quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vasos de Barro

Jeremias 18:4 "Mas o vaso de barro que ele estava formando se estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade."

Somos vasos em construção. Tudo em nossa vida está em constante e ininterrupta mudança. Por isso não tenho verdades absolutas comigo. Por isso mudo constantemente minhas provisórias "verdades". Não tenho mais crises com estas mudanças, visto que dia-a-dia, andando e conhecendo o Senhor, temos mesmo é que mudar.
Como já disse o Stênio, nossa vida é um grande tapete que o tapeceiro vai construindo devagar, incansável e paciente. É mais ou menos a mesma metáfora do oleiro que Jeremias foi visitar. Nada pronto, mas em constante construção.
E a construção se faz por culpa de Deus? Será que Ele se engana e por isso precisa refazer tudo de novo? De modo algum. Nós é que nos estragamos em suas mãos quando queremos agir por conta própria.
Mesmo entendendo que Deus conhece a história e nossos tropeços futuros, e apesar de nada surpreender Deus, entendo de forma bastante limitada, que Ele tem sempre um plano B; e um C, D, E, e quantos forem necessários para que nossa vida seja moldada de acordo com Sua vontade. A única diferença entre um plano e outro é a quantidade de tombos que tomaremos antes de entendermos e aceitarmos viver por aquilo que Deus traçou.
Não foi Deus quem predestinou a sua quebra quando estava sendo moldado por Ele, foram seus próprios atos de rebeldia que proporcionaram a quebra. O plano B de Deus, ou a nova moldagem do vaso, é pura e simplesmente a Sua misericórdia fazendo algo novo em tua vida. É o Seu amor que não nos deixa perder-nos em nossos desvarios.
E foi exatamente para isso que fomos chamados: sermos vasos. Recipientes que contenham coisas boas. Vazios não temos muita utilidade, mas cheios do Espírito Santo somos veículos das boas novas de Jesus ao mundo. E para sermos cheios do Espírito precisamos estar vazios de nós mesmos.
Este é o trabalho do oleiro: modelar o vaso para que ele se torne útil.
Que Deus nos ajude e nos modele a cada dia.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

OS NOVOS APOLOGISTAS

Venho recebendo uma série de e-mails, mensagens no facebook, etc, etc, de algumas pessoas que se consideram apologistas, criticando alguns pastores que estão na berlinda, só porque trouxeram uma nova visão de igreja que se perdeu no legalismo religioso. Entre estes pastores estão o Gondim, o Kivitz e agora o Elienai Cabral Junior. Não tenho nada contra nenhum deles, muito pelo contrário, são pessoas que se cansaram da hipocrisia da igreja, assim como eu, e resolveram tentar mudar alguma coisa. Nenhuma mudança ou quebra de paradigma é fácil, tráz desavenças e discussões sem fim. Mas não estou aqui para falar deles, quero falar dos supostos defensores da fé cristã, porque é assim que se intitulam, defensores da fé histórica.
Bom, já que gostam tanto de história, deveriam estudar um pouco e ver que a história da igreja cristã teve momentos sombrios e sangrentos, momentos dos quais deveríamos nos envergonhar. E não me venha falar de história após reforma protestante. Nossa história começa no pentecoste com Pedro abrindo as portas do reino como prometido por Jesus em Mateus 16:19, passa por Constantino sim senhor, passa pela idade das trevas sim senhor e chega até a reforma. E não pensem que o derramamento de sangue acabou com a reforma, a Irlanda está aí até hoje colhendo os frutos disso.
Os defensores do cristianismo histórico deveriam colocar tudo isso em pauta se querem tanto defender a doutrina histórica. Aliás, às favas com a doutrina histórica, o que vale pra mim é tão somente a doutrina bíblica, interpretada da forma mais pura possível, já que interpretação pura é utopia.
Os defensores do cristianismo histórico deveriam lembrar que por centenas de anos fechamos as portas do reino para as pessoas que achávamos que não se adequavam aos padrões do nosso "cristianismo histórico". Mandamos muita gente para o inferno com a desculpa da moral e da ética, utilizando como pretexto os bons costumes; mas esses bons costumes na verdade sempre coibiram o preto, o pobre e a prostituta de adentrarem no reino, porque na mente doente destes legalistas o reino foi feito pra gente "certinha" que se enquadrava no esquema.
Então na verdade, o que eu acho mesmo, é que os legalistas estão com medo porque estes pastores estão tentando abrir as portas do reino para aqueles que realmente precisam do reino, os doentes do nosso mundo (ser igreja para quem não gosta da "igreja" e de quem a igreja não gosta). Estes legalistas estão com medo que no próximo domingo, no culto de adoração, tenham que se sentar ao lado de um bêbado fedido, uma prostituta mais atraente que as esposas deles ou um travesti de saia e maquiagem, e pior, vê-los cantando o mesmo cântico que eles (nossa, que blasfêmia!).
Estou cansado de hipocrisia, estou cansado de crente medíocre que só sabe criticar, mas não faz nada pelo reino, não estou falando pela "igreja", estou falando pelo reino. Estou cansado dessa babaquice de querer taxar quem está apto ou não para se apossar do reino.
Graças a Deus o reino está aberto, Jesus o inaugurou e nenhum medíocre vai fechá-lo.
Enquanto o cara de boné, sentado ao nosso lado na igreja nos incomodar mais que o mendigo sem ter o que comer; incomodar mais que o sofrimento da prostituta que está muitas vezes clamando por liberdade, do pobre que não tem o que comer e nem o que vestir, enquanto a música do culto for mais importante do que a miséria que assola a nossa sociedade, então nosso cristianismo está a anos-luz do cristianismo vivido e ensinado por Jesus, e se esse for o caso precisamos nos converter de novo, precisamos pedir para que Jesus nos quebre até que entendamos o que realmente importa para o reino.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tempo de Refrigério

