segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pérolas de Tozer

A fraqueza de tantos cristãos modernos é que eles se sentem à vontade no mundo. Em seu esforço para conseguir um "ajuste" agradável à sociedade não regenerada, eles perderam seu caráter de peregrinos e se tornaram uma parte da própria ordem moral contra a qual foram enviados para protestar. O mundo os reconhece e os aceita pelo que são. E esta é justamente a coisa mais triste que pode ser dita a seu respeito. Não são solitários, mas também não são santos.
Aiden Wilson Tozer
excertos de "os santos devem andar a sós"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tomou o meu Lugar


A morte de Jesus sempre foi motivo de questionamentos e dúvidas, tanto em sua época como agora. A maioria dos judeus nunca creu que Jesus fosse de fato o Messias esperado e mesmo em nossos dias eles continuam defendendo tenazmente a idéia de que Jesus era na verdade um impostor, um louco que tentou se passar pelo Messias e foi morto por esta razão.
Mas o que há de tão extraordinário na vida e na morte de Jesus para que tantas críticas fossem levantadas? Por que até hoje, não só judeus, mas pessoas do mundo inteiro questionam a divindade de Cristo e o valor de sua obra? E por que a morte de Cristo é por um lado loucura e por outro, salvação?
Isaías nos responde claramente a razão de todas essas perguntas. Deus, através do seu profeta, nos mostra como é possível conviver e crer nessa dicotomia entre maldição e santidade, entre loucura e salvação.

Vamos ler, Isaías capítulo 53 na versão da Bíblia de Jerusalém.
"Quem creu naquilo que ouvimos, e a quem se revelou o braço de Iahweh? Ele cresceu diante dele como renovo, como raíz em terra árida; não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar. era desprezado e abandonado pelos homens, homem sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, como pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos caso nenhum dele.
E no entando, eram nossos sofrimentos que Ele levava sobre si, nossas dores que Ele carregava. Mas nós o tínhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.
Todos nós como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada um o seu próprio caminho, mas Iahweh fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.
Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como cordeiro conduzido ao matadouro; como ovelha que permanece muda na presença dos tosquiadores ele não abriu a boca.
Após detenção e julgamento, foi preso. Dentre os contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter sido cortado da terra dos vivos, de ter sido ferido pela transgressão do seu povo? Deram-lhe sepultura com os ímpios, seu túmulo está com os ricos, embora não tivesse praticado violência nem houvesse engano em sua boca.
Mas Iahweh quis esmagá-lo pelo sofrimento. Porém, se ele oferece a sua vida como sacrifício expiatório, certamente verá uma descendência, prolongará seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus triunfará.
Após o trabalho fatigante da sua alma verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu servo, justificará a muitos e levará sobre si as suas transgressões. Eis porque lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a si mesmo à morte e foi contado entre os criminosos, mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos criminosos fez intercessão."

1. Jesus não viveu como o messias esperado pelos judeus
Como é sabido da maioria, senão de todos, o Messias esperado pelos judeus não se parecia em nada com Jesus. Os judeus esperavam um Messias glorioso, poderoso e guerreiro, alguém que os pudesse libertar do domínio romano e ao mesmo tempo lhes dar soberania como nação dentre os povos poderosos daquela época.
Jesus nasceu e viveu de maneira muito simples. Filho de carpinteiro, nascido em lar pobre, na cidade de Nazaré. O preconceito contra Nazaré era tanto que Natanael, quando ouviu a respeito de Jesus pela boca de Filipe, pergunta: pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Nem a sua naturalidade combinava com o padrão dos judeus exigido para o Messias.
Ao contrário do que se esperava de um Messias, alguém corajoso e impetuoso, Jesus agia na maioria das vezes com calma e serenidade, aparentemente um homem incapaz de liderar qualquer batalha ou rebelião. Além de não ter aptidões para a guerra, Jesus não tinha nem beleza física que o pudesse identificar com o Messias. Ao contrário, sua aparência afastava as pessoas de si. A multidão que se juntava a Ele, era na sua grande maioria, pessoas interessadas somente em seus milagres ou no pão que Ele multiplicava e alimentava a todos.
Mas como o Messias ninguém o via. No máximo como um grande profeta, ou a encarnação de Elias ou de Moisés, mas Messias nunca, porque Jesus não se parecia com o Messias que eles esperavam.
