quarta-feira, 5 de outubro de 2011

APENAS PÓ

Deuteronômio 32:10-12 "Numa terra deserta ele o encontrou, numa região árida e de ventos uivantes. Ele o protegeu e dele cuidou; guardou-o como a menina dos seus olhos, como a águia que desperta a sua ninhada, paira sobre os seus filhotes, e depois estende as asas para apanhá-los, levando-os sobre elas. O Senhor sozinho o levou; nenhum deus estrangeiro o ajudou."

Moisés estava prestes a morrer e em uma tentativa última de pedir ao povo fidelidade a Deus, proclama este cântico maravilhoso que está descrito no capítulo 32 de Deuteronômio.
Não sei você, mas eu me sinto infinitamente não merecedor da graça de Deus. Você pode pensar: mas não é assim que deve ser? É assim que deve ser, mas nem sempre é.
O orgulho humano nos leva muitas vezes a pensar que aquilo que fazemos a Deus é na verdade fruto de nossa capacidade, intelectualidade, de nossa força. Nos esquecemos de onde Deus nos tirou e a transformação que Ele fez em nossas vidas.
Esquecemo-nos que estávamos na situação descrita pelo poeta Moisés: numa região árida e de ventos uivantes, ou seja, no deserto. Perdidos, com sede, com fome, longe da civilização, no frio da noite desértica, sujeito aos animais famintos e prontos a atacar. Essa era nossa condição quando Cristo nos encontrou, sem esperanças e sem futuro.
Não passaríamos daquela noite, mas Ele nos achou. Protegeu-nos, cobriu-nos, cuidou de nossas feridas e nos guardou como a menina de seus olhos. O que fazemos quando um cisco entra em nosso olho? Não tentamos tirá-lo desesperadamente? Foi assim que Deus nos amou, desesperadamente, e nesse desespero Paterno, Ele continua a nos guardar e a nos proteger.
Por isso me sinto tão indigno, tão pequeno e tão pecador. Cada vez que me deparo com o tamanho sem fim do amor de Deus, não posso sentir outra coisa senão incapacidade e insuficiência. Este é o efeito inevitável do limitado em contato com o Eterno, do pecado em contato com o Santo, do finito em contato com o Infinito e Transcendente.
E neste instante de vislumbramento e devoção só resta nos prostarmos diante d'Ele e declararmos nossa dependência total e irrestrita.
Por isso que no reino de Deus não cabem super-crentes. Não cabem "super-homens" com mais unção ou mais poder. Nesse negócio chamado igreja só cabem pessoas dependentes e carentes, não da força da mulher como diria o Erasmo, mas da força da Deus e de sua infinita graça.
Lugar de super-crentes é junto dos fariseus, e pelo que me consta, Jesus não era muito fã deles não.
E pensando nisso, lembrei de uma música do meu amigo Ezequiel Santos do Quarteto Dom Livre que diz assim: "Mas se eu ousar pensar que mereço seu favor, podes me lembrar Senhor, quando tudo começou, eu era apenas pó."

Que Deus nos abençoe!

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