Lucas 10:42b "Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada"

Você já teve a impressão de que hoje em dia o tempo passa mais rápido? Já teve também a impressão de que na tua infância o tempo demorava mais pra passar? A semana passa voando porque não vemos a hora de chegar o fim de semana. O fim de semana passa voando porque ficamos tão ansiosos por querer aproveitar o tempo da melhor maneira, que quando nos damos conta já foi. É frustrante essa percepção de que a vida passa mais rápido do que gostaríamos.
Mas pergunte a um morador do campo, não do campo moderno, mas um daqueles das antigas, agricultor de subsistência, pergunte a ele se tem esta mesma percepção e provavelmente ele dirá que não. Ele ainda consegue viver seu dia bem vivido, fazendo uma coisa por vez, de forma bem tranquila.
Na verdade o tempo passa do mesmo modo que quando éramos crianças e hoje, do mesmo modo na cidade e no campo. É a nossa correria e agitação que nos engana e nos faz pensar que tudo corre mais rápido.
Costumo dizer que se pudesse moraria no campo, jogaria fora os celulares e tentaria viver uma vida com mais qualidade. Mas infelizmente não podemos, ou talvez não tenhamos coragem de deixar as "comodidades" da cidade grande.
Independente de ser possível ou não, viável ou não, devemos pelo menos buscar em meio a tudo isso, momentos de refrigério. Momentos que nos possibilitem "desligar" deste mundo louco e nos ligar em outro mundo "mágico". Estou falando de momentos com Deus.
A agitação e o corre-corre nos tirou inclusive os momentos de conversa com Deus. Não temos mais tempo para isso. Ouvi certa vez de uma pessoa que para repor esses momentos ela ouve pregações no carro enquanto dirige. Nada contra ouvir pregações no carro, mas sinceramente sinto que é uma alternativa no mínimo insuficiente. É na verdade só um paliativo para tapar nossa falta.
Precisamos de momentos de refrigério, momentos de tranquilidade e silêncio onde a sensibilidade para ouvir a voz de Deus é aguçada e onde nosso espírito pode encontrar consonância com o Espírito de Deus.
A princípio você achará que está perdendo seu precioso tempo, porque sua mente está acostumada ao ativismo desenfreado, mas com o tempo perceberá quão preciosos foram estes momentos e quão úteis para a sua espiritualidade.
Existe tempo pra tudo. Existe tempo de correr para uma atividade qualquer, mas deve existir tempo para se sentar e ouvir a voz de Deus e também poder falar com Ele. Este tempo não deve ser negligenciado com pena de passarmos pela vida sem experimentarmos uma comunhão mais profunda e transformadora com Deus. Se você escolher "gastar" seu tempo aos pés de Jesus, com certeza esse tempo não lhe será tirado.