terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Jesus nos Convida a Ceifar

Jo 4:31-42 “Entrementes os seus discípulos lhe rogavam, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, respondeu: Uma comida tenho para comer que vós não conheceis. Então os discípulos diziam uns aos outros: Acaso alguém lhe trouxe de comer? Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra. Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa. Quem ceifa já está recebendo recompensa e ajuntando fruto para a vida eterna; para que o que semeia e o que ceifa juntamente se regozijem. Porque nisto é verdadeiro o ditado: Um é o que semeia, e outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhaste; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho. E muitos samaritanos daquela cidade creram nele, por causa da palavra da mulher, que testificava: Ele me disse tudo quanto tenho feito. Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos mais creram por causa da palavra dele; e diziam à mulher: Já não é pela tua palavra que nós cremos; pois agora nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.”

Na sua Bíblia provavelmente este texto inicia-se com o título “A Mulher Samaritana”. Jesus estava indo da Judéia para a Galiléia e no meio do caminho estava Samaria. Como era difícil passar por ali. Os samaritanos eram inimigos dos judeus. Haviam se unido a outros povos e por isso os judeus os consideravam traidores do seu povo, traidores da aliança e, portanto, fora do pacto. Mas o texto diz que era necessário passar por Samaria. Era inevitável passar por ali, era talvez o caminho mais seguro e mais curto para se chegar até a região da Galiléia. Mas como era custoso aquele trajeto, como era odioso aquele caminho para um judeu convicto e praticante da lei. Como deve ter sido difícil para os apóstolos ter de cruzar novamente aquelas terras. Gente imunda aquela, pessoas que haviam se misturado a outros povos, sacrificado aos seus ídolos, misturado a sua descendência pura da linhagem de Israel com povos pagãos que não criam em Deus, e pior, adoravam deuses falsos. O início de toda esta história nós encontramos lá em II Re 17:24 “Depois o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samária em lugar dos filhos de Israel; e eles tomaram Samária em herança, e habitaram nas suas cidades”.
Na mente de Jesus tudo já estava pronto. Ele sabia que, além de ser um caminho óbvio para eles, a sua necessidade de passar por Samaria era muito maior. Ele antevia uma mulher samaritana que seria o vínculo de um grande recomeço. Embora nos tempos de Jesus a maioria dos samaritanos já ter abolido suas práticas pagãs e nutrido uma fé baseada no Pentateuco, eles da mesma forma que os gentios e judeus, necessitavam igualmente da salvação em Cristo Jesus. Eles de igual forma precisavam conhecer o Messias, e como eles mesmos disseram, o salvador do mundo. Era o recomeço de um novo pacto, uma nova aliança e os samaritanos haviam sido privilegiados com esse recomeço.
A história a maioria de vocês, senão todos, já conhecem. Os discípulos saem para comprar comida e Jesus pára para descansar perto de um poço. Era perto do meio dia. Uma mulher samaritana se aproxima para retirar água do poço. Jesus, de uma forma surpreendente e inusitada pede que a mulher lhe dê água. Há duas razões para que achemos essa atitude de Jesus estranha. A primeira é que Ele pede a uma mulher e a segunda razão é que essa mulher era samaritana. Era inconcebível para um judeu conversar com uma mulher samaritana. A mulher para o judeu já tinha pouco valor, inda mais sendo samaritana. Mas Jesus, como de costume, rompe com tradições legalistas e inicia uma conversa que culminaria na salvação de muitas pessoas daquele lugar.
Jesus revela algumas coisas da vida daquela mulher e ela o associa com um profeta. Neste momento Jesus se revela a ela como o Messias e ela vai até a cidade contar para as pessoas dali toda a experiência que tivera com Jesus, e ai inicia-se o texto que acabamos de ler e é neste texto que quero concentrar a nossa meditação de hoje.
Em primeiro lugar o texto nos fala que a comida de Jesus era fazer a vontade de seu Pai, ou seja, mostrar ao mundo a sua missão, como salvador e perdoador dos pecados da humanidade. Com certeza Jesus estava com fome, tinha caminhado muito e precisava se alimentar. Era um homem como qualquer um de nós no que se refere às necessidades básicas de sobrevivência, e, portanto, precisava comer. Mas naquele momento havia uma outra coisa muito mais importante para ser feita. Muitas almas, carentes de salvação estavam para chegar e precisavam de cuidado, precisavam ouvir suas Palavras, precisavam crer. Então Jesus deixa o alimento para mais tarde para cuidar da missão de seu Pai.