E na medida em que se aproximava a hora de sua morte, sua aparência e fisionomia se distanciavam em igual proporção da figura do messias dos judeus. Como não deve ter ficado sua aparência quando, durante sua oração no Getsêmane, lágrimas de sangue encharcaram sua túnica? Com certeza não era a fisionomia de um guerreiro pronto para a batalha, mas de uma ovelha pronta para ser abatida, de alguém rendido aos braços da morte, alguém de quem escondíamos o rosto, que merecia ser desprezado e rejeitado porque parecia ser muito fraco para ser de fato um Messias.
A pré-concepção dos judeus em relação ao Messias foi totalmente equivocada; eles interpretaram mal as profecias. Qual a idéia que fazemos hoje de Jesus, qual a concepção que temos do Mestre? Se Jesus nos perguntasse hoje: quem vocês dizem que eu sou, o que nós diríamos?
Parece uma pergunta um tanto quanto infantil, mas os fatos nos mostram que muita gente hoje não sabe muito bem o que fazer com Jesus, no sentido de não entenderem o seu papel, sua missão, sua posição, e com isso, vivem um evangelho baseado em características não cristológicas. Vou tentar explicar melhor.
Se eu vivo uma vida esperando que Jesus me agrade em tudo e não tentando agradar a Ele em tudo, há um erro na minha cristologia. De fato, não sou eu que preciso ser agradado, não são minhas vontades que precisam ser feitas, mas sim a vontade de Deus. Quando eu inverto a ordem criada por Deus, eu estou vislumbrando um Jesus que não é o Messias verdadeiro.
Quando eu tiro Jesus do centro e coloco a minha vida e a minha vontade no centro, é óbvio que o meu jesus se transforma em um mero papai Noel, que é obrigado a me dar presentes se eu fui um bom menino. Jesus deixa de ser meu Salvador e Senhor e se transforma quase que em meu empregado.
Meus irmãos, e isso é tão verdadeiro que até as nossas orações são extremamente voltadas para o eu, para meu ego, para meus interesses e muitas vezes nos esquecemos de pedir que a vontade de Deus seja feita.
Qual é a imagem de Cristo que eu vislumbro? Um Cristo que tem a primazia em todos os detalhes de minha vida? Um Cristo que tem a primazia nos meus negócios, na minha família, nos meus relacionamentos, nas minhas atitudes? Ou somente um Cristo dos domingos? Eu só vou a Ele para pedir? Ou eu também vou para agradecer pelo bem e pelo mal?
Jesus tem que ser pra mim meu Salvador e Senhor. Como meu Salvador, Ele é totalmente suficiente para apagar meus pecados, quando vou a Ele arrependido e contrito. Como meu Senhor, Ele é o dono de toda a minha vida e não só daquilo que eu resolver lhe dar. Ele é o dono da minha família, do meu negócio, do meu emprego, das minhas vontades, da minha saúde, do meu estar vivo, do meu futuro. Ele tem de governar sobre a minha vida.

2. A morte de Jesus não era a morte esperada para um Messias
Mais do que a sua vida, a sua morte foi totalmente incomum para o Messias esperado. A morte na cruz era sinônimo de maldição da parte de Deus para o condenado, somente um grande pecador morria na cruz, e se Ele estava morrendo daquele jeito é porque certamente não era o Messias, antes estava sendo castigado pela justiça divina. É assim que nos relata o versículo 4: “...nós o tínhamos como vítima dos castigo, ferido de Deus e humilhado, e no entanto, eram nossos sofrimentos que Ele levava sobre si...”. Como bem foi lembrado por um dos ladrões: “...mas este nenhum mal fez”. Então, quando eu penso que na verdade era eu quem deveria estar sendo crucificado, eu percebo que aqui há uma mudança na ordem natural da lei.
A lei era clara, olho por olho, dente por dente, vida por vida, mas Jesus vem contrariar toda a lógica humana e morre em lugar do culpado, mesmo sendo inocente. Era eu quem andava como ovelha sem pastor, desgarrado, indo por todo o caminho, no entanto, foi Ele quem pagou, foi sobre Ele que Deus fez cair a iniqüidade de todos nós.
