus poderia salvar as pessoas dos seus pecados (Mateus 1:21). Para que isso acontecesse, era necessário haver encarnação, ou seja, Deus fazer-se carne. O Senhor declarou que a penalidade pelo pecado deveria ser a morte. Como Deus não pode morrer, era preciso haver a encarnação para que existisse uma natureza humana capaz de experimentar a morte e, com isso, pagar a penalidade pelo pecado.
Mas o sacrifício de Cristo também foi perfeito porque não mais privilegiava uma só nação, mas abria a porta da salvação para toda a humanidade, de forma irrestrita e completa, e essa é a última característica do simbolismo do véu rasgado.
Israel foi a nação escolhida por Deus para levar o Seu nome a todas as nações e a todos os povos. Com isso todos os rituais e todas as leis de Deus foram dadas a eles, e eles por sua vez deveriam repassar esses ensinamentos para os chamados gentios. Ao invés disso, os judeus “encapsularam” Deus dentro de um templo e o tornaram restritos ao seu povo, negando assim a sua missão de levá-lo aos outros povos. Tem uma música do João Alexandre que diz assim “Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens. Deus não será jamais acorrentado às paredes de uma religião”, e essa música mostra claramente o que o povo de Israel fizera com Deus e o que Cristo desfez com a sua morte. Permitam-me usar essa expressão, mas Deus agora está “solto”, não mais dentro de um templo, não mais preso a rituais e à história de um povo. Deus agora está acessível a todo aquele que quiser se aproximar dele.
E porque Deus não está mais preso, não existem restrições para ninguém que queira encontrar a Deus. Não existem restrições quanto à classe social, não existem restrições quanto à cor da pele, não existem restrições quanto à nacionalidade, não existem restrições quanto à sua integridade física. Cristo morreu pelo mundo e, portanto, qualquer um agora pode ter acesso.
É por isso que vemos Cristo resgatando todas essas pessoas que naquela época estavam à margem da sociedade; embora judeus, estavam por algum motivo impossibilitados de se encontrar com Deus. Eram aleijados, cegos, leprosos, prostitutas e pecadores. Através dos atos de cura de Jesus e de aproximação a essas pessoas ele prova que o reino estava aberto a todo mundo, o véu seria rasgado e ninguém mais precisaria se enquadrar na perspectiva de merecimento judaica.
Meus irmãos, como é bom saber que podemos chegar ao trono da graça sem medo, sem restrições e com ousadia. Ousadia não pelo nosso próprio mérito, mas ousadia pelos méritos do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. É Ele quem nos outorga ousadia. Nós continuamos sabendo que não merecemos nada, que não temos qualquer mérito próprio, e que o acesso que a nós foi aberto é por graça e tão somente por graça.
Como é bom saber que não preciso mais de sacrifícios imperfeitos de animais para me achegar a Deus. Como é bom saber que em nome de Jesus eu posso entrar a qualquer momento no trono da graça e ter a certeza que estou sendo ouvido.
Quando lembramos o sacrifício de Cristo não podemos deixar de notar um véu sendo rasgado. O símbolo da separação entre nós e o Deus soberano foi completamente destruído e um caminho, antes fechado, está agora aberto. A nossa comunhão restaurada por completo sem a necessidade de nenhum intercessor humano, porque Jesus intercedeu e intercede ainda hoje por nós junto ao Pai. O sacrifício foi perfeito porque hoje eu não preciso fazer mais nenhum sacrifício para perdão dos meus pecados. Eu não preciso carregar uma cruz por kilômetros a fim de alcançar a graça divina; Cristo já fez tudo que precisava ser feito por mim.
E o acesso que antes era privilégio dos judeus, agora está aberto a mim, um gentio, sem herança histórica e aos olhos da antiga aliança, sem salvação.
Por tudo isso a única coisa que nos resta é agradecermos àquele que deu a sua vida para que tivéssemos vida. Por tudo isso irmãos, hoje nós podemos nos render aos pés de Cristo, derramar a nossa vida diante dele, com todas as nossas inquietações, problemas, dilemas e preocupações. Podemos dizer ao Senhor sem medo aquilo que estamos sentindo e o que precisamos como filhos carentes. Não precisamos esconder nada de Deus porque Ele nos conhece melhor que nós mesmos e Ele não mais nos vê através do sangue imperfeito de animais, mas Ele nos vê através do sangue precioso, imaculado e perfeito de Jesus. Não deixe que as preocupações e afazeres dessa vida obstruam novamente o caminho que já foi aberto por Jesus. Não deixe que as coisas ilusórias e passageiras tomem o tempo precioso que podemos e devemos ter em comunhão com o Pai. Cristo pagou um alto preço para que eu e você tivéssemos acesso a Deus e, portanto, vamos aproveitar esse privilégio. Que Deus nos abençoe.