Quantas vezes temos colocado nossas ambições pessoais à frente dos interesses do Pai. Quantas vezes temos deixado em segundo plano a missão que Deus nos incumbiu a fazer. A alegria maior do Senhor era executar a sua obra. Aquilo o alimentava mais do que uma mesa cheia de manjares deliciosos. Falar da sua obra o saciava muito mais que um banquete. Era aquilo que ele desejava mais do que tudo. Era por isto que Ele viveu e morreu. A nossa alegria maior deve ser fazer a vontade do nosso Pai celestial. Aproveitar cada oportunidade que Ele nos dá para falarmos do seu amor, mostrar o que Ele tem feito na nossa vida, e mostrar o mais importante, aquilo que Ele já fez em nossa vida quando nos livrou de todos os nossos pecados.
Mas para fazermos isso, para que isso seja o nosso alimento diário, temos de querer fazer isso. Temos de ter necessidade de falar de Jesus, como temos de nos alimentar. Essa tem que ser a nossa aspiração cotidiana. Nossa oração pela manhã deveria ser entre outras, que o Senhor nos desse oportunidade de falar do seu amor, de irradiar a sua luz. Se queremos seguir os passos de Cristo como muitas vezes falamos e cantamos, se almejamos ser servos fiéis e comprometidos com o reino de Deus, precisamos desejar desesperadamente anunciar a Cristo em todos os momentos de nossa vida.
Uma das astutas armadilhas do diabo para que não façamos isso é colocar em nós um sentimento de vergonha ou de inferioridade. Mas quando entendemos que isso é um privilégio que Cristo nos outorgou, porque nem anjos têm esse privilégio, então podemos falar do amor de Deus com ousadia e confiança. Não temos de nos preocupar com os resultados porque quem garante os resultados é Deus através do Espírito Santo na vida das pessoas. A única coisa que temos de fazer é pregar e Deus se encarregará do restante. Uma das marcas na vida do crente tem que ser uma profunda necessidade de falar do amor de Cristo, porque se isso realmente fez diferença para melhor em nossas vidas, devemos desejar que essa diferença também aconteça com outras pessoas.
Mas a situação para os discípulos começa a complicar a partir desse momento. Uma coisa é saber que Jesus prefere fazer a vontade do Pai a se alimentar, e outra coisa bem diferente é aceitar que Jesus estava mandando-os ceifar naquele lugar. Vamos reler o versículo 35 “Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa”. Quando os discípulos erguem os olhos ao horizonte e enxergam aquela multidão de samaritano vindo aos seus encontros trazidos pela mulher, eles devem ter ficado boquiabertos com aquela frase de Jesus. Talvez não tenham entendido muito bem o que Jesus queria dizer, mas mesmo assim aquilo tudo deve ter sido totalmente incomum para eles como judeus que eram. Estamos indo para a Galiléia, por que não podemos ceifar lá entre nossos irmãos, ou mesmo em Jerusalém, na cidade santa, onde está o templo de Deus? Não. Jesus os manda ceifar em um lugar odiado por eles, desacreditado por eles, porque para os judeus os samaritanos não tinham salvação, porque tinham quebrado a aliança, rompido o pacto. Mas é lá que Jesus enxerga uma plantação de almas prontinha para a colheita, sem necessidade nenhuma de adubo ou irrigação, era só colher os frutos.
Em segundo lugar o texto nos mostra que muitas vezes somos chamados a ceifar em lugares que por vontade própria não iríamos, mas é lá que Deus quer nos usar. É interessante notar que o texto nos fala que muitos samaritanos creram em Cristo somente pela experiência que a mulher do poço teve, e outros creram pelas próprias Palavras de Jesus que havia ficado com eles por dois dias. Os samaritanos estavam sedentos pela verdade, estavam prontos para aceitar o evangelho, estavam preparados para crer no Messias e Jesus viu isso quando mandou que os apóstolos erguessem os olhos.
Muitas vezes, envolvidos na correria do dia-a-dia, embalados no ritmo frenético que levamos por conta de nossos afazeres diários, não temos erguido os olhos para ver como os campos estão brancos para a ceifa. Não temos tido visão espiritual suficiente para enxergar centenas de pessoas que cruzam por nós dia após dia que estão somente esperando que alguém lhes fale de Jesus para que creiam, para que tenham suas vidas transformadas. Eu me perguntei isso quando estava escrevendo este texto: quanto tempo do meu dia eu tenho empregado, procurando oportunidades de falar do amor de Deus? Quanto tempo eu tenho separado somente para olhar os campos, e com a ajuda de Deus, enxergar as necessidades das pessoas? Novamente eu senti uma enorme brecha na minha vida, senti que preciso fazer muito mais.