Aqui eu abro um pequeno parêntese. Quando lemos no versículo 4 que Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores, não significa aqui que Ele carregou todas as minhas doenças futuras que eu possa vir a ter, mas significa que as dores e os sofrimentos que eu deveria ter suportado na cruz, que era meu lugar, Ele suportou por mim. O sofrimento era meu, a dor era minha, mas Ele as levou por mim. Aqui não tem nada a ver com doença natural, mas dor pelo pecado, dor como conseqüência do preço que foi pago por Ele, mas que era meu. Se eu usar este texto para falar que crente não pode ficar doente eu vou ter um problema sério, porque então como eu explico que crente também morre? Da última doença de nossa vida, ninguém escapa.
Não dá pra usar esse texto, exigindo que crente não fica doente. Doença aqui é sinônimo de pecado, doença da alma. Foi essa a maior doença da qual Deus nos livrou. Foi essa doença que corroia os ossos de Davi. Essa é a maior doença da humanidade.
Uma prova daquilo que eu falei no início, de que as pessoas tiram Deus do centro e colocam o próprio eu no centro, é quando vemos centenas ou milhares de pessoas indo atrás de cura física tão somente. E isso me faz lembrar das passagens dos evangelhos, quando uma multidão acompanhava a Jesus, mas somente por causa dos milagres. Não seguiam a Jesus pelo que Ele era realmente, mas somente pelo que Ele fazia.
Quando uma pessoa é curada não significa que ela foi ou é salva, assim como quando uma pessoa é exorcizada, não significa que ela experimentou o novo nascimento. Tem muita gente sendo curada, não sei por que meios, que nunca tiveram um encontro com Jesus e nem sabem quem Ele é.
Aplicar essa passagem de Isaías a cura de doenças naturais, é rebaixar o sacrifício que Cristo fez por nós na cruz do Calvário, é diminuir o valor do que ele fez. Jesus morreu para nos libertar da escravidão do pecado e não para curar nosso corpo físico. Fecha o parêntese.
Nessa troca de lugar que houve entre mim e Cristo, onde Ele toma o lugar que é meu, há uma grande discrepância com aquilo que chamamos e entendemos por justiça.
Clamamos por justiça sempre quando vislumbramos algo que no nosso ponto de vista fugiu à lei. Quando uma pessoa mata a outra pedimos justiça. Quando somos enganados por uma empresa falsa que tomou nosso dinheiro aplicando um golpe, clamamos por justiça. Quando vemos alguém sendo maltratado ou menosprezado clamamos por justiça. E vemos gente clamando por justiça a todo o momento, cada vez que ligamos a TV em um noticiário, implorando para que alguém pague pelo que fez, o bandido pelo crime, o estelionatário pelo engano, o político pela corrupção.
O nosso conceito de lei e de ordem, de certo e errado, nos avisa quando vemos algo que ultrapassou os limites do correto e do justo. O nosso farol acende quando ficamos sabendo de alguma coisa que não está certa, no nosso modo de ver, no nosso modo de pensar e de entender justiça.
E quando olhamos pra Jesus crucificado em uma cruz, em um lugar que não era dele, mas era meu, podemos até incorrer no erro de imaginarmos que aquilo que Ele fez não era justo, porque se olharmos de acordo com nossa concepção e ótica de justiça, o ato de Jesus foi injusto, porque Ele pagou por algo que não fez, assumiu um lugar que não era seu.
O problema é que tentamos entender sob nossa ótica e nossa concepção de justiça que é limitada, porque é humana.
Mas o pouco que podemos conhecer da concepção de justiça divina, nos leva a entender o motivo de Cristo ter assumido um lugar que não era dele. A exigência e perfeição requeridas por Deus para que a sua justiça fosse feita, são tão altas e tão elevadas, que ninguém seria capaz de pagar por qualquer pecado, nem dele mesmo, nem de outra pessoa. Para que a justiça divina fosse satisfeita a contento, de acordo com a santidade de Deus, somente alguém perfeito poderia oferecer a sua vida em resgate da humanidade. E esse alguém é Cristo.
Só um perfeito homem e um perfeito Deus seria suficientemente capaz de interligar novamente o abismo que houvera sido formado pelo pecado do homem. Ninguém, por melhor que fosse, tinha as prerrogativas para oferecer o perfeito sacrifício.
E esse é o tema de Isaías 53. O justo que paga pelo injusto. O Santo que sofre em lugar do pecador. Deus que entrega a sua vida para redimir o homem que caminhava a passos largos para o inferno. Injusto? Talvez no nosso conceito de justiça sim, mas não no conceito de Deus. Para Deus foi o sacrifício perfeito, permanente e totalmente eficaz.