sábado, 16 de maio de 2009

Evangelho Puro e Simples

Esse já foi tema de livro, mas confesso que não o li. Às vezes me ponho a pensar no evangelho e fico intrigado. Por um lado vemos igrejas e pessoas que complicam demasiadamente o evangelho e por vezes são incoerentes em seus discursos. Funcionam mais ou menos como vendedores de telemarketing. Mostram uma porção de benefícios e vantagens e encobrem as entrelinhas, e você só descobre as implicações depois de adquirir o produto. Para atrair as pessoas para a igreja dizemos que ela pode vir como está. Mostramos um evangelho extremamente simples onde ela só precisa aceitar, e depois de algum tempo começamos a acrescentar condicionais para que a pessoa possa continuar em nosso meio, e na maioria das vezes condicionais não bíblicas. Entendo que nossa vida cristã deve seguir em escalada ascendente, mas temos a tendência de exigir mais realeza do que o rei. Esse é um extremo.
Por outro lado, há aqueles que são simplistas demais. Eles dizem: você é mesmo imperfeito, pecador, e não tem culpa de agir assim. Acrescentam: não se preocupe, a graça de Deus entende os seus pecados, barateando a graça e o sacrifício de Jesus. E assim não se esforçam para melhorarem, e na maioria das vezes pioram. Esse é o outro extremo.
Nesse ponto surgem as indagações. E quando começo a pensar nisso, surge em minha mente a figura do ladrão da cruz, o “bom”, ou melhor, aquele que foi salvo. O que aquele homem fez para ser salvo? Ele é o exemplo mais claro na Bíblia de alguém que foi salvo pouco tempo antes de morrer.
Ele havia levado uma vida à margem da sociedade, escolhera ser ladrão. Sua “profissão” era roubar, tirar dos outros aquilo que não lhe pertencia. E a lei era clara, ele tinha que morrer, merecia a morte. Então o que ele fez para que Jesus o perdoasse? Qual o segredo do ladrão?
Entendo que ele fez duas coisas. A primeira foi confessar que ele estava ali naquela cruz por merecimento. Essa é a primeira exigência que o evangelho faz, que a pessoa aceite que é pecadora, e que a única coisa que merece como pecadora é a morte. Parece simples, mas não é. Uma das maiores dificuldades do ser humano é aceitar que tem problemas, que tem defeitos e que precisa de cura. A maioria dos alcoólatras não consegue se curar porque nunca admite que seja um alcoólatra. É como um doente que não aceita que está doente; nunca vai procurar o médico.
Jesus ironicamente, declara várias vezes aos religiosos de Israel, que equivocadamente acreditavam que não precisavam de salvação: eu não vim para os sãos, mas para os doentes. É óbvio que eles precisavam de salvação, mas não conseguiam enxergar isso. Se você não aceita que está doente, e doença aqui no sentido espiritual, sinto lhe informar, Jesus não pode fazer nada por você. Não que Ele não possa como sendo uma limitação do próprio Deus, mas Ele não pode porque nos deu livre arbítrio; temos a oportunidade de escolhê-lo ou rejeitá-lo. Deus não nos obriga quere-lo. Parece incrível, mas muitas pessoas simplesmente não aceitam a salvação dada de graça por Jesus, porque simplesmente não conseguem admitir que são pecadoras e que precisam de cura espiritual.
O segundo segredo do ladrão foi entender que Jesus era Senhor, e que além de ser Senhor possuía um reino, porque a sua cruz dizia que Ele era um rei, então a sua conclusão foi óbvia: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. O ladrão entendeu que o único que poderia salvá-lo era Jesus, o Rei dos judeus, o Senhor. E essa é a segunda condição para que alguém seja alcançado pela graça de Deus, entender e admitir que só há salvação em Jesus.
Mas ao contrário do que alguém possa pensar, essa é outra tarefa difícil, aceitar que alguém governe sobre a nossa vida que não nós mesmos. Buscamos a independência desde que nascemos. A criança pequena, ainda não sabe andar, mas já quer descer do colo da mãe para conseguir sua independência e trilhar o caminho dos primeiros passos. E assim é nossa tendência até a morte, conseguir independência, paterna, financeira, social. Por isso é difícil aceitar o senhorio de Cristo, mesmo que Seu senhorio seja para o nosso próprio bem. Mas o ladrão aceitou. Sabia que se dependesse dele, a morte era seu merecimento, havia sido ladrão. Mas também entendeu que aquele Rei que estava ao seu lado poderia lhe dar uma eternidade segura. Ele entendeu a graça.
Muita gente não consegue entender a graça; ainda vive na época da lei, olho por olho e dente por dente, e por isso não consegue aceitar que Cristo pode perdoar a qualquer pecador; o ladrão, o homicida, o estelionatário, o mentiroso, o sonegador do imposto de renda, o beberrão, o religioso que acha que merece ser salvo porque se acha bom o suficiente. Todos podem ser alcançados pela graça, basta entender o segredo do ladrão da cruz, aquele que foi salvo.
Por isso que o evangelho é simples, puro e simples. Isso não quer dizer que você deva viver uma vida simplista quando aceita o evangelho, você precisa crescer, amadurecer, buscar a excelência como cristão. Mas o resumo da salvação é simples assim, como a história do ladrão. Ela é a base para entendermos quais são as exigência para que alguém encontre a Cristo e usufrua da sua graça.
Que os seus olhos possam ser abertos para o evangelho de Cristo, que é puro e simples, e está disponível para você a qualquer hora do dia ou da noite.