Os apóstolos jamais olhariam para Samaria com olhos evangelísticos, porque Samaria não tinha mais solução para eles. Samaria, a seus olhos, havia cometido um dos piores pecados e por isso não tinham mais salvação. E nesse ponto eu faço uma pergunta: quem é a sua Samaria hoje e quem são seus samaritanos? Quem são aquelas pessoas que para você são desprezíveis, que embora você pregue que para Deus não há impossível, no seu íntimo essas pessoas não têm mais solução, pois chegaram a um nível de depravação irreversível e insuportável. Talvez Deus queira começar a trabalhar na sua vida, levando-o até a sua Samaria. Talvez o seu samaritano seja um parente que lhe ofendeu há muito tempo. Talvez seja um povo pelo qual você tem aversão. Parece incrível, mas eu conheço uma pessoa que trabalha comigo que tem aversão por mineiro, não gosta nem de falar naquele estado. A Samaria para ele seria o estado de Minas Gerais. Mas e para nós, qual o lugar que por nossa própria vontade, jamais passaríamos perto e muito menos falaríamos de Jesus?
Para os apóstolos o pior lugar de se começar uma missão seria em Samaria. Com certeza eles iriam a Jerusalém e depois desceriam a outras cidades de judeus, mas em Samaria nunca. Seus olhos estavam fechados para aquele lugar e, portanto, insensíveis às necessidades deles. Quantas vezes desviamos de um mendigo na rua que está pedindo esmolas? Quantas vezes fingimos não ter visto alguém no mercado porque aquele dia simplesmente não queríamos papo com ninguém? Talvez aquela pessoa só precisasse de uma palavra sua para sentir o amor de Deus através de sua vida. Mas infelizmente os nossos interesses quase sempre estão acima de qualquer coisa e até mesmo de nossa missão como crentes.
Cristo aproveitava cada oportunidade que tinha para mostrar qual era a sua missão aqui nesta Terra. Ele enxergava as necessidades porque os seus olhos estavam abertos a elas e seu amor pelas vidas era maior do que qualquer coisa que Ele pudesse ter ou fazer. O nosso problema é que muitas vezes nossos olhos não estão abertos o suficiente. Até enxergamos os campos preparados, mas nosso conforto fala mais alto e preferimos a tranqüilidade do anonimato.
Se queremos ser pessoas usadas por Deus para a obra que Ele tem em nossas vidas, precisamos em primeiro lugar quebrar preconceitos que porventura ainda tenhamos e deixar que Ele faça aquilo que for melhor para nós. Parece absurdo falar em preconceito entre o povo de Deus, mas cada dia mais eu me convenço que o preconceito ainda está embutido em nossos corações. Ainda temos preconceito por aqueles de cor negra. Ainda temos preconceito por aqueles de outros estados. Ainda temos preconceito por aqueles que não têm a nossa cultura e não comungam com o nosso modo de pensar. Como podemos dizer a Deus: eis-me aqui Senhor, se dentro de nós ainda existem muitos samaritanos escondidos?
E depois de quebrar os preconceitos temos de entregar toda a nossa vida ao Senhor sem reservas e sem medo. Sem reservas significa entregar cada detalhe de nossa vida aos cuidados do Senhor e sem medo significa confiar que o Senhor pode cuidar de nós mesmos muito melhor que faríamos através de nossos próprios esforços.
Em terceiro lugar o texto nos diz que não é necessário que haja milagres e maravilhas para que haja salvação. Temos de nos convencer de uma vez por todas que nada do que façamos poderá convencer alguém do pecado. A única coisa que o Senhor nos mandou fazer foi pregar o evangelho a toda a criatura. A obra de restauração e redenção cabe tão somente ao Espírito Santo que habita em nossas vidas. É Ele o encarregado de convencer o pecador, e, depois de convencer, levar o pecador ao arrependimento. Muitos daqueles samaritanos creram somente por terem ouvido o testemunho da mulher e outros creram porque ouviram as Palavras de Jesus. O texto não nos diz que o Senhor fez algum milagre entre eles, que curou enfermos como geralmente fazia ou que ressuscitou alguém. Ele simplesmente pronunciou Palavras de salvação, Palavras de libertação para aquele povo, e a sua Palavra levou os samaritanos ao arrependimento.