Por isso que Jesus não se defende diante das acusações dos seus inimigos, mas aceita livremente o castigo que lhe impunham. E não poderia ser diferente, porque sua morte foi vicária. Ele de livre e espontânea vontade ofereceu a sua vida e livremente se humilhou.
Por isso que o texto nos diz que Ele não abre a sua boca, não se defende das acusações, age como um cordeiro, passivamente, porque Ele bem sabia que aquilo era necessário e que era a vontade de Deus que assim fosse.
Por isso que a cruz de Cristo é loucura. Um inocente morrendo por um culpado. Um inocente que agüenta calado todos os ultrajes sofridos. Um Deus que deixa a sua glória para morrer por alguém que lhe havia ofendido e virado as costas. Mas também é salvação para todo aquele que aceitar essa aparente incoerência.
3. Jesus não viveu e nem morreu como o Messias esperado pelos judeus, mas foi glorificado como tal
Versículo 10 “Mas Iahweh quis esmagá-lo pelo sofrimento. Porém, se ele oferece a sua vida como sacrifício expiatório, certamente verá uma descendência, prolongará seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus triunfará”
A sua vida e a minha vida irmãos, são frutos do desígnio de Deus para a humanidade. O plano de Deus ao criar a humanidade é que essa pudesse desfrutar da sua presença constante; ter uma relação próxima e íntima com o homem, que fora criado para o louvor da sua glória. Ao pecar, o homem quebra essa relação, rompe com essa intimidade e um abismo intransponível surge entre ele e Deus.
Jesus vem restaurar novamente esse abismo criado. Ele é a ponte que nos leva de volta a Deus.
Nada pode frustrar o plano de Deus para a humanidade. O pecado não frustrou. A morte não frustrou. Seu plano continua vivo porque Cristo um dia entregou a sua vida em meu lugar, em lugar de todos nós, mas acima de tudo Ele venceu a morte e ressuscitou ao terceiro dia.
Cristo então recebe um nome que está sobre todo nome. Um nome e uma história que muitas vezes já tentaram apagar. Mas isso é uma tarefa impossível porque é a história de Deus e a sua criação. Uma história que ainda está viva e que continua avançando sob os desígnios soberanos de Deus.
E o que nos cabe irmãos? Creio que nos cabe uma reflexão sincera de nossos corações. Hoje é a ceia do Senhor. Um culto de memorial, onde relembramos o sacrifício efetuado por Jesus na cruz. Não devemos fazer isso só no culto de ceia, mas podemos também usar esse momento para isso.
O que temos feito com o Cristo da cruz? Que valor e que posição Ele ocupa em minha vida? Como tenho valorizado tão grande sacrifício feito por mim?
Enquanto eu escrevia essas palavras, muitas coisas da minha vida me vieram à mente. Coisas boas e outras não tão boas assim. Às vezes ainda me pego agindo conforme a minha velha natureza. E nesse momento eu preciso voltar. Voltar para o Pai, voltar os olhos para Deus. Voltar os olhos para a cruz e ver que quem deveria estar lá era eu, porque fui eu quem pecou. Mas quando eu olho para cruz, relembrando o que Cristo fez, eu vejo um inocente pagando pelo meu crime, por algo que eu deveria pagar. O lugar não era dele, era meu.
A nossa vida deveria demonstrar essa gratidão que deveríamos sentir quando olhamos para a cruz, mas nem sempre é assim, e nessa hora, não nos resta outra coisa a não ser voltar, arrependidos, e convictos de que a graça é maior. Não usando a graça como pretexto para pecar, mas confiando nela como única saída para nossa rebelião.
Que possamos valorizar a cada instante de nossa vida o ato voluntário de Jesus. Quando a tentação vier, olhe para a cruz. Quando o pecado lhe chamar, olhe para a cruz e para o sofrimento daquele que nada fez, mas sofreu só por nos amar.
Que Deus nos abençoe.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Radar de Deus


Tive o privilégio de ir ao Canadá há três anos. Algumas coisas me surpreenderam nessa viagem. A primeira foi a segurança com que se vive. Pode-se deixar o carro aberto no estacionamento do mercado que não possui guarita e nem segurança particular. Pode-se deixar a casa aberta enquanto você vai ao trabalho, aliás, pouquíssimas casas possuem chaves. Mas a coisa mais impressionante foi o trânsito. Dirigindo pelas ruas de Belleville, você pode mensurar o nível de educação de um povo. Não importa o horário, ninguém ultrapassa o sinal vermelho. Ninguém ultrapassa em local proibido e nenhum pedestre atravessa fora da faixa, com raríssimas exceções. Aí você vem para o Brasil e pode mensurar o nível de educação de um povo, ou seja, nenhum.
