sexta-feira, 2 de agosto de 2013

DEUS E O BARRO

Todavia brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo. Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra... Gênesis 2:6-7

Água e pó formam barro.
Apresentaram-me um deus muito distante e poderoso, tão poderoso que seria incapaz de se misturar com a insignificância humana.
Hoje em dia acredito mais em um Deus que se mistura, se relaciona e se funde com a humanidade com a intenção de conquistá-la.
Antes imaginava um deus lá em cima, bem lá no alto, ordenando ao barro, e este, bem devagar, ia tomando a forma de um corpo, membros e músculos se formando enquanto deus apreciava tudo impecavelmente de seu trono.
Agora penso em um Deus se ajoelhando na terra, afundando as mãos no barro, separando os pedregulhos de um lado e lentamente, como um artista diante de sua escultura, molda a mais excelente de todas as suas criaturas, alguém finalmente à sua imagem e semelhança, alguém com sentimentos como os dele.
Depois de pronto, Deus lava as mãos sujas de barro, seca-as em seu avental e sorri satisfeito com o trabalho de suas mãos. Com um carinho quase materno, Deus sopra vida em sua obra que abre os olhos e reconhece pela primeira vez aquele que o criou.
A obra-prima de Deus não foi feita à distância, não se formou através de uma ordem, mas foi feita pessoalmente, com cuidado e precisão.
E, desde então, existe uma força de atração irresistível da criatura pelo seu Criador.
Pessoas de todas as épocas e de todas as partes do mundo tentam encontrar uma força maior, um ser superior, alguém ou alguma coisa que possa explicar onde tudo começou, qual a origem e qual o sentido da existência. Até a ciência evolucionista ateia busca este começo existencial porque não há nada que extingua o desejo de olhar novamente nos olhos daquele que nos modelou do barro. Esta atração é irresistível.
A única coisa que nos impede de vê-lo e de senti-lo é o pecado; ele é o único meio capaz de fazer-nos insensíveis àquele que nos criou.
Apesar disso, todas as vezes que desejarmos vê-lo novamente, basta chamarmos por Ele e, assim como no princípio, Ele estará bem na nossa frente, olhando novamente nos nossos olhos com o mesmo semblante e com a mesma alegria da primeira vez. Porque para Ele, cada retorno será como uma nova criação, sem ressentimentos e sem passado, limpos como se fosse o primeiro barro.
E sem hesitação, novamente Ele sopra vida em nós, incansavelmente, quantas vezes forem necessárias.
Assim é Deus. E sempre será.

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