As pessoas hoje buscam milagres e maravilhas. Acham que Deus só pode operar quando grandes coisas acontecem, quando grandes milagres são realizados. Os programas que ouvimos na televisão prometem cura, libertação, emprego e vida afetiva estável e as pessoas enganadas acham que isso é evangelho. A Bíblia nos declara que a maior necessidade do ser humano é a salvação em Cristo. Com certeza, muitas pessoas que foram curadas por Jesus ou muitas das que presenciaram curas e milagres estavam, no dia em que prenderam Jesus, gritando: crucifica-o! Porque não é cura e não é exorcismo que liberta alguém do pecado, mas é o crer que Jesus morreu pelos nossos pecados e aceitar isso para a nossa vida.
As pessoas hoje confundem um momento agradável no culto, onde as músicas e a boa palavra conseguem emocioná-la, com um culto onde Deus falou com seu povo. Algumas pessoas que conheço acreditam que se não chorarem em um culto, o culto não foi bom, porque tem que haver emoção para ser válido. Emoção hoje está sendo confundida com espiritualidade e vida piedosa em Deus. A pessoa passa a semana inteira sem dedicar momentos profundos de oração, passa a semana inteira sem falar do amor de Deus, e quer, durante o culto, tirar o atraso (como se isso fosse possível), e aí diante de um público apático e sem vida, o dirigente do louvor se sente na necessidade de mexer com a emoção do povo, e o pregador por conseqüência sente-se no dever de completar a tarefa que deveria ser do Espírito Santo e não nossa. Essa é a realidade que vemos em muitas igrejas em nosso país, infelizmente.
Mas a Palavra de Deus hoje nos diz que não é preciso grandes movimentos para que Deus possa salvar, para que Ele possa libertar e resgatar vidas das mãos do inimigo. Ele pode fazer isso através de sua vida, no seu dia-a-dia, enquanto executa as suas tarefas normais, porque você decidiu um dia abrir os olhos espirituais, ver os campos brancos para a colheita e decidiu fazer diferença no mundo como um crente em Cristo.
Deus ainda faz milagres, ainda cura, ainda realiza coisas sobrenaturais e incompreensíveis para nós seres humanos, mas lembre-se que na maioria das vezes, ele age nas coisas comuns de nossa vida, utilizando-se de cada pequeno detalhe do nosso viver, para poder realizar obras grandiosas.
Não façamos dos milagres uma necessidade de sobrevivência de nossa fé em Cristo, porque não é nisso que deve se basear nossa fé.
Se nós colocarmos cartazes espalhados pela cidade dizendo que um grande pregador televisivo vai pregar aqui semana que vem, e, colocarmos cartazes dizendo que um pastor qualquer de alguma igreja da cidade vai pregar da mesma forma, qual dos dois lugares vocês acham que vai encher mais? Obviamente, o pregador famoso vai ganhar em disparada. E por quê? Porque as pessoas estão atrás de grandes movimentos, atrás de homens famosos e supostamente mais “ungidos” que os outros.
“Muitos samaritanos creram nele por causa da sua Palavra”. Essa é a forma correta de crer, porque crendo dessa forma a sua fé estará baseada tão somente na pessoa de Cristo e nada, nem circunstância nenhuma vai abalá-la.
A maioria das pessoas nos tempos de Jesus o seguia simplesmente porque Ele realizava milagres, porque lhes dava comida, tão somente porque Ele tinha algo material e visível para fornecer a elas. Mas os samaritanos creram sem nada em troca, os samaritanos que eram aquele povo desprezado pela comunidade judaica, um povo que havia perdido o referencial da lei e desobedecido, foi aquele povo que se rendeu aos pés de Jesus, o identificou como o salvador do mundo apenas porque ouviu a sua palavra e creu nela. Essa é a fé genuína, que devemos imitar.
Nós não precisamos ser separados em uma reunião oficial para sermos missionários, não precisamos ter uma carteirinha que nos identifique como tal. Somos missionários natos desde o momento em que aceitamos a Cristo como salvador de nossas vidas. Portanto, abramos os nossos olhos para ver como os campos estão brancos para a colheita. Não restrinjamos nossa visão por conta de qualquer preconceito, pelo contrário, despojemos-nos de qualquer um deles que seja, porque os preconceitos cegam a nossa visão do campo. Existem muitas pessoas prontas em todo mundo, somente esperando ouvir da nossa boca a razão da nossa esperança. Estejamos prontos para mostrar a eles o porquê da nossa paz, o porquê da nossa alegria, o porquê da nossa fé.
Deus poderia ter utilizado de outra maneira para pregar o evangelho, poderia ter escolhido os anjos que estão no céu, mas Ele escolheu a você a mim, nos deu este imenso privilégio. Então, que possamos fazer bom uso desse privilégio e responder a Deus como fez Isaías dizendo: Eis-me aqui, envia-me a mim!