É incrível como o brasileiro é sem-educação e ignorante. Você está em uma via cuja velocidade máxima é 60 km/hora, e você já está muito próximo da velocidade máxima. O cara de trás não se contenta e quer lhe ultrapassar. Mas ele é tão ignorante que não percebe que logo à sua frente tem uma fila enorme de carros. Ele lhe ultrapassa, geralmente em local proibido e fica bem à sua frente na fila enorme de carros. O que ele ganhou? Nada, ou talvez uns dois segundos de sua vida, ou morte, quem sabe?
Mas essa falta de educação e integridade não se resume ao trânsito, mas está em todos os aspectos da vida do cidadão. Ele toma o lugar reservado para pessoas deficientes no estacionamento do mercado. Ele “empresta” o filho do vizinho para poder pegar a fila preferencial no banco. Ele mente sua situação financeira para poder conseguir bolsa de estudo para a faculdade. Ele diminui a velocidade quando está próximo a um radar, mas aumenta logo depois que passa pelo mesmo, e se você escolher respeitar as leis, ele simplesmente fica irritado e lhe acha um idiota.
Infelizmente, levamos essa falta de integridade e responsabilidade para outros aspectos mais importantes de nossa vida, como, por exemplo, no nosso relacionamento com Deus. Tratamos Deus como tratamos o radar, a lei e o governo. Achamos que podemos enganar a Deus como enganamos o leão do imposto ou ao guarda de trânsito.
Todavia nos esquecemos que o radar de Deus não é como o radar da sua cidade que está ligado, quando está, em apenas alguns pontos que você já conhece. E caso você se esqueça e seja pego pelo radar, o máximo que pode acontecer é pagar uma multa e ter alguns pontos na sua carteira. Mas quando somos pego pelo radar de Deus, uma coisa muito mais grave nos acontece, pecamos contra Ele.
O radar de Deus está ligado 24 horas por dia e não se encontra somente em alguns lugares, mas em todos os lugares e circunstância de nossa vida. Salmo 139:8 “Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também”. Não há lugar que o radar de Deus não possa me pegar, nenhum sequer.
Achamos que não, mas a nossa falta de integridade com que agimos em muitos aspectos de nossa vida, acaba atingindo nosso relacionamento com Deus. É quase automático e intuitivo. Não paramos para pensar e agimos conforme nossa natureza.
Nosso radar acaba sendo as pessoas ao invés de ser Deus. Na frente das pessoas somos crentes comprometidos e respeitamos as “leis”, mas longe delas somos iguais a todos e agimos como se Deus não estivesse nos olhando, como fazemos com os radares de nossa cidade.
Até aqui eu só fiz uma ilustração de nossa atitude para com Deus e nossa integridade para com as coisas comuns de nossa vida. Mas você sabia que todas as nossas atitudes do dia-a-dia refletem de maneira inequívoca nossa comunhão e obediência a Deus? Não pensando muito sobre isso, com freqüência avançamos o sinal e somos fotografados pelo radar de Deus, e com isso pecamos.
De novo voltei ao trânsito. Quantas vezes vejo barbaridades cometidas por alguém e quando o carro passa, lá está no pára-choque a célebre frase “nas mãos de Deus” ou então “propriedade exclusiva de Jesus”. Quanta hipocrisia e quanta insanidade. Ao invés de servir para dignificar a Deus só serve de escândalo. Aliás, uma sugestão, se você é do tipo esquentadinho, por favor, não coloque nada em seu carro que o identifique como um crente em Cristo. Nesse caso o anonimato trás menores prejuízos.
A primeira pregação e talvez a mais significativa seja a nossa própria vida, e caso essa seja tortuosa, de nada valerá nossas palavras, pelo contrário, servirão apenas para que o nome de Cristo seja blasfemado entre os pagãos.
Vivamos a nossa vida, cônscios de que o radar de Deus não se desliga, mas está constantemente nos olhando e vendo o que estamos fazendo. Vivamos a nossa vida diante dos homens de forma íntegra de modo que em nada possamos ser acusados, vivendo aquilo que pregamos e falamos. Que Deus nos abençoe.